Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Apontamentos pessoais também abertos a quem os quiser ver.

17/03/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 9- CUBISMO

O Cubismo surge em 1907, através de Picasso e de Braque, na sequência do trabalho da geometrização das formas iniciado por Cézanne. Desenvolveu-se em três fases. Na fase cezanniana (ou geométrica) a pintura apresenta uma simplificação onde são evidentes as formas cúbicas e prismáticas; há preferência por representação de paisagens. Na fase analítica as figuras e objectos são representados de vários ângulos, pelo que as imagens lembram espelhos partidos; a paleta cromática é muito reduzida; há preferência pelo retrato e pela natureza-morta. Na fase sintética utilizam-se cores fortes, as figuras são reduzidas ao essencial e despreza-se a profundidade; é comum a figuração humana.
Nalguns quadros cubistas está patente a influência da escultura africana, que veio revelar aos artistas outros processos de representar a realidade. Há também quem aponte o Cinema como influência do modo de representar na fase analítica. Nas fases analítica e sintética surgem por vezes colagens: pedaços de jornal, bilhetes, areia, pedaços de vidro, etc. também é comum a utilização de letras ou palavras.
Após a 1.ª Guerra Mundial o Cubismo já estava em fase de extinção, mas, apesar da curta duração que teve, influenciou alguns dos movimentos que se seguiram, nomeadamente o Futurismo e as tendências geométricas do Abstraccionismo.
 Pintores cubistas: Pablo Picasso, Georges Braque, Juan Gris, Fernand Léger, Albert Gleizes, Jean Metzinger, Lyonel Feininger, Kazimir Malevich
Picasso, 1907-
As raparigas de Avignon

Picasso, 1910 -
Retrato de Ambroise Vollard
Picasso, 1921 -
Três músicos
Braque, 1908 -
 Viaduto no LÉstaque
Braque, 1911 -
O português

Braque, 1942 -
 Interior com paleta
Fernand Léges, 1911 -
A boda
Férnand Léges, 1918 -
Acrobatas no circo
Juan Gris - 1913 -
 Violino e mesa de xadrez
Juan Gris - 1912 -
Natureza morta com flores
Juan Gris - 1915 -
Natureza morta frente a janela
Juan Gris, 1913 -
Guitarra
Fernand Léger, 1921 -
O almoço
Fernand Léger, 1945 -
A grande Júlia
Albert Gleizer, 1913 -
 Homem na rede
Albert Gleizer, 1910 -
Mulher com flores
Albert Gleizer, 1934 - 1934 -
Figura dentro de um arco íris
Jean Metzinguer, 1912 -
 No velódromo
Jean Metzinguer, 1912 -
Aldeia
Jean Metzinguer, 1912 -
Dança no Café
Lyonel Fleininguer, 191  -
A ponte

Lyonel Fleininguer, 1936 -
Gelmeroda XIII
Kasimir Malevich - 1912 -
Manhã na aldeia após nevão
Kasimir Malevich, 1912 -
O lenhador
Kasimir Malevich, 1912 -
O amolador

14/03/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 8- EXPRESSIONISMO

Expressionismo surge a partir do legado dos pós-impressionistas. 
Assume a autonomia da Pintura em relação à realidade visível e liberta-se das influências do Romantismo e das referências clássicas e académicas. É o primeiro movimento que nasce no séc. XX.
Em geral, o Expressionismo caracteriza-se por: assumir uma certa agressividade visual e temática; utilizar cores anti-naturais, pinceladas largas e pastosas e por vezes espessas linhas de contorno; desprezar pormenores, as proporções anatómicas e as regras da perspectiva; sobrevalorizar a cor em detrimento da forma; fazer composições afastadas dos cânones tradicionais de beleza.
Os pintores alemães são os mais significativos representantes do Expressionismo, movimento que continuará a marcar uma forte presença a partir da 1.ª Guerra Mundial, embora de forma mais individualizada.
  • Devido à sua obra singular, dois pintores antecipam-se a esse movimento: o belga James Ensor, com uma pintura macabra, onde fantasmas, mortos, esqueletos e mascarados marcam presença; o norueguês Edvard Munch, com uma pintura perturbadora, explorando emoções, frustrações, angústias, a solidão e o medo.
  • O grupo “Fauvisme” (“fauve” significa fera), liderado por Matisse, surge em Paris em 1905. Explora a cor, a linha e a composição de um ponto de vista exclusivamente estético. Desmembra-se dois anos depois de formado.
  • O grupo “Die Brücke” (A Ponte), liderado por Kirchner, surge também em 1905, em Dresden. Apresenta uma pintura com crítica social, dando realce ao lado dramático e trágico da vida, com forte presença das sensações de medo e angústia. Extingue-se em 1913.
  • O grupo “Der Blaue Reiter” (O Cavaleiro Azul), liderado por Kandinsky, surge em Munique, em 1909. Pretende construir harmonias espirituais a partir das harmonias estéticas, valorizando a individualidade de cada artista. Extingue-se em 1914.
  • O grupo “Sezession” (Secessão), liderado por Klimt, forma-se em Viena em 1897. Começou por produzir uma pintura influenciada pelo Impressionismo e pela Arte Nova, enveredando mais tarde pelo Expressionismo. Dissolve-se a partir de 1910.
 Pintores Expressionistas:
 James Ensor
 Edvard Munch
 Henri Matisse
 Maurice de Vlaminck
 André Derain
 Georges Rouault
 Albert Marquet
 Ernst Ludwig Kirchner
 Emil Nolde
 Max Pechstein
 Wassily Kandisnky
 Paul Klee
 Franz Marc
 August Macke
 Max Beckmann
 Ludwig Meidner
 Paula Modersohn-Becker
 Gustave Klimt
 Egon Schiele
 Oskar Kokoschka
James Ensor, 1891 - Esqueletos lutando por um enforcado.
Edvard Munch,1894 - Cinzas.
Matisse, 1909 - A dança
Maurice de Vlaminck, 1906 - Paisagem com árvores vermelhas
André Derain, 1906 - A curva da estrada
Georges Rouault, 1917 - Os três palhaços
Albert Marquet, 1911 - Dia chuvoso em Paris
Ernst Ludwig Kirchner, 1913 - Cena de rua
Emil Nolde, 1912 - Crucificação
Max Pechstein, 1911 - Debaixo das árvores
Wassily Kandinsky, 1903 - O cavaleiro azul
Paul Klee, 1922 - Senecio

Franz Mark, 1911 - A vaca amarela

August Macke, 1911 - Campos de vegetais
Max Beckmann, 1918/19 - Noite
Ludwig Meidner, 1912/20 - Paisagens apocalípticas
Paula Modersohn-Becker, 1906 - Autoretrato com colar e flores
Gustav Klimt, 1907/8 - O beijo
Egon Schiele, 1917 - Mulher reclinada com meias verdes
Oskar Kokoshka, 1914 - Noiva do vento

25/02/14

História de Roma -13

A RECONCILIAÇÃO SOCIAL
A sociedade romana nos primórdios da república apresentava-se dividida entre patrícios e plebeus e assente no sistema patrono-cliente. A clientela constituía um travão poderoso ao desenvolvimento da democracia. No momento em que Roma sofreu ataques externos de todos os lados, foi indispensável que resolvesse as tensões internas antes que elas atingissem proporções destruidoras. Só assim o Estado teve condições para esmagar, um após outro, os inimigos externos e para conquistar vastos territórios e se apropriar de vastos recursos. Em 454 a.C., foram nomeados para o lugar de cônsules grupos de oficiais. Esta medida tomada por razões militares, prolongou-se por 80 anos e foi útil à causa dos plebeus, dado que alguns conseguiram ascender à posição destes oficiais, quando antes nenhum havia conseguido ascender a cônsul. O membro mais eminente desta autoridade foi o vencedor de Veios, Camilo. Após Camilo, o consulado foi restaurado. Em 367 a.C. foi proposta uma lei, pelos tribunos da plebe, em que umdos cônsules passaria a ser escolhido entre os plebeus. A partir de 351 a.C. os plebeus passaram também a ter acesso ao cargo de censor. Estas modificações levaram ao aparecimento de uma nova classe dirigente, a nobilitas, composta por patrícios e plebeus, todos eles descendentes de cônsules, de censores e de ditadores. Trata-se de uma nobreza assente no prestígio e no dinheiro. Em 366 a.C., os plebeus dos níveis inferiores foram favorecidos com a criação do cargo de pretor, libertando os cônsules de algumas obrigações jurídicas e civis, e desempenharem melhor as funções militares. Os pretores estavam, teoricamente, obrigados a aplicar a lei em vigor, sem a modificarem, mas, na realidade, os seus éditos constituíram uma multiplicidade de emendas e regras que adoptavam a lei à complexidade crescente da sociedade romana. Em 287 a.C. os cofres do Estado estavam tão vazios e os campos tão abandonados devido ao recrutamento para o exército, que as propriedades caíram em ruína e os proprietários  endividaram-se tanto que houve, nessa situação de emergência, a nomeação de um ditador: Quintus Hortensus, que fez votar uma lei constitucional (Lex Hortensia) a favor dos plebeus. Daí em diante, as decisões votadas pela assembleia dos Plebeus passaram a ter força de lei e a vigorar para todos os cidadãos romanos, plebeus ou patrícios. A luta entre os dois grupos da sociedade romana chegava ao fim e Roma pode afrontar os seus piores inimigos com uma formidável frente unida e coesa.
A Lei das XII Tábuas
No plano económico, o século V a.C. foi para Roma um mau período, marcado por miséria, fomes e epidemias mortais. Uma das consequências foi o grave endividamento de grande número de plebeus que, não as podendo pagar abandonavam a cidade ou passavam à condição de escravos. Com receio de verem desintegrar-se o exército e a nação, os patrícios acederam à principal reivindicação dos plebeus: a criação de um conjunto restrito de funcionários encarregados de zelar pelos seus interesses – os tribunos da plebe. No plano jurídico, os direitos dos plebeus não estavam fixados de forma precisa, pois não estava escrita e era interpretada por um colégio de pontífices, composto exclusivamente por patrícios. A contestação dos plebeus foi de tal maneira forte que, em 451 a.C., o governo normal dos cônsules foi provisoriamente suspenso e substituído por uma comissão de dez patrícios (os decênviros) encarregados de redigir um corpo de leis, que foram aprovados nos comícios e gravado em doze tábuas que passaram a estar expostas no Fórum. Ao exigirem esta medida, os plebeus inspiraram-se nas ideias gregas que circulavam à volta do Aventino, onde os gregos vinham comerciar. A redacção de um código civil era, efectivamente, familiar aos Gregos. O impacto da Lei das Doze Tábuas nas gerações futuras foi considerável. As Tábuas foram destruídas sessenta anos depois com a invasão dos gauleses, mas foram meticulosamente reconstruídas e conservaram força de lei. A tradição ainda hoje as reconhece como fonte do direito romano. 
A unidade italiana
Os Romanos possuíam um dom político extraordinário, não hostilizando os povos que venciam e relacionando-se com as cidades. Roma oferecia aos Estados vencidos, em função das circunstâncias, três tipos de tratados «iguais», «desiguais» ou «iníquos». Estes últimos, que sublinhavam a inferioridade dos vencidos, eram estabelecidos com aquelas populações que os romanos não consideravam suficientemente próximas ou fiáveis para lhe conceder o estatuto de semi-cidadania e foram cada vez mais escolhidos. Foi um tratado destes que propuseram aos Samnitas. Todos estes povos passavam a gozar da protecção de Roma e a beneficiar da pax romana.

No fim da 3ª guerra Samnita, Roma possuía 120 cidades aliadas em toda a Itália Central e tinha realizado o seu primeiro grande feito histórico: a unidade italiana.

21/02/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 7- ARTE NOVA

A Arte Nova desenvolve-se entre 1880 e 1914, criando uma estética que vai buscar inspiração à Natureza. A preferência por formas curvilíneas advém do mundo animal e vegetal, e também do corpo da Mulher. A estética da Arte Nova espalha-se pelas mais diversas áreas: Arquitectura, Escultura, Pintura, Desenho, Ilustração, Publicidade, Artes Aplicadas (ferro, madeira, azulejo, mosaico, vitral, papel de parede) e Artes Decorativas (mobiliário, espelhos,
Candeeiros, etc.). Não existe propriamente uma pintura de cavalete de estilo Arte Nova. Apenas alguns pintores revelam influências pontuais dessa estética. Mas na Ilustração e na Publicidade (artes que se aproximam mais da Pintura) importa observar o trabalho de alguns artistas.

Ilustradores Arte Nova:
Aubrey Beardsley
Henri de Toulouse-Lautrec
Jan Toorop
Alfons Mucha
Aubrey Beardsley - Climax (1894)

Aubrey Beardsley - A saia de pavão (1894)

Toulouse Lautrec - Jane Avril no Jardin de Paris (1893)

Toulouse Lautrec - Baile no Moulin Rouge (1891)

Jan Toorop - Fatalismo (1893)

Jan Toorop - Ó sepultura, onde está a vitória? (1893)

Alfons Mucha - Cartazes

Alfons Mucha - As estações do ano (1897)