Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Apontamentos pessoais também abertos a quem os quiser ver.

20/02/12

Fotos

Carta atribuída a Abraham Lincoln enviada ao professor do seu filho

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando esta triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou a pedir muito, mas veja que pode fazer, caro professor."
Abraham Lincoln, 1830

19/02/12

Porque há noite e não é sempre dia?

Mulheres Artistas na História da Arte - Mulheres artistas famosas do séc. XVI

12.8- Mulheres artistas famosas do sec. XVI
„X Properzia de Rossi (1490-1530)
Escultora.
Filha dum notario.
Aprendeu com o artista bolonhes e gravador Marcoantonio Raimondi, muito conhecido pelas gravuras das pinturas de Rafael.
Famosa desde muito cedo pelas suas complexas pequenas esculturas de pedra adornadas com frutos.
Os seus bustos de marmore tambem se tornaram famosos.
Ganhou varios concursos para obras nomeadamente para o altar de Santa Maria del Baraccano, em Bolonha e a fachada oeste de San Petronio tambem em Bolonha, etc.
Embora tenha ganho importantes somas durante a vida, morreu na bancarrota sem o apoio de familiares ou amigos.
Foi incluida na obra de Vasari ¡§Vida dos Artistas¡¨.
„X Lucia Anguissola (1536-1565)
Nasceu em Cremona.
Foi a 3a das 5 filhas do pintor Amilcare Anguissola.
Irma da pintora Sofonisba Anguissola.
Pintou retratos. Pintou tambem uma ¡§Virgem e o Menino¡¨
Morreu com 29 anos, nao tendo por isso produzido uma obra vasta.
Foi elogiada por Vasari
„X Levina Teerlinc (1510-1576)
Artista flamenga (Nasceu em Bruges)
Iluminista.
Nascida de uma familia de conhecidos iluministas.
Foi recrutada ao servico de Henrique VIII como pintora de miniaturas e desenhadora de selos reais e de outras imagens impressas.
Foi dama de companhia de Maria I e Isabel I.
„X Catarina van Hemessen (1528-1587)
Pintora renascentista flamenga
Primeira pintora flamenga com trabalhos existentes.
Filha do pintor Jan Sanders van Hemessen, que foi o seu professor.
Pintou retratos de homens e mulheres ricos muitas vezes posando contra um fundo negro.
Teve como patrona Maria de Austria, irma de Carlos V.
E-lhe dada a distincao de ter sido a 1a artista a criar um auto-retrato.
Tem obras no Rijksmuseum de Amesterdao e na National Gallery de Londres.
„X Marietta Robusti (1560-1590)
Nasceu em Veneza, filha do pintor Tintoretto (Jacopo Robusti), de quem recebeu a alcunha da ¡§Tintoreta¡¨.
Foi sobretudo uma retratista.
Foi convidada pelo Imperador Maximiliano e por Filipe II de Espanha para pintora das respectivas cortes mas o seu pai recusou sempre por nao a poder acompanhar.
Casou com um joalheiro veneziano e morreu em Veneza.
„X Mayken Verhulst (1518-1599)
Miniaturista, pintora a tempora e a guache dos paises baixos.
Nasceu em Mechelen.
Foi segunda esposa de Pieter Coecke van Aelst e madrasta de Pieter Brueghel, o Velho, e a primeira professora de Jan Brueghel, o Novo.
Nao sobreviveu nenhum trabalho que se lhe possa atribuir mas e frequentemente identificada como a pessoa por detras de varios trabalhos assinados pelo Mestre de Brunswick.
„X Diana Scultori Ghisi (1547-1612)
Artista italiana tambem conhecida por Diana Manotvana.
Aprendeu com o pai, Gioanni Mantuano, desenho e gravura e fez disso a sua carreira.
Foi a primeira mulher a ser permitido vender os seus trabalhos com seu proprio nome.
Apos o casamento, deslocou-se de Mantua para Roma.
Tornou-se famosa e foi mencionada por Vasari, na sua historia.
Produziu 62 gravuras.
„X Levinia Fontana (1552-1614)
Nasceu e viveu muitos anos em Bolonha
Filha do pintor Prospero Fontana
Pintou varios generos, retratos e grandes pinturas religiosas
O seu auto-retrato e considerado a sua melhor obra.
Casou com o pintor Paollo Zappi e teve 11 filhos, embora so 3 lhe sobreviveram. Apos o casamento continuou a trabalhar para manter a familia, tendo o marido como assistente.
A convite do papa Clemente VIII mudou-se para Roma, em 1611, tendo pertencido a sua academia.
Sao-lhe atribuidos mais de 100 trabalhos, se bem que so 32 estao assinados, e 25 outros lhe podem ser verdadeiramente atribuidos, fazendo dela a mais prolifera artista anterior a 1700.
„X Sofonisba Anguissola (1593-1623)
Foi uma aristocrata que beneficiou da abertura que o humanismo propiciou a melhoria da educacao das mulheres, tendo estudado arte.
Foi uma pintora renascentista italiana.
Discipula de Bernardino Campi.
Foi a primeira artista mulher a adquirir fama internacional de que se tem noticia.
O seu sucesso contribuiu para o aparecimento de mais mulheres artistas como Lavinia Fontana, Barbara Longhi, Fede Galizia e Artemizia Gentileschi
Foi admirada por Miguel Angelo e Van Dyck.
Filipe II de Espanha convidou-a para ser pintora oficial na sua corte.
Notabilizou-se pela extensa serie de auto-retratos que produziu.
Embora fosse encorajada e apoiada pela familia, sofreu dos constrangimentos impostos as mulheres da sua epoca: nao teve possibilidade de estudar anatomia, ou desenhar a partir de modelos por ser inaceitavel a uma senhora ver nus. Assim nao teve oportunidade de fazer composicoes complexas exigidas nas grandes pinturas religiosas ou historicas, que estavam acessiveis aos homens.
„X Esther Inglis (1571-1624)
Miniaturista escocesa.
Tambem bordadeira, caligrafa, tradutora e escritora.
De origem huguenote, refugiou-se com a familia na Escocia para fugir a perseguicao religiosa.
Aprendeu com a mae e trabalhou como assistente do marido.
Produziu mais de 60 manuscritos caligrafados.
„X Barbara Longhi (1552-1638)
Nasceu e viveu muitos anos em Ravenna
Filha do pintor Luca Longhi
Pintou primeiramente imagens religiosas, notaveis pela cor subtil e interaccao humana
Pintou varias Virgens com o Menino.
Foi mencionada por Vasari na sua Historia da Arte.

17/02/12

A MULHER ARTISTA NA HISTÓRIA DA ARTE - Mulheres artistas famosas da Idade Média


12.2- Mulheres artistas famosas do séc. X
 Monja Ende
Monja espanhola.
Copista e Iluminurista
12.3- Mulheres artistas famosas do séc. XI
 Monja Guda
Monja alemã.
Copista e Miniaturista
12.4- Mulheres artistas famosas do séc. XII
 Abadessa Errada de Landsberg
Abadessa de Hoenberg na Alsácia
Muito culta
Criou uma enciclopédia ilustrada, denominada “O Jardim das Delícias”
 Abadessa Heloisa
Abadessa do mosteiro de Paréclito
Erudita
 Abadessa Hildegarda de Bingen (1098 – 1179)
Abadessa alemã.
Escritora, linguista, naturalista, cientista, filósofa, médica, herbalista, poeta, visionária e compositora.
Eleita abadessa pelas suas pares em 1136, fundou os mosteiros de Rupertsgerg em 1150 e Eibingen em 1165.
Para além de brilhante iluminurista, escreveu textos teológicos, botânicos, médicos, cartas; compôs canções litúrgicas, poemas, peças de drama litúrgico, músicas e foi precursora da ópera.
12.5- Mulheres artistas famosas do séc. XIII
 Laica Claricia
Laica. Advogada com escritório na Baviera
Miniaturista.
12.6- Mulheres artistas famosas do séc. XIV
 Cristina de Pisano
Escritora.
Diz-se dela ser a 1ª mulher jornalista.
Escreveu a célebre “Cidade das mulheres”, alegoria onde mulheres independentes viviam livres do jugo dos homens.
12.7- Mulheres artistas famosas do séc. XV
 Monja Barbara Ragnoni
Só resta 1 trabalho de pintura assinado “A adoração dos pastorinhos” que está na pinoteca de Siena.
De cores quentes ao estilo do quatrocento italiano
 Santa Catarina dei Virgi (1413-1462)
De família aristocrática cresceu na corte bolonhesa.
Teve uma boa educação, aprendeu desenho, escrita e música
Entrou para o convento das Beneditinas em Ferrera e foi madre superiora do novo convento de Bolonha
Foi canonizada e é a Santa patrona das artes
Foi escritora e desenhadora
 Antónia Ucello
Freira carmelita
Pintora
Filha do pintor Paollo Ucello

14/02/12

A MULHER ARTISTA NA HISTÓRIA DA ARTE - Cap.12.1 - Mulheres artistas famosas da Antiguidade

12.1- Mulheres artistas famosas da Antiguidade
„X Timarete (ou Thamyris , Tamaris)
Pintora da Grecia Antiga, do tempo de Arquelau I da Macedonia.
Viveu cerca do ano 800 aC.
Filha do pintor Micon, o Jovem, de Atenas.
De acordo com Plinio, o Velho, ela "desprezou os preceitos para as mulheres e exerceu a arte do pai."
Ficou conhecida por uma pintura do painel da deusa Diana, um dos mais antigos exemplos de pintura, que foi mantido em Efeso durante muitos anos, embora ja nao exista. Efeso tinha uma reverencia especial para com a deusa Diana.
„X Eirene
Mulher pintora da Antiga Grecia.
Filha e estudante de Cratino,
Pintou uma menina em Eleusis
„X Aristarete
Pintora da Antiga Grecia.
Filha e estudante de Nearchus
Pintou um Asclepius.
„X Iaia de Cyzicus
Trabalhou em Roma na epoca de juventude de Marcus Varro.
Nunca casou.
Usava quer o pincel quer o marfim, a ferramenta de gravacao.
Pintava mais frequentemente mulheres, incluindo um painel de uma velha mulher em Napoles e ate um auto-retrato, para o qual usou um espelho.
Ninguem tinha mao mais rapida para pintar um retrato que ela.
De tal modo era grande o seu talento que o seu preco excedia em muito o dos mais celebres pintores do seu tempo, Sopolis e Dionysius, cujos trabalhos enchiam as galerias.
„X Olimpias
Pintora Romana.
Mencionada na ¡§Historia Natural de Plinio, o Velho, como mulher pintora.
Acerca dela sabemos que Autobulus era seu estudante.

08/02/12

A MULHER ARTISTA NA HISTÓRIA DA ARTE - Cap.11 - A mulher artista moderna

11- A mulher artista Moderna (do séc. XV aos nossos dias)
A História da Arte, como registo escrito, apareceu somente no século XV, do orgulho dos florentinos.
Os seus precursores são os humanistas Alighieri Dante (1265-1321), Francesco Petrarca (1304-1374) e Giovanni Boccaccio (1313-1375).
Salvo pouquíssimas excepções, podemos dizer que as mulheres começaram a surgir enquanto personalidades artísticas distintas por volta de 1550.
Entre os séculos XVI e XVIII, as artistas mulheres trabalharam numa cultura isolada e dependentes duma classificação masculina ao invés de terem a sua própria autonomia.
Por questões de decoro, o tardio uso de modelos vivos atrasou irremediavelmente a obtenção do treino e do conhecimento necessários à especialização dos artistas profissionais
Até aos meados do séc. XIX, (o movimento feminista começa justamente no séc. XIX com as sufragistas) e com excepção de mulheres italianas que pertenciam a famílias de artistas, só lhes era permitido pintar temas considerados delicados – retratos, naturezas-mortas, etc. e não temas mais exigentes de natureza narrativa.
Mesmo no século XIX, embora algumas mulheres tenham participado activamente em movimentos sociais, feminismo e arte não tinham força.
No século XX, com o explodir do movimento feminista, vemos mudanças cruciais nas propostas de artistas mulheres. Só então estas demonstraram através de imagens, rituais e desempenhos, a intenção de restabelecer a dimensão feminina no mundo da arte.

III Guerra Mundial

07/02/12

A MULHER ARTISTA NA HISTÓRIA DA ARTE - Cap.10 - A mulher moderna


10- A mulher Moderna (Do séc. XV aos nossos dias)
Na idade moderna os direitos humanos em geral e os da mulher em particular sofreram graves retrocessos.
No século XVI restaurou-se o regime da escravatura.
A reimplantação do Direito Romano, patriarcal, em vários países da Europa, concluído no século XVI, é o principal responsável pelo retrocesso da actuação feminina no âmbito familiar, social e político. A mulher que vinha conquistando espaço, do século X ao XIII, no âmbito familiar, na sociedade e na arte, sofreu um eclipse no período subsequente.
Enquanto na era feudal, as mulheres das classes mais ricas podiam ter e administrar feudos, ir às cruzadas, podiam governar e algumas chegaram a ter um grande poder político, económico e social, devido ao seu cargo, terras, parentesco ou ocupação, esta situação mudou na Idade Moderna e Contemporânea, com o desenvolvimento da mentalidade burguesa e da influência do Código Napoleónico de 1804, seguido por outros países.
Os legisladores foram retirando à mulher tudo o que lhe conferia alguma autonomia ou instrução. A mulher foi excluída da vida eclesiástica e da vida intelectual.
O movimento precipitou-se quando no começo do século XVI foi reconhecido ao rei Francisco I da França (1515-1547) o direito de nomear abades e abadessas; inspiradas por critérios políticos, tais nomeações acarretaram a decadência de muitas casas religiosas.
A repressão à mulher consolidou-se no fim do século XVI, por decreto do Parlamento francês datado de 1593, onde a mulher foi explicitamente afastada de toda função do Estado. A influência crescente do Direito Romano finalmente confinou a mulher às suas tarefas peculiares de cuidar da casa e educar os filhos, aumentando a subserviência aos homens de onde lhes provinha o sustento
Mas as mulheres não baixaram os braços e começaram a ganhar mais espaço no mercado de trabalho através da costura. As empresas da época, voltadas a fabricação de tecidos e confecção de roupas, empregavam inúmeras mulheres. Com a especialização da indústria tecelã, as mulheres ofereciam abundante e qualificada mão-de-obra.
Com a revolução industrial, o aparecimento das máquinas facilitou a produção, deixando cada vez mais de lado a necessidade de braços fortes, de forma que mulheres e crianças corriam para as empresas em busca de empregos, embora sempre em troca de um salário miserável. Trabalhavam cerca de 17 horas por dia em condições sub-humanas.
Com isso, cada vez mais os homens iam perdendo espaço no mercado de trabalho industrial. O desemprego assolava a classe masculina. Temerosos com o abalo social, começaram a pleitear a regulamentação do trabalho da mulher, na verdade não com o objectivo de protegê-la, mas sim de evitar a sua exploração barata e a consequente demissão em massa de operários homens.
No século XIX, mediante o Código de Napoleão, o processo de despojamento da mulher deu novo passo, deixou de ser reconhecida como senhora dos seus próprios bens e, mesmo em casa, passou a exercer papal subalterno.
Somente no século XX, com o movimento feminista, que se iniciou em Inglaterra com as sufragistas, a mulher conseguiu resgatar o seu prestígio. No início desse século as mulheres não votavam nem ocupavam cargos públicos, não tinham propriedades pois transferiam os bens herdados para o marido e não lhes era permitido dedicar-se ao comércio, ter um negócio próprio, exercer diversas profissões, abrir uma conta corrente ou obter crédito. Os códigos civis e penais consideravam-nas menores de idade perante a lei. O direito feminino ao voto foi sendo alcançado ao longo do século XX. O ingresso massivo da mulher no mercado de trabalho – com excepção do trabalho nas fábricas em plena Revolução Industrial – teve início apenas nos meados desse século.
Após atingidos esses objectivos, que poderemos chamar de “feminismo reformista”, inicia-se nos anos sessenta uma segunda onda denominada “feminismo revolucionário”. São os anos nos quais o número de mulheres nas universidades e nos diversos tipos de trabalho aumentou consideravelmente. Advogou-se uma “nova ética” que rompesse com a sociedade, com a família convencional, e que “libertasse” a mulher das “cadeias da natureza”, tal como foi formulado por Simone de Beauvoir. Para muitos pensadores, este é o facto fundamental que nos ajuda a compreender a nossa época. O que já é chamado de o “desmantelamento da sexualidade” (com a anti-concepção como hábito) e abriu portas a outro fenómeno decisivo da humanidade, a fecundação in vitro.
A partir de 1975, percebe-se um certo cansaço. As mulheres não estavam satisfeitas com os resultados da segunda fase do feminismo – que reivindicava sobretudo a libertação sexual – em comparação com a primeira fase (voto, ensino, independência económica). Precisamente em 2005, na Conferência Mundial da Mulher organizada pela ONU, alguns movimentos feministas começaram a postular e a louvar mais a diferença e a complementaridade do que a igualdade radical. É o neo-feminismo.
O facto de que a mulher se tenha incorporado massivamente no mercado de trabalho não quer dizer que todas devam ou desejem fazê-lo. Trata-se, pois, de gerar graus de flexibilidade nas estruturas sociais para que estas se adaptem à família e às suas necessidades, e não o contrário. A legislação e algumas medidas tomadas parecem mais focadas em fomentar o ingresso das mães ao mercado de trabalho do que acrescentar um verdadeiro apoio à família, que permita escolher com liberdade entre permanecer em casa ou conciliar o trabalho do lar com outro, externo. Assim, nos últimos tempos, a mulher deixou de estar preocupada exclusivamente na conquista de equiparação ao homem, querendo imitá-lo, exercer as mesmas funções, adoptar os mesmos hábitos, sem se questionar a respeito do que ela reproduz ou sem pensar em salvar a sua própria identidade e originalidade, o que não só a prejudica a si, mas também à própria sociedade, que precisa dos valores peculiares da mulher e da feminilidade.
Pouco a pouco está a surgir um novo feminismo integrador. É o feminismo da complementaridade, da cooperação com o marido em todos os âmbitos da vida familiar, cultural, empresarial e social – que requer um conjunto de mulheres aptas para ele, em postos chaves de decisão (legislativo, laboral, político e empresarial) e uma sensibilidade especial por parte do marido para entender essa realidade e apoiar essas mudanças. Duas ideias - chave podem torná-la realidade: a mulher já está no mercado de trabalho e não o deixará, e a família é de ambos, homem e mulher, pai e mãe.

05/02/12

A MULHER ARTISTA NA HISTÓRIA DA ARTE - Cap.9 - A mulher na arte na Idade Média

9- A mulher na arte na Idade Média
A situação da mulher artista não diferia da situação da mulher em geral.
A Idade Média abrange um período vastíssimo de cerca de mil anos, no decorrer do qual houve várias expressões artísticas, nomeadamente: Arte Carolíngia, Arte Bizantina, Arte Islâmica, Arte Germânica, Arte Românica e Arte Gótica.
A grande maioria dos artistas, até ao período do “Gótico Final”, era anónima, e por isso tem sido difícil identificar obras de autoria feminina.
De facto, em contraste com a Antiguidade Clássica ou com o Renascimento, a impessoalidade do trabalho de arte e a modéstia dos artistas na Idade Média não oferecem dúvidas, assim como a ideia do individual e do particular ser estranha para eles e para os seus contemporâneos.
A mulher teve um papel activo na sociedade medieval e uma produção artística significativa.
A Idade Média herdara da Antiguidade o desprezo a que fora relegada a condição de qualquer homem ou mulher que trabalhasse com as suas próprias mãos, ainda que fosse um artista.
O Cristianismo, por outro lado, fixava a ideia de que o indivíduo singular não era agente da história, o homem não tinha importância como criador, visto que era considerado um instrumento divino.
Assim a grande maioria dos artistas desse período era anónima.
Por essas razões os renascentistas menosprezaram e depreciaram as contribuições medievais, não as mencionando na História da Arte.
De facto a abordagem renascentista a respeito da Arte da Idade Média conduziria a que esta ficasse envolta num senso pejorativo e até mesmo relegada ao esquecimento e tornou-se um período intermediário, situado incomodamente entre a brilhante Antiguidade e o seu Renascimento.
Foi necessário esperar pela historiografia contemporânea para que houvesse o despertar do interesse pela arte medieval, com a superação da conotação negativa do termo gótico.
A nova historiografia divide a Arte na alta Idade Média em 2 períodos distintos: o Românico (de início do séc. XI a finais do XII) e Gótico (Meados do séc. XII a XVI).
9.1- A mulher artista no Período Românico
O período Românico é a 1ª afirmação cultural do Ocidente, quando o Cristianismo triunfa em toda a Europa, fortalecendo as instituições monásticas, tanto as masculinas como as femininas. A cultura e a arte eram monásticas.
As oportunidades para as mulheres em matéria de educação estavam mais disponíveis àquelas que quisessem abraçar uma vida celibatária. As monjas dispunham de tempo e espaço para se dedicarem à leitura, à escrita, à composição, à tecelagem, à gravura, à pintura, etc., dentre as muitas funções que exerciam, trabalhando ainda como bibliotecárias, professoras, copistas e artistas.
Mulheres célebres pela sua cultura foram Herrada de Landsberg (séc. XII), Heloísa (séc. XII) e Cristina de Pisan (séc. XIV).
O mosteiro era um dos poucos lugares em que a mulher podia ter visibilidade e encontrar uma saída para os seus talentos artísticos. Muitas mulheres religiosas dedicaram-se à arte da cópia e ilustração de manuscritos e a outras artes consideradas menores (pintura sobre vidro, ourivesaria, miniatura e tecelagem).
Mas as artes maiores (arquitectura, escultura e pintura) também interessaram os mosteiros.
Houve também mulheres copistas profissionais não religiosas, algumas nobres, esposas de escrivães, filhas de poetas, etc.
Muitas, entre religiosas ou leigas, deixaram no fim dos manuscritos o registo da sua participação, podendo assim ser identificadas.
São os casos de trabalhos em manuscritos ilustrados das monjas Ende (finais do séc. X) e Guda, da abadessa Hildegarda de Bingen (que deixou-nos inúmeras obras com ricas iluminuras) e da laica Clarícia, miniaturista do séc. XIII.
9.2- A mulher artista no Período Gótico
O 2º período da arte medieval, o período gótico, caracteriza-se por ser o período das corporações e da burguesia.
O centro de gravidade da vida social desloca-se do campo para a cidade.
A mudança, do ponto de vista cultural, reside em dois grupos activos, o dos artífices e artistas e dos mercadores.
Os ofícios organizam-se em corporações e a poderosa classe burguesa obtém o controlo dos governos municipais.
Em meio a essa reestruturação social, o trabalho feminino, enquanto mão-de-obra, teve forte significação na vida económica das cidades.
A grande maioria das mulheres trabalhadoras empregava-se nas oficinas artesanais e artísticas, executando tarefas ao lado dos homens.
Raro é o artífice de alguma importância que não tenha ao seu lado algum aprendiz, colaborador ou familiar, muitas vezes mulher, que aprenda as técnicas da profissão e que o ajude em alguns dos múltiplos processos de execução de uma obra.
Assim, em algumas corporações, mulheres podiam tornar-se mestres independentes.
Como membro das corporações, as mestres artesãs mulheres estavam sujeitas aos mesmos regulamentos, controles e obrigações tributárias dos mestres homens. Mas a maioria das mulheres trabalhava numa situação de dependência, como aprendiz, assalariada ou por jornadas.
Muitas mulheres estiveram activas em inúmeras profissões, mesmo as consideradas habitualmente masculinas.
Foi o caso de, por exemplo, Sabina von Steinbach, que executou trabalhos de escultura na construção da Catedral de Estrasburgo.
Ainda que as mulheres tivessem alcançado algum espaço como artífices, tendo mesmo ampliada a sua actividade como artistas, não foi fácil a sua manutenção. De facto, no final da idade média, verifica-se uma crescente hostilidade ao trabalho feminino, particularmente nos regulamentos corporativos.
Fontes fundamentais para conhecer nomes e trabalhos de mulheres artistas medievais, são:
 Registos fiscais, como, por exemplo, as contas da talha, em Paris, onde o nome dos contribuintes é acompanhado da indicação do seu ofício.
 Recibos de pagamentos e Contratos revelam o nome de muitas mulheres artistas, como, por exemplo, em Bolonha, nos séc. XIII e XIV: Donella Miniatrix esposa de um miniaturista, a calígrafa Montanaria mulher de Onesto, Allegra esposa de Ivano, que promete a uma carmelita, copiar uma bíblia completa, Flandina de Tebaldino, calígrafa, etc. Também de Colónia, dos séc. XIII e XIV, podemos mencionar alguns nomes: a viúva Tula Rubeatrix, Hilda ou Hilla, pintora.
Quanto mais nos aproximamos do fim da Idade Média, mais frequentemente os artistas assinam as suas próprias obras.
A partir dessas fontes documentais é possível levantar alguns nomes de artistas, saber das actividades desenvolvidas, estabelecer algumas categorias de encomendas e consequentemente de obras de arte, como as encomendas da corte, da nobreza, da burguesia ou da igreja.
Quanto ao merecimento, embora alguns artistas do período gótico tenham alcançado elevados níveis sociais como artistas, casos de Giotto e Jan van Eyck, estes não representam a realidade artística da maioria e menos ainda se tratando de mulheres artistas.
Durante o séc. XV o número de mulheres artistas em actividade aumentou significativamente, mas não há ainda nenhuma mulher que individualmente tenha conseguido alcançar reputação artística comparável com as de vários seus contemporâneos masculinos.


03/02/12

Homens com gripe - segundo Lobo Antunes

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
 Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer

António Lobo Antunes

"Setúbal é um Mundo"

A MULHER ARTISTA NA HISTÓRIA DA ARTE - Cap.8 - A mulher na Idade Média

8- A mulher na Idade Média
O conceito pejorativo de Idade Média que comummente é propalado deve-se, em parte, aos preconceitos dos pensadores dos seculos XVI e seguintes, os quais, movidos por premissas anticatólicas e anticristãs, tinham interesse em denegrir a Idade Média.
Sabe-se hoje que esta, não tendo sido perfeita, nao foi bárbara nem obscurantista, como se disse.
Teve até gestos e valores que suscitariam rubor no homem moderno, começando logo pela extinção da escravatura, no começo da Idade Média, para dar lugar ao regime do servo da gleba, respeitando os direitos do pequeno camponês; todavia a escravatura foi restaurada no século XVI nas terras da América, onde vigorou o colonialismo.
Através das fontes existentes (cartulários, estatutos das cidades, documentos judiciários, etc.), podem-se colher pormenores relativos à vida quotidiana da mulher medieval.
É surpreendente o quadro que se delineia a partir da concatenação desses dados. Assim, por exemplo, as mulheres votavam. Por ocasião dos Estados Gerais de 1308 as mulheres são explicitamente citadas entre as votantes em diversas partes do territorio francês, sem que isto venha apresentado como uso particular do lugar. É conhecido o caso de Gaillardine de Frechou, que, diante de um arrendamento proposto aos habitantes de Cauterets nos Pirenéus pela abadia de Saint-Savin, foi a única a votar NÃO, quando todo o resto da população votou SIM.
Nas actas de tabeliães é muito frequente ver uma mulher casada agir por si mesma: abre, por exemplo, uma loja ou uma venda, sem ser obrigada a apresentar autorização do marido. Os registos de impostos, desde que foram conservados (como em Paris, a partir de fins do século XIII), mostram multidões de mulheres a exercer as funções de professora, médica, boticária, estucadora, tintureira, copista, miniaturista, encadernadora, etc.
Na Idade média o período de maior consideração de que gozaram as mulheres durou até ao ressurgimento do Direito Romano que, principiando no século XI, atingiu a plenitude a partir do Século XVI. Com este a importância da mulher diminuíu.
O Direito Romano fundamentou o menosprezo da mulher a partir do século XVI; o que teve ulteriores consequências no modo de pensar e agir da sociedade em relação à mulher e a outros valores da sociedade.
Na verdade, o Direito Romano nao era favorável à mulher nem à criança; era um Direito monárquico, que exaltava o paterfamilias, pai, proprietário, chefe da familia com poderes sagrados, sem limites no tocante aos filhos (tinha sobre estes direito de vida e de morte) e à esposa.
Por exemplo, na fase anterior a do Direito Romano a rainha era coroada e atribuia-se a coroação da rainha tanto valor quanto a do rei. À medida que o Direito Romano foi ascendendo, a coroação das rainhas foi sendo considerada menos importante que a dos reis. No século XVII a rainha desaparece literalmente da cena em proveito da ¡°favorita¡±. Outro exemplo, na sua epoça, Eleonora de Aquitania (+ 1204) e Branca de Castela (+ 1252) exerceram autoridade sem contestacao nos casos de ausencia do rei, doente ou morto; tiveram as suas chancelarias, alfandegas e sectores de actividade pessoal. A primeira disposição que afastava a mulher da sucessao ao trono foi tomada por Filipe IV, o Belo (1285-1314), sob a influência de juristas romanos.
Note-se ainda a propósito que a partir de fins do século XVII a mulher é obrigada a tomar o nome do marido.
De resto, observe-se que a Idade Média se encerra com a figura de Joana D.Arc (+ 1431), jovem que, nos seculos seguintes, jamais teria conseguido obter a audiência e suscitar a confiança que lhe foram outorgadas no século XV.
Outro caso merece especial registo, o pregador de penitência Roberto de Arbrissel (+ 1117) conseguiu levar tanta gente à conversão que houve por bem fundar a Ordem de Fontevrault em 1100/1101, com base na Regra de S. Bento. Esta Ordem distinguiu-se pela penitência severa e pelos 1ºs mosteiros duplos: entre um cenóbio de homens e outro de mulheres achava-se a Igreja, único lugar em que monges e monjas se podiam encontrar. Ora a direcção suprema desses mosteiros duplos competia, em honra da Santa Mae de Deus, à abadessa de Fontevrault; esta devia ser viuva, tendo feito a experiência do casamento.
Somente no fim do século XVI, por decreto do Parlamento francês datado de 1593, a mulher foi explicitamente afastada de toda a função de Estado. A influência crescente do Direito Romano finalmente confinou a mulher às suas tarefas peculiares de cuidar da casa e educar os filhos.
(Nota: no século XIX, mediante o Código de Napoleão, o processo de despojamento da mulher deu novo passo: deixou de ser reconhecida como senhora dos seus próprios bens, e, em casa mesmo, passou a exercer papel subalterno).
No fim da Idade Média e depois, os legisladores foram retirando a mulher tudo o que lhe conferia alguma autonomia ou instrução. A mulher foi excluída da vida eclesiástica e da vida intelectual. O movimento precipitou-se quando no começo do século XVI foi reconhecido ao rei Francisco I da França (1515-1547) o direito de nomear abades e abadessas; inspiradas por critérios políticos, tais nomeações acarretaram a decadência de muitas casas religiosas.
(A reacção a tal estado de coisas tem ocorrido nos últimos tempos mas de maneira decepcionante, pois a mulher parece preocupada exclusivamente na conquista de equiparação ao homem: quer imitar o homem, exercer as mesmas funções que este, adoptar os hábitos do seu parceiro, sem se questionar a respeito do que ela reproduz, ou sem pensar em salvar a sua própria identidade e originalidade! Ora isto prejudica não só a mulher, mas tambem a própria sociedade, pois esta precisa de valores peculiares da mulher e da feminilidade!)
Foi no século XVI que infelizmente se restaurou o regime da escravatura romana, que a Idade Média não conheceu, e que persistiu até ao século passado. Vê-se, pois, que, sob este aspecto, a Idade Média está longe de ter sido obscurantista.


01/02/12

A MULHER ARTISTA NA HISTÓRIA DA ARTE - Cap.7 - A mulher artista na Idade Antiga


7- A mulher artista na Idade Antiga
Nos primeiros registos da cultura ocidental, poucos indivíduos são mencionados, embora as mulheres sejam representadas em todas as artes, algumas nos seus trabalhos como artistas.
Referências antigas de Homero, Cícero e Virgílio mencionam os trabalhos de proeminentes mulheres no têxtil, na poesia e na música e outras actividades culturais.
Já Plínio, o Velho, faz referência, na sua “História Natural” (Lv.XXXV), aos nomes de artistas femininas na Grécia e em Roma, descrevendo as suas obras, incluindo os nomes Timarete, Eirene, Kalypso, Aristarete, Iaia e Olimpias.
Embora nenhum dos seus trabalhos tenha sobrevivido, há em Milão uma pintura de cerca de 460 a.C. que mostra mulheres trabalhando ao lado de homens na pintura de vasos.

31/01/12

A MULHER ARTISTA NA HISTÓRIA DA ARTE: Cap.6 - A mulher na Idade Antiga



6- A mulher na Idade Antiga
No Egipto Antigo a mulher possuía um status privilegiado dado pela igualdade entre os sexos como um facto natural, sendo comum atribuir similar importância a filiação paterna e a materna. A maioridade feminina, quando atingida, possibilitava a escolha do marido mediante consentimento paterno e quando casadas as mulheres podiam intervir na gestão do património familiar. Em relação ao trabalho, a tecelagem constituía uma ocupação reservada ao sexo feminino, competindo-lhe tosquiar as ovelhas e tecer a lã, podendo também trabalhar na ceifa de trigo, no preparo da farinha e da massa do pão. Enquanto que as mulheres mais pobres trabalharam em grandes obras de construção pública.
Na Grécia Antiga a sociedade era equiparada a um clube dos homens, pois estes não permitiam o acesso da mulher ao saber, desvalorizando tudo que lhes dizia respeito, inclusive a beleza. Nem a maternidade escapava da desvalorização sistemática, sendo as mulheres vistas apenas como receptoras da semente masculina. A inferioridade da mulher pode ser atestada pela obra “Política” de Aristóteles, que a justificava em virtude da não plenitude na mulher da parte racional da alma. A cidade de Esparta era aquela que proporcionava às mulheres a maior autonomia entre todas as cidades estado estabelecidas, pois a necessidade de contar com o apoio das mulheres para defender a polis fazia com que os homens espartanos lhes dessem treino militar e permitissem maior liberdade para participar das actividades do quotidiano da cidade.
Na Roma Antiga, como herdeira de parte da tradição grega, a inferioridade social da mulher marcava a condição feminina. A estrutura familiar assenta na base do paternalismo. Nas leis e nos costumes, a mulher era uma perpétua menor que passava da tutela do pai à do marido. Refira-se contudo que depois do período das conquistas, aumentou o grau de liberdade e as mulheres passaram a poder permanecer nas ruas e praças, frequentar escolas, dançar, cantar e fazer poesia, trabalhar no comércio, artesanato e em actividades como medicina.