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22/12/18

Relendo o livro "Como fazer amigos e influenciar pessoas" de Dale Carnegie

 


PARA LIDAR COM PESSOAS

PRINCÍPIO 1
Não critique, não condene, não se queixe
(“Se queres colher mel não dês pontapés na colmeia”)

PRINCÍPIO 2
Mostre um apreço honesto e sincero
(O grande segredo para lidar com pessoas)

PRINCÍPIO 3
Desperte no outro uma necessidade premente
(“Quem o conseguir fazer terá o mundo inteiro consigo. Quem o não conseguir percorrerá um caminho solitário”)


PARA FAZER COM QUE AS PESSOAS GOSTEM DE SI

PRINCÍPIO 1
Interesse-se genuinamente pelas outras pessoas
(Faça isto e será bem-vindo em todo o lado)

PRINCÍPIO 2
Sorria
(Uma forma fácil de causar boa impressão)

PRINCÍPIO 3
Não se esqueça que o nome de uma pessoa representa, para essa pessoa, o som mais doce e mais importante de qualquer língua
(Se não fizer isto terá problemas)

PRINCÍPIO 4
Seja um bom ouvinte. Encoraje os outros a falarem de si próprios.
(Uma forma fácil de se tornar um bom conversador)

PRINCÍPIO 5
Fale sempre em função dos interesses da outra pessoa
(Como interessar as pessoas)

PRINCÍPIO 6
Faça com que a outra pessoa se sinta importante e faça-o com sinceridade
(Como fazer com que gostem de si instantaneamente)


PARA CONQUISTAR PESSOAS PARA A SUA FORMA DE PENSAR

PRINCÍPIO 1
A única forma de vencer numa discussão é evitá-la
(Não se pode ganhar numa discussão)

PRINCÍPIO 2
Mostre respeito pelas opiniões dos outros Nunca diga: “está errado.”
(Uma forma segura de conseguir inimigos e como evitá-la)

PRINCÍPIO 3
Se estiver errado, admita-o rápida e enfaticamente
(Se estiver errado, reconheça-o)

PRINCÍPIO 4
Comece de forma amigável
(Uma gota de mel)

PRINCÍPIO 5
Leve a outra pessoa a dizer “sim, sim” imediatamente
(O segredo de Sócrates!)

PRINCÍPIO 6                                   
Deixe a outra pessoa fazer as despesas da conversa
(A válvula de segurança para lidar com reclamações)

PRINCÍPIO 7
Faça com que a outra pessoa sinta que a ideia é dela
(Como obter cooperação)

PRINCÍPIO 8
Procure ver honestamente as coisas do ponto de vista da outra pessoa
(A fórmula que fará maravilhas para si)

PRINCÍPIO 9
Mostre simpatia pelas ideias e desejos da outra pessoa
(O que toda a gente quer)

PRINCÍPIO 10
Apele aos motivos mais nobres
(Um apelo de que todos gostam)

PRINCÍPIO 11
Dramatize as suas ideias
(Os filmes e a TV fazem. Porque é que você não faz?)

PRINCÍPIO 12
Lance um desafio
(Quando nada funciona, experimente isto)


PARA SER UM LÍDER  E MUDAR AS PESSOAS SEM AS OFENDER NEM DESPERTAR RESSENTIMENTOS

PRINCÍPIO 1
 Comece por elogios e uma apreciação honesta
(Se tem de descobrir um culpado é como deve proceder)

PRINCÍPIO 2
Chame a atenção para os erros dos outros indirectamente
(Como criticar e não ser odiado por isso)

PRINCÍPIO 3
Fale dos seus próprios erros antes de criticar a outra pessoa
(Primeiro fale dos seus próprios erros)

PRINCÍPIO 4
Faça perguntas antes de dar ordens diretas
(Ninguém gosta de receber ordens)

PRINCÍPIO 5
Deixe a outra pessoa salvar a face
(Deixe a outra pessoa salvar a face)

PRINCÍPIO 6
Elogie o progresso mais ínfimo e todas as melhorias
(Como incentivar as pessoas para o sucesso)

PRINCÍPIO 7
Crie uma reputação superior que o outro terá que respeitar
(Escolha a reputação certa)

PRINCÍPIO 8
Use os incentivos. Faça com que os erros pareçam fáceis de corrigir
(Mostre como o erro é fácil de corrigir)

PRINCÍPIO 9
Faça com que os outros fiquem felizes por fazerem aquilo que sugere
(Faça com que os outros fiquem felizes por fazerem aquilo que sugere)

20/11/16

TESTES PSICOTÉCNICOS - Inteligência e Personalidade


O APARECIMENTO DOS TESTES PSICOLÓGICOS

•O aparecimento dos testes psicológicos está intimamente ligado ao aparecimento e evolução da psicologia experimental que teve lugar nos meados do século XIX.

Em 1879 foi criado o primeiro laboratório de psicologia experimental por Wundt visando, sobretudo, pesquisar as sensações visuais e auditivas, a psicofísica, os tempos de reacção e outros que comprovam a estreita ligação inicial entre psicologia e fisiologia.
Deu-se em seguida a influência da biologia sobre a psicologia, quando Galton tentou aplicar os princípios do evolucionismo de Darwin à selecção, adaptação e ao estudo do ser humano.
.Em conexão com os seus estudos sobre a hereditariedade e a genialidade, elaborou Galton alguns testes psicológicos a fim de determinar o grau de semelhança entre parentes. Estes testes 
Em 1900, Stern estuda as diferenças raciais, sociais, culturais, profissionais, sexuais, procurando investigar as causas dessas diferenças e como se manifestavam.
A utilização sistemática de testes para o apuramento das diferenças individuais relativas à capacidade intelectual foi realizado em França por A. Binet.
Binet propôs um fim especialmente prático: medir o aproveitamento escolar das crianças de Paris. Para isso recompilou questões cuja solução supõe inteligência; e colocou-as a crianças brilhantes, normais e atrasadas, analisando depois estatisticamente que itens eram resolvidos por cada grupo. Pode-se assim estabelecer o conceito de quociente intelectual, que resulta de dividir a idade mental, pelos itens apurados pela idade cronológica.
              QI = (IDADE MENTAL) : (IDADE CRONOLÓGICA)
Quando a idade mental e a idade cronológica coincidem, o quociente intelectual é de 100. Se a idade mental é inferior à cronológica, é menor de 100; e maior no caso contrário.
Binet publicou o seu teste em 1905 (Mais tarde o norte-americano Terman readaptou-o tendo ficado conhecido por teste de Terman-Binet).
Quando estes primeiros avanços do diagnóstico psicológico, sobre uma base matemático-estatística, foi-se perfilando uma concepção da inteligência meramente pragmática, mas indubitavelmente, a única possível: «a inteligência – como disse o psicólogo Boring – é o que medem os testes de inteligência». O conceito de inteligência assim obtido é muito diferente de ser preciso e, desde logo, nada «essencial».
No entanto, a análise que a psicologia faz da inteligência não se limita a estabelecer um conceito de «inteligência geral» ou capacidade global de um sujeito. Se aplicamos um conjunto variado de testes a diversos sujeitos, encontraremos, seguramente, que uns realizam melhor umas provas e que outros, pelo contrário, resolvem mais facilmente outras diferentes. É possível que uns sujeitos sejam especialmente aptos para as provas que requerem capacidade matemática, outros para os que requerem compreensão das relações espaciais, outros para as de tipo mecânico, etc.
Quer dizer, comprova-se que nem todos os indivíduos têm uma inteligência qualitativamente igual, que nem todos são aptos para as mesmas tarefas
Estas capacidades, que podemos denominar específicas, orientadas especialmente para umas determinadas operações, é o que em psicologia se denominam factores. Como diz Pinillos:«…No fundo, factor equivale a “aptidão”; quer dizer, supõe-se que um factor é um princípio activo que capacita o homem para  o exercício de uma classe de operações mentais»
O facto de que a inteligência geral não correlaciona de igual modo com diferentes tarefas levou a que o inglês Spearman (1904) concluisse que havia que admitir um factor «G», de inteligência geral, e uma série de factores ou aptidões para áreas específicas.
O problema era «isolar» estas aptidões, tarefa que, como a determinação dos “rasgos” de personalidade, faz-se mediante a complexa técnica da análise factorial.
Até ao momento isolaram-se mais de 200 factores, o que, como é lógico, supõe uma certa «atomização» da inteligência em aptidões enormemente concretas.
Citemos alguns dos factores de ordem superior. Temos assim o factor AR – raciocínio abstrato – como capacidade de abstrair leis gerais, de encontrar a conexão lógica que rege uma série de situações diferentes, mas que têm uma semelhança.
Outro factor importante é o verbal. Compreende este factor tudo o que suponha uma utilização inteligente da linguagem. E ainda o factor numérico, que analisa a faculdade de calcular em termos quantitativos.
Para além destes factores, costumam medir-se nos testes de aptidões: a aptidão espacial – capacidade para compreender e estabelecer relações espaciais e a aptidão mecânica – disposição de um sujeito para compreender e aplicar problemas de tipo técnico-mecânico. 
Como pode facilmente apreender-se, através deste ligeiro esboço dos principais factores, a sua determinação tem indiscutível importância para a orientaçao e selecção profissional.

TESTES DE PERSONALIDADE
Podem ser de vários tipos. Um dos mais conhecidos é o Teste de Rorschach:

11/12/11

Caracterologia - 3ª (e última) Parte



Caracterologia das propriedades

O método do estudo das propriedades dos caracteres (impulsivo, mentiroso, irritável, etc.) é outro método de estudo dos caracteres.
Notar que «o objeto humano» não se presta bem a inspeções e que os julgamentos podem modificar a natureza das propriedades.
Existem inumeráveis sistemas caracterológicos estabelecidos a partir do método das propriedades. Vamos só considerar os que têm valor em psicotécnica e eventualmente em psicoterapia:

A caracterologia de Malapert
Utiliza os três géneros de Ribot (os sensitivos, os ativos e os apáticos) ou (Fouillé) os sensitivos, os intelectuais e os voluntários.
Malapert começa por estudar quatro propriedades:
Sensibilidade (distinguem-se Apáticos, Sensitivos, Emotivos e Apaixonados),
Inteligência (distinguem-se Analistas, Críticos, Refletidos ponderados  e Especulativos), Atividade (distinguem-se Inativos, Ativos e Reativos) e
Vontade (Abúlicos ou rotineiros, Meio voluntários ou Veleidosos e Grandes voluntários).
Malabert apresenta, depois de definir estes tipos parciais, a maneira como se combinam num todo:
Apáticos, divididos em
            Apáticos puros (Obtusos e Inertes),
            Apáticos inteligentes (Calculadores) e
            Apáticos ativos (Lentos e Calmos),
 Afetivos, divididos em
             Sensitivos (Sensitivos vivos e Sensitivos passivos),
             Emotivos (Emotivos melancólicos e Emotivos impulsivos) e
            Apaixonados,
Intelectuais, divididos em
             Intelectuais afetivos (Diletantes e Apaixonados) e
             Especulativos,
Ativos, divididos em
             Ativos medíocres,
             Agitados e
             Grandes ativos,
Temperados divididos em
              Amorfos (Equilibrados medíocres) e
               Equilibrados superiores e
Voluntários, divididos em
              Senhor de si (Tipo de luta e Ponderados) e
               Homens de ação.

A tipologia de Jaensch
Baseado no fenómeno da imagem eidética (as imagens eidéticas orientam-se frequentemente no sentido das imagens consecutivas – perceção puramente periférica – ou das imagens ideafetivas – imagem de evocação – Assim podem distinguir-se sujeitos que têm imagens eidéticas de tipo central e sujeitos que têm imagens eidéticas de tipo periférico. Estes dois fenómenos corresponderiam a duas propriedades caracterológicas fundamentais:
          «Tipo integrado» e
          «Tipo desintegrado».
A pessoa integrada é uma pessoa que está inteira em cada uma das suas partes. Existe estreita dependência não só entre as diferentes funções psicológicas, mas também entre o mundo pessoal e o mundo exterior.
O desintegrado é uma pessoa relativamente firme e impermeável. A sua personalidade vive uma vida própria, fechada e contínua. Permanece fechado às sugestões exteriores.

A tipologia de Jung
Jung chegou à definição de um
      «Tipo introvertido» e um
      «Tipo extrovertido»,
palavras que entraram no vocabulário não especializado.
O introvertido é, em menor ou maior grau, refratário a influência do mundo exterior. O extrovertido volta-se para o mundo exterior e adere ao meio.
Já Binet tinha distinguido entre
        «Tipo subjetivo» e
         «Tipo objetivo».

O sistema caracterológico de Heymans e Wiersma e a caracterologia de Le Senne

As três propriedades gerais que se distinguem são:
        a Emotividade,
        a Atividade e
        a Repercussão das representações.
Combinando-se formam oito tipos. Cada tipo caracterológico recebe uma fórmula e um nome. Distinguem-se:
  • Emotivos (E) inativos (nA) primários (P)……………EnAP            nervosos
  • Emotivos inativos secundários (S)………………………EnAS          sentimentais
  • Emotivos ativos (A) primários……………………………EAP             coléricos
  • Emotivos ativos secundários………………………………EAS             apaixonados
  • Inemotivos (nE) ativos primários………………………nEAP            sanguíneos
  • Inemotivos ativos secundários…………………………nEAS             fleumáticos
  • Inemotivos inativos primários…………………………nEnAP             amorfos
  • Inemotivos inativos secundários………………………nEnAS            apáticos

Complementos  

Caracterologia reflexológica
A criação duma caracterologia reflexológica baseia-se na observação de que a Excitação e a Inibição se comportam como duas funções opostas, cuja importância relativa é diferente nos diferentes indivíduos da mesma espécie.
Esta tipologia foi, antes de estabelecida para os animais e só depois foi aplicada ao homem.
Estuda os reflexos condicionados, os estímulos condicionais e os fatores que comandam a dinâmica do sistema nervoso central.
Ivanov-Smolensky (Escola de Pavlov) distinguiu os seguintes tipos:
      Tipo equilibrado,
      Tipo excitável,
      Tipo inibido e
      Tipo inerte.

O estudo da inteligência
O estudo da inteligência, considerada como aptidão operacional, não pode ser negligenciado do ponto de vista estritamente caracterológico.
Paulhan classifica os espíritos em
      «espíritos lógicos»,
       «espíritos falsos»,
       «espíritos ilógicos» e
       «espíritos pueris».

Mentré distingue o estudo dos caracteres  e o estudo das maneiras de pensar, que seria a noologia.

Spanger, no seu sistema, distingue seis tipos (homem estético, homem económico, homem teórico, homem religioso, homem político e homem social. Cada grupo comporta variedades superiores e variedades inferiores. Observam-se por outro lado, certo número de combinações particularmente frequentes (económico-político, social-religioso, teórico-estético); e oposições  (a social-religioso com teórico ou económico,  ou de político com estético-religioso).

A caracterologia sociológica
Qualquer caracterologia social é uma caracterologia das propriedades e, por outro lado, qualquer caracterologia das propriedades tem um fundo social.
O estudo dos tipos criminais efetuado por Lombroso é um exemplo de caracterologia sociológica. Uma caracterologia do criminoso introduz de facto o estudo da caracterologia do normal. Os germes do crime encontram-se em qualquer conduta humana.
Mikhailowski de maneira mais puramente sociológica distinguiu o «Tipo adaptado (prático)» e o «Tipo inadaptado (ideal)» e para ele o tipo adaptado é um tipo inferior que se torna nas sociedades modernas “o apêndice insignificante de um todo inumano”, enquanto o tipo inadaptado participa muitas vezes no caminho do progresso social.
Dentro do âmbito da caracterologia numa perspetiva sociológica concreta é possível realizar estudos das diferentes classes sociais e dos diferentes grupos profissionais, utilizando os três planos metodológicos,  com o método das correlações se um determinado carácter corresponde a uma profissão definida, depois procurar saber se essa profissão não pode aparecer como uma função social que toma o aspeto de uma propriedade específica e por fim estudar a possibilidade de uma causalidade psicossocial, por exemplo, se o fato de pertencer a uma determinada classe social determina ou não certos aspetos do caráter.

Szondi estabeleceu correspondências entre os tipos caracterológicos derivados da psicologia patológica e grupos de profissões:
  • Homossexual (ternura, servir outrem, submissão, feminilidade passiva; o tocar é a caraterística dominante): cabeleireiro, maquilhador, dermatólogo, ginecólogo; empregado de estabelecimentos balneares, negócios com roupa branca, costureiro de moda, artista, cantor, dançarino; empregado de café, hoteleiro, pasteleiro, cozinheiro.
  • Sádico (agressividade, necessidade de poder, virilidade ativa, a caraterística dominante é a sensibilidade cinestésica e muscular): cocheiro, empregado de quinta, domesticador de animais, veterinário, matador de animais, enfermeiro de operações, cirurgião, dentista, anatomista; carrasco; homem do talho, partidor de pedra, mineiro, sapateiro, escultor; motorista, soldado; lutador, professor de ginástica, massagista.
  • Epilético (acumulação de afetos brutais e descarga em momentos inesperados; sentido do equilíbrio, servir): entregador de mercadorias, cocheiro, marinheiro, aviador; ferrador, motorista, bombeiro, pirotécnico, padeiro, limpa-chaminés; padre, monge, freira, assistente social.
  • Histérico (acumulação de sentimentos finos e descarga desses sentimentos em momentos inesperados; exibicionismo afetivo): apregoadores de feira ou das ruas; artistas, comediantes; políticos
  • Esquizofrénico Catatónico (fechar-se em si, admiração de si próprio, narcisismo, egocentrismo, autismo; eliminação dos órgãos sensoriais): soldado; professor – matemática, física, filosofia ; contabilista, telegrafista; desenhador de cartas geográficas, gravador; guarda-noturno, guarda de farol; manequim.
  • Esquizofrénico Paranóico (dilatação do ego, dar importância a si próprio, inflação psíquica, criação; do ponto de vista sensorial: sentir, ouvir): construtor, organizador; arqueólogo, mitólogo, astrólogo, grafólogo, psiquiatra, psicólogo; músico; farmacêutico, droguista, químico; juíz, detetive, advogado, contra-espionagem.
  • Ciclofrénico Depressivo (busca de objetos e de valores, apego aos objetos acumulados; sentir): logista, filatelista, antiquário, agente de leilões, empregado de museu; limpeza química, pintor, serviços de higiene, desinfeção; varredor de ruas, vendedor de trapos, tripeiro, trabalhador do couro; crítico.
  • Ciclofrénico Maníaco: (gosto pelos objetos, assegurar a posse, ou agarrar-se a objetos, ou ainda rejeitar os objetos; o gosto é dominante): empregado de café ou restaurante, cozinheiro, provador de vinhos; instrumentista de sopro; vendedor e comprador; linguista e professor de línguas; estomatólogo.
Sistema caracterológico de Klages
Procura uma estrutura e dimensão da realidade humana. Distingue entre matéria ou massa do caráter (talentos, aptidões e faculdades), a natureza ou qualidade da personalidade (propriedades, instintos, tendências e móbiles) e a sua estrutura (arquitetura do caráter). Esta disposição seria proveniente de uma força vital inconsciente. Opõe os dois planos da vitalidade (corpo e alma) aos seus dois inimigos (espírito e vontade).

O diagnóstico caracterológico:
Os diferentes métodos de diagnóstico caracterológico rápido são os seguintes:
·         Os questionários e interrogatórios;
·         O estudo dos comportamentos;
·         Os testes projetivos,
·         Os testes do método dos campos significativos;
·         A grafologia e
·         A morfologia somática.

Hereditariedade dos caracteres psicológicos
Galton estudou gémeos monozigóticos. As suas experiências mostraram que a hereditariedade era duas vezes mais ativa do que o meio na determinação do caráter.
Estes trabalhos foram criticados com muita frequência. No domínio da criminologia alguns autores acentuaram, pelo contrário, o papel do meio.
Parece difícil negar a existência de uma caracterologia ligada a determinantes constitucionais. No entanto o grau no qual essa hereditariedade é determinante está muito longe de ser estabelecido e parece provável ser sensivelmente menor do que aquilo que alguns autores pretenderam. Ainda por cima, seria necessário tomar em consideração a ação de uma verdadeira hereditariedade psicológica. Para Freud, o nosso superego constitui-se à semelhança do superego dos nossos pais.

A Evolução dos Caracteres, no decurso da nossa existência
Para os constitucionalistas, os fatores biológicos que constituem os seus alicerces, encontram-se fixados desde a infância.
No entanto a própria psicanálise acentua o dinamismo e plasticidade da criança. Por outro lado, a possibilidade de curas psicoanalíticas acima dos 40 anos, mostra que o carácter apresenta possibilidades de renovação. Mas é preciso sublinhar que não é excecional que os tipos caracterológicos têm uma grande estabilidade. Por outro lado, a transformação do meio pode levar, embora a pessoa permaneça a mesma no que diz respeito ao seu fundo caracterial, a mudanças completas no que respeita à maneira como essa pessoa se mostra no exterior. Assim, vê-se frequentemente que não é um carácter que se modifica, mas sim a natureza das relações caracterológicas.
Portanto, o procedimento sensato, não será tentar transformar um carácter, o que seria quase completamente impossível, mas sim utilizá-lo da melhor maneira, tal como ele é verdadeiramente.


Conclusão
As diferenças que existem entre os três grandes métodos da caracterologia explicam as divergências entre sistemas caracterológicos que por princípio, parecem nunca ser redutíveis. Não deixa de ser verdade que um dos objetivos da caracterologia é atenuar essas diferenças ao máximo e voltando aos grandes sistemas que apresentámos, ver-se-á que já atualmente é possível encontrar-lhes, em certa medida, algumas similaridades.
A objetividade caracterológica não é neutra. A exploração das estruturas age sobre a organização da realidade humana, modifica-a e constitui-a parcialmente. Esta verificação consegue esclarecer um certo número de problemas fundamentais e pode renovar a maneira de conceber uma dificuldade que se coloca classicamente à caracterologia: a liberdade.
Dado que o homem é um ser que se modifica, no seu ser, pelo conhecimento vivido, os fundamentos duma liberdade ontológica devem ser procurados numa propriedade que definisse as relações do ser do homem com o conhecimento vivido desse ser e, inversamente, desse conhecimento com esse ser.

Caracterologia -2ª Parte


Caracterologia clínica e correlacional
O problema central que anima toda a caracterologia correlacionl é se existem ou não tipos humanos.
Existem de facto séries morfológicas que correspondem a disposições ou constituições psicopatológicas determinadas.
A psicologia patológica é o estudo das funções psíquicas através da observação das anomalias que apresentam, (essencialmente trata-se de observação de doentes e de isolar um determinado número de doenças ou formas patológicas típicas (grupos de sintomas que se apresentam geralmente ligados).
A psicolopatologia é o estudo das doenças mentais.
Na psicologia patológica devem ser retidas as doenças mentais que se apresentam como um exagero de tendências normais e que permitem por isso uma verdadeira continuidade entre o normal e o patológico.
Classificação caracterológica derivada da psicologia patológica:
O estudo de Delmas e Boll admite a existência de cinco psicoses – paranoia, loucura, mitomania, mania-melancolia e psicose híperemotiva.
A cada uma destas psicoses corresponde uma disposição psíquica, respetivamente: Avidez, Bondade, Sociabilidade, Atividade e Emotividade. As constituições psicopatológicas paranóica, perversa, mitomaníaca, ciclotímica e hiperemotiva correspondem a cada psicose, enquanto as disposições descritas são relacionadas a funções biológicas fundamentais: nutrição, reprodução e mobilidade.
A personalidade do indivíduo seria determinada por uma união das cinco disposições em proporção variável e o estado patológico seria apenas uma atrofia ou hipertrofia.
As tendências esquizoides:
A esquizofrenia - é uma psicose que se caracteriza por uma atitude autista do doente. A vida psicológica dos sujeitos esquizofrénicos é muito mais fortemente dominada por elementos da vida interior que pelos acontecimentos e exigências do mundo exterior. Mostram perda de contacto com a realidade, com o mundo exterior. Para alguns autores a catatonia, a hebefrenia, a demência precoce e a demência paranoica seriam todas elas variedades desta mesma afeção mental.
A esquizotimia - é um tipo de sujeitos que, apesar de serem ainda indivíduos normais, se aparentam nitidamente, na sua maneira de ser geral, à psicose esquizofrénica.
A esquizoidia – é uma das duas tendências psicológicas normais mais características. A outra é a cicloidia. A esquizofrenia poderia ser considerada uma acentuação da esquizoidia, exagerando a doença o autismo do indivíduo.
As tendências cicloides:
A psicose maníaco-depressiva – caracteriza-se por uma atitude bipolar, com acessos periódicos (sucessivos) que não alteram a personalidade nos intervalos lúcidos e não evoluem no sentido de uma desorganização específica. Nesta psicose apesar da natureza das relações com o mundo exterior se encontrarem modificadas, os doentes continuam em contato com esse mundo exterior. O cicloide permanece de acordo com o seu ambiente. O ciclofrénico oscila efetivamente entre a alegria e a tristeza, passa de estados eufóricos, acompanhados de uma necessidade de expansão, a estados de tristeza que o inibem de maneira profunda.
A ciclotimia – é um tipo de sujeitos que, apesar de serem indivíduos normais, se aparentam nitidamente, na sua maneira de ser geral, à psicose maníaco-depressiva. No ser normal, as duas tendências existem necessariamente uma ao lado da outra em um grau mais ou menos elevado: a ciclotimia e a esquizotimia, parecendo comportar-se como contrárias, têm cada uma o seu papel na vida e devem completar-se.
A cicloidia – é uma das duas tendências psicológicas normais mais características.
Pareceu, a alguns cientistas que a repartição da humanidade em duas categorias deixava de fora numerosos casos:
As tendências histeróides – é uma terceira classe, a classe dos histeróides, cujo protótipo patológico é a histeria. Os indivíduos histeróides mantêm um certo grau de infantilismo, a sua actividade não se encontraria voltada nem para motivos interiores (como nos esquizotímicos), nem para motivos exteriores (como nos ciclotímicos), mas estaria, em vez disso, voltada para si próprio.
As tendências epileptoides – a epileptoidia compreende dois polos afetivos, o da viscosidade e da lentidão e o das reações explosivas. A lentidão das emoções conduziria a uma latência emocional, que se resolveria em descargas bruscas.
As tendências para os desvios sexuais
Também aqui as formas patológicas podem ser consideradas como acentuações excessivas ou monstruosas de tendências normais. As psicopatologias do instinto sexual são:
O onanismo – Considera-se atualmente que o prazer solitário é um fenómeno normal da pré-sexualidade, que se encontra em aproximadamente sete oitavos das crianças. São as representações que acompanham a masturbação, ou a sua frequência e a sua exclusividade numa certa idade, que lhe conferem um sentido patológico.
O sadismo e o masochismo – Designam a voluptuosidade de impor a outrem sofrimentos e humilhações ou de, por outro lado, sofrer essas mesmas coisas. Para a psicanálise, as perversões sádicas e masochistas provêm de uma paragem do desenvolvimento da líbido no estado anal. As formas patológicas são apenas exageros monstruosos de pulsões que também se encontram nos casos normais. Quando o masochismo e o sadismo se manifestam simultaneamente de maneira muito evidente trata-se então do sadomasochismo em que se satisfazem as duas formas de ambivalência: sofrer e fazer sofrer.
A necrofilia – Desvio monstruoso em que o cadáver é tomado como objeto do desejo erótico. A necrofilia apresenta um parentesco evidente com o sadismo - queles que matam ou querem matar no ato sexual não são raros.
O canibalismo – Desvio monstruoso em que o doente não se contenta em infligir sofrimentos ou em matar, chupa o sangue ou come a carne da sua vítima.
O fetichismo – limita a possibilidade da plena atividade sexual à presença de um detalhe.
O voyeurismo – os voyeuristas excita-se eroticamente ao observar as relações sexuais de um par.
O exibicionismo – os exibicionistas só são capazes de se excitar quando se mostram a outrem ao copular, ou exibindo os órgãos genitais.
Impotência – Trata-se de uma espécie de extinção do desejo sexual no homem, ou então, juntamente com um desejo normal ou maior que o normal, de uma impossibilidade de obter a ereção; nas formas mais atenuadas trata-se de uma rapidez demasiadamente grande ou um grande atraso da ejaculação.
Frigidez –  considera-se frígida uma mulher que não consegue ter um prazer completo nas relações sexuais normais com um parceiro sexual normal. Pode apresentar várias formas: ausência total de desejo ou total impossibilidade de chegar ao orgasmo apesar de existir desejo.
Homossexualidade – consiste fundamentalmente numa atração física por indivíduos do mesmo sexo. De maneira geral comporta um forte grau de ambivalência, isto é, manifesta-se ao mesmo tempo pela submissão e pela hostilidade.
Séries caracterológicas das perversões sexuais
A cada uma destas perversões da sexualidade correspondem séries caracterológicas contínuas de estados que permitem chegar ao normal. Pode então reunir-se na mesma classe o sadismo, o masochismo, o canibalismo e a necrofilia, pois, todos eles têm um significado agressivo. A outra classe engloba a homossexualidade, a frigidez, a impotência, o fetichismo, o voyeurismo e o exibicionismo, como formas patológicas caraterizadas pelo desaparecimento das relações sexuais normais, sem que a agressividade se manifeste de maneira dominante ou anormal. Note-se contudo que as associações são muito frequentes entre as tendências dos dois grupos.
As constituições na psicologia patológica
Do ponto de vista da morfologia somática, Kretschmer conseguiu distinguir os seguintes tipos puros: pícnico, leptossómico e asténico e atlético ou muscular. Há ainda os tipos mistos, os atípicos e os displásticos. Efetuaram-se vários trabalhos a fim de conhecer as ligações entre os tipos psicopatológicos e caracterológicos e os tipos morfológicos, tendo-se concluído que há uma grande concentração de ciclotímicos pícnicos e de esquizotímicos leptossómicos. Admite-se pois que a ciclotimia se encontra habitualmente ligada à constituição pícnica (brevilínea) e a esquizotimia à constituição leptossómica (longilínea).
Caracterologia correlacional
Correlação entre as aptidões – As aptidões são uma espécie de ferramentas ou instrumentos que permitem ao homem fazer determinadas operações. O carácter pode ser definido como aquilo que explica que, em presença das mesmas circunstâncias, dois indivíduos que disponham das mesmas capacidades intelectuais e técnicas reajam de maneira diferente. O estudo das aptidões permite assim a criação de métodos de análise de correlações. Existe uma ligação funcional entre dois fenómenos quando, sendo cada um deles mensurável, o conhecimento de uma das variáveis assim definida permite determinar o outro sem ambiguidades. Para medir a intensidade dessa ligação utilizam-se medidas chamadas coeficientes de correlação. As correlações passam a ser tratadas pelos métodos de análise fatorial . O problema da subjetividade dos avaliadores conduz à introdução de métodos estatísticos no ato através do qual se atribui um determinado carácter a alguém. Utilizam-se os métodos de análise da variância, as avaliações agrupam-se à volta de um valor padrão e a distribuição em torno de médias características (o acaso explica efetivamente um quarto da variância). A análise fatorial deve ter lugar após se ter purificado suficientemente os fatores e efetuado um estudo prévio dos instrumentos de medida.
Morfologia e temperamento (segundo o estudo de Sheldon):
As três componentes morfológicas de Sheldon são endomórfica (dominam as vísceras), mesomórfica (dominam as estruturas somáticas – ossos, músculos e tecidos conjuntivos) e ectomórfica (predominância da superfície do corpo, com os seus aparelhos sensoriais, e do sistema nervoso em geral).
Os três tipos temperamentais de Sheldon são Viscerotonia (atitudes e movimentos relaxados, reacções lentas, gosto pelo conforto físico, pela alimentação, pela socialização da alimentação, prazer em digerir, gosto por cerimónias corteses, sociofilia, amabilidade indiscriminada, avidez por afeição e apropriação, orientação para outrem, igualdade do fluxo emocional, tolerância, contentamento consigo próprio, sono profundo, falta de carácter, comunicação fácil e livre dos sentimentos, extroversão, relaxamento e sociofilia sob a influência do álcool, necessidade dos outros em caso de aflição e orientação para as relações de infância e de família), Somatotonia (Firmeza de atitude e de movimento, gosto pelas ações físicas, caraterística enérgica, Necessidade e prazer no exercício, gosto pelo domínio e vontade de poder, gosto pelo risco, maneiras diretas de pessoa intrépida, coragem física no combate, agressividade competitiva, dureza psicológica, claustrofobia, ausência de piedade e de delicadeza, débito vocal estrondoso, indiferença pela dor, gosto geral por bater, hipermaturidade da aparência, clivagem mental horizontal, extroversão somatónica, corte entre a vida consciente e a vida inconsciente, autossuficiência e agressão sob a influência do álcool, necessidade de ação em caso de aflição, orientação para objetivos e atividades próprias da juventude) e Cerebrotonia (retenção da atitude e do movimento, constrangimento, reações fisiológicas excessivas, reações rápidas de mais, gosto pela privação, ascetismo, atividade mental interna, hiperatenção, prontidão de perceção, segredo sentimental, mobilidade controlada dos olhos e da cara, sociofobia, falta de à-vontade em sociedade, resistência aos hábitos, fraca automatização, agorofobia, imprevisibilidade de atitude, débito vocal retido, medo de fazer barulho, hipersensibilidade à dor, sono ligeiro, fadiga crónica, juvenilidade das maneiras e da aparência, clivagem mental vertical, introversão, falta de resistência ao álcool e a todas as drogas deprimentes, necessidade de solidão em caso de aflição, orientação para objetivos do último período da vida).
Correlação entre os tipos morfológicos e os componentes temperamentais (caracterologia):
Viscerotonia / Endomorfismo: +0,79      Viscerotonia/ Mesomorfismo: -0,23      Viscerotonia/Ectomorfismo: -0,40
Somatotonia/ Endomorfismo: -0,29       Somatotonia/ Mesomorfismo: -0,82      Somatotonia/Ectomorfismo: -0,53
Cerebrotonia/ Endomorfismo: -0,32      Cerebrotonia/ Mesomorfismo: -0,58     Cerebrotonia/Ectomorfismo:+0,83
(os coeficientes de correlação têm como valores extremos +1 e -1. O seu valor é 0 quando não existe relação entre os dois fenómenos. Encontram-se tanto mais perto de 1 em valor absoluto quanto mais forte é a relação. Quando são positivos significa que as duas variáveis se deslocam no mesmo sentido e, quando são negativos, significa que se deslocam em sentido contrário).

10/12/11

Caracterologia - 1ª Parte


Como conhecer o íntimo de cada um?
É na caracterologia, um dos capítulos mais fascinantes da psicologia, que se vê a chave secreta para tal.
A caracterologia é uma ciência. A ciência do carácter.
Significado caracterológico
Viver é ser um significado que dá significado aos outros. Ser, é ser para outrem. Ser é ser caracterialmente. Ser é também fazer caracteres. O desvendar caracterológico efetua-se por uma unificação significativa.
O carácter que um homem mostra, depende da realidade constituída por esse homem, da realidade constituída pelas pessoas que vivem com ele, da civilização em que vive e da natureza das relações que eles têm entre si.
Os métodos da caracterologia  
Pretende-se estudar as condutas das pessoas e os juízos que emitem umas relativamente às outras.
Par a tal, existem essencialmente 3 métodos: as investigações causais (constitucionais – os tipos físicos humanos e psicanalíticos – estudo da formação psicológica dos caracteres desde a infância), o estudo clínico e correlacional (com base na psicologia patológica) e busca das propriedades caracterológicas gerais.
Na teoria, os três métodos não são contraditórios e deveriam até ser utilizados concorrentemente.
Os sistemas caracterológicos  
Podem-se, em certa medida, classificar os sistemas segundo o método que foi principalmente utilizado para os constituir. Assim temos:
Caracterologia causal – as causas determinantes do carácter podem ser de natureza biológica ou psicológica.
Caracterologia clínica – deriva da observação direta dos caracteres patológicos: esquizofrenia, ciclofrenia, histeria, epilepsia e desvios sexuais.
Caracterologia das propriedades – Com as 3 propriedades fundamentais (emotividade, atividade e repercussão das representações) e suas combinações, Heymans e Wiessma definem 8 tipos caracterológicos: nervosos, sentimentais, coléricos, apaixonados, sanguíneos, fleumáticos, amorfos e apáticos.
Caracterologia causal morfológico-somática
Segundo estas teorias, o carácter e a morfologia somática dependem das mesmas causas orgânicas profundas.
Conhecendo o importante papel desempenhado pelas glândulas endócrinas na organização do corpo e do carácter, numerosos estudos levam a definir tipos endócrinos.
Os 4 temperamentos clássicos - O bilioso, o linfático, o sanguíneo e o nervoso.
O temperamento delineia a maneira de ser global do indivíduo em reação ao seu meio. Na prática clínica encontram-se muito mais frequentemente tipos mistos que tipos puros. A arte do diagnóstico consiste então em estabelecer a hierarquia.
A medicina antiga relacionava o corpo humano com as realidades fundamentais da natureza – a água, a terra, o fogo e o ar. Assim vemos corresponder à medicina humoral os quatro temperamentos de Hipócrates.
A escola de morfologia (francesa)
Às quatro grandes estruturas morfológicas determinadas pela predominância de um aparelho orgânico (muscular, respiratória, digestiva e cerebral) correspondem os quatro tipos caracterológicos, que podem ser francos ou irregulares: tipo muscular, tipo respiratório, tipo digestivo e tipo cerebral. Os irregulares podem ainda ser redondos ou planos (tipo redondo uniforme, tipo redondo ondulado, tipo redondo cúbico, tipo plano uniforme, tipo plano ondulado, tipo plano amolgado e tipo plano adiposo).
A escola constitucionalista (italiana)
Para esta escola, a constituição humana é formada por 2 sistemas: o sistema de vida vegetativa e o sistema de vida de relação. Quando os 2 sistemas se encontram igualmente desenvolvidos está-se perante o “normotipo”, quando o sistema vegetativo é dominante, está-se perante o “branquitipo megalospânico” (ou brevilíneo) e no caso de dominar o sistema voluntário está-se perante o “longitipo microsplâncnico” (ou longilíneo)
A Pirâmide biotipológica
Pende quis definir os tipos individuais considerando todos os aspetos da personalidade, a fim de atingir verdadeiros tipos somatopsíquicos. Ele resume-a naquilo a que chamou a “Pirâmide biotipológica”. Pirâmide, com 4 faces, cuja base representa os determinantes hereditários do indivíduo, enquanto as 4 faces dizem respeito ao tipo morfológico, à fisiologia, à inteligência e ao carácter.
O estudo do carácter deve partir de observações e permitir determinar tipos apáticos ou emotivos, estáveis ou instáveis, introvertidos ou extrovertidos, abúlicos ou volitivos. O estudo da inteligência comporta a aplicação de numerosos testes e a observação do sujeito e permite definir as inteligências concreta, fantástica, abstrata, intuitiva, lógica, analítica e sintética.  
Pende elaborou uma classificação quadripartida: O longilíneo esténico, O longilíneo hiposténico, o brevilíneo esténico e os brevilíneos hiposténicos.
A Caracterologia causal psicanalítica
As 4 leis fundamentais nas quais a psicanálise, como ciência e como técnica, se pode resumir:
·         A evolução sexual da criança é determinante quanto à natureza das condutas do adulto.
·         Os acontecimentos ocorridos durante a infância do indivíduo, assim como a natureza das relações que unem a criança aos pais, desempenham um papel fundamental na determinação da estrutura psicológica do adulto.
·         As neuroses e as inadaptações sociais não são geralmente fenómenos de astenia e de abrandamento da vida psicológica, mas sim traduções das oposições dinâmicas entre tendências contraditórias.
·         O antagonismo das tendências, os acontecimentos, as situações psicológicas, as fixações do desenvolvimento sexual que se encontram na origem da orientação das nossas condutas, assim como, frequentemente, a própria natureza real desta orientação psicológica, não são geralmente conhecidos pelos sujeitos, mas antes inconscientes.
As fases da primeira evolução sexual: 1- fase oral, 2 – fase anal, 3 – fase genital
Os complexos
Os complexos são grupos organizados de tendências que orientam as nossas condutas e cuja formação remonta ao período de desenvolvimento infantil. Eles não são claramente conhecidos na sua especificidade pelos sujeitos nos quais existem.
A evolução das primeiras relações afetivas:
Narcisismo - fase atravessada pela criança em que ama o seu corpo, gosta de olhar para o seu corpo, à volta do qual se organiza então um conjunto de emoções e sentimentos complexos
Complexo de Édipo – fase de duas tendências conexas. De amor pelo progenitor do sexo oposto e de hostilidade pelo progenitor do mesmo sexo.
Complexo de Caim – Trata-se da rivalidade entre irmãos. A criança, quando lhe aparece um irmão ou uma irmã, reage em primeiro lugar com um ciúme intenso que subsiste, de forma mais ou menos latente e recalcada. Inversamente, a hostilidade do irmão mais novo relativamente ao mais velho aparece como resposta a essa hostilidade.
Homossexualidade – A não resolução do complexo de Édipo pode despertar atitudes sexuais primitivas que, no caso do rapaz se traduz na impossibilidade de evoluir para relações normais e fixá-lo num estado narcísico com componentes homossexuais e na rapariga pode aparecer uma fixação castradora mais ou menos evidente. Por outro lado a criança que não quer abandonar inteiramente nem o modo de vinculação nem a vinculação ao progenitor do sexo oposto transformar-se-á à imagem deste, de maneira a poder continuar a amar o seu pai ou a sua mãe em si. Produz-se uma introjeção. A criança é levada a recusar o seu sexo.
Complexo de Diana – A rapariga, devido a ter sido levada a recusar o seu sexo, pela introjeção referida, manifesta comportamentos arrapazados e posteriormente encontrar-se-á com o menor número de homens possível.
O «id» - é constituído pelas tendências secretas, reprimidas, que, apesar de se manterem inconscientes, orientam as condutas.
O «ego» - representa a personalidade consciente. Se as tendências do «in» não chegam ao «ego» deve-se à existência do superego, que atua como verdadeira instância moral inconsciente.
O superego – é, primeiro, constituído pela organização do controlo das tendências primitivas, que é realizado pelos primeiros educadores. Trata-se de inibições. O superego é também o herdeiro do complexo de Édipo, pois no momento em que este se resolve, o superego organiza-se segundo a imagem do pai, que é simultaneamente temido e admirado. Aparece portanto como uma verdadeira instância moral inconsciente.
Os tipos psicossexuais de Freud – erótico, obsessivo, narcísico, erotonarcísico, narcísico-obsessivo e erótico-obsessivo.
Caracterologia das relações voluntárias 
Estudando mais particularmente a força e a fraqueza do superego, assim como as relações que ele mantém com o ego, Boutonier chegou a uma verdadeira caracterologia das relações voluntárias. Tem um carácter concreto. É uma tentativa de unificar e explicar, a partir das teorias psicanalíticas, caracteres tomados na experiência comum.
Distingue: Dependentes (Submetido, Revoltado, Alternante entre obediente e revoltado, Revoltado verbal e Forçado do querer), Inibidos (Idealista, Lógico, Pessimista, Prisioneiro voluntário, Ironista e Inimigo do tempo) e Desregrados (Apaixonado do querer, Quimérico, Inconstante e Incorruptível).
Trata-se pois de tipos de inadaptação, da descrição de alguns tipos pitorescos mais do que de um verdadeiro recenseamento de tipos homogéneos.

05/07/10

Introdução à Psicologia

1 - Definição de psicologia
A psicologia é uma ciência que estuda comportamentos e processos mentais, partindo da sua descrição para a explicação desses comportamentos de modo a poder prever e controlar as respostas comportamentais.
Etimologicamente psicologia deriva do grego e significa estudo da alma (psyche+logos).

2 - O objecto de estudo da psicologia científica
A psicologia actualmente é designada como o estudo dos comportamentos dos homens e animais ou seja, das sensações, percepções, emoções, pensamentos e acções do homem.
Note-se que até ao séc. XIX a psicologia era estudada por filósofos e o seu objecto era "os estados da alma", "a consciência", "as faculdades da mente". No séc. XVII Descartes identifica razão e alma.
A psicologia do comportamento (psicologia behaviorista) iniciada por Watson tendo como antecedentes os trabalhos sobre o reflexo condicionado de Pavlov (reflexologia), tem como objectivo a previsão e o controlo do comportamento humano.
Nas metodologias usadas em psicologia, há os testes e os inquéritos.
Na actualidade há diversos ramos da psicologia (Infantil -estuda o comportamento das crianças; de Grupo - comportamento de indivíduos inseridos em grupos; Social - comportamentos culturais; Psicanálise (Freud) - processos do inconsciente; Clínica - comportamentos patológicos, Aplicada e Organizacional - ligados ao trabalho; Animal e Etologia - comportamento dos animais no seu habitat; Comparada - associação dos comportamentos animais ao humano; Psicofisiologia - estudo da relação do comportamento com a sua base fisiológica, recorrendo-se à neurofisiologia, Psicologia do Desenvolvimento (Jean Piaget)- estuda o ciclo da vida desde a infância até à velhice; Psicopatologia - estuda os comportamentos fora da normalidade.

3 - Psicologia do senso comum
Este tipo de psicologia não é uma ciência.
É uma realidade cultural cada vez mais generalizada no mundo moderno.
Baseia-se na intuição.
Uma dedução vulgar, não científica, quando bem feita pode levar a bons resultados.
A palavra intuição é muitas vezes o nome de Insight - compreensão global às vezes repentina, de uma dedução comparativa muito rápida, como por exemplo quando se ouve dizer "é um frustrado, como é que pode ser feliz?!"
Esta forma de fazer psicologia assenta em coisas que se ouviu dizer, melhor ou pior assimiladas e que se tornam estereótipos.
Para além dos estereótipos, intervêm na Psicologia do Senso Comum os preconceitos, atitudes, tradições, crenças, etc, como algo do tipo "não é boa rês, não vai à igreja...".
Na realidade emitimos alguns pareceres de carácter mais ou menos psicológico.

Teste psicológico - Comunicação: você sabe escutar?

Responda às seguintes perguntas:

1- Há alguma lei ou Código Civil Português que proíba um homem de se casar com a irmã da sua viúva?
2- Se você se deitar às 8 da noite e regular o seu velho despertador para acordar às 9 da manhã, de quantas horas de sono pode beneficiar?
3- Em Espanha houve um 25 de Abril de 1974?
4- Você entra numa sala fria, sem electricidade, com um único fósforo na sua caixa. Depara com um fogão a gás, uma lâmpada a petróleo e uma lareira com lenha. Para obter o máximo calor, o que deve acender primeiro?
5- Quantos animais de cada espécie levou Moisés consigo para bordo da Arca durante o Grande Dilúvio?
6- Uns meses têm 30 dias, outros 31. Quantos têm 28?
7- Quantos dias de aniversário terá o português médio em 2026?
8- De acordo com o Direito Aéreo Internacional, se um avião comercial na linha Madrid-Paris se despenhar na fronteira entre Espanha e França, onde deverão ser sepultados os sobreviventes não identificados, no país de origem ou de destino?
9- Um buraco demora 15 minutos a fazer, quanto demora meio buraco?
10- Se conduzisse um autocarro e saísse de Lisboa com 42 passageiros, parasse em Leiria largasse 3 e apanhasse 2 e, chegasse ao Porto 6 horas mais tarde, qual é o nome de condutor?

Respostas:
1- Não há realmente nenhuma lei, mas para ter uma viúva o homem teria de estar morto.
2- Apenas 1 hora já que o velho despertador não sabe a diferença entre 9 da manhã e 9 da noite.
3- Sim.
4- O fósforo.
5- Moisés não levou nenhum, foi Noé que levou dois de cada espécie.
6- Todos.
7- só tem 1 dia de aniversário por ano.
8- Não se podem sepultar sobreviventes.
9- Não há meios buracos.
O seu nome.

quantas respostas certas?
10 - Você sabe escutar.
7 a 9 - Você houve geralmente com atenção o que dizem mas tem tendência para deixar a sua opinião formar-se antes de captar toda a informação disponível.
4 a 6 - Você tem tendência para se aborrecer quando tem de escutar, por isso escuta "em diagonal".
1 a 3 pontos - Você tem pouca paciência para escutar. Escutar é um talento útil que compensa treinar.
0 - Você nasceu noutro mundo. O melhor é considerarmos que o defeito é do jogo.

04/07/10

Comunicação

"A natureza deu-nos dois olhos, dois ouvidos e uma boca, para que pudéssemos observar e escutar mais do que falar" Zenão.

As relações entre as pessoas estabelecem-se através da comunicação (communicare = entrar em relação com ou pôr em comum).

Quando comunicamos...
100% é o que queremos dizer
80% é o que dizemos
60% é o que se ouve
40% é o que se compreende
30% é o que se retém

A comunicação não-verbal:
.É responsável pela primeira impressão
.Informa sobre o estado emocional do indivíduo
.Regula a comunicação verbal (as mensagens não verbais podem ser usadas para substituir, repetir, enfatizar ou contradizer a mensagem verbal).
Principais obstáculos à comunicação (diferentes interpretações):
.Atenção
.Motivação para o assunto
.Ausência de habilidade comunicacionais
.Estado emocional/físico do indivíduo
.Ruídos e interferências externas
.Complexidade da mensagem

No processo comunicacional existem:
o emissor
o receptor
a mensagem
o feed-back

Princípios a seguir para uma comunicação eficaz:
Demonstrar interesse
Estar disponível para ouvir
Estabelecer empatia (perceber o tipo de percepção do outro)
Saber dialogar (saber dizer, saber perguntar, saber escutar)

Técnicas de comunicação eficaz:
1-Escuta activa
2-Empatia
3-Feedback / Reformulação

Obstáculos à escuta activa:
1-Referenciar tudo à própria experiência
2-Interromper sistematicamente
3-Sonhar acordado
4-Ouvir apenas o que se quer ouvir
5-Fazer juízos de valor

Regras da escuta activa:
Sustentar normalmente o olhar
Procurar compreender o que o interlocutor está a sentir
Manter expressão empática
Procurar sincronizar-se em termos de comunicação não verbal
Não interromper
Demonstrar interesse
Não se deixar influenciar por juízos de valor acerca do interlocutor

Feedback:
1 Através de expressões verbais de empatia (uh! uh!; sim, sim, Continue...)
2 Através de expressões visuais de empatia (Olhar - sustentar o olhar; Postura física; Expressão gestual - gestos afirmativos e moderados; Voz - tom afável e ritmo moderado)

Reformulação
1 - repita o que o interlocutor disse por outras palavras (se bem entendi... então quer dizer que...)
2 - Saiba perguntar / Utilize perguntas abertas (perguntas começadas por "como", "quando", "onde", "de que modo")
3 - Faça a síntese do que foi dito (então o que pretende é...)