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16/02/18

100 LIVROS RECOMENDADOS

RECOMENDADOS por Goulart Gomes*

Há uma porção de listas de livros e antologias de “100 MELHORES LIVROS”... Esta NÃO É mais uma delas. Acredito que, em se tratando de Literatura é, no mínimo, temeroso se falar em “MELHORES”. Prefiro falar em “PREFERIDOS”. Instigado pelo colega Denis, elaborei a minha lista. A lista dos meus 100 LIVROS PREFERIDOS, na literatura brasileira e estrangeira.
 
Claro que muitas faltas serão sentidas. Procurei me basear em algumas importantes selecções de livros e autores mas, principalmente,  naquilo que aprecio, ou seja: li, gostei e recomendo. É uma lista dinâmica, que será alterada à medida em que  outros livros sejam lidos (espero viver o bastante para ler todos os clássicos que ainda não li!) e preferi destacar minha obra preferida de cada autor; poucos tiveram o privilégio de ter duas obras citadas.
 
As obras estão classificadas em três grupos e, em cada grupo, por ordem alfabética de título. Após cada obra acrescentei uma ou mais letras que identificam em que outras selecções o livro está incluído, a saber. Veja a lista de referências ao final.



1 - NÃO VÁ MORRER SEM LER: 
(título, autor, gênero, país, referências)


A vida como ela é, Nelson Rodrigues, contos, Brasil
BB,IC
Porque ler: Nelson Rodrigues é o mais genial dramaturgo e cronista brasileiro. Seus textos curtos, de frases enfáticas e finais surpreendentes transformaram o jornalismo literário e a crônica esportiva. Ninguém melhor que ele conseguiu revelar os aspectos mais sórdidos da natureza humana.

Cem anos de solidão, Gabriel García Marquez
romance, Colômbia, 

BL,BM,CL,EM,FP,FS,GW,JM,LM,MB,MP,MR,NW,NY,OS,PL,PN,RL,TG,TT
Porque ler: Sem dúvida alguma o melhor romance de todos os tempos. Marquez reuniu, com grande maestria, em uma obra única, dezenas de personagens marcantes, uma narrativa vigorosa, aliadas à sua incomparável habilidade de contar as histórias mais surreais.

Crime e Castigo, Fyodor Dostoiévski
romance, Rússia
BM,CL,EM,FP,GD,GW,HB,JM,JW,LM,MB,MP,MR,OP,PL,SI,TG
Porque ler: Um dos principais romances psicológicos de todos os tempos. Ultrapassadas as primeiras cem páginas, mergulhamos em uma narrativa densa, angustiada, na qual o tema da existência é discutido através de diálogos de caráter filosófico e religioso.

Dom Casmurro, Machado de Assis
romance, Brasil, 
AB,BB,EM,GD,GW,HB,IC,IL,LM,MB,MP,SI
Porque ler: O primeiro grande romance da literatura brasileira. Em torno do tema do adultério, Machado criou três dos mais marcantes personagens da nossa literatura: Bentinho (Dom Casmurro), Capitu e Escobar e deixou uma dúvida que atravessa os séculos.


Dom Quixote, Miguel de Cervantes, 
romance, Espanha
BM,CL,EM,FP,GW,HB,JM,JW,LM,MB,MP,OP,OS,SI,TG,WD
Porque ler: Possivelmente Dom Quixote seja o personagem mais famoso da literatura universal. O Cavaleiro da Triste Figura, acompanhado de seu fiel escudeiro Sancho Panza, enfrentando moinhos de vento, continua atualíssimo, quinhentos anos depois. Um retrato social que ainda perdura. 


Eu e outras poesias, Augusto dos Anjos
poesia, Brasil
AB,BB,OP
Porque ler: Augusto é um poeta único na história da nossa literatura. Parnasiano? Simbolista? Pré-moderno? Punk? Gótico? Inclassificável! Imensa riqueza de vocabulário, temática existencialista, pessimista por vezes, filosófico, científico. Um poeta além do seu tempo, que nos legou algumas das mais importantes poesias brasileiras.


Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa, 
romance, Brasil
AB,BB,BL,CL,EM,FS,GD,B,IC,JM,LM,MB,MP,OP,SI,TG
Porque ler: É o melhor romance brasileiro de todos os tempos. O amor impossível, de caráter aparentemente homoerótico, entre Riobaldo e Diadorim; a eterna luta entre Deus e o Diabo; as complexas relações políticas nos sertões; a impressionante narrativa de Rosa, utilizando a riqueza semântica nordestina e a variada criação de neologismos, fazem deste livro a grande obra-prima brasileira.


Hamlet, William Shakespeare
teatro, Grã-Bretanha
BM,CL,GW,HB,JM,LM,NW,PL,SI,TF,TG,WD
Porque ler: Shakespeare construiu a maior obra teatral de todos os tempos, influenciando gerações e gerações de escritores. Para o crítico Harold Bloom, ele é o grande gênio da literatura universal. E Bloom entende muito disto. Hamlet, sem dúvida, é sua obra máxima.


Obra poética, João Cabral de Melo Neto
poesia, Brasil
AB,BB,EM,GW,JM
Porque ler: Regionalista e universal, este poeta pernambucano, que percorreu o mundo, construiu a mais significativa obra poética brasileira. O “engenheiro da poesia”, elaborou uma métrica e um estilo próprios, elo entre os repentistas nordestinos e os trovadores ibéricos provençais. 


Romance da Pedra do Reino, Ariano Suassuna
romance, Brasil
FS,MB
Porque ler: Um romance épico-satírico brasileiro protagonizado por um dos mais loucos e inventivos personagens da nossa literatura; Dom Pedro Luiz Quaderna. Baseado em fatos vivenciados pelo autor e outros retirados na rica tradição popular nordestina, é uma das mais criativas obras da literatura brasileira.



 2 - LEIA ANTES DE MORRER:


1984, George Orwell, romance, EUA, 
BL,BM,CL,FS,GW,LM,MA,MB,ME,MP,MR,NW,NY,OP,OS,RL,RT,SI,TG,TT

A Divina Comédia, Dante Alighieri, poesia, Itália
BM,CL,EM,GW,HB,NW,OP,PL,SI,TG,TT,WD

A Metamorfose, Franz Kafka, romance, Rep. Checa
CL,EM,FP,GW,HB,JW,LM,MP,NY,PL,TF

A paixão segundo GH, Clarice Lispector, romance, Brasil
AB,BB,GD,GW,IC,LM,MB,MP

A Náusea, Jean-Paul Sartre, romance, França
BM,FS,GW,MB,MP,PL,PN,RL

A revolução dos bichos, George Orwell, romance, EUA
FS,GW,LM,MA,MB,ME,MP,NW,RT

A terra de Deus, Taylor Caldwell, romance, Estados Unidos

Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley, romance, Grã-Bretanha
BL,BM,FS,GW,LM,MA,MB,ME,MP,MR,NW,NY,OS,RL,TT

Brás, Bexiga e Barrafunda, Antônio A. Machado, 
contos, Brasil, AB,BB

Carta a um jovem poeta, Rainer-Maria Rilke
epistolário, Rep. Checa, GW,HB,PL

Cascalho, Herberto Sales, romance, Brasil

Deuses Americanos, Neil Gaiman, romance, EUA

Espumas flutuantes, Castro Alves
poesia, Brasil, AB,BB,JM

Eu, robôIsaac Asimov, contos, Rússia
GW,MB,MP,MR,PL

Ficções, Jorge Luis Borges, contos, Argentina
BL,BM,CL,EM,GW,HB,IL,LM,MB,MR,NY,OP,PL,TG

Fogo morto, José Lins do Rêgo, romance, Brasil
AB,BB,EM,GW,MB

Fome, Knut Hamsun, romance, Noruega
CL,GW,JW,MB,MP,MR,PN,TG

Germinal, Émile Zola, romance, França
GW,IL,LM,MB,MP,OP,PL

Gramática expositiva do chão, Manoel de Barros
poesia, Brasil, JM

Horizonte perdido, James Hilton
romance, Grã-Bretanha, MR,NY

Macunaíma, Mário de Andrade, romance, Brasil
AB,BB,EM,FS,B,IC,JM,MB,MP,SI

Memorial do Convento,  José Saramago, romance, Portugal
BL,CL,FS,GW,LM,MB,MP,PL,PN


Mensagem, Fernando Pessoa, poesia, Portugal
BM,EM,GW,JM,PL

Nada de novo no front, Erich Ma.Remarque, romance, Alemanha
GD,MB,MP,NY,RL, 

Narciso e Goldmund, Hermann Hesse, romance, Alemanha
GW,LM,PL,PN

O amor nos tempos do cólera,  Gabriel García Marquez, romance, Colômbia
CL,GW,LM,MB,MP,PL,PN,TG

O coronel e o lobisomem, José Cândido de Carvalho
romance, Brasil, 
BB,MB

O deserto dos tártaros, Dino Buzzati, romance, Itália
BM,FS,GD,,GW,MB,MP,PL

O estrangeiro, Albert Camus, romance, Argélia/França
BL,BM,CL,EM,FS,GD,GW,IL,LM,MB,MP,C,NY,PL,PN,RL,TG

O perfume, Patrick Suskind, romance, Alemanha
GD,GW,MB,MP,MR

OdisséiaHomero, poesia, Grécia
BM,CL,EM,GW,HB,JM,JW,LM,NW,OP,SI,TF,TG,TT,WD

Os miseráveisVictor Hugo, romance, França
BM,EM,GW,HB,JM,LM,MB,MP,MR,OP,PL

Os ratos, Dyonélio Machado, romance, Brasil, AB,BB,GD

Otelo, William Shakespeare, teatro, Grã-Bretanha
BM,CL,GW,HB,JM,JW,LM,NW,PL,TG,WD

Sagarana, Guimarães Rosa, contos, Brasil
AB,BB,B,IC,LM,MB

São Bernardo, Graciliano Ramos,  romance, Brasil
AB,BB,B,IC,LM

Se um viajante numa noite de inverno, Ítalo Calvino, romance, Itália
GD,GW,HB,LM,MB,MP,MR,OS,PL

Xógum (Shogun), James Clavell, romance, Estados Unidos

Uma aprendizagem ou O livro dos prazeresClarice Lispector
romance, Brasil, LM

Vidas Secas, Graciliano Ramos, romance, Brasil

AB,BB,GW,EM,JM,LM,MB,SI



3 - SE NÃO MORRER ANTES, LEIA ESTES, TAMBÉM: 

A Cura de Schopenhauer, Irvin Yalom, Estados Unidos

A hora da estrela, Clarice Lispector, romance, Brasil
EM,GW,LM,MB,MP,SI

A imortalidade, Milan Kundera, romance, Rep. Checa, GW

A vida e as extraordinárias aventuras do soldado Ivan Tchônkin
Vladimir Voinóvitch, romance, Rússia

Alice nos País das Maravilhas, Lewis Caroll, romance, Grã-Bretanha
BM,EM,GW,HB,LM,MB,MP,MR,OP,OS,PL,TF

Amada, Toni Morrison, romance, EUA
CL, GW, MA, MB, MP, MR, NW, PN, RT, TG, TT

As aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain, romance, EUA
BM,GW,HB,LM,OP,PL

As flores do mal, Charles Baudelaire, poesia, França
BM,EM,GW,HB,JM,OP,PL,SI

Broquéis, Cruz e Sousa, poesia, Brasil, AB,BB

Canto Geral, Pablo Neruda, poesia, Chile
BL,GW,OP,PL,PN

Decameron, Boccaccio, contos, Itália
BM,CL,EM,GW,IL,JM,LM,OP,PL,SI,TG

Deus lhe pague, Joracy Camargo, teatro, Brasil

Eneida, Virgílio, poesia, Grécia

BM,CL,EM,HB,JM,SI,TG,WD

Ensaio sobre a cegueiraJosé Saramago, romance, Portugal
EM,GD,GW,JW,LM,MB,MP,PL,PN,TG

Fausto, Goethe, poesia, Alemanha
BM,EM,GW,HB,LM,OP,PL,TG

Folhas de relva, Walt Whitman, poesia, EUA
BM,CL,EM,GW,HB,NW,OP,PL,SI,TG,WD

Frankenstein, Mary Shelley, romance, Grã-Bretanha, 
GW,LM,MB,MP,MR,NW,OP,PL,SI,TF,TT

Histórias extraordinárias, Edgar A. Poe, contos, EUA
BM,CL,EM,GW,LM,MB,MP,MR,OP,PL,RT,TF,TG,WD

IlíadaHomero, poesia, Grécia
BM,CL,GW,HB,JM,JW,LM,MR,NW,SI,TF,TG,TT,WD

JubiabáJorge Amado, romance, Brasil, AB, GW

Longa jornada noite adentro, Eugene O'Neill, 
teatro, EUA, BM,GW,PL,PN,RL

Lucíola,  José de Alencar, romance, Brasil, BB, LM

Moby Dick, Herman Melville, romance, EUA, 
BM,CL,EM,FP,GW,HB,IL,LM,MB,MP,MR,OP,OS,PL,TG

O amante, Marguerite Duras, romance, França, 
BL,GW,MB,MP,MR,NY,PL,SI

O ateneu, Raul Pompéia, romance, Brasil
AB,BB,IC,JM,MB,

O cão dos Baskervilles, Conan Doyle, novela, Grã-Bretanha
GW,MB,MP,MR,NY,OP,PL,TT

O cortiço, Aluísio Azevedo, romance, Brasil
AB,BB,EM,GD,IC,MB,MP,OP,SI 

O fim da infância, Arthur Clarke, romance, Estados Unidos, PL

O mez da grippe, Valêncio Xavier, romance, Brasil

O nome da rosaUmberto Eco, romance, Itália

BL,GW,LM,MB,MP,MR,PL,RL, 

O pagador de promessas, Dias Gomes, teatro, Brasil, BB

O pequeno príncipe, Saint-Exupéry, romance, França,

BL,GW,MB,MP,MR,PL

O quinze, Rachel de Queiroz, romance, Brasil
AB,BB,BW,EM,JM,MB,SI

O reduto, Wilson Lins, romance,  Brasil

O rei da vela, Oswald de Andrade, teatro, Brasil, GW

O retrato de Dorian GrayOscar Wilde, romance, Grã-Bretanha, 

BM,GD,GW,HB,IL,LM,MB,MP,MR,OP,OS,PL

Obra poética, Bashô, poesia, Japão

Obra poética, Cecília Meireles, poesia, Brasil
AB,BB,BW,JM

Obra poética, E. E. Cummings, poesia, Estados Unidos, GW

Obra poética, Gregório de Mattos, poesia, Brasil, 
AB,BB,EM,JM

Obra poética, Vinicius de Moraes, poesia, Brasil
AB,BB,JM,BW

Orlando,  Virginia Woolf, romance, Grã-Bretanha
FS,GW,HB,IL,JM,LM,MB,MP,OP,PL,SI

Os cavalinhos de platiplanto, José J. Veiga
contos, Brasil, BB,IC

Os lusíadas, Luís de Camões, poesia, Portugal
GW,HB,JM,MB,MP,OP,PL

Os sertões, Euclides da Cunha, ensaio, Brasil
AB,BB,BW,EM,IC,LM,MB,MP,OP

Poema SujoFerreira Gullar, poesia, Brasil
BB,BW

Rubaiyat, Omar Khayyam, poesia, Irã
WD

Satiricon, Petrônio, romance, Itália

Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto
romance, Brasil, 
AB,BB,BW,EM,IC,JM,MB,

Zorba, o grego, Nikos Kazantzakis, romance, Grécia
CL,GW,MB,MP,TG


4 - CEDERAM A VEZ
(ótimos livros, mas só podem ficar 100!)

Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna

Cavalos do Amanhecer, Mario Arregui

Farda, fardão, camisola de dormirJorge Amado

Mas não se matam cavalos?, de Horace McCoy

O cavaleiro inexistenteÍtalo Calvino

O mágico, de Somerset Maugham

O mulo, Darcy Ribeiro

O feijão e o sonho, de Orígenes Lessa

Robinson Crusoe, Daniel Defoe


Seis personagens à procura de um autor, de Luigi Pirandello

Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato


Um homem demolido, de Alfred Bestler



5 - NÃO ADIANTA PEDIREM QUE ESTES
EU NÃO VOU INCLUIR NA LISTA
(entre parênteses, o número de vezes que o livro foi indicado em outras listas)

A montanha mágica, de Thomas Mann (14)
As vinhas da ira, de John Steinbeck (17)
Bartleby o escrivão, de Herman Melville (4)
Diário de um mago, de Paulo Coelho (0)
Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (21)
O alquimista, de Paulo Coelho (0)
O apanhador no campo de centeio, de Salinger (18)
O castelo, de Franz Kafka (12)
O guarani, de José de Alencar (5)
O sol também se levanta, de Ernest Hemingway (16)
O som e a fúria, de William Faulkner (18)
Pé na estrada, de Jack Kerouac (13)
Senhora, de José de Alencar
 (3)



6 - APÊNDICE

6.1. OUTRAS INDICAÇÕES

Para um primeiro contacto com a Literatura Brasileira, recomendo as colectâneas:

Os cem melhores contos brasileiros, Flávio Moreira da Costa (org.),
As cem melhores crónicas brasileiras, Joaquim Ferreira dos Santos (org.) e
100 anos de poesia, de Claufe Rodrigues e Alexandra Maia (org.). 


Para uma visão geral do romance universal: 

1001 livros para ler antes de morrer, Peter Boxall (org.), Ed. Sextante, 2010


6.2. LISTA DE REFERÊNCIAS

AB - Alfredo Bosi, 2005
BB - Revista Bravo Literatura Brasileira, 2006
BL - Centro Cultural Belém, Portugal, 1998
BM - Revista Bravo Literatura Mundial, 2009
CL - Clube do Livro da Noruega, 2002
EM - Editora Moderna, Enciclopédia do Estudante, 2008
FP - Para ler como um escritor, Francine Prose, 2006
FS - Folha de São Paulo, 1999
GD - Leitura Crítica, Gerana Damulakis
GW - 501 Great Writers, Julian Patrick (org), com inclusões de José Castello na edição brasileira.
HB - Gênio, Harold Bloom
IC - Por que ler os clásscos, Ítalo Calvino
IL - Os imortais da Literatura Universal, Ed. Abril, 1972
JM - José Mindlin, revista Veja, 2004
JW - Como funciona a ficção, James Wood, 2011
LM - 100 autores que você precisa ler, Léa Masina, 2008
MA - Modern Library's – Seleção dos Autores
MB - 1001 livros para ler antes de morrer, Peter Boxall, Ed. Sextante, 2010
ME - Modern Library's – Seleção dos Editores
MP - 1001 livros para ler antes de Morrer, Peter Boxall, Ed. Lisma, Portugal 2007
MR - 501 must-read books, Bounty Books, Grã-Bretanha, 2006
NW - Newsweek, 2009
NY – New York Public Library, 1997
OP - As obras-primas que poucos leram, Heloísa Seixas (org.)
OS - Observer - 100 livros do séc. 20
PL - Panorama da Literatura - Cadernos EntreLivros
PN - Prêmio Nobel de Literatura
RL - Revista Logos, Feira de Frankfurt, 2000
RT - Revista Time, 100 novels 1923-2005
SI - 101 livros que mudaram a humanidade, 2005, Superinteressante
TF - Para Ler Literatura Como Um Professor, Thomas C. Foster
TG - The Guardian, 2002
TT - The Telegraph, 2008
WD - As ideias e mentes mais brilhantes de todos os tempos, Will Durant, Ed. Arx, 2004.


 atualização: 04/10/2014

*Goulart Gomes é escritor, professor voluntário, pós-graduado em Literatura Brasileira pela Universidade Católica do Salvador - Bahia – Brasil

03/10/10

Literatura Apocalíptica

A palavra apocalipse, do grego αποκάλυψις (termo primeiramente usado por F. Lücke) (1832) significa, em grego, "Revelação". Um "apocalipse", na terminologia do judaísmo e do cristianismo, é a revelação divina de coisas que até então permaneciam secretas a um profeta escolhido por Deus. Por extensão, passou-se a designar de "apocalipse" aos relatos escritos dessas revelações.

Apocalipse é um género de literatura revelatória com uma estrutura narrativa, na qual a revelação é mediada por um ser do outro mundo a um receptor humano, revelando uma realidade transcendente que é simultaneamente temporal, na medida em que busca salvação escatológica, e também espacial, na medida em que envolve outro mundo.


Expressa por intermédio de símbolos e complexas metáforas a situação de sofrimento do povo judeu ou dos seguidores de Cristo e sua esperança em uma intervenção messiânica salvadora ou, no caso da apocalíptica cristã, na Parusia ou segunda vinda de Cristo.


A Literatura Apocalíptica é um género literário que encontra representantes tanto na literatura canónica, quanto fora dela.

Na literatura canónica, destaca-se Daniel no Antigo Testamento; e o Apocalipse de João no Novo.
Na literatura extra canónica existem vários exemplos do género, citamos: O Apocalipse de Baruc, o Livro dos Jubileus, os Oráculos Sibilinos, os Salmos de Salomão, a Assunção de Moisés, o Apocalipse de Enoque, a Vida de Adão e Eva, o Apocalipse de Abraão, o Apocalipse de Pedro, o Apocalipse de Paulo, o Apocalipse de Tomé e o Pastor de Hermas.

A literatura apocalíptica distingue-se da profecia por vários aspectos, entre eles mencionamos: o carácter esotérico, o sofrimento dos santos aliado à esperança de libertação final mediante intervenção divina, grande julgamento intervindo na história, a vinda do futuro não como consequência do presente, e a visão dos ímpios como adversários de Deus. Outras características são: conflito cósmico, combate entre dois adversários fortes, relato em forma de visão, e atribuição de autoria a um famoso personagem do passado.

É a partir do século II a.C., no momento das grandes crises nacionais, quando Israel, agredido por outros povos, corre o risco de desaparecer como nação, que a apocalíptica floresce com grande força.

Há três fases marcantes na história da apocalíptica:
• a época da guerra dos Macabeus contra Antíoco IV Epífanes e o partido helenizante, no séc. II a.C.
• a partir do domínio romano, que se inicia com Pompeu em 63 a.C.
• durante as guerras judaicas contra os romanos em 66-73 d.C. e 131-135 d.C.

A literatura apocalíptica funciona como uma literatura de resistência: através da escrita, Israel se manifesta vivo e actuante. Os céus estão fechados? A história, porém, é ainda possível: através do livro, manifesta-se o Espírito, que garante a identidade do povo de Israel.

Provavelmente a mais antiga obra da apocalíptica judaica, o livro de Daniel é uma peça literária de resistência escrita na época da luta dos Macabeus contra a helenização no século II a.C.
Daniel não é o autor do livro. Estamos frente a um texto apocalíptico, escrito em 164 a.C., cujo autor se esconde por trás de um pseudónimo. Daniel (= Deus julga) talvez jamais tenha existido, embora haja pistas de um certo Danel em Ez 14,14.20;28,3 e um Dnil que aparece no poema de Aqhat encontrado em Ugarit, e que podem ter inspirado o legendário personagem bíblico.
Ez 14,14.20 cita Danel, o sábio Daniel , um jovem judeu de Jerusalém, é o protagonista desta narrativa que estrategicamente é situada na época dos reis babilónicos e persas, no tempo do exílio.

"Para a população em geral a demora em se cumprirem as promessas proféticas pré-exílicas e exílicas simplesmente levantou dúvidas sobre a autoridade dos próprios profetas, dúvidas que foram reforçadas pelo fato de os oráculos dos profetas jerosolimitanos não se terem cumprido. Por esta razão, ao povo pode ter diminuído constantemente a vontade de reconhecer a autoridade de profetas de qualquer tipo, e, faltando o necessário apoio social, os profetas deixaram de existir".
Mas a falência da profecia deixa um vazio que precisa ser preenchido, pois os problemas continuam. É aí que surge a apocalíptica. Neste sentido, a apocalíptica é filha e herdeira da profecia. Parece que grupos proféticos marginalizados pelo crescente poder sacerdotal vão sendo empurrados na direcção da apocalíptica.

Com a apocalíptica - e é aí que se situa a grande diferença - operava-se, portanto, a passagem do profeta que fala, para o profeta que escreve, da era do oráculo para a era do livro.

O apocalipse não é apenas um livro, ele é todo um género literário. O livro que fecha a Bíblia cristã, o Apocalipse de João de Patmos, é um apocalipse entre centenas de outros: a sua distinção maior é a de ter sido canonizado. O género apocalíptico floresceu no Oriente Médio, nos séculos I e II aC, e aparece nas literaturas judaica, cristã, gnóstica, grega, persa e latina. A essência de um apocalipse não é o fim do mundo, como geralmente se pensa, mas uma revelação do futuro glorioso que aguarda os escolhidos do Senhor. Naturalmente, para tanto, o mundo anterior, como era antes, dos velhos e hereges poderosos, precisará ser destruído - mas esse é somente um detalhe operacional. O mais importante é a vitória total, incontestável e eterna do povo de Deus - aliás, o público-alvo da história.

O conflito no qual termina o mundo anterior e começa o novo opera em nível cósmico - o céu se enrola sobre si mesmo, estrelas caem como figos de uma figueira, povos inteiros são destruídos.

Outra característica do género apocalíptico é sua relação problemática e contraditória com a História. Por um lado, cada apocalipse se escreve em resposta a uma situação histórica concreta, via de regra a submissão a algum conquistador mais forte. Entretanto, os apocalipses não se preocupam com a história passada e sim com a que virá, com a enumeração dos fatos históricos que ainda acontecerão antes do fim dos tempos e da vitória final dos escolhidos. De um modo ou de outro, a história, pregressa ou progressa, está sempre presente nos apocalipses.

Os apocalipses surgem em situações históricas específicas, tempos de grande opressão e perseguição, quando os fiéis já não têm mais esperanças de libertação. O autor do apocalipse acredita estar vivendo no pior dos mundos e escreve para leitores que compartilham dessa opinião. É uma literatura em crise, uma tentativa de organizar e entender um mundo avassalador que já não faz mais sentido. Também é uma literatura de crítica social, escrita por uma minoria descontente, impotente e desprivilegiada.

Por isso mesmo, a narrativa apocalíptica é uma tentativa de impor ordem a um universo que, do ponto de vista da comunidade oprimida, não faz mais sentido.

Uma primeira distinção importante deve ser feita: os livros proféticos são eminentemente orais: tratam, em larga medida, de registar as visões e a pregação de um profeta, ou seja, o registo do que ele disse, para serem lidos alto para indivíduos que precisem ouvi-los já os livros apocalípticos nascem como livros: são o registo escrito das visões de um profeta que conta ele mesmo o que viu, para serem lidos pelos fiéis. A maior diferença, entretanto, é a seguinte: o objectivo dos livros proféticos era mudar o comportamento de seus leitores - ou ouvintes. O povo não estava agindo de maneira justa, tinha perdido os caminhos do Senhor, se entregaram à idolatria, etc., e era o trabalho do profeta avisá-los de sua perdição iminente e lembrá-los da palavra de Deus. Caso não mudassem, naturalmente, o castigo divino seria terrível, mas o objectivo era fazê-los mudar e, assim, mudar o mundo. A literatura apocalíptica, apesar de ter em comum as visões proféticas, tem objectivos completamente diferentes: o autor apocalíptico já desistiu de mudar o mundo real. Ele escreve para uma comunidade desesperada, subalterna, frustrada, explorada, que já não vê mais saída de sua actual situação de dominação. O que faz nascer o género apocalíptico é justamente uma situação de impotência, uma percepção de que a comunidade não tem o que fazer nem como mudar o mundo: suas vias de acção estão fechadas. Um autor apocalíptico escreve não para convencer seus leitores, pregar seu arrependimento, fazê-los mudar: ele escreve justamente porque eles já não podem mais mudar; para consolá-los de que sua situação de impotência não será eterna, de que tudo é parte do plano de Deus, que seus opressores sofrerão para sempre e que a hora de sua vitória inevitável e da felicidade eterna está chegando. O profeta está sempre falando sobre o mundo real: o castigo, se vier, será administrado por exércitos inimigos e a recompensa, se for merecida, virá na forma de viver em paz na sua terra. Já o autor apocalíptico abandonou o mundo real: ele não oferece conselhos práticos, nem mesmo sobre como melhor tolerar a opressão: seu tema é cósmico, literalmente o Deus que salvará o povo.

Outra característica importante da literatura apocalíptica é ser hermética: por definição, os apocalipses são escritos para revelar (aos escolhidos) e para esconder (aos não-iniciados). Um de seus pressupostos é que os acontecimentos contemporâneos, se correctamente compreendidos, podem servir de "sinal dos tempos" para revelar a iminência do fim. Embora muitas vezes nos pareçam incompreensíveis e aleatórias, as imagens dos apocalipses vinham de longas tradições judaicas e mesopotâmicas, articulada e trabalhadas há centenas de anos.

Tradicionalmente, o apocalipse incluía catástrofe e devastação, sim, mas somente para os maus e para os ímpios; para os bons e para os fiéis, o apocalipse seria ocasião de felicidade e de vitória.

A literatura apocalíptica é bipolar. A literatura apocalíptica é uma literatura produzida e consumida dentro de uma comunidade que está tentando lidar com uma enorme perda: de poder secular e religioso, de autonomia, de liberdade e, por outro lado, traz uma sensação insuperável de júbilo e felicidade pela vitória final diante do maior de todos os inimigos.

Esta categoria de literatura foi identificada, pela maioria dos estudiosos eruditos, como “panfletos para tempos difíceis”

02/10/10

Fontes pré-clássicas da Literatura Apocalíptica

FONTES PRÉ-CLÁSSICAS DA LITERATURA APOCALÍPTICA:
  • O Mito do Combate,
  • Vaticinia ex eventu e
  • Visão em Sonho.
Exemplificação com o caso da Mesoptâmia:
Anzu, como Mito do Combate: Prólogo, crise da água e solução, comissão de Ninurta, batalha e vitória, celebração.
Lugal-e e
Enuma elish.

Exemplificação com o caso de Canaã:
O Ciclo de Baal.

Exemplificação com a Bíblia:
Êxodo 15.

OS ELEMENTOS DAS FONTES PRÉ-CLÁSSICAS QUE SE REVELAM NA LITERATURA  APOCALÍPTICA:
  • A ASSEMBLEIA DOS DEUSES
Assembleias a muitas vozes - Mesoptâmia
Assembleias a uma só voz - Canaã e Bíblia
As assembleias sôd e 'edâ.

Vestígios da assembleia dos deuses no texto bíblico: Salmos 82:1 e 89:8, Jeremias 23:18 e Jó 15:8
Vestígios de uma assembleia de divindades que toma decisões: Génesis 1:26 e 11:7.
Evidências no texto bíblico de um deus maior: Êxodo 15:11 e Deuteronómio 3:24,1 Reis 8:23, Salmos 86:8 e 95:3.
Evidências de deuses: Génesis 5:21-24 e 6:1-4 (ha'elohim e 'elohim)

  • A AMEAÇA CÓSMICA
  • O MONSTRO
  • O OBSERVADOR
Enoque como observador de excelência


''Arquétipo'' do Mito do Combate:
  1. relação entre o deus velho e o deus novo
  2. ameaça de ordem cósmica
  3. o mal como força da natureza
  4. julgamento dos inimigos (e.g., Enuma elish VI:11-32, Daniel 7 e 8-12, Revelação 21:1)
  5. vitória do deus (e.g., Revelação 21:1).

Estudo do género Viticinia ex eventu:

Daniel 7 e 8-12
Apocalipse das Semanas,
Apocalipse dos Animais (1 Enoque 83-90)
Oráculos Sibilinos
Profecias na 3ª pessoa e profecias na 1ª pessoa

Estudo do género Visão num Sonho:

Daniel 7