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31/01/16

A MITOLOGIA

A MITOLOGIA

Foi a necessidade de explicar a origem do mundo, a sua ordenação, os fenómenos da natureza, a criação do homem e algumas das suas mais íntimas aspirações que levou os gregos à criação dos mitos – tanto divinos como humanos.

Os mitos gregos são concebidos à imagem dos homens e à sua medida. O mundo dos deuses é o prolongamento do mundo dos mortais – no cume do monte Olimpo, envolto em brumas, os antigos faziam movimentar-se as suas divindades, gozando de uma existência liberta do trabalho e da morte.

1.    Do caos inicial – estado confuso onde estavam todos os elementos que haviam de vir a constituir o mundo – destacam-se as primitivas divindades – GEIA ( a Terra) e EROS (o amor).
2.    Geia criou ÚRANO (o Céu) e estabeleceu a primeira ordem na terra: separou os continentes das águas, fez surgir os montes e as ilhas.
3.    Geia e Úrano foram o primeiro casal divino e desta união nasceram numerosos filhos, de ambos os sexos.
4.    Úrano começou a preocupar-se com tanta descendência e lembrou-se de desembaraçar-se de parte dos seus filhos, o que desagradou a Geia.
5.    Assim, Geia entendeu-se com um deles, Crono, que matou o pai, Úrano.
6.    Crono e Reia formam o 2º casal divino.
7.    A família dos deuses complica-se pelos numerosos casamentos entre estes, mesmo parentes, e pelos casamentos dos deuses com mortais (é o caso dos vários casamentos de Zeus).
8.    Os deuses concebidos pelos Gregos transitaram para o Panteão romano com nomes diversos, mas com idênticas funções.
9.    Para além dos deuses principais, que habitavam o Olimpo, muitos outros povoavam os campos, os montes, as águas dos mares, os rios e as fontes


No inicio da árvore genealógica das divindades principais greco-latinas temos os seguintes deuses:
 Héstia (Vesta) - deusa da protecção do lar.
Deméter (Ceres) – deusa das searas e das colheitas.
Hera (Juno) – esposa divina de Zeus.
Zeus (Júpiter) – travou com o pai uma tremenda luta que terminou pela sua vitória, vindo a instalar-se no monte Olimpo. Vencidas várias oposições, conseguiu reinar em paz e veio a casar-se com Hera, sua irmã, constituindo o terceiro casal divino.
Hades (Plutão) – era o deus dos infernos.
Posídon (Neptuno) – era o senhor dos mares e esposo de Anfritite (filha de Nereu e irmã de Tétis). Vivia rodeado de divindades marinhas (nereides, sereias, tritões e ninfas).
Atena (Minerva) – filha de Zeus e de Hera, manteve-se solteira e simbolizava a inteligência e sabedoria.
Hefesto (Vulcano) – filho de Zeus e Hera. Coxo e feio, casou contudo com a mais bela das deusas, Afrodite (Vénus), nascida de uma gota de sangue de Úrano. Hefesto trabalhava como ferreiro.
Hares (Marte) – filho de Zeus e de Hera, era o deus da guerra.
Ártémis (Diana) – filha de Zeus e de uma titã (Latona), era a deusa da caça.
Apolo (Febo) – gémeo de Artémis, simbolizava a beleza masculina e conduzia o carro do Sol.

Hermes (Mercúrio) – filho de Zeus e de uma titã. Frequentemente Zeus encarregava-o de missões espinhosas.

A MITOLOGIA

A MITOLOGIA

Foi a necessidade de explicar a origem do mundo, a sua ordenação, os fenómenos da natureza, a criação do homem e algumas das suas mais íntimas aspirações que levou os gregos à criação dos mitos – tanto divinos como humanos.

Os mitos gregos são concebidos à imagem dos homens e à sua medida. O mundo dos deuses é o prolongamento do mundo dos mortais – no cume do monte Olimpo, envolto em brumas, os antigos faziam movimentar-se as suas divindades, gozando de uma existência liberta do trabalho e da morte.

1.    Do caos inicial – estado confuso onde estavam todos os elementos que haviam de vir a constituir o mundo – destacam-se as primitivas divindades – GEIA ( a Terra) e EROS (o amor).
2.    Geia criou ÚRANO (o Céu) e estabeleceu a primeira ordem na terra: separou os continentes das águas, fez surgir os montes e as ilhas.
3.    Geia e Úrano foram o primeiro casal divino e desta união nasceram numerosos filhos, de ambos os sexos.
4.    Úrano começou a preocupar-se com tanta descendência e lembrou-se de desembaraçar-se de parte dos seus filhos, o que desagradou a Geia.
5.    Assim, Geia entendeu-se com um deles, Crono, que matou o pai, Úrano.
6.    Crono e Reia formam o 2º casal divino.
7.    A família dos deuses complica-se pelos numerosos casamentos entre estes, mesmo parentes, e pelos casamentos dos deuses com mortais (é o caso dos vários casamentos de Zeus).
8.    Os deuses concebidos pelos Gregos transitaram para o Panteão romano com nomes diversos, mas com idênticas funções.
9.    Para além dos deuses principais, que habitavam o Olimpo, muitos outros povoavam os campos, os montes, as águas dos mares, os rios e as fontes


No inicio da árvore genealógica das divindades principais greco-latinas temos os seguintes deuses:
 Héstia (Vesta) - deusa da protecção do lar.
Deméter (Ceres) – deusa das searas e das colheitas.
Hera (Juno) – esposa divina de Zeus.
Zeus (Júpiter) – travou com o pai uma tremenda luta que terminou pela sua vitória, vindo a instalar-se no monte Olimpo. Vencidas várias oposições, conseguiu reinar em paz e veio a casar-se com Hera, sua irmã, constituindo o terceiro casal divino.
Hades (Plutão) – era o deus dos infernos.
Posídon (Neptuno) – era o senhor dos mares e esposo de Anfritite (filha de Nereu e irmã de Tétis). Vivia rodeado de divindades marinhas (nereides, sereias, tritões e ninfas).
Atena (Minerva) – filha de Zeus e de Hera, manteve-se solteira e simbolizava a inteligência e sabedoria.
Hefesto (Vulcano) – filho de Zeus e Hera. Coxo e feio, casou contudo com a mais bela das deusas, Afrodite (Vénus), nascida de uma gota de sangue de Úrano. Hefesto trabalhava como ferreiro.
Hares (Marte) – filho de Zeus e de Hera, era o deus da guerra.
Ártémis (Diana) – filha de Zeus e de uma titã (Latona), era a deusa da caça.
Apolo (Febo) – gémeo de Artémis, simbolizava a beleza masculina e conduzia o carro do Sol.

Hermes (Mercúrio) – filho de Zeus e de uma titã. Frequentemente Zeus encarregava-o de missões espinhosas.

29/04/13

Leda e o Cisne


Leda, na mitologia, era rainha de Esparta, esposa de Tíndaro.
Certa vez, Zeus transformou-se em um cisne e seduziu-a. Dessa união, Leda chocou dois ovos, e deles nasceram Clintemnestra, Helena, Castor e Pólux. Helena e Pólux eram filhos de Zeus, mas Tíndaro adoptou-os, tratando-os como filhos de sangue.
A Zeus, o deus dos céus e do trovão, conhecido por suas aventuras eróticas, que frequentemente resultavam em descendentes divinos e heróicos; consorte de  Hera, são-lhe creditadas uniões com Leto, Deméter, Dione e Maia e, entre as mortais, com Sêmele, Io, Europa e Leda.


Leonardo D'Vinci



Em sua época, esta pintura foi tratada pelos seus contemporâneos como um tema muito erótico.

Michelangelo


Tintoretto



Pontorno


Corregio


Veronese


Júlio Pomar

Rubens


Otto Dix


Boucher



Delvaux


Dali


Lhote


27/04/13

O Rapto da Europa

Na mitologia grega, a bela Europa era a filha do rei da fenícia, Agenor, filho de Posseidon e Líbia, e de Telefassa, de quem tem outros 3 filhos: Cadmo, Fénix e Cílix.

Europa foi raptada por Zeus, o pai dos deuses e dos homens, que se disfarçou de touro para que a sua mulher, Hera, não percebesse. Zeus levou Europa para Creta.

Quando Zeus rapta Europa, Agenor manda seus filhos recuperarem Europa, e não voltarem sem ela. Como não conseguiram achar Europa, fixaram-se em outros lugares. Cadmo fundou Tebas.

Em Creta, Europa teve três filhos: Minos, Radamanto e Sarpedão. Minos deu origem à civilização cretense ou minóica.


Ticiano


Veronese



Rubens


Rembrandt


Max Beckmann (1933)


Boucher (1734)
Boucher (1747)


Botero (1995)



11/07/10

Mitologia das Sociedades Tradicionais da África Negra

A quantidade de etnias africanas é de tal modo grande e o seu tradicionalismo é tão profundo, que se torna impossível ordenar as mitologias desses povos.
Os povos africanos tendem a admitir um Deus supremo, mas uns encaram-no como criador do primeiro homem e da primeira mulher, enquanto outros lhe atribuem a criação de tudo o que é visível.
Geralmente prestam culto às forças da natureza, concretizados no Sol, na Lua, no Céu, nos Rios, nas Montanhas, nos Ventos.
O facto de quase todos os povos tradicionais actuais adorarem um Ente Supremo ao mesmo tempo que são idolatras, entregando-se às mais variadas formas de feiticismo, tem a seguinte explicação para os antropólogos:
- A crença nos espíritos, nas forças da natureza, na magia e nos feiticeiros, toma um carácter familiar e rotineiro, e coloca essas divindades, génios e poderes mágicos, no mesmo plano dos homens e muito mais perto deles do que do Deus omnipotente.
- Consequentemente, todos os homens são capazes de se aproximar dos seus deuses e espíritos familiares para os honrar, lhes dirigir preces ou oferecer sacrifícios.
- Também podem concretizar esses mitos nas formas mais estranhas, que são ainda o produto da imaginação humana.
- O Deus transcendente não é objectivado mas sentido.

No Nordeste predomina o animismo, à medida que se avança para o Sul, acentua-se a transformação do feiticismo em idolatria.(feiticeiros são entes quase sobrenaturais, de grande prestígio e força, que tratam de todas as doenças por meio de exorcismos, em algumas regiões chegam a classificar-se por especialidades. da caça, dos tornados, da pantera, da mulher grávida, do caimão, os que descobrem os crimes, os que recebem as revelações dos mortos, os que têm o poder de provocar a morte, etc.).
A crença na existência da alma depois da morte é geral. Muitos acreditam que a alma reencarna em determinados animais ou em determinadas plantas.
Mesmo quando não há animismo, os primitivos actuais acreditam que os seus antepassados acreditaram nele.
Temem as cavernas por serem locais de refúgio de monstros e de forças malignas.
também há totemismo.
Existe uma mitologia de animais.
A prática de sacrifícios tem declinado. Predominam os sacrifícios propiciatórios, mas são frequentes estranhos sacrifícios purificadores. Os sacrifícios humanos tornaram-se raros.
Há casos em que a impureza confere uma força mítica. Por vezes praticam o incesto quando querem ficar com um grande poder para triunfar numa empresa difícil. A sexualidade em África em termos de casais regulares, representa a própria sociedade, o adultério e o incesto alteram a ordem estabelecida.
A prática da adivinhação é geral.
O culto dos crânios continua a ser praticado em alguns pontos de África.
A comunicação com os deuses faz-se por dois caminhos - o das preces e o do cerimonial, acompanhados de rituais facilitadores da comunicação que exprimem os desejos e as intenções humanas.
Normalmente são os feiticeiros e mágicos que se encarregam de todo o cerimonial ritual.
Há uma ligação profunda entre o homem vivente e os seus antepassados.

O povo mais primitivo de África são os Pigmeus.
Segundo eles descendem directamente de um Deus, esta ideia dá-lhes uma grande consolação e felicidade, apesar de serem completamente pobres. Não prestam culto a essa divindade celeste acerca do qual contam a seguinte lenda: Deus criou os homens que viviam junto dele e tinham o encargo de lhe obter caça de que necessitava. Numa ocasião, os antepassados caçaram o javali mas, em vez de o levarem à divindade, comeram-no ali mesmo.Quando o Deus teve conhecimento do que eles haviam feito, expulso-os da sua companhia e lançou-os na selva, onde ainda vivem. Mas há na terra outro Deus que lhes está próximo, que os protege e a quem prestam culto. também oferecem as primícias da caça ao Deus da selva e fazem-lhe oferendas propiciatórias. As danças mágicas dos pigmeus são célebres, dado que há 48 séculos foram admirados pelos faraós da IV dinastia: um general egípcio gostou tanto que levou consigo um pigmeu como presente para o faraó o ver dançar.

Mitologia das Sociedades Tradicionais actuais

hoje em dia as principais Sociedades Tradicionais existem na África Negra e na Oceânia.
Apesar de se poder contactar directamente com os "primitivos actuais", as suas concepções mitológicas ou religiosas mantêm-se quase sempre obscuras.
Por um lado não há uma perfeita equivalência entre o seu vocabulário e o das sociedades complexas e, por outro lado, há uma variedade quase ilimitada de cultos e ritos.
Contudo, de uma forma geral, o primitivo sente-se disperso na natureza, por exemplo atribui alma a seres inanimados, e só quando está no seu grupo e no seu habitat é que se sente verdadeiramente ele.
Só assim se pode compreender um povo arcaico.
O Universo mitológico das sociedades tradicionais é de tal modo denso e povoado por seres imaginários que não é possível explorá-lo completamente ou traçar itinerários.

05/07/10

Os mitos de Creta

Os mitos gregos de Creta falam de um reino contemporâneo das famílias reais de Tebas e Atenas, mas com poderes superiores aos reinos da Grécia continental. Existem provas arqueológicas que sugerem que estes mitos de Creta lançam um olhar retrospectivo para um reino que já existia muito antes de Tebas, Micenas ou Atenas se terem tornado cidades poderosas. A civilização cretense, também chamada de minóica, designação derivada do rei mítico Minos, prolongou-se por 1.500 anos mas entrou em declínio após a erupção vulcânica de Tera, por volta de 1450 AC. Os cretenses adoravam uma deusa mãe e peças de cerâmica que chegaram até aos nossos dias mostram homens jovens executando uma dança com um touro, talvez em homenagem à deusa. As memórias desta dança com o touro, distorcidas ao longo de gerações, podem ter contribuído para a história do Minotauro cretense.

Minos e o Minotauro
Minos era um dos três filhos de Zeus (Júpiter) e de Europa. Tornou-se rei de Creta após uma luta pelo poder travada com os irmãos. "Manda-me um touro dos mares" pedira Minos a Posidon (Neptuno) "para confirmar que tenho o direito de reinar". Um magnífico touro branco nadou até às costas de Creta, onde Minos deveria tê-lo sacrificado em honra do deus do mar, mas ele ficou tão embevecido com o touro que não pode suportar a ideia do matar. Manteve-o por isso entre o seu gado e sacrificou um animal inferior em seu lugar, esperando que Posidon não desse conta da diferença. Mas Posidon não era parvo e também não tardou a vingar-se. A rainha Pasifae, mulher de Minos, também reparou na beleza magnífica do touro branco, pelo que Posidon pediu a Afrodite (Vénus), a deusa do desejo, para atiçar em Pasifae o desejo do animal, e ela tornou-se obcecada pela ideia de manter relações sexuais com o bicho, mas corria o risco de ser pisada e esmagada, caso se aproximasse do touro sem qualquer protecção, pelo que recorreu ao inventor grego Dédalo para encontrar uma solução. Este construiu uma vaca de madeira dentro da qual Pasifae se poderia ocultar, qualquer coisa como uma miniatura do cavalo de Tróia, e o touro foi enganado com o estratagema. Pasifae ficou grávida do touro e nove meses depois deu à luz um filho Astério. Este nome em grego significa "estrelado", só que ele nasceu com a cabeça e o torso superior de um touro e a parte inferior com a forma de homem, e era vulgarmente conhecido pela alcunha Minotauro (que em grego significa "o touro de Minos"). O rei Minos sentia-se envergonhado e ultrajado com o nascimento do monstro e quis escondê-lo dos habitantes da ilha. Pediu por isso a Dédalo para construir um labirinto em Knossos, um espaço enorme, subterrâneo, com uma porta fechada a cadeado e que era a única entrada e saída. Minos esperava que o Minotauro aí vivesse em total segredo. Entretanto Pasifae recuperou do desejo louco que Afrodite lhe tinha imposto e voltou a ser uma esposa fiel. O rei e a rainha continuaram assim a ter outros filhos, entre os quais duas raparigas, Ariadne e Fedra, e um rapaz Andrógeo. Este último viria mais tarde a deslocar-se a Atenas , para tomar parte em jogos atléticos, conquistando todos os títulos. O rei de Atenas, Egeu, começou a suspeitar que este campeão não era só um atleta mas também um apoiante dos rebeldes que estavam a causar problemas no reino. Pelo que lhe armou uma emboscada, quando ele regressava a casa, de que resultou a sua morte às mãos dos homens de Egeu. Este crime viria a ser o ponto de partida para uma guerra entre Atenas e Creta, que viria a terminar com a derrota dos atenienses. A punição foi o fornecimento de sete rapazes e sete raparigas, de nove em nove anos. Toda a gente sabia que estes jovens atenienses estavam condenados a serem comidos pelo Minotauro.

Dédalo e Ícaro
Após Dédalo ter construído o intrincado labirinto em Creta, Minos aprisionou-o juntamente com o filho Ícaro numa torre. A intenção era manter secreta a existência do Minotauro, mas mesmo sabendo dos mexericos que grassavam por todo o lado, a principal razão para o secretismo era o desejo de deter o escândalo acerca da mulher Pasifae e o touro. A torre onde Minos tinha aprisionado Dédalo e o filho era bastante alta e eles encontravam-se no cimo. As escadas eram mantidas sob vigilância permanentemente, pelo que o rei estava seguro de que não poderiam fugir e por isso também não se preocupou com grilhões.
Dédalo olhou à volta do espaço para ver se descortinava alguma forma de fugir. Tinha com ele pedaços de cera e nos cantos da sala havia folhas e penas arrastadas pelo vento para dentro da janela. A torre nunca tinha sido limpa desde a sua construção. Dédalo juntou as penas e fez dois pares de asas com elas, colando-as com a cera. Escolheu para ele o par maior e deu o outro a Ícaro. "Tem cuidado." - recomendou ele ao filho - "Tens de seguir perto de mim. Não podes aproximar-te do mar, pois cairás se as penas se molharem, também não poderás aproximar-te do Sol, porque cairias se a cera aquecesse e derretesse."
Pai e filho passaram pela janela e voaram para fora da torre. Os cretenses que os viam pensavam que eram deuses imortais. Passaram voando sobre muitas das ilhas gregas e Ícaro começou a ficar aborrecido com o ritmo lento que o pai impunha assim como a altura sem variações a que seguiam. Certamente, pensou ele com os seus botões, o pai não daria conta se ele tentasse fazer umas manobras com as suas esplêndidas asas. Começou a fazer voos picados e saltos mortais pelos céus, cada vez voando mais alto, até ficar demasiado perto do Sol. A cera derreteu num instante o que fez com que se precipitasse no mar onde se afogou. Quando o pai olhou para trás, já só viu uma série de penas flutuando na água. E foi assim que o maior inventor, Dédalo, ajudou o filho a encontrar a liberdade, mas também a morte.
Anos mais tarde, Minos tentou forçar Dédalo a regressar a Creta, mas como não sabia para onde ele tinha ido, forjou um plano para o encontrar que era digno do próprio Dédalo. Minos ofereceu uma recompensa a quem conseguisse passar um fio por uma concha em espiral, desde a abertura até à ponta, convencido de que só Dédalo seria suficientemente inteligente para resolver a questão. Dédalo fez um furo na ponta da concha e besuntou-o com mel. Depois atou o fio numa formiga grande que enfiou pela abertura da concha e esta lá encontrou o caminho para chegar ao mel, arrastando consigo o fio. O rei da Sicília recebeu o prémio e acabou depois por confessar a Minos que, na realidade, o problema tinha sido resolvido pelo hóspede, um grande inventor. Minos dirigiu-se à Sicília em busca de Dédalo, mas as filhas do rei siciliano não quiseram perder a companhia do amado hóspede e atiraram com Minos para dentro de um banho onde o viriam a matar. A última invenção de Dédalo para Minos foi um tubo que partia do telhado por cima da banheira onde ele se encontrava e através do qual as princesas verteram água a ferver até que o rei de Creta morreu.

Teseu e Ariadne
Quando chegou a Atenas como um herói, Teseu não sabia nada dos reféns que estavam a ser enviados para Creta para morrerem, mas notou de imediato que as pessoas da cidade estavam mais ansiosas do que o normal e que no palácio tinham lugar rituais pesarosos. Quando lhe foi contado o que se passava, tomou logo a decisão de ajudar, pelo menos assumindo o lugar de um dos reféns que estavam para partir. Egeu esforçou-se desesperadamente para o convencer a não ir. Mas Teseu anunciou a decisão na praça do mercado e, uma vez tornada pública, o rei tinha mesmo de o enviar para Creta. "Não te atormentes mais" - disse Teseu - "eu prometo trazer todos os reféns de volta em triunfo, juntamente com a cabeça do Minotauro". A sua afirmação foi tão convincente que Egeu lhe deu umas velas brancas para equipar o barco na viagem de regresso. Até então o barco que fazia a ligação entre Atenas e Creta com a sua carga infeliz era equipado com velas negras, que significavam morte e luto. Agora, Egeu ousava esperar que veria o barco regressar com velas brancas de felicidade.
Durante a viagem, Teseu disse ao capitão do navio que tanto ele como os seus homens tinham de pernoitar em Creta prontos a partir em qualquer momento.O barco chegou ao porto de Creta e o rei Minos foi a bordo inspeccionar os reféns acompanhado pela mulher e pela filha Ariadne. A princesa apaixonou-se por Teseu mal o viu e, quando seguiam em procissão para o palácio, aproveitou uma oportunidade para lhe sussurrar ao ouvido "o Minotauro é meu meio-irmão, mas se quiseres casar comigo, ajudar-te-ei a matá-lo". Teseu concordou com um aceno de cabeça e uma grande satisfação; a sorte como habitualmente, traçava-lhe o caminho, ou seria obra da dourada Afrodite, a deusa do desejo, a quem ele tinha feito um sacrifício mesmo antes de partir de Atenas?
Ariadne arranjou uma forma de Teseu assinalar o percurso através do escuro labirinto de modo a que pudesse encontrar o caminho para a saída após acabar com o Minotauro. Ela deu-lhe um novelo de fio e disse-lhe para atar a ponta à porta. O fio iria sendo desenrolado à medida que ele fosse andando pelo labirinto, e para encontrar o caminho de volta , só tinha de seguir o fio pois este levá-lo-ia à saída. À noite os reféns foram levados para a entrada e empurrados, um a seguir ao outro, para a escuridão que cheirava a carnificina. Teseu conseguiu atar o fio de Ariadne na porta mal ela foi fechada e ordenou aos atenienses para se manterem ali e não se porem a andar, o que faria com que se perdessem, enquanto ele ia penetrar no labirinto, encontrar o monstro e matá-lo. Não dispunha de qualquer arma, evidentemente, e foi tacteando na escuridão, parando e escutando a cada curva do labirinto. Por fim, ouviu o Minotauro, que aguardava pacientemente pela primeira vítima para começar a espalhar o pânico e a gritaria. Teseu travou a sua mais dura luta, no escuro, de mãos vazias, contra um inimigo munido de chifres aguçados, mas o Minotauro tinha-se habituado a dar por satisfeito com a sua limitada dieta de atenienses aterrorizados e julgou mal este oponente. Assim, Teseu conseguiu atirá-lo ao chão, pegar-lhe pelos chifres e torcer-lhe a cabeça até lhe partir o pescoço.
Ariadne roubou a chave do labirinto e aguardava com a porta aberta, juntamente com os reféns atenienses, que Teseu chegasse agarrado ao fio. Correram todos para o porto e saltaram para dentro do navio que se fez à vela rumo a Atenas. O capitão e a tripulação não perderam tempo enquanto aguardavam no porto. Aproveitaram a escuridão para fazer buracos na maior parte dos navios cretenses, tendo deixado uns poucos que ainda ficaram em condições de navegar. Alguém deu o alarme e os habitantes de Creta precipitaram-se para os seus barcos para evitar que Teseu partisse, mas no meio de uma grande confusão só uns poucos conseguiram chegar perto do barco ateniense mas foram incapazes de o impedir de seguir o seu rumo.
Foi uma viagem tranquila e, passados poucos dias, Teseu e Ariadne chegaram à ilha de Naxos. Ariadne adormeceu à beira-mar e Teseu rastejou silenciosamente para dentro do barco e partiu. Ninguém sabe porque razão ele a abandonou. Ter-se-ia arrependido da promessa de casar com ela? Terá recebido instruções de Dionísio (Baco) que planeava desposá-la? Ou estaria ele farto dela após meia dúzia de noites de prazer, e até já andasse em perseguição de outra mulher? Fosse qual fosse a razão, a surpresa e o desgosto de Ariadne ao acordar não duraram muito. Ela pediu ajuda aos deuses e Dionísio apareceu de imediato com os companheiros de vadiagem, pronto a casar com ela na hora. A coroa que ela usou neste casamento viria depois a ser posta nos céus como Coroa Boreal.
Teseu seguiu para Atenas sem ela. No tumulto das aventuras, Teseu esqueceu-se de mudar as velas pretas para brancas, pelo que Egeu, que aguardava a sua chegada do cimo da Acrópole, um alto rochedo com lados em precipício, viu as velas pretas e, julgando que o filho tinha morrido, atirou-se da Acrópole para a morte e é em homenagem a ele que o Mar Egeu tem o seu nome.
Teseu tornou-se então rei de Atenas e governou durante muito tempo e, na maior parte dele, de forma sensata. Uma das suas decisões menos ponderadas foi o casamento com a Amazona Hipólita, a mesma mulher a quem Héracles (Hércules) tirou o cinto durante uma das suas tarefas; outras versões da história não referem Hipólita, mas sim a irmã Antiope. Fosse qual fosse a Amazona, a verdade é que Teseu a violou e a levou para Atenas, onde mais tarde ela viria a dar à luz o filho Hipólito. As irmãs de Hipólita ainda foram atacar Atenas, sem sucesso e, para cúmulo ainda tiveram o azar de matar Antíope (ou seria Hipólita?) com uma seta, durante a luta. A mulher seguinte foi igualmente uma escolha irreflectida de Teseu. Tratou-se de Freda, filha do rei Minos e de Pasifae, e irmã de Ariadne, a quem ele abandonara na ilha de Naxos. Quando Teseu levou Fedra para Atenas, ela ficou entusiasmada por Hipólito, o qual não tinha o menor interesse por ela. Afrodite tinha-a infectado com esta loucura amorosa por estar ofendida com Hipólito, que tinha feito votos de castidade à deusa virgem Ártemis (Diana) desprezando o desejo sexual da deusa. Fedra adoeceu de anseio ardente. Por fim, a sua aia descobriu o seu desejo secreto e aproximou-a de Hipólito, que estava com qualquer mulher, mas não com a esposa do pai. Em seguida, Fedra ficou cheia de medo de que Hipólito dissesse a Teseu do seu desejo pecaminoso por ele e, em desespero, enforcou-se tendo deixado uma placa de cera contendo a acusação de que Hipólito tinha tentado violá-la. Teseu acreditou na mulher e condenou o filho ao exílio. Posidon tinha, havia muito, dado a Teseu o dom dos três desejos e agora ele usava um deles para desejar a morte ao filho. E assim aconteceu, quando Hipólito conduzia o carro ao longo da costa, afastado de Atenas. Posidon fez estremecer a terra e enviou um touro do mar, o que fez com que os cavalos ficassem completamente desnorteados, galopassem para a praia e arrastassem Hipólito para a morte. Há quem diga que a constelação Cocheiro representa Hipólito. A deusa Ártemis apareceu a Teseu e revelou-lhe a verdade, ou seja, a inocência do filho. Se fosse permitido aos deuses chorarem, ela teria chorado pela morte do amigo muito querido. Teseu não teve mais nenhuns actos dignos de nota até à sua morte. Graças aos seus dotes, libertou o mundo de muitos homens malvados, mas a sua vida foi cheia de problemas, em larga medida provocados por ele, especialmente os seus comportamentos imprudentes e loucos com as mulheres.

Mitologia - 20 verdades

1 - O Mito significa uma narrativa sobre as origens do mundo, dos homens, das coisas.
2 - A Mitologia não é o estudo das palavras.
3 - Em Antropologia, em História e em Psicologia, os Mitos foram utilizados para se pensar sobre o comportamento humano.
4 - A cultura grega e romana são duas das culturas base da Europa.
5 - As outras culturas base são a celta, a germânica, a judaica e a cristã.
6 - Os mitos gregos foram utilizados em psicanálise.
7 - O complexo de Èdipo não é um comportamento histórico, de longa duração.
8 - A caixa de Pandora significa a imprudência feminina.
9 - Os deuses olímpicos devem o seu nome ao monte onde habitavam.
10 - A primeira geração de deuses gregos eram todos irmãos.
11 - Deucalião e Pirra são as personagens do mito grego sobre o aparecimento dos primeiros homens na terra, na cultura grega.
12 - O mito do Minotauro foi criado a partir de um ser metade homem, metade touro.
13 - Ícaro era filho de Dédalo e morreu quando se aproximou, a voar, do sol.
14 - Os mitos das sociedades tradicionais existem em contextos como África e Oceânia.
15 - Segundo Levi-Strauss, os mitos comunicam entre si.
16 - A Mitologia refere-se a temas base das estruturas elementares do pensamento do homem, como por exemplo, a coragem ou a virtude.
17 - Os africanos acreditam no animismo.
18 - O totemismo não é uma forma de estrutura religiosa e política.
19 - Os feiticeiros, em África, são os mediadores do sagrado.
20 - Quando Lévi-Bruhl apresentou a sua teoria do pré-logismo, foi contrariado por Marcel Griaule, que fez trabalho de campo entre os Dogões.