Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Apontamentos pessoais também abertos a quem os quiser ver.

11/07/10

VAN GOGH - O doutor Gachet

Mitologia das Sociedades Tradicionais da África Negra

A quantidade de etnias africanas é de tal modo grande e o seu tradicionalismo é tão profundo, que se torna impossível ordenar as mitologias desses povos.
Os povos africanos tendem a admitir um Deus supremo, mas uns encaram-no como criador do primeiro homem e da primeira mulher, enquanto outros lhe atribuem a criação de tudo o que é visível.
Geralmente prestam culto às forças da natureza, concretizados no Sol, na Lua, no Céu, nos Rios, nas Montanhas, nos Ventos.
O facto de quase todos os povos tradicionais actuais adorarem um Ente Supremo ao mesmo tempo que são idolatras, entregando-se às mais variadas formas de feiticismo, tem a seguinte explicação para os antropólogos:
- A crença nos espíritos, nas forças da natureza, na magia e nos feiticeiros, toma um carácter familiar e rotineiro, e coloca essas divindades, génios e poderes mágicos, no mesmo plano dos homens e muito mais perto deles do que do Deus omnipotente.
- Consequentemente, todos os homens são capazes de se aproximar dos seus deuses e espíritos familiares para os honrar, lhes dirigir preces ou oferecer sacrifícios.
- Também podem concretizar esses mitos nas formas mais estranhas, que são ainda o produto da imaginação humana.
- O Deus transcendente não é objectivado mas sentido.

No Nordeste predomina o animismo, à medida que se avança para o Sul, acentua-se a transformação do feiticismo em idolatria.(feiticeiros são entes quase sobrenaturais, de grande prestígio e força, que tratam de todas as doenças por meio de exorcismos, em algumas regiões chegam a classificar-se por especialidades. da caça, dos tornados, da pantera, da mulher grávida, do caimão, os que descobrem os crimes, os que recebem as revelações dos mortos, os que têm o poder de provocar a morte, etc.).
A crença na existência da alma depois da morte é geral. Muitos acreditam que a alma reencarna em determinados animais ou em determinadas plantas.
Mesmo quando não há animismo, os primitivos actuais acreditam que os seus antepassados acreditaram nele.
Temem as cavernas por serem locais de refúgio de monstros e de forças malignas.
também há totemismo.
Existe uma mitologia de animais.
A prática de sacrifícios tem declinado. Predominam os sacrifícios propiciatórios, mas são frequentes estranhos sacrifícios purificadores. Os sacrifícios humanos tornaram-se raros.
Há casos em que a impureza confere uma força mítica. Por vezes praticam o incesto quando querem ficar com um grande poder para triunfar numa empresa difícil. A sexualidade em África em termos de casais regulares, representa a própria sociedade, o adultério e o incesto alteram a ordem estabelecida.
A prática da adivinhação é geral.
O culto dos crânios continua a ser praticado em alguns pontos de África.
A comunicação com os deuses faz-se por dois caminhos - o das preces e o do cerimonial, acompanhados de rituais facilitadores da comunicação que exprimem os desejos e as intenções humanas.
Normalmente são os feiticeiros e mágicos que se encarregam de todo o cerimonial ritual.
Há uma ligação profunda entre o homem vivente e os seus antepassados.

O povo mais primitivo de África são os Pigmeus.
Segundo eles descendem directamente de um Deus, esta ideia dá-lhes uma grande consolação e felicidade, apesar de serem completamente pobres. Não prestam culto a essa divindade celeste acerca do qual contam a seguinte lenda: Deus criou os homens que viviam junto dele e tinham o encargo de lhe obter caça de que necessitava. Numa ocasião, os antepassados caçaram o javali mas, em vez de o levarem à divindade, comeram-no ali mesmo.Quando o Deus teve conhecimento do que eles haviam feito, expulso-os da sua companhia e lançou-os na selva, onde ainda vivem. Mas há na terra outro Deus que lhes está próximo, que os protege e a quem prestam culto. também oferecem as primícias da caça ao Deus da selva e fazem-lhe oferendas propiciatórias. As danças mágicas dos pigmeus são célebres, dado que há 48 séculos foram admirados pelos faraós da IV dinastia: um general egípcio gostou tanto que levou consigo um pigmeu como presente para o faraó o ver dançar.

RENOIR - Au moulin de la Jalette

Mitologia das Sociedades Tradicionais actuais

hoje em dia as principais Sociedades Tradicionais existem na África Negra e na Oceânia.
Apesar de se poder contactar directamente com os "primitivos actuais", as suas concepções mitológicas ou religiosas mantêm-se quase sempre obscuras.
Por um lado não há uma perfeita equivalência entre o seu vocabulário e o das sociedades complexas e, por outro lado, há uma variedade quase ilimitada de cultos e ritos.
Contudo, de uma forma geral, o primitivo sente-se disperso na natureza, por exemplo atribui alma a seres inanimados, e só quando está no seu grupo e no seu habitat é que se sente verdadeiramente ele.
Só assim se pode compreender um povo arcaico.
O Universo mitológico das sociedades tradicionais é de tal modo denso e povoado por seres imaginários que não é possível explorá-lo completamente ou traçar itinerários.

07/07/10

RUBENS - Matança dos Inocentes

Tirar uma pós-graduação na UNISETI? Resposta ao desafio.

Em 2008 a UNISETI (Universidade Sénior de Setúbal) lançou o projecto do CEP (Centro de Estudos Pós-Graduados), como uma forma de proporcionar aos alunos interessados e com competências para tal, a possibilidade de produzir trabalho e pensamento, com um grau de exigência académico.

Posto perante o desafio, havia que escolher o assunto.
Uma possibilidade seria investigar acerca de Setúbal. Exemplos de assuntos não faltavam: Economia de Setúbal no séc. XX ou Economia de Setúbal no séc. XIX, Demografia de Setúbal no séc XX, Demografia de Setúbal no séc. XIX, A industria conserveira em Setúbal, Litografia na industria conserveira, Importância da sardinha, laranja e sal na economia de Setúbal, artes e pescas, figuras populares, Festas populares e romarias, Lendas, Revoltas na industria conserveira, ofícios do séc XVIII ao Séc. XX, Grandes acontecimentos em Setúbal, Vida e obra de grandes pintores setubalenses, O lazer em Setúbal, Os pescadores e descobridores setubalenses, Os grandes professores de Setúbal, Setubalenses de valor nas forças armadas, na política e na religião, Setubalenses de valor nas artes e nas letras, etc.etc.
Outra possibilidade seria optar por um tema diverso. Foi este que seguimos. Desperto, nas aulas de História de Arte, para a problemática da insignificância da mulher artista na história da pintura, resolvemos investigar neste campo.

Seguindo o método de Raymond Quivy, teria, em primeiro lugar, que escolher a  pergunta de partida (as perguntas de partida são aquelas através das quais o investigador tenta pôr em evidência os processos sociais, económicos, políticos ou culturais que permitem compreender melhor os fenómenos e os acontecimentos observáveis e interpretá-los mais acertadamente.) que 1- deveria ser muito clara, sucinta e aberta, para permitir que várias respostas diferentes devam poder ser encaradas à priori e que não se deve ter uma resposta pré-concebida e 2- se é uma pergunta sobre o que existiu, deve ver-se como funciona.
Iniciámos a procura da pergunta de partida:
"Porque é que a História da Arte só regista o trabalho criativo dos homens, ignorando o trabalho criativo das mulheres?"
Esta é uma pergunta muito larga, de enorme dimensão. Há que dizer onde começa e acaba a nossa investigação.
"Quais as razões pelas quais a História da Arte omite dos seus registos a criatividade artística das mulheres, nomeadamente nos séculos mais afastados?"
Esta pergunta abre logo para outras perguntas, por exemplo:
" Será que as mulheres dessa época não produziam trabalhos criativos, obras de arte?"
"Será que os seus trabalhos criativos não se enquadravam na esfera da arte? porquê?"
"Será que as mulheres artistas não existiram naquela época ou a sua omissão na história foi deliberada e, se assim foi, porquê?"
"Será que o factor da "diferença sexual e de género" que torna a cultura dominante uma cultura pautada essencialmente pelo masculino, não terá tido uma influência directa nessa omissão do nome das mulheres artistas na História da Arte?"
Leituras
Para responder às perguntas anteriores que livros é preciso ler? Ou que temas?
. A História Geral da época cronológica que se quer trabalhar.
. Bibliografia relacionada com a História da Arte.
. Bibliografia relacionada com a questão do género.
. Bibliografia sobre a temática da condição geral da mulher, na cultura e na sociedade em geral.

06/07/10

VAN GOGH - Autoretrato sem barba

Etapas da investigação em ciências (sociais)- Raymond Quivy

O problema do conhecimento científico põe-se da mesma maneira par os fenómenos sociais e para os fenómenos naturais: em ambos os casos há hipóteses teóricas que devem ser confrontadas com dados de observação ou de experimentação. Toda a investigação deve, portanto, responder a alguns princípios estáveis e idênticos, ainda que vários percursos diferentes conduzam ao conhecimento científico.

Um procedimento é uma forma de progredir em direcção a um objectivo.
Expor o procedimento científico consiste, portanto, em descrever os princípios fundamentais a pôr em prática em qualquer trabalho de investigação.
Os métodos não são mais do que formalizações particulares do procedimento, percursos diferentes concebidos para estarem mais adaptados aos fenómenos ou domínios estudados.

As etapas do procedimento
Etapa 1: A pergunta de partida (clara e exequível)
Etapa 2: A exploração (As leituras, as entrevistas exploratórias)
Etapa 3: A problemática (Constrói-se a partir das leituras e das entrevistas - fazer o balanço, definir uma problemática e explicitar)
Etapa 4: A construção do modelo de análise (As hipóteses versus os conceitos)
Etapa 5: A observação (testar as hipóteses, construir os conceitos)
Etapa 6: A análise das informações
Etapa 7: As conclusões

Leituras:
.É preferível ler de modo aprofundado e crítico alguns textos bem escolhidos a ler superficialmente milhares de páginas.
.Procurar documentos cujos autores incluam análises e interpretações.
.Recolher textos que apresentem abordagens diversificadas do fenómeno.

Entrevistas em investigação social:
.Pôr o mínimo de perguntas possíveis
.Intervir de forma aberta
.Gravar as entrevistas
.Entrevistar docentes, investigadores, peritos, testemunhas previligiadas e o público a que o estudo diz respeito.

As hipóteses:
.Apresentam-se sob a forma de proposições de resposta às perguntas postas pelo investigador.
.São respostas provisórias e sumárias que guiarõ o trabalho e terão de ser testadas, corrigidas e aprofundadas.

O conceito:
.É uma construção abstracta que visa dar conta do real.
.Indicadores (atributos ou características) são manifestações , objectivamente observáveis e mensuráveis, das dimensões do conceito
.Há dois níveis de conceitos - Conceito Operatório Isolado (construído de forma indutiva, analítica a partir de observações directas, empírico, assente na experiência) e Conceito Sistemático (construído dedutivamente, com rigor sintético, assente na lógica das relações entre os elementos de um sistema, por raciocínio abstracto - dedução, analogia, oposição, implicação, etc.- ainda que se inspire forçosamente no comportamento dos objectos reais e nos conhecimentos anteriormente adquiridos acerca desses objectos. na maior parte dos casos, este trabalho abstracto articula-se com um ou outro quadro de pensamento mais geral, a que chamamos um Paradigma.)

PAUL CÉZANE - Cortina e frasco de compota

05/07/10

Os mitos de Creta

Os mitos gregos de Creta falam de um reino contemporâneo das famílias reais de Tebas e Atenas, mas com poderes superiores aos reinos da Grécia continental. Existem provas arqueológicas que sugerem que estes mitos de Creta lançam um olhar retrospectivo para um reino que já existia muito antes de Tebas, Micenas ou Atenas se terem tornado cidades poderosas. A civilização cretense, também chamada de minóica, designação derivada do rei mítico Minos, prolongou-se por 1.500 anos mas entrou em declínio após a erupção vulcânica de Tera, por volta de 1450 AC. Os cretenses adoravam uma deusa mãe e peças de cerâmica que chegaram até aos nossos dias mostram homens jovens executando uma dança com um touro, talvez em homenagem à deusa. As memórias desta dança com o touro, distorcidas ao longo de gerações, podem ter contribuído para a história do Minotauro cretense.

Minos e o Minotauro
Minos era um dos três filhos de Zeus (Júpiter) e de Europa. Tornou-se rei de Creta após uma luta pelo poder travada com os irmãos. "Manda-me um touro dos mares" pedira Minos a Posidon (Neptuno) "para confirmar que tenho o direito de reinar". Um magnífico touro branco nadou até às costas de Creta, onde Minos deveria tê-lo sacrificado em honra do deus do mar, mas ele ficou tão embevecido com o touro que não pode suportar a ideia do matar. Manteve-o por isso entre o seu gado e sacrificou um animal inferior em seu lugar, esperando que Posidon não desse conta da diferença. Mas Posidon não era parvo e também não tardou a vingar-se. A rainha Pasifae, mulher de Minos, também reparou na beleza magnífica do touro branco, pelo que Posidon pediu a Afrodite (Vénus), a deusa do desejo, para atiçar em Pasifae o desejo do animal, e ela tornou-se obcecada pela ideia de manter relações sexuais com o bicho, mas corria o risco de ser pisada e esmagada, caso se aproximasse do touro sem qualquer protecção, pelo que recorreu ao inventor grego Dédalo para encontrar uma solução. Este construiu uma vaca de madeira dentro da qual Pasifae se poderia ocultar, qualquer coisa como uma miniatura do cavalo de Tróia, e o touro foi enganado com o estratagema. Pasifae ficou grávida do touro e nove meses depois deu à luz um filho Astério. Este nome em grego significa "estrelado", só que ele nasceu com a cabeça e o torso superior de um touro e a parte inferior com a forma de homem, e era vulgarmente conhecido pela alcunha Minotauro (que em grego significa "o touro de Minos"). O rei Minos sentia-se envergonhado e ultrajado com o nascimento do monstro e quis escondê-lo dos habitantes da ilha. Pediu por isso a Dédalo para construir um labirinto em Knossos, um espaço enorme, subterrâneo, com uma porta fechada a cadeado e que era a única entrada e saída. Minos esperava que o Minotauro aí vivesse em total segredo. Entretanto Pasifae recuperou do desejo louco que Afrodite lhe tinha imposto e voltou a ser uma esposa fiel. O rei e a rainha continuaram assim a ter outros filhos, entre os quais duas raparigas, Ariadne e Fedra, e um rapaz Andrógeo. Este último viria mais tarde a deslocar-se a Atenas , para tomar parte em jogos atléticos, conquistando todos os títulos. O rei de Atenas, Egeu, começou a suspeitar que este campeão não era só um atleta mas também um apoiante dos rebeldes que estavam a causar problemas no reino. Pelo que lhe armou uma emboscada, quando ele regressava a casa, de que resultou a sua morte às mãos dos homens de Egeu. Este crime viria a ser o ponto de partida para uma guerra entre Atenas e Creta, que viria a terminar com a derrota dos atenienses. A punição foi o fornecimento de sete rapazes e sete raparigas, de nove em nove anos. Toda a gente sabia que estes jovens atenienses estavam condenados a serem comidos pelo Minotauro.

Dédalo e Ícaro
Após Dédalo ter construído o intrincado labirinto em Creta, Minos aprisionou-o juntamente com o filho Ícaro numa torre. A intenção era manter secreta a existência do Minotauro, mas mesmo sabendo dos mexericos que grassavam por todo o lado, a principal razão para o secretismo era o desejo de deter o escândalo acerca da mulher Pasifae e o touro. A torre onde Minos tinha aprisionado Dédalo e o filho era bastante alta e eles encontravam-se no cimo. As escadas eram mantidas sob vigilância permanentemente, pelo que o rei estava seguro de que não poderiam fugir e por isso também não se preocupou com grilhões.
Dédalo olhou à volta do espaço para ver se descortinava alguma forma de fugir. Tinha com ele pedaços de cera e nos cantos da sala havia folhas e penas arrastadas pelo vento para dentro da janela. A torre nunca tinha sido limpa desde a sua construção. Dédalo juntou as penas e fez dois pares de asas com elas, colando-as com a cera. Escolheu para ele o par maior e deu o outro a Ícaro. "Tem cuidado." - recomendou ele ao filho - "Tens de seguir perto de mim. Não podes aproximar-te do mar, pois cairás se as penas se molharem, também não poderás aproximar-te do Sol, porque cairias se a cera aquecesse e derretesse."
Pai e filho passaram pela janela e voaram para fora da torre. Os cretenses que os viam pensavam que eram deuses imortais. Passaram voando sobre muitas das ilhas gregas e Ícaro começou a ficar aborrecido com o ritmo lento que o pai impunha assim como a altura sem variações a que seguiam. Certamente, pensou ele com os seus botões, o pai não daria conta se ele tentasse fazer umas manobras com as suas esplêndidas asas. Começou a fazer voos picados e saltos mortais pelos céus, cada vez voando mais alto, até ficar demasiado perto do Sol. A cera derreteu num instante o que fez com que se precipitasse no mar onde se afogou. Quando o pai olhou para trás, já só viu uma série de penas flutuando na água. E foi assim que o maior inventor, Dédalo, ajudou o filho a encontrar a liberdade, mas também a morte.
Anos mais tarde, Minos tentou forçar Dédalo a regressar a Creta, mas como não sabia para onde ele tinha ido, forjou um plano para o encontrar que era digno do próprio Dédalo. Minos ofereceu uma recompensa a quem conseguisse passar um fio por uma concha em espiral, desde a abertura até à ponta, convencido de que só Dédalo seria suficientemente inteligente para resolver a questão. Dédalo fez um furo na ponta da concha e besuntou-o com mel. Depois atou o fio numa formiga grande que enfiou pela abertura da concha e esta lá encontrou o caminho para chegar ao mel, arrastando consigo o fio. O rei da Sicília recebeu o prémio e acabou depois por confessar a Minos que, na realidade, o problema tinha sido resolvido pelo hóspede, um grande inventor. Minos dirigiu-se à Sicília em busca de Dédalo, mas as filhas do rei siciliano não quiseram perder a companhia do amado hóspede e atiraram com Minos para dentro de um banho onde o viriam a matar. A última invenção de Dédalo para Minos foi um tubo que partia do telhado por cima da banheira onde ele se encontrava e através do qual as princesas verteram água a ferver até que o rei de Creta morreu.

Teseu e Ariadne
Quando chegou a Atenas como um herói, Teseu não sabia nada dos reféns que estavam a ser enviados para Creta para morrerem, mas notou de imediato que as pessoas da cidade estavam mais ansiosas do que o normal e que no palácio tinham lugar rituais pesarosos. Quando lhe foi contado o que se passava, tomou logo a decisão de ajudar, pelo menos assumindo o lugar de um dos reféns que estavam para partir. Egeu esforçou-se desesperadamente para o convencer a não ir. Mas Teseu anunciou a decisão na praça do mercado e, uma vez tornada pública, o rei tinha mesmo de o enviar para Creta. "Não te atormentes mais" - disse Teseu - "eu prometo trazer todos os reféns de volta em triunfo, juntamente com a cabeça do Minotauro". A sua afirmação foi tão convincente que Egeu lhe deu umas velas brancas para equipar o barco na viagem de regresso. Até então o barco que fazia a ligação entre Atenas e Creta com a sua carga infeliz era equipado com velas negras, que significavam morte e luto. Agora, Egeu ousava esperar que veria o barco regressar com velas brancas de felicidade.
Durante a viagem, Teseu disse ao capitão do navio que tanto ele como os seus homens tinham de pernoitar em Creta prontos a partir em qualquer momento.O barco chegou ao porto de Creta e o rei Minos foi a bordo inspeccionar os reféns acompanhado pela mulher e pela filha Ariadne. A princesa apaixonou-se por Teseu mal o viu e, quando seguiam em procissão para o palácio, aproveitou uma oportunidade para lhe sussurrar ao ouvido "o Minotauro é meu meio-irmão, mas se quiseres casar comigo, ajudar-te-ei a matá-lo". Teseu concordou com um aceno de cabeça e uma grande satisfação; a sorte como habitualmente, traçava-lhe o caminho, ou seria obra da dourada Afrodite, a deusa do desejo, a quem ele tinha feito um sacrifício mesmo antes de partir de Atenas?
Ariadne arranjou uma forma de Teseu assinalar o percurso através do escuro labirinto de modo a que pudesse encontrar o caminho para a saída após acabar com o Minotauro. Ela deu-lhe um novelo de fio e disse-lhe para atar a ponta à porta. O fio iria sendo desenrolado à medida que ele fosse andando pelo labirinto, e para encontrar o caminho de volta , só tinha de seguir o fio pois este levá-lo-ia à saída. À noite os reféns foram levados para a entrada e empurrados, um a seguir ao outro, para a escuridão que cheirava a carnificina. Teseu conseguiu atar o fio de Ariadne na porta mal ela foi fechada e ordenou aos atenienses para se manterem ali e não se porem a andar, o que faria com que se perdessem, enquanto ele ia penetrar no labirinto, encontrar o monstro e matá-lo. Não dispunha de qualquer arma, evidentemente, e foi tacteando na escuridão, parando e escutando a cada curva do labirinto. Por fim, ouviu o Minotauro, que aguardava pacientemente pela primeira vítima para começar a espalhar o pânico e a gritaria. Teseu travou a sua mais dura luta, no escuro, de mãos vazias, contra um inimigo munido de chifres aguçados, mas o Minotauro tinha-se habituado a dar por satisfeito com a sua limitada dieta de atenienses aterrorizados e julgou mal este oponente. Assim, Teseu conseguiu atirá-lo ao chão, pegar-lhe pelos chifres e torcer-lhe a cabeça até lhe partir o pescoço.
Ariadne roubou a chave do labirinto e aguardava com a porta aberta, juntamente com os reféns atenienses, que Teseu chegasse agarrado ao fio. Correram todos para o porto e saltaram para dentro do navio que se fez à vela rumo a Atenas. O capitão e a tripulação não perderam tempo enquanto aguardavam no porto. Aproveitaram a escuridão para fazer buracos na maior parte dos navios cretenses, tendo deixado uns poucos que ainda ficaram em condições de navegar. Alguém deu o alarme e os habitantes de Creta precipitaram-se para os seus barcos para evitar que Teseu partisse, mas no meio de uma grande confusão só uns poucos conseguiram chegar perto do barco ateniense mas foram incapazes de o impedir de seguir o seu rumo.
Foi uma viagem tranquila e, passados poucos dias, Teseu e Ariadne chegaram à ilha de Naxos. Ariadne adormeceu à beira-mar e Teseu rastejou silenciosamente para dentro do barco e partiu. Ninguém sabe porque razão ele a abandonou. Ter-se-ia arrependido da promessa de casar com ela? Terá recebido instruções de Dionísio (Baco) que planeava desposá-la? Ou estaria ele farto dela após meia dúzia de noites de prazer, e até já andasse em perseguição de outra mulher? Fosse qual fosse a razão, a surpresa e o desgosto de Ariadne ao acordar não duraram muito. Ela pediu ajuda aos deuses e Dionísio apareceu de imediato com os companheiros de vadiagem, pronto a casar com ela na hora. A coroa que ela usou neste casamento viria depois a ser posta nos céus como Coroa Boreal.
Teseu seguiu para Atenas sem ela. No tumulto das aventuras, Teseu esqueceu-se de mudar as velas pretas para brancas, pelo que Egeu, que aguardava a sua chegada do cimo da Acrópole, um alto rochedo com lados em precipício, viu as velas pretas e, julgando que o filho tinha morrido, atirou-se da Acrópole para a morte e é em homenagem a ele que o Mar Egeu tem o seu nome.
Teseu tornou-se então rei de Atenas e governou durante muito tempo e, na maior parte dele, de forma sensata. Uma das suas decisões menos ponderadas foi o casamento com a Amazona Hipólita, a mesma mulher a quem Héracles (Hércules) tirou o cinto durante uma das suas tarefas; outras versões da história não referem Hipólita, mas sim a irmã Antiope. Fosse qual fosse a Amazona, a verdade é que Teseu a violou e a levou para Atenas, onde mais tarde ela viria a dar à luz o filho Hipólito. As irmãs de Hipólita ainda foram atacar Atenas, sem sucesso e, para cúmulo ainda tiveram o azar de matar Antíope (ou seria Hipólita?) com uma seta, durante a luta. A mulher seguinte foi igualmente uma escolha irreflectida de Teseu. Tratou-se de Freda, filha do rei Minos e de Pasifae, e irmã de Ariadne, a quem ele abandonara na ilha de Naxos. Quando Teseu levou Fedra para Atenas, ela ficou entusiasmada por Hipólito, o qual não tinha o menor interesse por ela. Afrodite tinha-a infectado com esta loucura amorosa por estar ofendida com Hipólito, que tinha feito votos de castidade à deusa virgem Ártemis (Diana) desprezando o desejo sexual da deusa. Fedra adoeceu de anseio ardente. Por fim, a sua aia descobriu o seu desejo secreto e aproximou-a de Hipólito, que estava com qualquer mulher, mas não com a esposa do pai. Em seguida, Fedra ficou cheia de medo de que Hipólito dissesse a Teseu do seu desejo pecaminoso por ele e, em desespero, enforcou-se tendo deixado uma placa de cera contendo a acusação de que Hipólito tinha tentado violá-la. Teseu acreditou na mulher e condenou o filho ao exílio. Posidon tinha, havia muito, dado a Teseu o dom dos três desejos e agora ele usava um deles para desejar a morte ao filho. E assim aconteceu, quando Hipólito conduzia o carro ao longo da costa, afastado de Atenas. Posidon fez estremecer a terra e enviou um touro do mar, o que fez com que os cavalos ficassem completamente desnorteados, galopassem para a praia e arrastassem Hipólito para a morte. Há quem diga que a constelação Cocheiro representa Hipólito. A deusa Ártemis apareceu a Teseu e revelou-lhe a verdade, ou seja, a inocência do filho. Se fosse permitido aos deuses chorarem, ela teria chorado pela morte do amigo muito querido. Teseu não teve mais nenhuns actos dignos de nota até à sua morte. Graças aos seus dotes, libertou o mundo de muitos homens malvados, mas a sua vida foi cheia de problemas, em larga medida provocados por ele, especialmente os seus comportamentos imprudentes e loucos com as mulheres.

PICASSO - Mulher com os braços cruzados

Reflexologia

Reflexologia é uma arte suave, uma ciência fascinante e uma forma extremamente eficaz de massagem terapêutica no campo da medicina complementar.
A REFLEXOLOGIA É UMA TÉCNICA ESPECÍFICA DE PRESSÃO QUE ACTUA EM PONTOS REFLEXOS PRECISOS DOS PÉS COM BASE NA PREMISSA DE QUE AS ÁREAS REFLEXAS DOS PÉS TEM CORRESPONDÊNCIA A TODAS AS PARTES DO CORPO.(Este fenómeno da representação microcósmica de partes do corpo em diferentes áreas do organismo também se manifesta na íris do olho, na face, na orelha, na coluna e nas mãos. Todavia as áreas correspondentes dos pés são as mais específicas, tornando mais fácil trabalhar com elas).

A pressão é aplicada nas áreas reflexas com os dedos das mãos. A meta da reflexologia é o retorno da harmonia. O passo mais importante para isso é reduzir a tensão e induzir o relaxamento. A massagem reflexa dos pés é útil no tratamento de doenças e eficaz para manter a saúde e prevenir o aparecimento de doenças.

O reflexólogo não cura, somente o corpo é capaz de o fazer, mas ajuda a equilibrar todos os sistemas corporais.
O reflexólogo não pratica medicina, nunca diagnostica uma doença ou trata uma doença específica. Não prescreve ou ajusta a dosagem de medicamentos.
Ao trazer o corpo de volta a um estado de harmonia o tratamento pode combater diversas doenças: relaxa tensões, melhora a circulação sanguínea, a oxigenação, o sistema nervoso, ajudando a equilibrar o organismo naturalmente.

VAN GOGH - Os lírios

Peça Luís Vaz de Camões - Festa de fim de ano de Literatura Portuguesa

Os descobrimentos constituíram simultaneamente uma das causas e consequências do Renascimento e incutiram no Homem uma confiança maior em si próprio, contribuindo para a sua valorização pessoal e para o seu saber baseado na experiência.

Apesar de instituída a inquisição em Portugal e da censura aplicada pelo tribunal do Santo Ofício, Homens gravaram o seu nome e a sua obra na História Literária Portuguesa.

Um deles, poeta do séc. XVI, de todos o maior, viajante, letrado, humanista, trovador e fidalgo esfomeado, tendo numa mão a pena e noutra a espada, resumiu toda uma civilização do seu tempo com vibração emotiva e permanente lucidez.

Melhor que ninguém, descreveu com angustiada reflexão os desencontros e a dramaticidade dos sentimentos humanos.

Eis Luís Vaz de Camões!!!

(Camões está sentado como que escrevendo...)

(Chega alguém...)

(Amigo)
-Como tendes passado Luís Vaz? Pareceis abatido... Desgostos de Amor?

(Camões lê:)
De quantas graças tinha, a Natureza
Fez um belo e riquíssimo tesouro;
Belo rosto por quem morro
Onde mereci eu tal pensamento
Nunca de ser humano merecido?

(Amigo)
-Ora, Ora, Luis Vaz, tudo passa...
Amanhã é outro dia!

(Camões)
- É verdade, amigo, contudo

Amor não se rege por razão;
Não posso perder a esperança
Forçado é que eu espere e viva

(Camões continua suspirando e diz:)
Os suspiros que em vão entrego ao vento,
Paga-mos quem mos causa em desenganos;

(Amigo)
- Vá lá, coragem, um homem com a tua visão e o teu humor... o tempo tudo cura!

(Camões)
Tem o tempo sua ordem já sabida.
O mundo, não; mas anda tão confuso
Que parece que dele Deus se esquece

Quando a suprema dor muito me aperta,
A vontade livre desconcerta
Mostrando que é engano ou fingimento
Dizer que em tal descanso mais se acerta.

(Pausa, suspirando...)
Já tempo foi que meus olhos folgavam
De ver os verdes campos graciosos;
Foi tempo que nos bosques me alegravam
Os cantares das aves saudosos.

(Amigo)
-Dedica-te à tua arte! Ninguém te iguala, Luís Vaz... Conta as tuas aventuras, as tuas descobertas...Um Homem de tanto saber e tamanha experiência como tu não se pode abater!

(Camões)
No Mundo, poucos anos e cansados
Vivi, cheios de vil miséria dura;
Corri terras e mares apartados, Buscando à vida algum remédio ou cura.

Esforço grande, igual ao pensamento;
E desfeitos depois em chuva e vento

(Amigo)
Mas escuta Luís Vaz, quem produz uma obra-prima com 10 cantos, 1.102 oitavas e 8.816 versos, onde tu retratas maravilhosamente o mundo e pedaços da História de Portugal... Tu Luís Vaz serás lembrado como o maior humanista do renascimento. Tempos virão em que o teu nome e a tua obra serão honrados.

(Camões)
- Ah, sim? Achas? Se os meus humildes versos podem tanto...

Estranha ousadia! Estranho feito!
Quanta incerta esperança, quanto engano!
Quando viver de falsos pensamentos,
Não haja em aparência confianças.

(Camões pergunta)
-Eu? Camões? Nome e Obra honrados?! Talvez...

Não me falta na vida honesto estudo
Com longa experiência misturado
Nem engenho que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente...

2009, Dr.ª Ana Paula Domingues

VELASQUEZ - As meninas