Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Apontamentos pessoais também abertos a quem os quiser ver.

03/05/12

Despedida de solteiro


Outubro de 1977. Jantar de despedida de solteiro, com os meus colegas do Serviço de Máquinas do Departamento de Projecto da Direcção Técnica da Setenave, no "Verde e Branco" em Setúbal.

29/04/12

Liceu Nacional de Setúbal - O Liceu, a Memória e a Recordação, Por Manuela Fonseca


Éramos, nós, Portugueses, a rir, a cantar e a cimentar a Liberdade, de braço dado, povoado a povoado, aldeia a aldeia, vila a vila, cidade a cidade, sede partidária a sede partidária, local de trabalho a local de trabalho, escola a escola, palavra a palavra, poema a poema, pintura mural a pintura mural. Sonhámos com as mais díspares realizações, individuais e em conjunto. E, embora nem todas concretizadas, sabemos, três décadas e meia passadas, em cada dia, a diferença entre ditadura e Democracia, a que permitiu o nosso desenvolvimento e o dos povos de terras por onde, mal e bem, passámos. À Maria da Conceição Banza, Companheira do Liceu e de Viagem Fim da década de sessenta do século passado: os dois últimos anos escolares, sexto e sétimo, obrigavam à disciplina de Organização Política e Administrativa da Nação, panegírico do salazarismo e da Constituição de 1933. O Dr. José Afonso (“Zeca Afonso, o que canta contra eles”), chegado inesperadamente, tinha-a ministrado de forma diferente; virara-lhe o conteúdo e até conseguira falar de Sartre – a ultrapassagem dos rígidos, manhosos e sonolentos conteúdos programáticos haveria de levá-lo, pouco depois, para a prisão política, sussurrada pelos mais politizados, com revolta e indignação, nos corredores, pátios e sanitários do Liceu de Setúbal. Em Filosofia, outros autores que tinham ajudado a entender os homens, a vida, os fenómenos e os objectos eram estudados a correr e, às vezes, nem isso. Sorte para alguns: duas professoras eram ousadas para a época, no que ensinavam e nos métodos utilizados, e uma delas até já tivera – comentava-se baixinho – um problema na cidade onde antes exercera por não ceder na avaliação, negativa e justa, que atribuíra ao filho “de um homem influente do regime” que queria que o filho passasse e, mantida a dignidade e a classificação pela correcta profissional, mexera os cordelinhos para tê-la longe. Uma vez, chegados para a primeira aula da manhã – cheios de sono os que não moravam em Setúbal e se levantavam às seis horas –, todos foram surpreendidos pela gritaria de um professor – o que apelidava, sempre que lhe apetecia, de “bestas” os rapazes que eram seus alunos e, se pudesse, complementava ainda a designação com uns toques no pescoço, chamados caldos – ao Reitor, homem de autoridade dada, para além do elevado cargo, pelos bons exemplos, práticas e civismo. Os discípulos admiravam a sua postura e bem entendiam ser um democrata que esperava por melhores tempos para se exprimir em Liberdade. Para os que o comboio transportava, divertidas viagens, sobretudo se as avarias das velhas locomotivas a vapor lhes proporcionavam paragens, longas, com direito a laranjas, saborosas, tiradas junto à ferrovia e uma cervejinha – ao arrepio da higiene mais elementar de hoje e coisa natural na época – passada de boca em boca que a higiene era então assim… E os atrasos nas chegadas, providenciais, livravam da atrapalhação de exercícios de avaliação oral, as chamadas, habitualmente aleatórias e que aterravam, logo pela manhã, os ensonados sem as lições na ponta da língua... As visitas de fim de curso (pagas, amiúde, com dificuldade) a Espanha mostravam aos jovens e aos mestres que os acompanhavam locais e monumentos: uns ensinavam História e outros engrandeciam a ditadura que manietava um povo irmão; revejo uma colega, corajosa, a escrever postais ilustrados, perante a estupefacção de todos e o sorriso nos olhos de alguns, enquanto o guia pronunciava um discurso de elogio a quem fizera mal a tantos cidadãos, num dos símbolos do franquismo. Na unidade hoteleira que albergava o grupo, ela referiria aos íntimos que fizera a homenagem, sentida e possível, a um tio-avô por afinidade que para lá fora e lutara em defesa da República, atraiçoada por uma guerra, horrível como todas. Souberam alguns, tempos depois, que esse parente, criativamente honrado e herói, fora transformado em personagem pelo génio de Ernest Hemingway, em obra inesquecível e ilustrativa de uma Espanha em profundo sofrimento, Por Quem os Sinos Dobram. Quando se deu o assassínio do Reverendo Martin Luther King, um texto acerca do ilustre estado-unidense não pôde passar na íntegra no jornal do Liceu. O artigo dizia que ele fora um pacifista e a qualificação era complicada: “Estão a ver o melindre da palavra com Portugal a defender-se de agressões em África?” Houve boicote à compra, uma espécie de pequeno escândalo. O Mundo, o mutável Mundo, elucidava na construção de consciências: os ecos do Maio de 68, da Primavera de Praga, do “Black Power” também educavam os que, ainda crianças, tinham chegado ao Liceu; eram pessoas quase adultas e sabiam o que havia a fazer para ajudar ao devir de Portugal. Diploma na mão, conhecimentos plurais a enriquecê-lo, saudades dos longos momentos de estudo e descoberta, das festas pindéricas, idênticas à que Milos Forman mostrou em O Baile dos Bombeiros, dos jogos à batalha naval, marotos, nas aulas menos interessantes, de alguns namoricos, das primeiras descobertas sexuais (os anticoncepcionais adquiridos, mais ou menos à socapa, num misto de desafio a preconceitos e alguma culpa inculcada pelos mesmos), as moças e os moços deixaram o estabelecimento de ensino onde, anos atrás, a maioria se tinha conhecido. Saudades do Liceu: dos colegas, do convívio, da abertura de horizontes culturais, dos professores que sabiam ser competentes e humanos: a formação que nos deram, com sabedoria e moderação, continua nos homens e mulheres maduros que os encontraram, há muito, junto às velhas carteiras das salas de aula. Dos que se viram, certamente obrigados, a ir com os discentes ao Governo Civil, guerra colonial iniciada, em defesa do “Ultramar Português”, a compreensão pela situação. Conduzidos por uma conterrânea, bastante nova e politizada, tão sóbria como na actualidade, os do Barreiro só viveram parte desse episódio: fugiram quase todos para a estação da CP de Setúbal, discretamente. Foi o momento da compreensão primeira de que não podiam pactuar com o que estava errado. Quanto aos mestres brutos e (em contextualização com as suas personalidades) defensores do indefensável, ventos, chuvas, marés, luas e sóis apagaram-lhes os nomes. As moças e os moços continuaram a caminhada, a morte de alguns condiscípulos a desgostá-los; entraram no mercado de trabalho ou prosseguiram estudos, acrescidos os sacrifícios para quem tinha ambas as actividades que naquele tempo não havia horários que permitissem a sua harmonização. Umas e outros avançaram, constituíram família e vieram bebés, alguns afilhados de antigos colegas que estreitaram mais os afectos com os progenitores. Sob outro ponto de vista, era grande a expectativa da chegada da Democracia que, pelo sacrifício de muitos, se avizinhava; a sua iminência já era abordada com mais à-vontade durante a governação da equipa do Professor Marcelo Caetano. E caiu o totalitarismo com a exemplar contenção dos militares do 25 de Abril, a euforia do povo na rua, a saída dos presos políticos das hediondas e humilhantes masmorras, as inesquecíveis vivências em comum, a descoberta, tantas vezes ocasional, dos pides, encontrados em becos, vielas, ruas, avenidas e bairros. Aterrados, os bandidos, não pelo mal que tinham causado a tantas pessoas mas por serem descobertos. Gozarão hoje, os miseráveis, de salários como aposentados da Função Pública. Éramos, nós, Portugueses, a rir, a cantar e a cimentar a Liberdade, de braço dado, povoado a povoado, aldeia a aldeia, vila a vila, cidade a cidade, sede partidária a sede partidária, local de trabalho a local de trabalho, escola a escola, palavra a palavra, poema a poema, pintura mural a pintura mural. Sonhámos com as mais díspares realizações, individuais e em conjunto. E, embora nem todas concretizadas, sabemos, três décadas e meia passadas, em cada dia, a diferença entre ditadura e Democracia, a que permitiu o nosso desenvolvimento e o dos povos de terras por onde, mal e bem, passámos. A memória e a recordação do Liceu de Setúbal quando os que lá entraram há quase cinquenta anos se revêem, com mais ou menos regularidade, agora que as aposentações chegam e as fotografias de filhos, netos, sobrinhos e afilhados são mostradas e transferidos para as gerações mais novas os desígnios não cumpridos. A propósito: refiram-me, por favor, um novo almoço para os do tempo em que as meninas entravam por uma porta e os rapazes por outra e a Serra Mãe (obrigada, Sebastião da Gama) começava a encantá-los, num amor que perdura. Manuela Fonseca * * Colunista do Jornal Rostos

06/04/12

Numa rua do Porto

Numa noite normal com o passado largado da memória, um homem reencontra, no lugar a que chama casa, lembranças de um tempo que viveu. Fragmentos de pura felicidade e instantes de sublime partilha, surgem como apontamentos de esperança de um presente que não voltará a ser o mesmo

Memoria recente e antiga: Uma Equipa de Futebol - 1969

Memoria recente e antiga: Uma Equipa de Futebol - 1969

06/03/12

A mulher artista na história da arte - BIBLIOGRAFIA


BIBLIOGRAFIA

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Vários, “História Universal” Instituto Gallach, Edições Oceano

Vários, “História Universal”, Editorial Salvat, 2005

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Vários, “Guia da História da Arte – Os artistas, as obras, os movimentos, do séc. XIV aos nossos dias” Edição de Sandro Sproccati (2000), Edições Presença, Lx. 2002

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Vários, “Histoire General de La Peinture”, Editions Rencontre, Lausanne, 1966

Lionello Venturi, “ História da Crítica de Arte” (1936), Edições 70, Lx. 1998

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Griselda Pollock “Vision and difference – Feminity, femenism and Histories of Art, Ed. Routlege, 1988

Ann Sutherland Harris, Linda Nochlin, “Femmes Peintres 1550-1950” Ed. Des Femmes

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José Ortega y Garsset, “ A desumanização da Arte e outros Ensaios de Estética”, Ed. Almedina, Coimbra, 2003

Omar Calabrese, “A Linguagem da Arte” (1985), Editorial Presença, Lx. 1986

Matilde Battistini, “Symboles et Allégories”, Ed. Hazan, Paris, 2004

Marcus Lodwick, “Guia do Apreciador da Pintura”, Editorial Estampa, Lisboa, 2003

Stephen Little, “…Ismos – Entender a Arte” (2004) Ed. Lisma, Seixal, 2007

Vários autores, “Verbo - Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura”, Editorial Verbo, Lx. 1994

Vários autores “Grande Dicionário Enciclopédico”, Edição Clube Internacional do Livro, Lx.

Vários autores “Nova Enciclopédia Larousse” Edição Selecções do Reader’s Digest

Vários Autores “ Encyclopedia Britannica Deluxe CD”, 2008

Unesco (enciclopédia), “L´Histoire de L´Humanité” Edition Robert Lafont, Vol. IV, Paris, 1991