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15/10/18

HISTÓRIA DE ROMA: AS RELIGIÕES NO IMPÉRIO - O CRISTIANISMO



HISTÓRIA DE ROMA: O CRISTIANISMO

«Eles devem o seu nome a um certo Cristo que foi condenado à morte por Pôncio Pilatos, no reinado de Tibério.» já nesta primeira referência ao cristianismo, devido a Tácito, se percebe a razão por que a doutrina cristã era mais forte do que os sistemas religiosos concorrentes.
Havia outras religiões com a sua origem num acontecimento de origem divina ocorrido na noite dos tempos. Mas Cristo era «o Filho do Homem»; o milagre da sua ressurreição deu-se durante o reinado de Tibério, no proconsulado de Pôncio Pilatos. A grande promessa de uma beatitude eterna para aqueles que seguissem Cristo causou nos espíritos muma impressão irresistível. Além disso, havia outra coisa que deve ter exercido uma influência muito mais profunda do que hoje podemos imaginar: Jesus podia regressar à Terra a todo o momento «para nela julgar os vivos e os mortos». A força visionária do Apocalipse de S. João e a inabalável convicção dos evangelistas elevaram a fé dos primeiros cristãos a um ponto tal que lhes permitia ultrapassar todos os perigos terrestres. O Mestre estava sempre perto do crente, e não só no exercício do culto, como no seio da comunidade. O cristianismo oferecia o «poder do Espírito Santo» e a proximidade de Deus; as outras religiões de mistério apenas facultavam uma experiência religiosa efémera, só possível, de tempos a tempos, por intermédio de «operações sacramentais».
Santo Agostinho chamou a atenção para o facto de a religião cristã nunca ter deixado de existir desde a origem do género humano.
Cristo proclamara por várias vezes a sua fidelidade à lei dos Hebreus. O primeiro mandamento de Jesus é também o de Israel: «Amarás pois o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder». É o maior e o primeiro mandamento. A lei do amor ao próximo fora formulada no tempo de Moisés; Cristo deu-lhe simplesmente um aspecto mais positivo: «Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós próprios… O meu mandamento é que vos ameis uns aos outros como eu vos amei a vós.»
O que Jesus censurara aos fariseus e provocara o ódio destes era o seu excessivo apego à letra da lei e a sua falta de profundidade espiritual. Deus de quem tinham feito uma entidade longínqua e vingadora, foi apresentado por Jesus como o Pai infinitamente bom e preocupado com o mais ínfimo de todos os seus.
Os apóstolos escolhidos por Cristo tinham começado imediatamente as suas pregações.
O sinédrio judaico, que pretendera e conseguira que Jesus Cristo fosse condenado, tentou opor-se à difusão da sua religião e organizou perseguições. O diácono Estêvão foi selvaticamente lapidado pelos Judeus poucos meses após o Cálvário. Foi o primeiro mártir.
Entre os perseguidores dos primeiros cristãos distinguia-se um judeu chamado Saul pelos seus irmãos de raça e Paulo pelos greco-romanos. Um dia quando se dirigia a Damasco converteu-se milagrosamente e desde essa altura tornou-se um dos mais ardentes propagandistas da fé cristã. Fundou em Corinto uma comunidade que depressa haveria de ter em Roma uma comunidade-filha. Quando veio a Roma, veio como prisioneiro, enviado pelas autoridades romanas em Jerusalém, a fim de ser julgado pelo imperador, após nosw judeus ortodoxos terem ameaçado lapidá-lo por haver introduzido pagãos no templo.  Segundo a tradição Paulo morreu mártir, tendo sido decapitado. S. João, o autor do quarto Evangelho, do Apocalipse e de três epístolas, evangelizou sobretudo na Ásia Menor. Foi preso e supliciado no reinado de Domiciano, mas morreu de morte natural em Éfeso, já de avançada idade. Além de se referirem aos apóstolos, os escritos do Novo Testamento mencionam o nome de dezenas de eclesiásticos e de laicos que, sob a direcção de bispos instalados nas grandes cidades, difundiram a doutrina de Cristo.
O Império Romano oferecia um terreno quase preparado para a expansão do cristianismo. A pax romana permitia a livre circulação por todos os lugares e por toda a parte os homens esperavam da religião alguma coisa mais que as cerimónias de um culto oficial em que nem mesmo acreditavam aqueles por quem era celebrado. As religiões orientais, centradas no Além, tinham conhecido uma grande voga em Roma e no império.
O cristianismo correspondia às aspirações da alma humana, à sua inquietude perante a morte, ao seu desgosto em face das torpezas morais do paganismo. Como proclamava a igualdade dos homens perante Deus, encontrou os seus primeiros adeptos entre aqueles a quem a sociedade humilhava – os pobres - e aqueles a quem ela considerava como animais – os escravos. Estes últimos tomaram, acaso pela primeira vez, no exercício do culto e na vida comunitária, consciência da sua dignidade humana. A base da doutrina é a mensagem de Cristo dirigida a todos os homens, ricos ou pobres, escravos ou livres. A salvação é oferecida a todos.
Foi por isto que os primeiros cristãos recusaram com uma firmeza quase sobre-humana, trair o seu Senhor, e Salvador. Os oprimidos impressionaram-se. O martírio era o seu triunfo, a alegria de poderem sofrer com e por Cristo e a perspectiva de uma beatitude eterna tornaram-nos insensíveis a todas as dores.
Assim a nova religião operou maravilhas. E o facto causou nos pagãos uma impressão indelével. Segundo a expressão de Tertuliano “o sangue dos mártires foi a semente da Igreja”. Uma força interior habitava estes mártires: a que é dada pela Fé e pelo amor ao próximo. A religião cristã dava esperança e consolação a todos aqueles que se dobravam sob o peso das dificuldades da sua existência e das suas faltas. Quando se sabe quanto os oprimidos tinham de sofrer nesse tempo, compreende-se o atractivo de uma religião que permitia a estes infelizes elevarem-se a uma nova visão do mundo e lhes dava uma razão de viver e de morrer.
Em contrapartida, durante muito tempo, os ricos e os poderosos permaneceram cépticos relativamente ao cristianismo. O preceito «ama o próximo como a ti mesmo» não os atraía.

12/09/18

As Religiões no Império Romano


As Religiões no Império Romano

A primeira religião oriental que chegou a Roma foi a do culto da deusa Cibele e do seu amante Átis – um par divino da mesma natureza que os deuses adorados em templos na Grécia minóica. Cibele, chamada a grande mãe, simbolizava a fecundidade e a força da natureza. Quando do pânico criado pela segunda guerra púnica, o Senado decidiu que o velho Panteão romano precisava de reforços. Foram consultados os livros sibilinos e, em seguida, enviou-se uma embaixada ao rei de Pérgamo, na Ásia Menor. O potentado aceitou, como um favor especial feito aos Romanos, enviar a Roma o velho símbolo do culto primitivo de Cíbele, uma pedra meteorítica preta, a qual foi colocada, primeiramente, no templo da Vitória, no monte Palatino, mais tarde, os Romanos construíram um templo em honra desta deusa. A importação de uma nova religião era um sinal dos tempos, os romanos começavam a adquirir um horizonte internacional. Mas o Senado tomou o cuidado de impedir que os cidadãos romanos participassem no verdadeiro exercício deste culto – na realidade, demasiado exótico e que era preferível reservar para sacerdotes vindos da Frígia. Com efeito, os fiéis eram aspergidos com o sangue das vítimas que deviam purificar o homem dos seus pecados e torná-lo imortal.

De uma natureza completamente diferente era o culto de Ísis, «a mais civilizada das religiões bárbaras». Tinha também a sua origem em antiquíssimas crenças religiosas referentes às ceifas e à alternância das estações. Ísis era oriunda do Egipto. Entrou cedo em Roma. O seu grande santuário de Roma foi construído durante o reinado de Calígula. No centro do culto encontrava-se Ísis, a deusa mãe que tinha ao colo o seu filho Osíris. O culto prestado a Ísis tinha grandeza, com os seus sacerdotes barbeados e envergando vestes de imaculada brancura. Pela penitência e pela purificação (de natureza material, é certo), o ritual místico conduzia à comunhão com a divindade e a uma espécie de ressurreição espiritual.

Mais tarde, sobretudo no século III, apareceram por todo o Império Romano algumas divindades masculinas. Estava-se no tempo dos imperadores-soldados, um período de guerras permanentes; a situação prestava-se bastante ao aparecimento duma crença própria para impressionar as legiões. A forma mais simples dessa crença, estabelecida para agradar aos imperadores-soldados, era o culto do Sol Invictus, o Sol invencível. Esta divindade toda poderosa e triunfante, que estendia a sua mão sobre Roma e as suas legiões, estava identificada com o imperador. Não pode chamar-se ao culto do Sol Invictus uma religião no sentido mais elevado do termo (que pressupõe uma relação entre o crente e a divindade), mas antes um compromisso entre a religião de estado e a propaganda imperial. Desde César que os grandes senhores do império eram, após a sua morte, adorados como deuses; no entanto os Romanos resistiram tanto quanto foi possível, à divinização em vida dos imperadores.
No Oriente a situação era diferente. Os Egípcios, por exemplo, não podiam levar a sério um soberano que não fosse, ao mesmo tempo, um deus. Ignorar esta tradição teria sido uma grave falta política. Quanto mais cosmopolita se tornava o Império Romano, mais os Orientais e as ideias orientais penetravam nas províncias ocidentais e até em Roma e mais o culto do imperador ganhava terreno. No século III já ninguém protestava, nenhum velho romano fazia ouvir a sua irritada voz. Nesta época o culto do imperador era muito mais do que uma manifestação de ambição autocrática. O império atravessava uma crise. A adoração votada ao chefe do estado como se fosse uma divindade exprimia a submissão. Décio e Diocleciano não podiam permitir-se a mínima tolerância para com esses sectários chamados cristãos e que se recusavam a adorar a imagem do imperador. Por isso o i9mperador divinizado veio a acrescentar-se às divindades que o cristianismo tinha de combater.

Um outro deus-soldado, Mitra, impôs-se igualmente aos homens desse tempo, e de uma maneira também diferente. Mitra estava muito próximo do Sol Invencível e o seu culto foi favorecido pelos imperadores, a partir de Cómodo. Quis a sorte, ironicamente, que fosse um imperador perverso e sádico a dar à religião de Mitra a sua posição predominante em Roma.
Mitra chegou, sem dúvida, ao mundo romano através da Pérsia, o país de Zaratrusta. Os persas viram nele o intermediário entre as potencias celestes de Ormuzd e as potencias maléficas de Arimânio. É por isso que Mitra está próximo do homem no combate entre o bem e o mal. O mito conta que Mitra foi um poderoso guerreiro e caçador que combateu o deus-sol e, em seguida, se tornou seu amigo. Na aurora do mundo capturou o grande touro que simboliza aquele. Sacrificou o touro por ordem do deus-sol; desta oferenda saíram o novo mundo e todos os seres vivos.
Os adeptos de Mitra eram obrigados a lutar do lado do bem contra o mal; a sua doutrina ensinava as boas obras e o perdão. A iniciação na comunidade Mitra comportava sete graus e cada um deles possuía o seu cerimonial próprio. Um ritual impressionante e característico fazia do impetrante o soldado da divindade. A cerimónia terminava pela entrega duma coroa – a distinção honorífica mais apreciada dos legionários -, que devia ser recusada. A honra cabia ao deus. O culto de Mitra facultava a estes soldados mal educados um ideal cavalheiresco. O sentido do dever e a disciplina eram exaltados como as virtudes mais perfeitas. O programa religioso do culto de Mitra tinha um pronunciado carácter viril.

Como se comportavam os velhos deuses olímpicos na época imperial? Oficialmente mantinham a sua posição privilegiada; nos veneráveis templos antigos conservavam-se como os guardas da tradição. Mas já não preenchiam essa função na vida religiosa do povo, enquanto as classes dirigentes há muito procuravam o seu suporte espiritual nos sistemas filosóficos, como sejam as doutrinas dos cépticos, dos epicuristas e dos estóicos.
Baco – o Dionísio dos Gregos – era uma excepção, não como deus do vinho, mas como representante de todos os aspectos vivos e férteis da natureza. O culto de Baco conciliava-se perfeitamente com as novas religiões orientais. Tinha o princípio da expressão pessoal dos sentimentos místicos; pela êxtase, o iniciado podia aproximar-se da divindade.

O que caracterizava então as religiões populares da época imperial, contra as quais o cristianismo tinha de lutar? O que é que lhes permitia impor-se aos espíritos? O que é que as diferençava do culto prestado aos deuses do Olimpo?
Em primeiro lugar eram religiões de mistério. Numa religião de mistério os fiéis formam uma comunidade fechada e os novos adeptos penetram nela após iniciação segundo um cerimonial particular. A iniciação comporta várias fases e atinge o seu ponto culminante no contacto pessoal com a divindade. O homem procura nestas religiões de mistério o meio de se elevar acima do terrestre, de ultrapassar a morte, de se garantir a vida eterna. Um culto é sempre enobrecido pelo desejo de eternidade, mesmo num culto de natureza tão grosseira como o prestado a Cibele. Na antiga religião, o reino de Hades não podia atrair ninguém. Mas a própria morte não punha termo ao alegre cortejo de Dionísio; a alma humana que, durante a sua vida terrestre, se tinha consagrado a Dionísio podia esperar uma participação no poder divino e, assim, vencer a morte.
Existiam outras religiões de mistério, outras vias que conduziam à vida eterna. Havia muitas pessoas que confiam em Hermes, o guia das almas. Os velhos mistérios gregos de Elêusis que se ligavam às deusas do trigo Deméter e Cora (Perséfona) atraíram grandes multidões durante toda a antiguidade. Sila, Cícero e os melhores imperadores romanos contavam-se entre os seus iniciados. Outros, ainda, faziam de Orfeu o seu profeta. Os restos dos sarcófagos dos séculos II e III que chegaram até nós, mostram-nos o desejo de imortalidade representado por mil símbolos. O norte-africano Apuleio, romancista dos últimos tempos da Antiguidade e fervoroso adorador de Ísis deixou-nos um esplêndido exemplo de lenda baseada no desejo de imortalidade surgido nessa época, na história de Amor e Psiqué. Amor, o deus do amor, ama Psiqué, uma princesa mortal. Os dois amantes estão separados e Psiqué tem de empreender uma viagem longa e perigosa, mas o amor fá-la triunfar de todas as privações até poder reunir-se ao seu apaixonado em núpcias celestes. Psiqué significa «calma»; em centenas de sarcófagos encontramos a pequena Psiqué a voar ao encontro de Amor, simbolizando assim o amor, um sentimento que para os romanos, vencia todos os perigos, mesmo amorte, e fazia a alma humana participar na vida eterna.
(Carl Grimberg)

– Os primeiros cristãos –


HISTÓRIA DE ROMA: A RELIGIÃO
– Os primeiros cristãos –
Na descrição feita por Tácito das perseguições ordenadas por Nero contra os primeiros cristãos encontra-se a primeira referência dos historiadores antigos ao cristianismo. Data de cerca do ano 100 e começa assim:
«Nenhum recurso humano, nem larguezas principescas, nem cerimónias expiatórias faziam recuar o boato infamante segundo o qual o grande incêndio fora ordenado. Por isso, para desfazer a acusação, Nero considerou culpados e infligiu refinados tormentos àqueles que se tornaram detestados pelas suas abominações e a quem o vulgo chamava cristãos. Este termo vem de Cristo, a quem, no tempo de Tibério, o procônsul Pôncio Pilatos entregara ao suplício. Imediatamente reprimida, esta detestável superstição ressurgiu, não só na Judeia, onde nascera o mal, mas também em Roma, onde tudo o que há de medonho e vergonhoso no mundo acorre e encontra uma numerosa clientela.»

Quando menciona estes «crimes» cometidos pelos cristãos, Tácito torna-se, sem dúvida, intérprete dos boatos que circulavam em Roma, segundo os quais as comunidades cristãs sacrificavam homens no decurso das suas cerimónias rituais e lhes comiam a carne; estas horríveis narrativas provinham duma má interpretação, por parte dos pagãos, da doutrina cristã e, em particular, da presença na eucaristia do corpo e do sangue de Jesus.
Não há fontes mais antigas a respeito do maior movimento espiritual do mundo; e o facto não é devido exclusivamente às destruições provocadas pelo tempo. A razão é simples: durante muito tempo, os cristãos foram considerados uma pequena seita religiosa sem importância. Aliás, as suas fileiras eram constituídas por sobretudo por humildes pescadores e outras pessoas de condição modesta, pouco habituadas a manejar a pena. Durante esse período, a doutrina cristã e a história das comunidades transmitiram-se oralmente. Quando foi preciso fixar um ou outro ponto do Novo Testamento, era geralmente utilizado um grego muito elementar, que era a língua veicular mais corrente.
Esta simplicidade foi reforçada pelo estilo concreto, imagístico e realista das narrações evangélicas. A sua linguagem é tão simples e clara que pode ser compreendida por todos. No decorrer dos tempos, este «livro popular» tornou-se o livro de todos os povos. Nenhum outro foi publicado com tão grande número de exemplares nem traduzido em tantas línguas.
No reinado do imperador Tibério, Jesus da Nazaré levou a sua mensagem a multidões atentas nas margens do lago de Genesaré; profetizava um reino que «não seria deste mundo», mas que uniria todos os povos da Terra numa fraternidade espiritual. Somente alguns anos depois da morte do Mestre, que se julga ter ocorrido por volta dos anos 30, é que o Evangelho chegou à cidade das sete colinas.
Num mundo de crueldade e desprezo pela pessoa humana – muito particularmente pelos escravos e gladiadores – levantou-se subitamente uma voa «Ama o próximo como a ti mesmo!»
Quem teria podido supor então que a perniciosa superstição dos pobres cristãos, como dizia Tácito, se iria estender um dia a quase todo o mundo romano e marcar na história do mundo o início de uma nova era? Durante muito tempo, o cristianismo, para o romano médio, não foi mais que uma dessas numerosas religiões orientais que invadiram o país ao mesmo tempo que o helenismo e, inicialmente, uma das menos notáveis.
(Carl Grimberg)

12/10/17

PRINCIPAIS LEGIÕES ROMANAS



AS PRINCIPAIS LEGIÕES ROMANAS

A legião romana, profissional, era uma estrutura da organização militar da antiga Roma, especialmente importante nos períodos final da República (a partir das reformas de Gaius Marius) e Império.

(Os comentários incluem data de criação e dissolução da legião, causa do desaparecimento se relevante, responsável pela criação original e emblema.)

· Legio I Adiutrix (auxiliar) – 68 AD até pelo menos 444, Nero 


· Legio I Italica (italiana) – 22 de Setembro 66 até ao séc. V, Nero 


· Legio I Germanica (germânica) - 48 a.C. a 70, Júlio César 


· Legio I Minervia (de Minerva) - 82 até ao séc. IV, Domiciano 


· Legio II Italica (italiana) – 165 até ao séc. V, Marco Aurélio 


· Legio II Adiutrix (auxiliar) – 70 AD até séc. III, Vespasiano 


· Legio II Augusta (de Augusto) – 9 AD até séc. III, César Augusto (emblemas: capricórnio e pégaso) 


· Legio II Traiana Fortis (a legião forte de Trajano) - Trajano 


· Legio III Cyrenaica (cirenaica) – ca. 36 a.C. até ao séc. V, Marco António 


· Legio III Augusta (de Augusto) – 43 a.C. até fim do séc. IV, César Augusto (emblemas: pégaso) 


· Legio III Gallica (gaulesa) – 49 a.C. até início séc. IV, Júlio César (emblema: touro) 


· Legio IV Scythica (cítica) – ca. 42 a.C. até ao séc. V, Marco António 


· Legio IV Macedonica (macedónica) – 48 a.C./70 AD, Júlio César 


· Legio V Alaudae (as cotovias) – 52 a.C. a 70, Júlio César, destruída na rebelião de Batávia (emblema: elefante) 


· Legio V Macedonica (macedónica) – 43 a.C. até pelo menos 400, César Augusto (emblema: touro) 


· Legio VI Ferrata (de ferro) – 52 a.C. até depois de 250, Júlio César


· Legio VI Victrix (vitoriosa) – 41 a.C. até ao fim do séc. IV, César Augusto (emblema: touro) 


· Legio VII Claudia (de Cláudio) – 58 a.C. até fim séc. IV, Júlio César (emblema: touro) 


· Legio VII Gemina (gémea) – Outubro 68 AD até ao fim do séc. IV, Galba 


· Legio VIII Augusta (de Augusto) – 59 a.C. até depois de 371, Júlio César 


· Legio IX Hispana (hispânica) - antes de 41 a.C. até 160, César Augusto 


· Legio X Fretensis (estreito) - 41/40 a.C. pelo menos 260, batalha do Estreito de Messina, Fretum Siculum – César Augusto 


· Legio X Gemina (gémea) – 44 a.C. até ao séc. V, Lépido 


· Legio XI Claudia (de Cláudio) – 42 a.C. até início séc. V, Júlio César 


· Legio XII Fulminata (fulminante) – 43 a.C. até ao séc. V, Lépido (emblema: raio) 


· Legio XIII Gemina (gémea) – 41 a.C. até início séc. V, César Augusto 


· Legio XIV Gemina (gémea) – César Augusto 


· Legio XV Apollinaris (do deus Apolo) – 41-40 a.C. ao séc. V, César Augusto 


· Legio XVII / Legio XVIII / Legio XIX - 41 a.C. até 9 AD, destruídas na batalha da Floresta de Teutoburgo, César Augusto 


· Legio XX Valeria Victrix (valorosa e vitoriosa) - depois de 31 a.C. até ao fim do séc. III, César Augusto (emblema: javali) 


· Legio XXI Rapax (rapace) – 31 a.C. a 92, destruída na Panónia, César Augusto (emblema: capricórnio) 


· Legio XXII Deiotariana (de Deiotarus) – 48 a.C. a ca. 132-136, destruída na Judeia, César Augusto 


· Legio XXII Primigenia (afortunada, dedicada à deusa Fortuna) – 39 até séc. III, Calígula 


· Legio XXX Ulpia Victrix (vitoriosa ulpiana, cf. sobrenome de Trajano) 



(Fonte: Wikipédia)



08/12/16

História de Roma 22 - OS GRACOS E OS CAVALEIROS


República em Crise:  Os Gracos e os cavaleiros
Roma e a Itália e toda a bacia mediterrânica padeciam de enormes tensões sociais no século II a.C. devido ao aumento do fosso entre as grandes famílias e a maioria dos cidadãos ainda mais empobrecidos pela superabundância de mão-de-obra escrava, que atingiu cifras próximas de 50% da população total, muitos vivendo na clandestinidade e provocando revoltas que, por vezes, fizeram abanar a estrutura social.
Dois jovens tribunos da plebe, irmãos, Tibério e Gaio Graco, implementaram então reformas espectaculares para remediar os problemas. Tibério ascendeu ao tribunado em 134 a.C. e iniciou uma reforma agrária que visava distribuir parcelas individuais de terra dos latifundia (imensas propriedades fundiárias de que o Estado se apossara após a segunda guerra púnica e que eram exploradas por algumas famílias ricas de patrícios mediante um pagamento meramente simbólico).
Tibério tinha o projecto de acabar com a pobreza urbana e aumentar o número de homens livres com bens suficientes para poderem servir no exército. A fim de contornar eventuais resistências Tibério decidiu submeter a proposta directamente ao voto dos comícios sem a apresentar previamente ao Senado, o que não sendo ilegal era contrário aos costumes de Roma. Então quando o outro tribuno, Octávio, vetou a lei, Tibério convenceu a assembleia a uma decisão sem precedentes: a exoneração de Octávio. Foi desta forma que a lei agrária foi aprovada e nomeada uma comissão para a pôr em prática, de que se destacavam Tibério e o seu jovem irmão Gaio. Tibério com estas atitudes tinha feito demasiados inimigos, começando a suspeitar-se que os seus métodos autoritários visassem o poder absoluto. Assim, em 133 a.C., logo que a assembleia iniciou uma reunião eleitoral no Capitólio, uma violenta discussão explodiu, degenerando rapidamente em rixa. Os senadores amotinaram-se em massa e os seus clientes acorreram em seu socorro, matando Tibério e 300 dos seus partidários à bastonada.
Foi a primeira vez em quatro séculos que houve derramamento de sangue em Roma num conflito civil. Tibério tinha posto em marcha o que certamente não queria: a desagregação da oligarquia romana.
Muitos senadores, entre os quais Cipião Emiliano, regozijaram-se com o fim de Tibério e tentaram paralisar a actividade dos funcionários encarregados de aplicar as leis agrárias, mas em vão. A lei foi aplicada e contribuiu para retardar a ruína dos pequenos camponeses.
Em 133 a.C. Gaio Graco foi eleito tribuno. Orador consagrado, a sua eloquência e diplomacia valeram-lhe apoios de todos os quadrantes. Fez-se eleger sem qualquer obstáculo para um segundo mandato. Reforçou as leis agrárias de seu irmão e completou-as com medidas que previam a criação de colónias romanas à volta de grandes centros como Cartago e Tarento. Reformou os tribunais, ao criar uma lei em que os jurados deveriam passar a ser da classe equestre. Era a subida ao poder duma classe com prestígio social, muitos tinham enriquecido como cobradores de impostos (publicanos) e depois constituído grandes fortunas em negócios de contratos de percepção relativos a trabalhos públicos e aprovisionamento do exército. Os «cavaleiros da finança» eram um grupo muito activo. De tempos a tempos, quando se mostravam demasiado ávidos e deixavam somente uma pequena parte aos senadores, eclodiam conflitos. Com as leis de Gaio Graco acabou a homogeneidade dos quadros que governavam o Estado.
Até à época de Gaio Graco, as tentativas de enriquecimento pessoal dos publicanos mantiveram-se dentro de limites  razoáveis, mas quando Gaio propôs um novo tribunal composto exclusivamente por cavaleiros a situação alterou-se completamente. Esta proposta pode ser considerada o ponto de partida daquilo que virá a ser a ordem equestre enquanto grupo social distinto.
A Gaio deparou-se em seguida o problema escaldante do estatuto dos aliados de Roma na esfera latina e no resto da Itália. Os aliados tinham desempenhado um papel determinante durante a Segunda Guerra Púnica e era o momento indicado para lhe conceder a plena cidadania romana. Contudo o Senado não estava disposto a conceder direito de voto a homens de quem nunca teria o voto e assim o estatuto de aliado manteve-se inalterado. Para compensar os aliados italianos foi-lhes oferecida uma parte das pequenas propriedades criadas a partir do parcelamento das terras do Estado, mas o Senado não autorizou os comissários a aplicar esta medida. Gaio decidiu que este ponto não era negociável e propôs em 122 a.C um novo projecto de lei visando conceder a cidadania romana a todos os latinos e nas outras cidades italianas aos administradores romanos, oferecendo em lugar do direito, todas as vantagens privadas da cidadania. Mas esta medida ambiciosa, digna de um homem de estado, foi ultrapassada por uma proposta astuciosa de um candidato conservador ao lugar de tribuno, que fez votar uma lei que ia mais longe. Gaio viu-se atado de pés e mãos e quando ia supervisionar a sua nova colónia de Cartago, rumores maléficos de que o lugar trazia mau agouro, enfraqueceram ainda mais a sua posição. Em 121 a.C. quando se apresentou pela terceira vez ao lugar de tribuno, não foi eleito. O seu fim estava próximo. Na sequência duma rixa entre apoiantes e opositores do projecto de colonização de Cartágo, um doméstico do senador Oprímio foi morto. Este aproveitou-se desse facto para convencer o Senado a declarar o estado de sítio e o próprio Oprímio assumiu a liderança dum grupo de senadores e cavaleiros que atacaram Gaio e o mataram. Improvisaram-se rapidamente simulacros de processos e 3000 partidários de Gaio Graco foram executados. O decreto que autorizou este acto foi, mais tarde, baptizado de «senatus consultum ultimum». Este expediente foi utilizado diversas vezes no decurso dos agitados decénios seguintes.

04/12/16

História de Roma 21: A SOCIEDADE ROMANA NO APOGEU DA REPÚBLICA





21 - A Sociedade
Em matéria de política externa Roma adoptou uma atitude cada vez mais dura e autoritária. No princípio do século II a.C. a autoridade do Senado sobre a política era total, não obstante as intervenções periódicas das assembleias. O governo era praticamente assunto de um círculo fechado de cerca de 2.000 homens, pertencentes a menos de vinte famílias. Eleições de «homens novos», (i.e. pertencentes a famílias sem antepassado «cônsul»), eram extremamente raros.
Guiado por estes homens e na ausência dum contra-poder eficaz, o Senado conservou uma supremacia que roçava a impunidade, tornando-se um órgão cada vez mais conservador.
 No plano interno, os nobres e o Senado mostravam-se cada vez mais intolerantes face aquilo que consideravam tentativas que visavam minar a sua supremacia. Entre aqueles que foram alvo da sua cólera, podemos citar o poeta Névio (270-201 a.C.), autor de obras patrióticas, entre as quais algumas tragédias e uma epopeia que é uma obra de vanguarda que tem como tema a 1ª Guerra Púnica, na qual o autor havia participado. Cerca de 204 a.C., Névio cometeu uma falta que lhe valeu a prisão e, depois, o exílio. A razão da severidade da sua pena remontava, provavelmente, a uma ofensa com cerca de trinta anos: tinha ousado criticar uma das mais poderosas famílias nobres plebeias.

A arte
Nas artes, Plauto (254-184 a.C.) é o grande mestre no domínio das peças cómicas. Com ele a comédia latina em verso atinge o apogeu. Inspirou-se nas refinadas comédias gregas do século IV a.C., mas, em vez da subtileza destas, deu largas ao seu génio na farsa bufa, de ritmo rápido. Utilizou o grotesco para a crítica social indirecta mas reveladora, tendo o cuidado de apresentar as suas personagens não como romanos, mas como gregos ou bárbaros. Outro grande poeta, Quinto Énio (239-169 a.C.), nasceu na Calábria onde recebeu as influências culturais que lá convergiam, gregas, latinas e italianas. Recebeu a cidadania romana como recompensa da participação na 2ª Guerra Púnica e foi trazido para Roma por Catão, em 204 a.C. Foi o primeiro profissional de letras em Roma e foi considerado o pai da poesia latina. A sua obra «Anais» - um poema épico no qual utilizou, como meio de expressão, uma adaptação do verso heróico grego - constitui uma crónica de toda a história romana, das origens até à sua época.
Catão, "o antigo" (234-149 a.C.) era um «homem novo». Raros textos da sua autoria chegaram até nós mas, apesar disso, o seu prestígio, como erudito, foi enorme. A sua obra maior, uma história de Roma em sete volumes, intitulada «Origens» ou «Histórias», redigida em latim, que não nos chegou, constitui a primeira obra de referência neste campo e o protótipo da prosa latina na qualidade de instrumento literário. Foi um excelente orador. Embora não contasse com qualquer cônsul entre os antepassados, tornou-se um dos políticos mais famosos na sua época e durante muitos anos uma personagem de primeira importância. Foi um inimigo figadal dos Cipiões. Apoiado na tradição e, protegido pelos numerosos proprietários fundiários conservadores, mostrou-se profundamente hostil ao culto da personalidade, nomeadamente a prestado a Cipião. Conseguiu expulsar os Cipiões da vida pública, obrigando-os à reforma em 184 a.C. e nesse ano foi eleito censor, o que era excepcional para um «homem novo». Esse cargo permitiu-lhe intensificar os ataques contra o helenismo, mas também a adoptar muitas medidas tendentes a renovar a economia e a moral da sua pátria. Foi hostil às tendências da sua época que visavam a emancipação das mulheres. Era do campo, chicaneiro e vingativo, de olhar penetrante, foi um modelo de puritanismo reaccionário, mas todos os seus esforços foram em vão pois o seu programa mostrou-se, a longo prazo, impraticável.
Com o tempo, os Romanos voltaram-se cada vez mais para Cipião Emiliano, bom orador, um dos mais novos generais romanos que participou na campanha da Macedónia, neto adoptivo de Cipião, o Africano, cultivando o gosto da época pelo individualismo tão criticado por Catão, veio a substituí-lo e, durante mais de 20 anos, foi um dos homens de Estado mais marcantes de Roma. Revelou-se um organizador enérgico e caracterizava-o uma reputação, totalmente merecida, de integridade. Com grande atracção intelectual pelo helenismo, interessou-se pela filosofia e literatura gregas e muitos do que lhe eram próximos, como Terêncio (185-159 a.C.), dramaturgo latino cuja obra extraordinária exerceu uma influência duradoura sobre o teatro europeu. vieram a ser responsáveis pelo progresso que a cultura helénica conheceu em Roma.

A riqueza e os novos monumentos
Durante todos estes anos, um afluxo crescente de moeda e lingotes de proveniência ultramarina foi-se acumulando no tesouro romano.
Roma era já, pelo tamanho, a primeira cidade do Ocidente e o afluxo de riquezas permitiu a construção de monumentos sumptuosos. A influência grega evidenciava-se no novo gosto pelos pórticos e pelas basílicas. No século I a.C. estas vastas salas públicas foram reconstruídas com abóbadas em arco - uma conquista arquitectónica romana (que implicava uma outra inovação tipicamente romana, o arco monumental, que surgiu em Roma a partir de 196 a.C.). Estes monumentos anunciavam já os sumptuosos arcos do triunfo imperiais que ainda hoje se podem admirar em muitas cidades. Os progressos atingidos na construção de arcos, arcadas, absides semicirculares, nichos e abóbadas foram possíveis devido à descoberta de uma matéria revolucionária: a argamassa. Em 144 a.C. um pretor mandou construir, para fornecer água à cidade, o primeiro aqueduto de Roma, o Acqua Marcia, com 58 Km de comprimento. Esta iniciativa deu origem a um vasto processo de construções de aquedutos, no final do qual Roma passou a usufruir de uma abundância de água corrente única no mundo. Ao mesmo tempo os romanos construíram estradas por toda a Itália. Em Roma as ruas permaneceram estreitas, mas foram pavimentadas com ladrilhos de lava endurecida do monte Albino. A população da capital aumentou e a maior parte dos habitantes residia em edifícios frágeis, construídos com madeira e materiais baratos, sem aquecimento nem água corrente, regularmente devastados por incêndios e inundações mas, pelo contrário, as habitações dos ricos começaram a ser construídas com pedra de cantaria. As casas tinham uma fachada cega que dava para a rua, distribuindo-se os quartos em redor de um átrio que desempenhava as funções de corredor interior e de sala de recepção; no átrio ficava o altar e as estátuas da família; os quartos de dormir e o alojamento do pessoal doméstico situavam-se na zona mais afastada e muitas destas casas tinham uma sala de jantar de Inverno e outra de Verão.

Os escravos
Os escravos constituíam uma enorme reserva de mão de obra.
Na sequência das campanhas vitoriosas dos séculos III e II a.C., Roma foi inundada de escravos. Esta mercadoria era vendida nos grandes mercados da Cápua e de Delos. Nestes espaços chegavam a negociar-se 20.000 escravos por dia.
Os escravos não tinham quaisquer direitos mas os domésticos eram tratados com relativa benevolência. Foi em grande parte devido a eles que a cultura grega penetrou em Roma pois forneciam à cidade professores, médicos e pessoal administrativo. No campo, a sorte dos escravos foi sempre menos sorridente. Segundo Catão deviam ser tratados da mesma forma que os animais domésticos e quando já não tinham idade para ganhar o pão, Catão achava que se podiam deixar morrer, contudo, ainda segundo ele, uma boa gestão obrigava a que os animais e os escravos fossem tratados com cuidado, de maneira a que trabalhassem o maior tempo possível. Era frequente que estes escravos, chamados rústicos, usassem grilhetas permanentemente  Nas grandes explorações agrícolas, alguns proprietários de escravos muito severos e pouco cuidadosos, submetiam a sua mão-de-obra a tratamentos terríveis. Os escravos que trabalhavam nas minas viviam uma existência ainda pior. Muitos desertavam para viverem na clandestinidade e esta foi uma das razões porque, em alguns períodos do século II a.C., a estrutura social romana estremeceu e esteve à beira da desintegração.



13/10/16

História de Roma -20: ROMA IMPERIALISTA


ROMA IMPERIALISTA


Os acontecimentos nos séculos III e II a.C. conduziram Roma a bater-se não só contra Cartago, mas também contra a Grécia e a tornar o Mediterrâneo um mar romano.

Politicamente o mundo grego era composto por três poderosos reinos saídos do desmembramento do império de Alexandre, o Grande, após a sua morte em 323 a.C. Os Antigonídas ocupavam o trono da Macedónia, os Selêucidas reinavam do mar Egeu ao Indo-Kushan e os Ptolomeus dominavam o Egipto e os mares e territórios vizinhos.

Os Romanos atacaram os dois principais reinos gregos, infligindo-lhes terríveis derrotas e invadindo-os.

Filipe V da Macedónia foi derrotado definitivamente por Tito Flamino na batalha dos montes Cinoscéfalos em 200 a.C. e Antíoco III e o exército selêucida sofreram derrotas esmagadoras na garganta histórica de Termópilas, em 191 a.C.e em Magnésia, na Ásia Menor, no ano seguinte.

A Macedónia foi em 167a.C, de novo conquistada e, desta feita, destruída e anexada.

Na batalha de Pidna (167 a.C.), a pesada falange Macedónica de Perseu, filho de Filipe V, em rebelião contra os romanos, composta por mais de 20.000 homens, foi derrotada pelas legiões enviadas por Roma, sob o comando de Paulo Emílio. Nesta batalha, os gládios dos legionários romanos infligiram perdas terríveis na pesada infantaria grega, armada de lanças e o exército macedónio foi totalmente aniquilado, provando-se uma vez mais e de forma absoluta, a superioridade da tática militar da mobilidade praticada pelas  legiões,  face à tática militar da infantaria compacta e estreitamente unida e pouco móvel das falanges gregas.

Por fim, em 146 a.C., Corinto, a capital da Liga Acaia, foi tomada por Lúcio Múmio, arrasada e os sobreviventes vendidos como escravos. A Liga Acaia foi abolida e a Grécia e todas as suas cidades-estado foram amalgamadas na província romana da Macedónia.

A ocidente, em 146 a.C., Cipião Emiliano tomou a cidade de Cartago, após um cerco implacável a que se seguiu um pavoroso massacre. Os sobreviventes foram vendidos como escravos e a cidade foi destruída pedra a pedra e espalhado sal sobre as suas ruínas para que permanecessem estéreis e malditas para sempre. A pátria dos Cartagineses tornou-se a província de África, com uma riqueza agrícola inesgotável.

A destruição impiedosa de Cartago e de Corinto revelou o imperialismo romano em todo o seu cinismo com resultados espantosos em poucos anos. Todo o mundo civilizado do Mediterrâneo caiu sobre o domínio de Roma em meados do século II a.C.

12/10/16

ROMA ANTIGA

Um bog interessante sobre Roma antiga:

http://imperioroma.blogspot.pt/2009/11/lista-de-legioes-romanas.html

29/12/15

História de Roma -19 – Roma conquista a Grécia e o Mediterrâneo Oriental


Roma conquista a Grécia e o Mediterrâneo oriental



Em 203-202 a.C. Filipe V, rei da Macedónia aliou-se a Antíoco III, o Grande, rei Selêucida, senhor da Síria e do Médio Oriente, para atacar o terceiro reino em que se dividiu o imenso império de Alexandre, o Magno, o Egipto dos Ptolomeus.

A aliança entre a Macedónia e os Selêucidas inquietou algumas cidades-estado da Grécia, nomeadamente Rodes e Pérgamo, que se dirigiram a Roma, convencendo o Senado que tal aliança faria também perigar Roma.

O Senado enviou um ultimato à Macedónia, que foi rejeitado com insolência por Filipe V, o que deu origem à 1ª guerra travada por Roma em solo grego (200 a.C.).

Os 2 primeiros anos da campanha não foram concludentes, tendo o general Tito Flamino só a intenção de expulsar os Macedónios das suas 3 principais fortalezas da Grécia.

Mas Filipe V passou ele próprio ao ataque e provocou a Batalha de Cinoscéfalos, nos montes a leste de Tessália.

O exército de Filipe V desceu a encosta e começou a abater as fileiras romanas, mas foi atacado pela retaguarda pôs-se em fuga. A causa macedónia estava perdida. Foi o 1º conflito a opor duas tradições militares bem diferentes, a mobilidade das legiões romanas, bem desenvolvida anteriormente por Cipião, o Africano, contra a falange grega, estreitamente unida mas pouco móvel.

Esta derrota esteve na base do futuro do Mediterrâneo Oriental.

Filipe V foi obrigado a renunciar à sua armada e a aceitar que o seu domínio sobre a Grécia fosse banido. Tito Flaminino declarou as cidade-estado gregas livres, numa proclamação de liberdade que ficou célebre e que deixou os gregos em grande excitação e júbilo. No entanto esta alegria não foi partilhada por todos, pois os antigos aliados de Roma, membros da Liga Etólica, e que se tinham mostrado determinantes durante o conflito, sentiram que esta libertação geral não os tinha recompensado significativamente e, desiludida, a Liga Etólica convidou Antíoco III a ir até à Grécia combater os Romanos.

Nessa época as relações entre Antíoco III e os Romanos não eram as melhores. Aníbal, o antigo inimigo de Roma, tinha-se refugiado na corte selêucida; durante a 2ª Guerra Púnica conduzira Cartago a uma vitória espectacular, mas os cartagineses cansaram-se do seu punho de ferro e Antíoco autorizou-o a residir no território selêucida.

Antíoco decidiu aceitar o convite da Liga Etólica e, em Março de 192 a.C. invadiu a Grécia. Era inevitável que o Senado enviasse os seus exércitos para lhe resistirem.

A maneira como Antíoco III conduziu a guerra não passou de um miserável desafio para os Romanos. Sofreu uma derrota esmagadora na garganta histórica de Termópilas (191 a.C.) e foi forçado a abandonar a Grécia. No ano seguinte os Romanos derrotaram-no de novo, desta vez numa batalha naval. Isso permitiu aos Romanos, pela 1ª vez, desembarcar tropas na Ásia. A batalha final entre Antíoco III e os Romanos foi terrestre e desenrolou-se em Magnésia, a oeste da Ásia Menor, em 190 a.C. O irmão de Cipião o Africano era o general titular mas aquele esteve presente na batalha para o aconselhar. Os Romanos atacaram o flanco esquerdo do imenso exército de Antíoco III, defendido por cavaleiros persas fortemente armados. Os elefantes selêucidas, transtornados pelos golpes das lanças, deram meia volta e, em vez de carregarem sobre as tropas inimigas, atacaram a sua própria falange, ao centro. Os Romanos obtiveram uma vitória esmagadora.

Assim os Romanos atacaram os dois principais reinos gregos, infligindo-lhes terríveis derrotas e invadindo-os. Porém a lição dada a Filipe V não serviu de exemplo. Em 179 a.C., Filipe V morre e seu filho, Perseu, com 35 anos, sobe ao trono. Renovou o tratado com os Romanos, que não pretendia atacar. Mas, ao mesmo tempo, tomou uma série de medidas visando reforçar a influência macedónia sobre os seus vizinhos.

Em 171 a.C., os Romanos estavam de novo em guerra contra a Macedónia. O pretexto era insignificante. Perseu atacara alguns chefes vizinhos que tinham laços de amizade com Roma. A verdadeira razão prendeu-se com o facto de Roma temer a influência macedónia sobre os seus estabelecimentos situados em território grego.

Como na anterior ofensiva contra a Macedónia, as primeiras campanhas foram caóticas e infrutíferas. Por fim, no 4º ano de hostilidades, o rei cedeu terreno e recuou nas suas fronteiras, o que permitiu ao cônsul Paulo Emílio acampar na planície macedónia propriamente dita. Aí, obrigou o inimigo a travar uma batalha, em Pídnia. O choque inicial com a pesada falange de Perseu, composta de 20.000 homens, fez recuar os legionários romanos. A seguir, a falange perdeu terreno quando se abriram brechas nas suas linhas e que foram aproveitadas por pequenas unidades romanas que se infiltraram, enquanto outros elementos rodeavam os flancos do exército macedónio. Os gládios dos legionários romanos infligiram perdas terríveis à infantaria macedónia, armada de lanças. A inferioridade da falange em relação as legiões romanas foi, uma vez mais, provada de forma absoluta. O exército macedónio foi totalmente aniquilado.

01/11/14

História de Roma -18 - 3ª GUERRA PÚNICA

Terceira Guerra Púnica (149 a.C. -146 a.C.) foi a última das guerras entre Roma a Cartago.
Embora as duas partes estivessem em paz desde o fim da Segunda Guerra Púnica (201 a.C.), Roma não conseguia ficar tranquila com a rival, pois mesmo com todos os embargos e imposições que o tratado de paz fixado entre as duas cidades na última guerra, Cartago, superando todas as adversidades, e sob o comando de Aníbal, reerguera-se com um vigor surpreendente e voltara a prosperar.
Roma não podia deixar a velha rival tornar-se novamente uma potência. Diz a lenda, que Catão, o Velho, repetia no Senado, sem cessar: "delenda est Carthago" (Cartago precisa ser destruída). Roma usou então um ardil muito utilizado na antiguidade: como Cartago estava proibida de fazer guerra contra qualquer povo sem o consentimento do senado romano, secretamente mandou  o seu aliado em África, Masinissa, rei dos Númidas, que devia o trono à sua submissão a Roma e desejava alargar o seu território, atacar o território cartaginês e invadir as suas terras de trigo.
Durante três anos o senado cartaginês implorou para Roma o direito de defesa, sendo sempre ignorado, claro, pelos romanos, até que finalmente os Cartiagineses resolveram defender-se. Estava aí criado o pretexto que Roma precisava para atacar Cartago. No ano 149 a.C.. as legiões atacaram e cercaram a cidade de Cartago.
Os Cartagineses decidiram resistir até ao fim e fizeram-no durante quatro anos. Em 146 a.C., o cerco de de Cipião Emiliano terminou com a tomada da cidade e um pavoroso massacre. segundo a lenda, o cerco foi tão duro que as mulheres cartaginesas cortavam os cabelos para fazer corda e os seus defensores lutavam dia e noite para defender a cidade. Em 146 a.C. os romanos conseguiram finalmente entrar dentro dos muros da cidade, mas mesmo assim tiveram que lutar ferozmente para vencer a resistência, pois os cartagineses venderam caro cada metro quadrado. Pacientemente os romanos foram tomando casa por casa até entrar na cidadela interna e vencer a última resistência.
Os sobreviventes foram vendidos como escravos, a cidade destruída pedra a pedra e foi espalhado sal sobre as ruínas para que estas permanecessem estéreis e malditas para sempre. Esta atitude revela o medo que a memória de Aníbal ainda suscitava entre os Romanos.
Quando Mesinissa morreu, os Romanos optaram por uma política  de anexação: a pátria dos Cartagineses, que correspondia à parte norte da actual Tunísia, tornou-se a província da África, que possuía numerosas colónias e uma riqueza agrícola inesgotável, substituindo progressivamente a Sicília como principal fornecedor de cereais a Roma.

A destruição impiedosa de Cartago fez tremer o mundo civilizado do Mediterrâneo e o imperialismo romano revelava-se em todo o seu cinismo, obtendo resultados espantosos: em poucos anos o Mediterrâneo tornar-se-ia o "Mare Nostrum" - o seu mar.



13/10/14

História de Roma -17 - 2ª GUERRA PÚNICA

2ª Guerra Púnica


A Segunda Guerra Púnica (218-201a.C.) foi a mais terrível guerra travada por Roma e teve consequências consideráveis.
Preliminares:
Em 241 a.C. Cartago fora vencida no fim da Primeira Guerra Púnica, mas não desaparecera do mapa. Roma interditou as águas italianas aos seus navios e obrigou os Cartagineses a evacuarem da Sicília. No ano seguinte Cartago foi atormentada pela revolta de 20.000 mercenários que se amotinaram devido aos atrasos no pagamento dos soldos e puseram a cidade a ferro e fogo durante 3 anos e só após encarniçados combates os mercenários foram aniquilados. Também os companheiros de armas destes rebeldes, na Sardenha, se revoltaram contra Cartago e pediram, em 283 a.C., auxílio a Roma, que enviou um corpo expedicionário e assim se apossou das fortalezas cartaginesas e anexou a Sardenha e a Córsega a Roma. Cartago perdeu igualmente a quase totalidade das suas possessões espanholas.
Mas uma vez esmagadas as violentas insurreições dos mercenários, os Cartagineses recuperaram de forma espectacular e reconstituíram o seu império espanhol. Este facto resultou da acção da mais ilustre família de Cartago, os Bárcidas, estabelecidos em Espanha há vários decénios e fundadora de uma linhagem hereditária de governantes semi-independentes. O primeiro a tornar-se famoso foi Amílcar Barca, que teve um papel importante na Primeira Guerra Púnica e também se distinguiu na vitória sobre os mercenários amotinados que lhe valeu a autorização para reconquistar os seus territórios em Espanha. Os seus sucessos foram espectaculares. As terras espanholas por ele ocupadas eram mais vastas e ricas que todas as outras anteriores dependências de Cartago. Os Espanhóis, entre cujos antepassados se contavam os Celtas e os Iberos, eram guerreiros famosos pela sua resistência física, constituindo o melhor exército que Cartago jamais teve. Amílcar morreu afogado em 229 a.C.. Sucedeu-lhe o seu genro Asdrúbal, que elegeu como capital Nova Cartago (Cartagena), construída sobre uma península que abrigava um dos melhores portos do mundo, e alargou significativamente o território para o interior. Asdrúbal foi assassinado em 221 a.C., e o comando passou para o seu cunhado Aníbal. Este estendeu as suas fronteiras ainda mais, mas uma cidade costeira, Sagunto, resistiu-lhe e pediu auxílio a Roma, que respondeu à solicitação e exigiu que Sagunto fosse respeitada. Aníbal rejeitou o ultimato e sitiou a cidade. Os Romanos furiosos intimaram Cartago a entregar-lhe Aníbal. O pedido foi recusado. A recusa de Cartago em entregar Aníbal desencadeou as hostilidades e assim começou a Segunda Guerra Púnica. Segundo a lenda o pai de Aníbal obrigara-o a jurar ódio eterno aos Romanos e Aníbal desejava vingar a sua pátria, convencido que o poder do seu novo território ibérico lhe dava a oportunidade única para tal.
A Guerra:
Os Romanos, seguros do seu poder, declararam guerra a Aníbal e começaram a reunir forças militares para a empresa espanhola. No entanto, os seus planos foram ultrapassados pela audácia de Aníbal que decidiu invadir a Itália a partir das vias acidentadas do interior do país. Conduzindo uma força de 40.000 homens, entre os quais soldados espanhóis bem treinados, a sua excelente cavalaria númida e 37 elefantes, Aníbal tinha ainda intenção de, ao passar no Norte da Itália, engrossar os efectivos com a incorporação de gauleses hostis aos Romanos e Italianos.
Em Abril de 218 a.C., Aníbal atravessa o Ródano e, no início do Outono, atinge os Alpes. O trajecto foi penoso devido aos nevões precoces, mas Roma enganou-se ao pensar que as intempéries travariam os seus inimigos. No entanto, quando Aníbal atingiu o vale do Pó, restavam-lhe apenas 26.000 homens. Os generais enviados pelo Senado esperavam vencê-lo pelo desgaste, mas foram derrotados em duas batalhas consecutivas, uma a norte, junto ao Tessino, outra a sul, junto ao Trébia, ambos afluentes do rio Pó. Assim, em apenas dois meses, Aníbal apoderou-se de praticamente todo o Norte de Itália e, embora tivesse perdido a maior parte dos elefantes, graças às suas vitórias, o seu exército contava agora com quase 50.000 homens.
Enquanto isso, em Roma os plebeus vilipendiaram os incapazes que perderam o Norte de Itália e, em 217 a.C., elegeram como cônsul um «homem novo», Gaio Flamínio, para mostrarem aos senadores até que ponto desaprovavam a estratégia militar.
Flamínio tentou estancar a progressão do exército cartaginês em direcção a sul mas, durante os primeiros meses do ano, este conseguiu esquivar-se atravessando regiões pantanosas, em condições tão adversas e rigorosas que Aníbal, montado no único elefante sobrevivente, acabou por perder um olho devido ao frio. Aníbal colocou Flamínio na sua peugada e, numa b5rumosa manhã de Abril, preparou uma emboscada às tropas romanas, num desfiladeiro entre colinas  e o lago Trasímeno. Duas legiões romanas foram massacradas e o próprio Flamínio morreu.
Esta vitória abriu a Aníbal o caminho para Roma mas não podia sitiá-la pois, para ultrapassar as defesas da cidade, eram necessárias máquinas de guerra que ele não possuía. Daí que tenha contornado a capital e descido para o Sul da península em busca de aliados. O exército romano estava agora sob o comando dum veterano, o general Fábio Máximo, na altura ditador. Fábio, um romano da velha guarda, paciente e astuto, optou por uma estratégia que reduzia ao mínimo as perdas em novas batalhas campais das suas tropas, recentemente recrutadas, tendo-se aplicado a cortar os víveres ao inimigo, destruindo as colheitas à sua volta. Esta estratégia valeu-lhe a alcunha de O Contemporizador.
 No ano seguinte, os Romanos nomearam generais dois cônsules sem experiência que tomaram o comando do mais forte exército jamais lançado por Roma num teatro de operações. Esperando ganhar a guerra numa única batalha, acertaram o ajuste numa planície aberta, perto de Canas, pequena fortaleza situada nas proximidades do salto da bota italiana. Confiantes na sua superioridade numérica passaram ao ataque mas Aníbal ordenou às suas tropas, dispostas numa frente convexa que recuassem ao centro, de maneira a formarem uma frente côncava. Entretanto, começou a soprar o siroco, um vento  quente que levantou nuvens de areia que atingiram os romanos nos olhos. Estes, privados de visão, foram atacados em tenaz pela infantaria cartaginesa e na retaguarda pela cavalaria. O exército romano desagregou-se. Esta foi a derrota mais sangrenta alguma vez sofrida por Roma. Um exemplo sem precedentes de um exército numericamente inferior que consegue cercar por completo uma força mais importante. Esta táctica exigiu uma coordenação perfeita.
Um dos cônsules romanos pereceu no combate e o outro regressou a Roma, onde foi recebido com benevolência pelos seus colegas senadores que o felicitaram por não ter deixado de confiar na República. Em Roma, e apesar da catástrofe, a esperança permanecia intacta. Com efeito, antes do fim do ano as terríveis perdas sofridas por Roma foram compensadas por novos alistamentos; a vitória de Aníbal não lhe permitiu, assim, adquirir superioridade numérica.
Em 212 a.C., Roma afirmou-se como uma grande potência ao cunhar, pela primeira vez, uma moeda de prata, o denário, emissão que chegou em boa altura para acorrer às necessidades financeiras do Estado.
Em 211 a.C., Aníbal avançou até aos arredores de Roma. Acompanhado pela cavalaria, cercou as protecções da cidade. Ao mesmo tempo, por uma coincidência histórica, o terreno sobre o qual Aníbal instalou o seu acampamento, a 5 km da cidade, foi colocado à venda em hasta pública e comprado. Nada podia provar de maneira mais categórica que, apesar das derrotas, os Romanos estavam decididos a sobreviver e a vencer.
Os Romanos não conseguiram impedir Aníbal de ultrapassar os Pirinéus, nem de invadir a Itália. No entanto impediram o seu jovem irmão, Asdrúbal Barca, que Aníbal deixara no governo do império ibérico de Cartago, de lhe enviar reforços. Apesar do perigo eminente em que a pátria se encontrava, os Romanos decidiram tomar a iniciativa em Espanha, enviando tropas para lá. Estas estiveram durante sete anos sob o comando de dois homens chamados Cipião, respectivamente tio e pai do grande Cipião, O Africano. Os Cipiões apoderaram-se de todo o litoral mediterrânico da Península Ibérica, descendo progressivamente em direcção ao Sul e, em 211 a.C. conquistaram o objectivo inicial do conflito, a cidade de Sagunto. No entanto, nesse ano, os dois irmãos morreram em combate. Em 210 a.C., o Senado confia o comando dos exércitos de Espanha a um novo general: Púbio Cornélio Cipião, mais conhecido por O Africano, filho e sobrinho dos generais mortos no ano anterior.
Uma vez em Espanha, Cipião escolheu como alvo, a capital inimiga, Cartagena, que tomou em 209 a.C.
Em 209 a.C., com magnífica destreza militar, atacou e venceu o exército de Asdrúbal Barca, em Bécula. No entanto, Asdrúbal conseguiu escapar e abandonou Espanha em direcção a Itália com o intuito de reunir-se ao seu irmão Aníbal. A partida do seu exército significou para os Romanos o sucesso definitivo da campanha em Espanha. Cartago perdera, irremediavelmente, as suas possessões ibéricas para os Romanos, que as anexou e aí fundou novas províncias (Terragona no litoral e Bética no interior). Os Romanos desenvolveram e aumentaram as explorações mineiras dos Cartagineses que já eram gigantes (só em Cartagena as minas de prata empregavam 40.000 trabalhadores).
Após ter atravessado os Alpes sem ter encontrado qualquer obstáculo, Asdrúbal começou a descer o vale do Pó, onde novos recrutas gauleses elevaram o número dos seus efectivos para 30.000 homens. Em seguida os dois irmãos convergiram, com a intenção de juntar as suas forças.
Quanto aos romanos tinham um exército no Norte de Itália e outro no Sul. Entretanto os Romanos tiveram a sorte de interceptar um estafeta de Asdrúbal que lhes revelou o local, na Úmbria, onde a reunião das tropas dos dois irmãos teria lugar. Perante esta informação, o general romano que comandava o exército do Sul, subiu, durante 6 dias de marcha forçada, ao longo da costa adriática, até ao Metauro, rio da Úmbria. No dia seguinte pela manhã, Asdrúbal ouviu no acampamento romano um duplo toque, o que o levou a acreditar que os dois exércitos romanos se haviam juntado. Isto significava que ele se encontrava em inferioridade numérica de 10.000 homens. Num esforço desesperado para passar entre as duas linhas do exército romano e juntar-se ao irmão, atravessou o vale do Metauro depois do anoitecer, mas na obscuridade perdeu-se entre gargantas e ravinas escorregadias. Esta estratégia revelou-se um autêntico massacre: Asdrúbal e a quase totalidade dos seus homens pereceram.
Pela primeira vez desde o início desta longa guerra, os Romanos ganharam uma verdadeira batalha em casa. A derrota de Aníbal agora mais não era que uma questão de tempo. O general cartaginês soube da morte de seu irmão quando a cabeça deste foi lançada para o seu acampamento. Aníbal retirou-se para as montanhas do Bruttium (a ponta da bota italiana), onde permaneceu durante quatro anos.
Em 205 a.C., Cipião, coroado de glória pelas vitórias em Espanha foi eleito cônsul. Pediu então ao Senado autorização para invadir África e cercar Cartago. Os Senadores hesitaram temendo Aníbal que ainda se encontrava em Itália, mas acabaram por concordar. Cipião desembarcou no Norte de África com um exército de 30.000 homens, ao qual se juntou ainda  um monarca vizinho, o príncipe Masinissa, que reinava numa parte da Numídia e possuía uma  excelente cavalaria.
No ano seguinte, Aníbal regressa de Itália, onde combatera durante 15 anos. Cartago começara a negociar a paz com Roma mas Aníbal convence o governo cartaginês a interromper as negociações.
Cipião deslocou-se para o interior do país e, em 202 a.C., travou a batalha decisiva, perto de Zama, a 120 km de Cartago. A sua vitória era previsível e não espantou ninguém. No entanto, tendo em conta a grandeza dos generais que se confrontaram, este episódio ficará célebre. Quando a batalha começou nenhum dos protagonistas tinha clara vantagem sobre o outro. O desfecho acabou por estar ligado à acção dos cavaleiros Númidias, aliados de Roma, que conseguiram atingir os flancos da cavalaria inimiga e tomá-la pela retaguarda. A vitória romana foi total. Poucos cartagineses sobreviveram, mas Aníbal foi um deles. Aconselhou então o governo cartaginês a assinar a paz sem mais demoras, o que foi feito de imediato.
Os cartagineses que já tinham perdido Espanha, com esta derrota perderam também o seu lugar de primeira potência. Os Romanos tinham chegado à segunda fase da expansão: o resultado da Segunda Guerra Púnica garantiu-lhes, popr vários séculos, o domínio do Mediterrâneo Ocidental. Para a Europa Ocidental, este conflito foi a guerra mais importante da sua história, até ao Séc. XX.
Cipião teve um papel fundamental em todas as fases destes acontecimentos. A sua carreira provou que a época em que os dirigentes romanos não passavam de representantes mais ou menos anónimos, de um corpo tinha terminado. Cipião era um fenómeno. Ao contrário da maior parte dos romanos, era individualista e tinha espírito aventureiro. Foi o primeiro general romano designado pelo nome do país que havia vencido: Africanus. O seu triunfo deu-lhe um poder que até aí nenhum general romano tinha alcançado.
Quanto a Aníbal, foi melhor general que seu pai e o próprio Cipião. Será recordado como um dos maiores chefes militares da História. Não foi só o seu talento militar de guerreiro excepcional mas também a sua personalidade que seduziu os historiadores ao longo das épocas.
Roma saiu reforçada da batalha suprema mas, paradoxalmente, é a Aníbal que Roma deve o crescimento da sua confiança e do seu poder.





23/09/14

História de Roma -16 - 1ª GUERRA PÚNICA

1ª Guerra Púnica
A 1ª Guerra Púnica durou 23 anos (entre 264 e 241 a.C.).
Em 264 a.C. os romanos derrotaram o exército siracusano e cartaginês, na Batalha de Messina e avançaram em direcção a Siracusa, conquistando Adranon e Centuriae, para proteger o flanco. Catânia rendeu-se e Hierão II, de Siracusa, pediu a paz e tornou-se aliado fiel de Roma (deu assim origem a uma nova instituição romana – o reino estrangeiro vassalo fora das fronteiras do Estado Romano, mas dele dependente – um alargamento à escala do reino, do costume romano que ligava um cliente ao patrono). Enna e Halaesa renderam-se.
Em 261 a.C. (após um longo cerco iniciado em 262 a.C,) Roma conquista Agrigento. A Batalha de Agrigento foi a primeira grande batalha desta guerra.
Antes, os Romanos já tinham chegado à conclusão que para expulsar os Cartagineses da Sicília necessitavam de possuir uma armada; por isso, Roma iniciou em 260 a.C. a construção de uma frota de 140 navios, explorando as imensas florestas italianas e copiando o modelo de um enorme quinquerreme capturado aos Cartagineses. Cada navio com capacidade para embarcar tropas de infantaria de marinha e uma tripulação de 300 marinheiros, dividida em grupos de cinco remadores por remo. Para que os combates navais se assemelhassem o mais possível a batalhas terrestres, os Romanos equiparam os navios com uma inovação: os corvus (croques de abordagem) - tratava-se de pontes possuindo na sua extremidade um forte gancho de ferro, suspensas nos mastros e articuladas de modo a poderem, na aproximação, ser descidas sobre a ponte do navio adversário, unindo solidamente as duas embarcações de forma a permitir a abordagem. Esta maneira ambiciosa de desafiar a hegemonia marítima dos Cartagineses foi a novidade mais espectacular desta guerra. Assim armada, a frota romana estava pronta para a segunda fase da guerra, durante a qual se travaram as maiores batalhas navais da história antiga.
Após a vitória em Agrigento, Roma passou a controlar grande parte do território da Sicília e então Cartago, que continuava a dominar os mares, decidiu usar a sua armada, atacando as cidades aliadas a Roma e dificultando a chegada de reforços e abastecimentos.
Em 260 a.C. depois de um primeiro pequeno combate naval, a Batalha de Lipari, junto das Ilhas Éolias, próximo de Missena, que terminou com a derrota das inexperientes forças romanas, travou-se a primeira grande batalha naval desta guerra, Batalha de Milos, ao largo da costa da Sicília, os romanos obtiveram a vitória graças ao uso dos croques de abordagem (corvus), tendo afundado 50 navios inimigos.
Com a táctica do corvus para prender e tomar os navios inimigos afim de, utilizar a sua superioridade no combate homem a homem, Roma venceu outras batalhas de menor importância (Sulci, em 258 a.C.e Tindaris, em 257 a.C.).
A fim de acelerar a conclusão da guerra até aí limitada à Sicília, cujo território difícil e montanhoso, requeria penosas marchas e longos cercos, Roma decidiu atacar as possessões cartaginesas no Norte de África. Para tal, reforçou a construção de navios e preparou uma grande esquadra que partiu em 256 a.C. Os Cartagineses barraram-lhe o caminho com outra poderosíssima esquadra, ao largo do sul da Sicília. Travou-se então a Batalha do Cabo Ecnomo, que foi a batalha naval mais renhida e sangrenta da Antiguidade e talvez, atendendo ao número de navios e homens envolvidos (350 navios e 150.000 homens para os Cartagineses; 330 navios e 140.000 homens para os Romanos), a maior batalha naval da História. Nessa batalha os Cartagineses sofreram uma pesada derrota, tendo cerca de um terço da sua frota sido capturada ou afundada. Como resultado as costas do norte de África ficaram indefesas e o cônsul romano Marco Régulo pode desembarcar o seu exército, sem oposição. Após cercarem e conquistarem Aspis, ao sul de Cartago, os Romanos fizeram regressar a Roma a sua armada, deixando em terra um exército de 15.000 homens de infantaria e 500 de cavalaria que prosseguiu a sua marcha até Adis. Enquanto durava o cerco a Adis, o exército cartaginês reforçou-se com a vinda de forças da Sicília que se juntaram às de África para defender Adis. Contudo, embora possuíssem elefantes e superioridade na cavalaria, o exército cartaginês reestruturado saiu derrotado. Cartago pediu a paz mas as condições apresentadas por Roma foram tão duras que não as aceitou. A guerra prosseguiu. Cartago contratou um general mercenário grego, Xantipo de Esparta, para organizar a sua defesa.
Na primavera de 255 a.C. deu-se a Batalha de Tunis (também conhecida por Batalha de Bagrades. Embora as forças de infantaria dos dois exércitos se assemelhassem em número (15.000 homens para Roma contra 12.000 para Cartago, incluindo 2.000 mercenários gregos), a cavalaria cartaginense era 8 vezes superior (500 para Roma, 4.000 para Cartago para além desta possuir também 100 elefantes de combate). Xantipo dispôs o seu exército num espaço aberto, a fim de beneficiar da superioridade na cavalaria, nos terrenos do rio Bagrades, O corpo expedicionário romano foi esmagado e o seu chefe, general Régulo aprisionado. Só 2.000 homens escaparam, entrincheirando-se em Adis e sendo recolhidos pela esquadra enviada por Roma para os resgatar, o que Cartago tentou impedir, mas foi derrotada na Batalha naval de Hermaeum. No regresso, a esquadra romana foi fustigada por uma tempestade, por altura de Camarina e mais de 250 navios dos 340 afundaram-se.
Após esta campanha africana fracassada, os Romanos renunciaram a invadir Cartago e viram a Sicília invadida novamente pelos cartagineses.
Em 254 a.C., Roma teve de construir rapidamente uma nova esquadra.
Em 253 a.C., Com a nova esquadra, os Romanos conquistaram Panormo (Palermo), a principal cidade cartaginesa na Sicília e organizaram vários raides a cidades em África mas, depois de um sucesso moderado, no regresso, a frota foi novamente destruída por uma tempestade.
Em 251 a.C., Cartago tentou reconquistar, sem sucesso, Palormo, o que animou Roma a pôr cerco, por terra e por mar, à cidade de Lilibeu, mas a frota cartaginesa, baseada em Drepano, conseguia abastecer a cidade.
Em 249 a.C., O cônsul romano, a fim de acabar com tais abastecimentos decidiu um ataque à esquadra cartaginesa. O ataque a Drepano foi um fracasso completo (foi a maior derrota naval dos romanos na guerra. Toda a frota foi destruída.
Depois disso, Cartago voltou a ter o domínio marítimo na guerra e consegue algumas vitórias na Sicília.
Em 247 a.C., o exército de Cartago, sob a chefia de Amilcar Barca, estabeleceu-se próximo de Palermo, no meio do território inimigo e começou a aproveitar o domínio marítimo para lançar ataques a cidades costeiras na península italiana, o que permitia obter o seu abastecimento. Nos anos seguintes houve combates esporádicos na Sicília.
As economias de Cartago e de Roma estavam bastante abaladas pela guerra que já se estendia por mais de 20 anos, Contudo, em 242 a.C., Roma construiu uma frota de 200 navios, a fim de cortar os abastecimentos por mar ao exército cartaginês. Dada a situação de penúria financeira em que o Estado se encontrava, a nova frota foi custeada pelos cidadãos.

Em 241 a.C. A nova frota foi mandada para a Sicília e obteve uma vitória fácil mas decisiva, na Batalha Naval das Ilhas Aegates. Cartago, sem recursos para continuar a guerra, aceitou a derrota e, sob o comando de Amilcar Barca, negociou um tratado de paz com Roma, pondo fim à guerra.


História de Roma -15 - ROMA ENFRENTA CARTAGO

ROMA ENFRENTA CARTAGO
A guerra com Pirro, conduziu Roma à proximidade imediata da principal potência do Mediterrâneo ocidental, Cartago.
A cidade de Cartago situava-se no Norte de África, estrategicamente localizada no ponto mais estreito do Mediterrâneo, em frente da Sicília. Tinha sido fundada pelos Fenícios no século VIII a.C., como entreposto comercial da cidade de Tiro. Mais tarde tornou-se uma República independente forte e estável. Cartago criou novos entrepostos e conquistou e ampliou os antigos entrepostos comerciais fenícios existentes no Mediterrâneo ocidental, nomeadamente na Sicília e na Córsega. Tal como os fenícios, antes deles, os marinheiros cartagineses tinham uma necessidade imperiosa de metais preciosos, cujo principal produtor era a Península Ibérica. Mas os navios cartagineses para navegar para oeste tinham de percorrer toda a inóspita costa da África do Norte, enfrentando correntes contrárias. Foi por isso que os cartagineses sentiram a necessidade de estabelecerem bases intermédias, tendo estabelecido a sua base principal em Panormo (Palermo), na Sicília Ocidental, cidade com um porto magnífico e um interior fértil. No início do século III a.C. Cartago tinha cerca de 3 vezes mais habitantes que Roma e gozava do apoio duma frota importante e de um exército composto essencialmente por africanos e mercenários. 
Era inevitável que os Cartagineses (povos denominados em latim Punici, palavra derivada de Phoenici) se opusessem ao novo poderio de Roma no Mediterrâneo.O ponto de ruptura ocorreu quando a coligação no poder em Messana (Messina), cidade que controlava o estreito com o mesmo nome, situado entre a Sicília e o extremo meridional de Itália, convidou os Cartagineses a ocuparem a cidade para afastar os seus opositores. Cartago respondeu ao apelo. Este avanço inquietou as cidades gregas do sul de Itália agora aliadas de Roma. Um pouco mais tarde, os habitantes de Messina mudaram de opinião e preferiram a protecção de Roma. As cidades do sul de Itália apoiaram incondicionalmente este novo pedido e o governo romano aceitou o desafio em 264 a.C. Os Romanos enviaram duas legiões que atravessaram o canal e o almirante cartaginês, que se mostrou incapaz de impedir esta operação foi crucificado pelo seu próprio governo. Tinham início as GUERRAS PÚNICAS, que foram das maiores guerras da antiguidade e tiveram grande influência nas mudanças do mundo de então. Durante 120 anos Roma e Cartago defrontaram-se para o domínio do mediterrâneo ocidental e seus territórios em 3 grandes guerras, todas vencidas pelos romanos:
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19/09/14

História de Roma -14 - ROMA ENFRENTA GREGOS

ROMA ENFRENTA GREGOS
A vitória nas Guerras Samnitas estendeu o domínio de Roma mais para sul, fazendo que se aproximasse muito das cidades helénicas do sul de Itália, a mais importante das quais era Tarento, junto ao golfo do mesmo nome. No século III a.C., era maior que Roma e a sua imensa riqueza baseava-se na exportação, nomeadamente para a Grécia, da lã proveniente do interior do país, após tingida de cor púrpura a partir dos múrices recolhidos no seu porto. Tarento possuía a principal frota de Itália e um exército de 15 000 homens, frequentemente reforçado com mercenários.
A tensão entre as duas potências avolumou-se e explodiu em 282 a.C. Os Tarentinos solicitaram o apoio de um general aventureiro grego, Pirro, rei de Epiro, do outro lado do Adriático. Este dirigiu-se para o sul de Itália com 25 000 mercenários. Pela primeira vez Roma enfrentava um exército grego.
Pirro utilizava o grosso das suas forças numa falange. Este poderoso corpo era guarnecido de longas lanças, o que o tornava praticamente inexpugnável. Esta táctica da falange, já utilizada por Alexandre o Grande, 50 anos atrás, consistia em fixar no campo o exército inimigo enquanto a cavalaria o atacava pelos lados. Pirro também desembarcou cerca de 20 elefantes de guerra provenientes da Índia. Não os utilizou de frente, como era hábito, mas de flanco, como apoio à cavalaria durante a acção de cerco.
A primeira batalha teve lugar em 280 a.C,.em Heracleia, colónia costeira de Tarento. As legiões romanas resistiram ao choque da falange de Pirro, mas os elefantes puseram em fuga os cavalos romanos antes de aniquilarem o flanco das legiões, que debandaram. As perdas foram impressionantes para ambos os lados.
No ano seguinte, Pirro liderou um novo combate, agora à frente de forças superiores, no norte da Apúlia (batalha de Asculum). Uma vez mais reclamou vitória, mas esta não foi muito expressiva, daí a expressão "vitória de Pirro". Os Romanos resistiram aos ataques da falange durante um dia inteiro e só no segundo dia fugiram ao ataque dos elefantes.
Em 275 a.C., de novo os exércitos romanos e grego de Pirro se defrontam, desta vez a oeste da Apúlia (batalha de Beneventum). Uma vez mais a batalha não foi decisiva mas foi muito sangrenta. Com efeito, os Romanos tinham-se apercebido que os elefantes não eram invulneráveis à ponta das lanças e eram susceptíveis de serem levados, pelo efeito da dor, a espezinhar as suas próprias tropas.
Após esta batalha Pirro retirou-se para Tarento e pouco depois para a Grécia, onde morreu, dois anos depois.
Esta última guerra provou que os Estados gregos do sul de Itália, eram incapazes de fazer frente a Roma. Em 272 a.C., os Tarentinos estabeleceram uma aliança com Roma.
Assim, quatro gerações após quase ter desaparecido, Roma tornou-se senhora da Península Itálica.