Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Apontamentos pessoais também abertos a quem os quiser ver.

20/02/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 6- PÓS-IMPRESSIONISMO

São considerados pintores pós-impressionistas aqueles que, partindo do
Impressionismo, desenvolveram pesquisas pessoais centradas em aspectos mais específicos. Deste modo, o Pós-Impressionismo não é um movimento, nem sequer um grupo, mas o somatório dessas abordagens pessoais.
Os pós-impressionistas abrem as portas ao afastamento da Pintura em relação à realidade visível. Seurat e Signac seguem o caminho do Pontilhismo (Divisionismo ou Neo-impressionismo), reduzindo as pinceladas a pequenos pontos. As suas formas geometrizam-se e a sua pintura torna-se mais plana. Influenciam o Cubismo e o Expressionismo. Gauguin trabalha a cor de uma forma antinatural e simbólica, recorrendo com frequência à cor plana. Introduz a linha de contorno como elemento estruturante do quadro. Influencia o Simbolismo e o Expressionismo. Van Gogh utiliza cores intensas para transmitir emoções. A sua técnica de pinceladas largas e soltas vai influenciar sobretudo o Expressionismo. Toulouse-Lautrec tem uma forte formação de Desenho. Por vezes pinta como quem desenha, com pinceladas longas e certeiras. Vai influenciar o Expressionismo, mas também a Arte Nova, com os seus cartazes. Cézanne preocupa-se com a representação da profundidade através de jogos de cores. Simplifica e geometriza as formas. Aproxima-se do Abstracionismo e influencia decisivamente o Cubismo.

Pintores pós-impressionistas:
Georges Seurat
Paul Signac
Paul Gauguin
Vincent van Gogh
Henri de Toulouse-Lautrec
Paul Cézanne

Seurat - Banhistas em Asnieres (1884)

Signac - A sala de jantar (1866)
Van Gogh - Os comedores de batatas (1885)
Gaugin - Crianças bretãs dançando (1886)
Toulouse Lautrec - Dança no Moulin Rouge (1890)

Cézanne - As banhistas (1906)


19/02/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 5- IMPRESSIONISMO

O Impressionismo surge a público pela primeira vez em 1863, no Salão dos Recusados. A partir de 1914 está praticamente extinto. Alguns dos seus temas e ambientes apresentam influência da Escola de Barbizon e ainda alguma ligação ao Romantismo. No entanto, surge com novidades que vão ser decisivas para a História da Pintura. 
O Impressionismo sofre influência da Fotografia, explorando momentos passageiros, diferentes situações de luz, novos enquadramentos e perspectivas inusitadas. Mas vai explorar também aquilo que não estava ainda ao alcance desta: a Cor. A preferência pela pintura de ar livre deve-se ao facto de aí a luz e a cor serem mais intensas. Para a exploração da pintura de exterior, muito contribuiu o advento das tintas em bisnaga. Influenciados pela teoria da cor de Eugène Chevreul, os impressionistas fazem maior uso das cores primárias, por serem mais luminosas. Na representação de sombras não usam preto nem castanho mas outra cor, ou a mesma, mas num tom mais escuro. As pinceladas soltas e justapostas levam à mistura óptica das cores, tornando mais intensa a luz do quadro. Na pintura impressionista típica não se definem contornos, não se utilizam linhas e desprezam-se pormenores. Formas e objectos não são representados de forma fiel, mas sugeridos. Parte da pintura impressionista surge ligada ao lazer e ao dia-a-dia da classe média de Paris, com registo de cenas de ócio, convívio, divertimento e vida boémia.

Pintores impressionistas:
Édouard Manet
Claude Monet
Auguste Renoir
Camille Pissarro
Alfred Sisley
Edgar Degas
Armand Guillaumin
Gustave Caillebotte
Berthe Morisot
Mary Cassat
Marie Bracquemond
Eva Gonzales

MANET 1862 - Musica em Tuileries
MONET 1873 - O almoço
RENOIR 1869 - La Grenouillere
PISSARRO 1889 - Respigadores
SISLEY 1874 - A lição
DEGAS 1873 - Antes da corrida
GUILLAUMIN 1907 - Trayas
CAILLEBOTTE 1877 - Senhora Boissiere
BERTHE MORISOT 1886 - Rapariga com avental vermelho
MARY CASSAT 1894 - A lição de banjo
MARIE BRACQUEMOND 1880 - No terraço em Sèvres
EVA GONZALES 1880 - Passeio de burro

18/02/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 4- SIMBOLISMO

O Simbolismo perdura entre 1860 e 1914, sendo mais significativo em França. A mitologia, a religião, o misticismo, as alegorias e a sensualidade são aspectos frequentes na pintura. Alguns pintores têm formação clássica, outros não; Alguns organizam-se em grupos, outros são independentes. A partir de 1886, forma-se a escola de Pont-Aven, na Bretanha, sob a liderança de Gauguin. A região rural e "atrasada" atraiu os pintores devido a uma certa pureza de vida, algo primitiva. Utiliza com frequência cores fortes e antinaturais e linhas de contorno, talvez por influência da técnica do vitral.
O grupo os Nabis ("profetas", em hebraico) é especialmente activo na década de 90. Revela influências dos pós-impressionistas e da pintura japonesa. Simplificam as formas, fazem uso de cores planas e da linha como elemento de contorno. A literatura religiosa e fantástica serviu-lhes de referência.

Pintores simbolistas:
Arnold Böcklin
Pierre Puvis de Chavannes
Gustave Moreau
Odilon Redon
Ferdinand Hodler
Giovanni Segantini
Paul Sérusier
Émile Bernard
Edouard Vuillard
Maurice Denis
Emile Bernard - Madalena no bosque do amor (1888)
Edouard Vuillard - Pequeno almoço



















Maurice Denis - As musas (1893)
Segantini - Ave Maria (1886)

Gustave Moreau - Orfeu  (1865)
Bocklin - Odysseus and Kalypso (1883)
Puvis de Chavanner - Decapitação de S. João Baptista

Odilon Redan - Buda (1904)
Hodler - Os cansados da vida (1892)







17/02/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX : 3- REALISMO

1  O Realismo surge em 1848, em França, no início de uma crise política, económica e social, marcada por revoltas operárias e pela ascensão das ideologias de esquerda. Tem expressão sobretudo na Pintura e na Literatura, surgindo também na Ilustração e pontualmente na Escultura. O Realismo aponta injustiças e situações de exploração. Pretende uma “arte útil”, que registe a realidade social e política da época, e que contribua para mudar a
Sociedade.Deste modo, os artistas acabam por se envolver ideologicamente com a política. Em Pintura, o Realismo é um movimento eminentemente francês, contudo, também colheu adeptos noutros países, em especial em Inglaterra e nos Estados Unidos.

Pintores do realismo:
François Millet
Gustave Courbet
Honoré Daumier
Ford Madox Brown
George Caleb Bingham

Millet - Caçando pássaros à noite

Courbet - Operários partindo pedra

Daumier - A insurreição

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX : 2- NATURALISMO

O Naturalismo surgiu por volta de 1830 em Barbizon, aldeia rural na floresta de Fontainebleau, situada 50 km a sul de Paris. Para lá se deslocou um grupo de pintores que decidiu sair da cidade e trocar a pintura clássica de estúdio pela de ar livre, em contacto directo com a Natureza e com a vida rural. Os pintores naturalistas rejeitavam a ideia de que só um "tema nobre" (histórico, mitológico, religioso ou retrato) poderia fazer um grande quadro. Por isso, preferiram a pintura de paisagens e de cenas do quotidiano rural. Por volta de 1870 a escola extinguir-se-ia, mas não o movimento que nela surgiu, que depressa conheceu uma grande expansão fora de França, perdurando até aos dias de hoje.
O Naturalismo influenciaria decisivamente o Realismo e o Impressionismo.

Pintores naturalistas:
Théodore Rousseau
Narcisse Diaz de la Peña
Constant Troyon
Jules Dupré
Charles Daubigny
Henri Harpignies
Jules Veyrassat
Camille Corot

Rousseau - Floresta de Fontainebleau

Troyon - Vacas no prado

Dupré - Planície

 Daubigny - Nas margens do rio LÓise

Harpignies - Uma grande árvore

Corot - Pôr-do-sol




HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX : 1- Introdução geral


O que tem de especial a pintura do séc. XX?
Oficialmente, a partir de 1905 dá-se uma importante mudança, no seguimento de algo já anunciado nas duas décadas anteriores, e que se tornará na sua característica mais relevante: - A pintura afasta-se da realidade visível e procura outros caminhos.
A Pintura Moderna é o mais recente capítulo da História da Pintura Ocidental, que se inicia no final da Idade Média, quando se dá um afastamento da pintura bizantina, que obedecia a conceitos simbólicos e estéticos muito estanques. Esse afastamento inicia-se por volta do ano 1300, tendo dado lugar aos seguintes períodos artísticos, que antecederam o Modernismo:
- Gótico
- Renascimento
- Maneirismo
- Barroco
- Rococó
- Neoclassicismo
- Romantismo
Para se entender a pintura do séc. XX há que recuar até à quarta década do séc. XIX, em França, onde se encontram as raízes mais profundas da pintura moderna. Utilizando uma árvore como metáfora para a Pintura Moderna:
- As raízes situam-se em meados do séc. XIX;
- O tronco em finais do mesmo século;
- Os primeiros ramos nas primeiras décadas do séc. XX;
- Novos ramos, folhas, flores e frutos nas décadas seguintes.
No séc. XXI a árvore continua a crescer, dando novas flores e novos frutos.
Entretanto, ao lado, surgiram outras árvores, só possíveis por estarem à sombra desta. Mas ninguém sabe quando surgirá uma nova e grande árvore que a substitua.
Mas o estudo dos diversos movimentos que compõem a Pintura Moderna não será possível de uma forma cabal sem que se refiram influências de diversa ordem:
- Científica, social, política;
- Fotografia, cinema e televisão;
- Outras culturas;
- Guerras mundiais;
- Arte conceptual;
- etc.

Como principais correntes precursoras da pintura moderna, temos:
- Naturalismo
- Realismo
- Simbolismo
- Impressionismo
- Pós-impressionismo
- Arte Nova.

14/02/14

Pintura de Matthias Grünewald (1470-1528)

Matthias Grünewald, foi um pintor alemão, precursor do expressionismo e um dos maiores pintores germânicos do gótico tardio.

08/02/14

História de Roma -12

AS GUERRAS SAMNITAS
Os Samnitas eram pastores belicosos que habitavam povoações dispersas pelos Apeninos. O povo Samnita ocupava todo o centro da Itália, divididos em quatro grandes tribos ligadas por acordos que, por vezes, lhes conferiram uma terrível eficácia militar. Em meados do séc. IV a.C., os Samnitas constituíam a primeira potência política da Itália: o seu território e população eram duas vezes maiores que os dos Romanos.
A Primeira Guerra Samnita (343-338 a.C.)
A sobrepopulação levou os Samnitas a estabelecerem-se na Campânia, mas a confederação independente que aí formaram foi conquistada por Roma, sendo os Campanienses cuja cavalaria, medíocre no combate, foi esmagada em Trifanum, em 343 a.C.. Os Campinenses assinaram uma paz separada com Roma, facto que os Samnitas do Centro de Itália, consideraram intolerável.
A Segunda Guerra Samnita (327-304 a.C.)
Em 327 a.C. os Samnitas ocuparam a antiga feitoria grega de Neapolis, que marcava a fronteira com o território romano, onde instalaram uma guarnição militar, que os Romanos se apressaram a expulsar, dando origem à segunda guerra Samnita, longa e fértil em episódios. Na sua primeira campanha, os Romanos sofreram a pior derrota em sessenta anos. Todo o seu exército foi alvo de uma emboscada perto de Cápua. Na sequência deste desastre os Romanos evacuaram Cales e Fregellae e renunciaram às hostilidades durante cinco anos. Quando os combates recomeçaram, os Samnitas obtiveram novas vitórias que lhes permitiram perigosas incursões no próprio território do Lácio.
Mas Roma escolheu este momento para se dotar dum instrumento estratégico fundamental – a Via Ápia, com uma extensão de 212 quilómetros, de traçado rectilíneo, com pontes e viadutos; esta estrada ligava Roma a Cápua atravessando toda a planície costeira (esta foi a primeira estrada verdadeiramente romana e serviu de modelo a milhares de quilómetros de estrada que se estenderam no futuro sobre três continentes). Desta forma os Romanos acabaram por vencer  a Segunda Guerra Samnita e com esta vitória interditou aos seus inimigos o acesso  todo o Sul de Itália.
A Terceira Guerra Samnita (298-290 a.C.)
Os Samnitas enfrentaram Roma de novo. O seu chefe supremo formou, no Norte, uma temível coligação anti-romana composta por gauleses, etruscos e úmbrios. Após derrotas de ambos os lados, as forças romanas alcançaram a vitória definitiva ao entrarem e saquearem o território samnita de uma ponta à outra. A luta foi tão feroz como paciente; os Romanos aprenderam a desmantelar o inimigo, isolando-o em blocos.

Durante este conflito o exército Romano reforçou-se consideravelmente: foi dividido em duas legiões, cada uma com 30 manípulos e cada manípulo era capaz de manobrar e combater quer em fileiras serradas, quer de forma dispersa, tendo assim a faculdade de se mostrar, segundo as necessidades, flexível ou impenetrável. Cada manípulo era composto por três linhas, permitindo que cada uma se recompusesse e se reconstituísse. O Estado Romano começou a fornecer ao exército armamento e equipamento normalizado, passo importante na institucionalização de um exército profissional. Cada legionário usava um capacete, uma couraça, joelheiras e gládio; a lança antigamente usada, foi substituída por outra, com mais de 1,80 metros, metade de madeira e metade de ferro. 

30/01/14

História de Roma -11

ROMA NOS PRIMÓRDIOS DA REPÙBLIA

Após a queda dos Tarquínios, a ameaça etrusca esfumou-se mas a cidade continuou a ser alvo do ataque de outros inimigos. Durante dois séculos Roma envolveu-se em confrontos com cidades mais fortes e por várias ocasiões a sua existência esteve em perigo. 
Vizinhos Hostis
Inicialmente foram os vizinhos mais próximos, os Latinos. Em 496 a.C. os romanos venceram uma batalha decisiva junto ao lago Regilo. A batalha do lago Regilo traduziu-se na incorporação no panteão romano dos deuses gémeos, Castor e Pólux, cujo atributo é o cavalo, que se tornaram protectores dos cavaleiros romanos (a prática de integrar entre as suas divindades as divindades dos vencidos era comum na época e assentava na crença de que assim se incorporava o poder das divindades dos Estados vencidos), e na assinatura dum tratado com as cidades latinas, unindo forças contra os Volscos, os Équos e os Sabinos, povos que os atacavam há mais de um século. A sorte e a habilidade diplomática fez com que Roma e o Lácio sobrevivessem a estes inimigos. Para suster os primeiros criaram-se as primeiras colónias, povoações fundadas por soldados-colonos aos quais eram cedidas as terras recém-conquistadas. Aos Sabinos, Roma infligiu, em 449 a.C. uma pesada derrota e no fim deu-se a fusão progressiva dos dois povos devido à transumância de carneiros entre as pastagens de Verão (em território Sabino) e as pastagens de Inverno (em território latino). Antes, alguns anos após o advento da república Romana, um dos chefes dos Sabinos, Ápio Cláudio, desejoso de usufruir das vantagens de Roma, emigrou e estabeleceu-se em território romano com todo o seu clã que contava cerca de 4000 famíliares e apoiantes; foi assim fundada a gens Cláudia, cerca de 505 a.C.
Vitória sobre Veios
Dominados Volscos, Équos e Sabinos, Roma voltou a estar ameaçada, desta vez pelos Etruscos. Veios era uma poderosa cidade-Estado etrusca perigosamente próxima de Roma, da qual distava apenas 20 Km. Como Roma, Veios fora outrora um conjunto de povoações de cabanas que, na Idade do Ferro, se haviam reunido num único aglomerado. Veios, ao contrário de Roma, não era uma cidade onde viviam, lado a lado, Etruscos e Latinos, mas uma cidade puramente etrusca, de grande riqueza e cultura. A proximidade entre Roma e Veios era de tal ordem que as duas cidades estavam em concorrência permanente. O confronto era inevitável. Em 476 a.C. travou-se uma batalha em Cremera entre o exército da gens Fábia, que dominava a jovem República Romana, e as forças de Veios. A batalha foi desastrosa para os Fabianos. Toda a margem direita do Tibre ficou nas mãos de Veios. Porém, em 474 a.C., os Etruscos sofreram uma pesada derrota com os gregos e Veios assinou, então, uma trégua com os seus vizinhos Romanos que ocupavam a outra margem do rio, o que permitiu a estes prepararem-se para a prova de fogo decisiva, que aconteceu meio século depois. Em 425 a.C. os Romanos ocuparam a cidade de Fidénes, na margem esquerda do Tibre, ponto estratégico na Via Salaria (caminho do sal). Tal equivaleu a uma declaração de guerra a Veios. Esta era a guerra mais importante de todas as que Roma já travara, pois a sua própria existência estava em causa. Os combates sucederam-se durante seis ou sete anos e o equilíbrio de forças inclinou-se em favor de Roma. Por fim os Romanos chegaram junto da muralha , do lado Norte, onde terminava um dos túneis de drenagem que irrigavam toda a região; abriram a entrada do túnel e conseguiram, desta forma, infiltrar um pequeno destacamento militar que passou sob as muralhas e penetrou na cidade: foi assim que Veios caiu nas mãos de Roma. O herói desta vitória foi Camilo que, não obstante a origem lendária dos seus feitos militares, não desmerece ser considerada a primeira figura histórica da República Romana. Os Romanos desmantelaram a praça-forte, arrasaram as suas defesas e expulsaram a maior parte da população. A eliminação do mapa, duma cidade-Estado constitui uma novidade sinistra na história militar de Roma. Como noutras ocasiões, os Romanos adoptaram a deusa protectora dos vencidos e estabeleceram-lhe culto. Tratava-se de Juno que, em Veios, era alvo de um culto particular pleno de magnificência. A partir daí, Juno tornou-se uma deusa protectora de Roma. A queda da primeira grande cidade-Estado etrusca nas mãos dos Romanos marca uma viragem na História. Roma tinha-se desembaraçado de um enorme obstáculo à sua expansão e duplicou a sua superfície territorial.
A invasão gaulesa
Ao mesmo tempo um importante revés estava em preparação. Populações celtas, vindas da Europa Central, atravessaram progressivamente os Alpes e expulsaram os colonizadores Etruscos do Norte da Itália, a Gália Cisalpina e espalharam-se pelo Vale do Pó e em 387 a.C. 30.000 guerreiros, comandados pelo chefe Brennus, avançaram em direcção a Roma. Estes gauleses eram excelentes guerreiros, montavam cavalos ferrados (é a primeira vez de que há conhecimento do emprego de ferraduras nos cavalos) e os seus homens de infantaria usavam gládios fabricados em bom metal temperado. A 17 quilómetros da cidade, em Allia, um exército de 10 a 15.000 romanos fortemente armada, esperava-os. Os Romanos foram desbaratados. Brennus e os seus homens entraram em Roma e incendiaram-na. (Nos oito séculos seguintes não mais Roma voltaria a cair nas mãos dos bárbaros). Os Gauleses retiraram-se, pouco depois, contra o pagamento de um pesado resgate e porque as suas terras, no Norte, estavam a ser ameaçadas por inimigos externos.
Neste mau momento Roma beneficiou do apoio da cidade-estado de Ceare, situada a 32 quilómetros, junto ao mar, que, por seu lado, necessitava do apoio de Roma para fazer face aos ataques dos Gregos ao longo da sua costa. Para recompensar Caere, Roma concedeu-lhe um estatuto novo e privilegiado: o "hospicium publicum", que permitia aos seus cidadãos terem o privilégio de serem tratados da mesma maneira que os cidadãos romanos em todos os assuntos do domínio privado. Este privilégio foi posteriormente alargado por Roma a muitas outras cidades.
Os Romanos no Lácio e na Campânia
Em seguida Roma estendeu a sua influência ao Lácio. Inicialmente Roma tinha constituído uma parceria com várias cidades latinas, a Liga Latina. As maiores dessas cidades, desconfortáveis com o poderio crescente de Roma, decidiram afastar-se. Os cidadãos de Túsculo resolveram mesmo passar ao ataque. Em 381 a.C. Roma pacificou-os oferecendo-lhes a incorporação no próprio Estado Romano, com todos os privilégios da cidadania romana. A nobreza local aderiu de tal maneira que a maior parte dos cônsules romanos irão, mais tarde, ser originários de Túsculo. Esta prática inovadora teve um futuro promissor transformando cidades latinas em cidades romanas.
Os Romanos decidiram ainda estender a sua influência à Campânia, quando cerca de 343 a.C., a confederação das cidades campanienses, ameaçadas pela invasão dos Samnitas, tomou a difícil decisão de pedir auxílio aos Romanos. Roma respondeu ao apelo e fez a sua entrada nesta vasta e rica região. Esta foi a Primeira Guerra Samnita.
Inicialmente os Romanos confrontaram-se com grandes dificuldades: o exército amotinou-se pois nunca tinha combatido tão longe; por outro lado, os Latinos viram na intervenção Romana na Campânia uma tentativa de os cercar e exigiram ao governo Romano a restituição do seu antigo estatuto de igualdade, que obteve uma recusa categórica, eclodindo a guerra entre Roma e os Latinos. O conflito foi terrível mas Roma, recorrendo a uma estratégia planificada a longo prazo venceu, terminando de forma catastrófica para os Latinos e os seus aliados Campanienses cuja cavalaria, medíocre no combate, foi esmagada em Trifanum. Os Campinenses assinaram uma paz separada com Roma e as cidades latinas foram obrigadas à submissão, mas os Romanos adoptaram com estes uma atitude conciliatória, não se comportando de forma severa mas assinando com cada cidade um acordo específico tendo em conta cada caso particular. Isto era de um requinte político admirável e nunca visto, nem aos Gregos e permitiu, num equilíbrio difícil, assegurar o domínio sobre estas populações sem ferir o nacionalismo local.
A invenção das colónias
Outro instrumento do poder inventado pelos Romanos foi a colónia. Eram fundadas em locais estratégicos, servindo primeiro como estâncias guarda-costas. As primeiras criaram-se junto ao litoral, como Óstia, na foz do Tibre, que defendia Roma dos piratas e outros inimigos vindos do mar. Em 218 a.C. fundaram-se 12 colónias romanas no litoral. Também se fundaram colónias , nas encruzilhadas dos rios, nos acessos aos desfiladeiros dos Apeninos e em cruzamento terrestres. De 343 a.C. a 264 a.C. Roma colonizou 130.000 quilómetros quadrados repartidos em 60.000 lotes fundiários.


19/01/14

História de Roma -10

ORGANIZAÇÃO DO ESTADO ROMANO NOS PRIMÓRDIOS DA REPÚBLICA
Por volta do ano 500 a.C., com a queda da dinastia dos Tarquínios, a autoridade suprema do Estado passou das mãos de um monarca vitalício, para as mãos de dois cônsules, eleitos por um ano, e submetidos um ao veto do outro.
Os cônsules eram eleitos, por proposta do Senado e entre os senadores, pela assembleia dos cidadãos – o comício das centúrias. 
O Senado que, desde há mais de 500 anos era constituído por 300 membros das melhores famílias, teve então a sua influência aumentada, apesar de não ter poder executivo.
O Senado, órgão consultivo, aconselhava os magistrados eleitos em matéria de política, finanças e religião. Os senadores gozavam de um prestígio enorme.
A autoridade dos cônsules era suprema mas limitada. Tinham o poder do comando do exército e o poder da interpretação e execução das leis.
O poder executivo tinha total preponderância sobre todos os outros. Os cônsules tinham total liberdade de acção, mas os cônsules não hesitavam em solicitar o conselho do Senado, pois a curta duração do seu mandato deixava-os muito veneráveis no fim do mesmo.
História Social dos primórdios da República Romana
A sociedade romana dividia-se, no início da república, em patrícios (originários dos patre-familia) e plebeus. Os escravos não contavam.
Os patrícios eram cerca de 10% dos cidadãos e exerciam o poder civil e religioso.
No século V a.C., existiam 53 gens patrícias. Estes clãs constituíam um grupo fechado que não compreendia mais que um milhar de famílias.
Os outros 90%, os plebeus, estavam separados dos patrícios por uma distinção radical nos planos político e social mas viviam felizes por beneficiarem da clientela.
O cliente era um homem livre que se submetia à protecção de um patrono com o acordo deste último.
O cliente ajudava o patrono a triunfar na vida pública e favorecia os seus interesses por todos os meios ao seu alcance; em contrapartida, o patrono defendia o cliente nos seus assuntos privados e dava-lhe apoio jurídico e financeiro.
A clientela era hereditária e estava imbuída de uma forte carga afectiva e sentimental; para um patrono, os clientes eram mais importantes que a sua família por afinidade e.os laços criados tinham um carácter sagrado, sendo o elemento dominante na relação a fides, a confiança recíproca; nenhum patrono se podia subtrair ás obrigações que o ligavam aos clientes e estes ganhavam uma segurança e certeza na vida que noutras civilizações os desfavorecidos nunca experimentaram; em compensação a clientela constituía um travão poderoso ao desenvolvimento da democracia.
Mas se todos os clientes eram plebeus, nem todos os plebeus eram clientes. Por outro lado, o patrono, por mais que fizesse, nunca conseguia agradar a todos os clientes por igual. Houve movimentos de contestação da plebe e conflitos internos.
O século V a.C. foi para Roma, no plano económico, um mau período, marcado por miséria, fome e epidemias. Devido às guerras constantes as propriedades agrárias ficavam improdutivas. A penúria levou ao endividamento de um grande número de plebeus, com empréstimos e juros extremamente altos e quando um homem esgotava todos os seus recursos sem que conseguisse saldar as suas dívidas, não lhes restava outra alternativa senão reembolsar o credor com a sua própria pessoa, tornando-se, assim, se não um escravo, pelo menos um nexus (homem cativo), o que na prática era quase a mesma coisa.
Com receio de ver desintegrar-se o exército e a nação, os patrícios acederam à principal reivindicação dos plebeus, a criação dos tribunos da plebe, funcionários que tinham o dever de interceder em favor do povo em todos os actos oficiais realizados por sua causa (condenações, prisão, maus tratos, incluindo dívidas abusivas).
A contestação dos plebeus tornou-se tão violenta e forte que, em 451 a.C., o governo normal dos cônsules foi provisoriamente suspenso  e uma comissão de dez patrícios (o decemviri) ficou encarregue de redigir um corpo de leis. O resultado do seu trabalho foi oficialmente promulgado nos comícios e gravado em doze tábuas que passaram a estar expostas no Fórum - a Lei das Doze Tábuas.
O impacto da Lei das Doze Tábuas nas gerações futuras foi considerável.
Ao exigirem esta medida, os plebeus inspiraram-se nas ideias gregas, que circulavam à volta do Aventino, (onde se localizava o fórum onde os Gregos vinham comerciar). A redacção de um código civil era-lhes, efectivamente, familiar.

02/01/14

História de Roma -9

ORGANIZAÇÃO DO ESTADO ROMANO – OS REIS
Os historiadores são unânimes: no início, Roma foi governada por reis.
A tradição afirma que, antes dos reis etruscos, Roma foi governada por quatro monarcas não etruscos (Rómulo, Numa Pompílio, Tulo Hostílio e Anco Márcio). Estes reis eram personagens lendárias. É provável que a maioria, senão todos, nunca tenham existido. Segundo a lenda, Rómulo foi o fundador de Roma em 753 a.C., Numa Pompílio deu aos Romanos os fundamentos da sua religião, instituiu os colégios de sacerdotes, fixou as festas e o calendário e construiu templos e fez do seu povo um modelo de virtudes em relação aos deuses. No reinado de Tulo Hostílio teve lugar o famoso combate dos Horácios e dos Curiácios.
Segundo a tradição, o quinto rei de Roma, Tarquínio, o Velho, era etrusco e proporcionou um grande desenvolvimento urbanístico à cidade. Antes do governo do outro Tarquínio, o Soberbo, terá reinado o misterioso Sérvio Túlio, um conquistador, latino para uns, etrusco para outros, que continuou o desenvolvimento e expansão de Roma segundo o modelo do seu predecessor, rodeou com uma muralha – a muralha sérvia – uma parte da cidade e também lhe é atribuída uma reforma profunda das instituições do Estado e todo o aparelho militar foi reorganizado (os efectivos militares duplicaram, atingindo os 6000 homens repartidos em 60 centúrias. Este novo exército sobre o qual foi estabelecida a Assembleia das Centúrias, que tinha uma palavra a dizer nos assuntos do Estado, era composto por proprietários fundiários.Roma assistiu depois à queda dos seus governantes etruscos quando algumas das cidades-estado etruscas se lançaram em conquistas para norte, para a Gália Cisalpina.

17/12/13

GNOSIS DIGESTUS: História de Roma -8


A RELIGIÃO NA CIVILIZAÇÃO ROMANA
Os Romanos viviam rodeados de deuses. Cada uma das suas acções, cada momento da sua vida, estavam ligados a uma divindade.
A religião romana, politeísta, não se fechou. Pelo contrário, foi recebendo as divindades dos outros povos.
O elemento central do culto público era o sacrifício. Celebrado frente ao templo, próximo do altar, o sacrifício era oferecido pelos magistrados, os sacerdotes, ou o imperador, coadjuvados pelos escravos. Após a procissão, a oferta de incenso e vinho e a invocação da divindade honrada, a vítima, (uma ave, um bovino ou um porco) era imolada e, depois, dividida entre os deuses e os homens, que consumiam a carne durante o banquete sacrificial.
Na adivinhação, os vaticínios não visavam predizer o futuro mas interpretar os sinais enviados pelos deuses. O áugure adivinhava os auspícios observando o comportamento das aves. Com um bastão curvo traçava no céu um espaço sagrado e, se as aves penetrassem nesse espaço pela direita, o presságio era favorável, um voo vindo da esquerda manifestava o desacordo divino. O arúspice examinava as entranhas das vítimas sacrificiais e, se não estivessem bem, era necessário repetir o sacrifício. Durante as deslocações do exército observava-se o apetite das aves sagradas. Durante algum tempo o pullarius não alimentava o galinheiro, depois abria a gaiola e dava milho aos animais. Se as galinhas comessem, os deuses estavam satisfeitos. Para casos graves (catástrofes naturais, epidemias, derrota militar), um colégio de quinze homens consultava os livros sibilinos, escritos em grego e em versos obscuros, a fim de aí encontrar a forma de apaziguar os deuses.
A par do culto público, existia em Roma uma religião privada, dependente em cada gens (família) do chefe de família. O culto doméstico tinha um papel importante na vida quotidiana. Cada família prestava diariamente culto aos deuses do lar, sob a direcção do pater família. Qualquer acontecimento familiar (nascimento, casamento, aniversário) era acompanhado de orações e de um sacrifício às divindades protectoras do lar: os lares, os penates e o espírito do senhor da casa. O pater famílias (chefe de família) podia ser qualquer cidadão do sexo masculino, com a condição, única, de não ter ascendente masculino em linha recta, o pater famílias gozava de poder absoluto, sem equivalentes noutras civilizações. Literalmente, ele fazia a lei na sua casa.
O primeiro rei etrusco que governou Roma, encontrou em Roma acima de tudo uma comunidade religiosa. Desde cedo os Romanos mostraram-se apegados à sua religião, poderosa e omnipresente. Ela tinha o seu fundamento na fides (confiança mútua) entre os deuses e os homens. A confiança na benevolência divina, ou pax deorum (paz dos deuses), garantia um equilíbrio natural no seio do qual as forças divinas e os seres humanos colaboravam de modo harmonioso. O favor dos deuses era determinado sobretudo pelo cumprimento de um ritual minucioso e não por um comportamento moral. Não obstante, o conceito de paz divina exercia uma influência moral indirecta, uma vez que o respeito pelo cumprimento das promessas feitas aos deuses se estendia ao aos juramentos feitos aos homens. Na religião romana o indivíduo tinha pouca importância, a religião era um assunto colectivo e não individual. Este aspecto manifestava-se em toda a vida romana: a individualidade dissolvia-se na família, no clã, no Estado.
A deusa Vesta, venerada pelas suas sacerdotizas, as vestais, ao lado do Fórum, numa cabana redonda mais tarde transformada em templo, era a deusa do lar no Estado Romano. Mas estava igualmente presente nos cultos familiares, representando tanto a solidariedade familiar como a solidariedade nacional.
Nos templos antigos, os Romanos, ao contrário dos Gregos, não representavam as suas divindades sob a forma humana: o templo de Vesta, por exemplo, não tinha qualquer imagem. No entanto Vesta foi identificada com a deusa grega Hestia. Marte, primeiro deus reconhecido pelos Romanos (e por outros povos latinos) como chefe de todas as divindades, foi identificado com o deus grego Ares.    
A civilização etrusca influenciou muito a cultura romana no domínio religioso. Os Etruscos dotaram a cidade dos primeiros templos de pedra, de planta quadrada (entre os quais, o templo de Júpiter, no Capitólio) e ornados com motivos de terracota e legaram também as suas representações divinas. Roma beneficiou também das trocas culturais entre os Etruscos e as cidades gregas do Sul de Itália, que introduziu deuses gregos, como Apolo, em Roma.
A prática da observação das entranhas de um animal, vítima sacrificial, pelo arúspice, é uma das mais comuns da religião romana. Esta técnica de adivinhação, que visava confirmar o assentimento dos deuses, foi herdada dos Etruscos e mais tarde, durante a República, continuou confiada a sacerdotes de origem etrusca.
Acompanhando as conquistas, o panteão romano não cessou de ser enriquecido com novas divindades. As divindades gregas e orientais (Dionísio, deus grego do vinho; Cibele, divindade da Anatólia, símbolo da fecundidade; Ísis, deusa-mãe egípcia; Mitra, deusa solar persa), gozavam de grande popularidade.
No topo da hierarquia reinava um grupo de três deuses instalados sobre o Capitólio: Júpiter, deus soberano, Minerva, deusa associada à guerra e Juno, protectora das mulheres e garante da prosperidade.
No fim do império, novas aspirações religiosas voltadas para a salvação pessoal favoreceram o desenvolvimento do cristianismo e de movimentos filosóficos.

Os sacerdotes de Roma não formavam uma casta. Eram cidadãos eleitos pelos seus pares, ou pelo povo, agrupados em colégios ou confrarias. No topo da hierarquia, os pontífices (nove em 300 a.C., dezasseis a partir de César) aconselhavam os magistrados ou o Senado sobre as tradições culturais e o direito sagrado, estabeleciam o calendário, tutelavam os lugares sagrados e as necrópoles. O rex sacrorum celebrava os ritos que remontavam à monarquia.  Os quinze flâmines (dos quais faziam parte os três flâmines maiores: os de Júpiter, Marte e Quirino) celebravam o culto da divindade do seu nome. Já sob o império, o imperador fez-se nomear grande pontífice e controlava todos os assuntos religiosos. 

07/12/13

GNOSIS DIGESTUS: História de Roma -7

ORIGEM DE ROMA
O local onde nasceu Roma possuía abundantes recursos de água e encontrava-se próximo de terrenos férteis e fáceis de cultivar.
Os vestígios de fixação humana, pelo menos esporádica, remonta a 1600 a.C. Surgiram em Itália pastores semi-nómadas, que enterravam os seus mortos e trabalhavam o bronze e o ferro. No início do último milénio, novos imigrantes começaram também a instalar-se; descendiam de grupos que ocupavam a Lácio, falavam um dialecto primitivo aparentado com o latim, gravavam o bronze e sabiam trabalhar o ferro, lavravam a terra com charruas simples, incineravam os seus mortos, construíram as suas cabanas sobre as colinas romanas. Os novos grupos e as populações disseminadas por estas colinas misturaram-se progressivamente.
A data 753 a.C., que a tradição popular faz remontar à fundação de Roma é uma data mítica. Ela é simultaneamente demasiado tardia para os primeiros estabelecimentos humanos e demasiado precoce para o início de uma verdadeira urbanização. (Os inumeráveis mitos e lendas dizem-nos como é que as gerações romanas posteriores viram a origem da sua pátria. Todavia, para saber com exactidão o que se passou temos de recorrer à arqueologia e aquilo que as escavações nos dizem está, por vezes, em contradição com a lenda).
De 700 a 675 a.C., a Ásia Menor e as regiões vizinhas atravessam profundos conflitos políticos e populações originárias do Levante desembarcaram em pequenos grupos nas costas da Etrúria. Estas populações fundearam os seus navios nessas praias cinzentas, apropriaram-se das elevações vizinhas, fortificaram-nas com paliçadas de madeira e desenvolveram, com o correr do tempo, poderosas cidades-estado etruscas. Os Etruscos possuíam um talento indiscutível para o urbanismo, herança dos seus antepassados orientais. Tradicionalmente a Etrúria era constituída por doze cidades-estado confederadas e independentes, com traços políticos, sociais culturais específicos. Roma beneficiou das influências das cidades confederadas mais meridionais, próximas do Tibre. É graças ao seu impulso que Roma – no início um simples conjunto de cabanas – se torna uma verdadeira cidade.
Acima de tudo, o que interessou os Etruscos por Roma não foi a cidade em si mesma, mas o acesso que ela oferecia a sul e na planície da Campânia excepcionalmente dotada pela natureza com terrenos agrícolas muito ricos.
Os gregos já tinham desembarcado na Campânia antes dos Etruscos. Desde o século VIII a.C. que tinham escolhido Cumas, situada na costa, a noroeste do golfo mais tarde rebaptizado baía de Nápoles, como capital dos seus estabelecimentos na Itália. Cumas tornou-se a plataforma giratória do comércio de cereais e assegurava a difusão da influência grega em toda a zona meridional da Itália e da Secília. Mas ainda antes do ano 600 a.C., viajantes ou exércitos de algumas cidades-estado etruscas abriram caminho até à Campânia, onde fundaram a principal cidade destas terras baixas e férteis: Cápua. A partir dessa cidade os Etruscos iniciaram o seu domínio sobre a maior parte da Campânia.
Estas foram as razões que levaram os Etruscos a ocupar Roma no século VII a.C. A influência transformou-se rapidamente em domínio político oficial e Roma acabou por ser governada por um rei etrusco.

A FUNDAÇÃO LENDÁRIA DE ROMA
 Segundo Tito Lívio, um golpe de estado pôs fim ao reinado dos descendentes de Eneias. Amulius derrubou o seu irmão Numitor, matou os filhos deste e obrigou a filha, Reia Sílvia, ao celibato. Ao fazer dela vestal. Seduzida por Marte, deu à luz gémeos, foi condenada à morte e Rómulo e Remo deitados ao Tibre num cesto. Deu-se então um milagre: a corrente do rio depositou-os numa margem e eles salvaram-se. Inicialmente foram amamentados por uma loba e, depois, um pastor recolheu-os. Quando descobriram a sua origem, os gémeos decidiram expulsar o usurpador e fundar uma cidade. A observação das aves designou Rómulo para rei. Remo desafiou o irmão e passou a linha de muralhas da cidade. Furioso, Rómulo matou-o e tornou-se rei de Roma. A cidade cresceu mas faltavam mulheres. Então Rómulo convidou os Sabinos para os jogos e os Romanos raptaram-lhes as mulheres e as filhas. Houve guerra, mas as Sabinas intercederam e a paz foi restabelecida: os dois povos inimigos uniram-se.

Esta lenda explica os ritos que antecediam a fundação das cidades romanas (consulta dos deuses, sacrifício de sangue, traçado de um local sagrado) e a fusão dos povos que constituíram a primeira Roma.