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04/10/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 18 - Pintura matérica

18 - PINTURA MATÉRICA
Uma tendência importante da Arte europeia a partir de meados do séc. XX girou em torno da Pintura Matérica. Partindo do princípio de que os materiais transportam em si uma carga histórica e cultural, os artistas consideram que estes possuem uma riqueza estética própria, que deve ser o essencial da sua obra. Além de tintas diversas, é frequente o uso de areia, serradura, tecidos, plásticos, pastas, colagens, cordéis e pedaços de objetos, que conferem acentuadas texturas e um efeito corpóreo ao quadro. Tira-se proveito dos escorridos da tinta, rasgam-se sulcos nos materiais (grattage) e na própria tela. Por vezes queimam-se materiais, outras vezes estes extravasam os limites da tela. A Pintura Matérica é essencialmente abstrata, ou associada a uma figuração sintética. Podemos encontrar este género pictórico ligado ao Expressionismo Abstrato, ao Gestualismo, ao Informalismo, à Arte Bruta e à Arte Pobre.
Arte Bruta é uma tendência de influências surrealistas, introduzida por Jean Dubuffet a partir de 1945, inspirada nos desenhos de crianças, de pintores sem formação e de pessoas com distúrbios mentais.
A Arte Pobre faz uso de materiais do quotidiano, gastos e inúteis; é especialmente relevante na escultura e nas instalações, tendo influenciado a Pintura Matérica.
  Pintores referidos na sessão:
 Jean Dubuffet (1901 - 1985)
 Jean Fautrier (1998 -1964)
 Alberto Burri (1915 - 1955)
 Yves Klein (1928 - 1962)
 Frank Auerbach (1931 -  )
 Antoni Tàpies (1923 - 2012)
 Manollo Millares (1926 - 1972)
 Julian Schnabel (1955 -  )

Jean Dubuffet - Miss cholera (1946)


Jean Dubuffet - the cow with subtile nose (1954)

Jean Fautrier - nu noir (1926)

Jean Fautrier - Tête d'otage (1944)

Jean Fautrier - La dépouille (1945)

Jean Fautrier - C'est comme tu voudras 

Alberto Burri - Red plastic (1962)

Alberto Burri - White creto (1975)

Alberto Burri - Creto nero (1976)

Yves Klein - Relevo 39 (1960)

Yves Klein - Antropometria 8 (1960)

Yves Klein - Antropometria 96 (1961)

Yves Klein - Cosmogenia (1960)

Frank Auerback - Head of E.O.W. (1959-60)

Frank Auerback - Head of E.O.W.I (1960)

Antoni Tapies - Relevo cinzento com sinal preto (1955)

Antoni Tapies - Oval branca (1956)

Antoni Tapies - Oval grande ou Pintura (1955)

Antoni Tapies - Cruz de papel de jornal (1946-7)

Manollo Millares - Rojo, negro (1965)

Manollo Millares - Quadro 44

Manollo Millares - Quadro 200 (1962)

Julian Schnabel - Divan (1979)

Julian Schnabel - Portrait of Julian Schnabel (2009)

Julian Schanel - O êxtase de S. Francisco 

02/10/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 17 - Gestualismo

17 - GESTUALISMO
Alguns pintores barrocos fizeram uso da pincelada solta, sobretudo para realçar texturas. Alguns paisagistas românticos fizeram-no na representação de árvores e de tempestades. Pequenas pinceladas soltas são típicas da técnica impressionista. Contudo, não existiu da parte de nenhum destes pintores a intenção de criar uma técnica de pintura baseada no gesto. Mas Van Gogh, Toulouse-Lautrec e Munch, com movimentos rápidos e espontâneos da mão, fazem uma pintura onde a pincelada ganha uma dinâmica nunca antes vista. Parte significativa da pintura expressionista carateriza-se pela aplicação desse tipo de pincelada.
 No Gestualismo as pinceladas tornam-se mais longas, sendo evidente o movimento do braço que as executou. Não existe propriamente um movimento gestualista organizado, com uma base teórica sólida, nem um grupo centrado numa cidade ou num país. O Gestualismo resulta do trabalho de um conjunto de pintores, independentes ou oriundos de diferentes movimentos ou grupos. De um modo geral, na pintura gestualista surge uma considerável deformação das figuras. O efeito visual chega a ser violento, sobretudo quando se abordam determinados temas e se utilizam cores agressivas. O Gestualismo é também referido como Neo-expressionismo.
O Gestualismo tem uma tendência figurativa, outra abstracta. Esta pode integrar-se no Expressionismo Abstracto ou no Informalismo. Por opção, a abordagem que aqui se apresenta centra-se apenas em pintores da tendência figurativa, ficando os outros para outras abordagens.
Pintores referidos na sessão:
 Lovis Corinth
 Chaim Soutine
 Willelm de Kooning
 Elaine de Kooning
 Alberto Giacometti
 Vieira da Silva
 Asger Jorn
 Karel Appel
 Georg Baselitz
 Jean-Michel Basquiat
Lovis Corinth - A infância de Zeus (1905/6)

Elaine de Koening - Touro (1958)
Alberto Giacometti - Diego (1953)

Vieira da Silva - O desastre / A guerra

Asger Jorn - Carta ao meu filho (1956-7)

Willem de Koening - Mulher e bicicleta (1952-3)
Jean Barquiat - Profit I (1982)

Karel Appel - Homem com o sol (1947)
Chaim Soutine - mulher de vermelho

Georg Baselitz - Elke (1976)




27/09/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 16 - TENDÊNCIAS FIGURATIVAS

16- TENDÊNCIAS FIGURATIVAS
Ao longo do séc. XX, vários pintores preferiram não abandonar a figuração, resistindo às tendências abstractas e aos radicalismos por vezes a elas associados. Mas também não se integraram completamente nos movimentos figurativos organizados, apesar de, por vezes, estarem próximos deles ou deles assimilarem algumas influências.
Consoante os casos, na primeira metade do séc. XX, essas influências ou essa aproximação é feita aos seguintes movimentos: Naturalismo, Simbolismo, Impressionismo, Pós-impressionismo, Expressionismo, Cubismo, Futurismo, Dadaísmo, Surrealismo e Art Deco. Contudo, não é consensual colar a obra de muitos desses artistas a um movimento específico.
Pintores referidos na sessão:
Joaquín Sorolla
Pablo Picasso
Edward Hopper
Pavel Filonov
Amedeo Modigliani
Georgia O’Keeffe
Giorgio Morandi
Grant Wood
Stanley Spencer
Otto Dix
Tamara de Lempicka
Frida Kahlo

JOAQUIN SOROLLA – Rapazes na praia

PABLO PICASSO – A fonte

EDWARD HOPPER – Sol na manhã

PAVEL FILONOV - Arman Aziber com seu filho

AMEDEO MODIGLIANI - Retrato de jovem

GEORGIA O´KEEFFE – Trompas brancas

GIORGIO MORANDI – Natureza-morta

GRANT WOOD - Rapaz com bola

STANLEY SPENCER – Auto-retrato

OTTO DIX - Sylvia von Harden

TAMARA DE LEMPICKA – Andrómeda

FRIDA KAHLO - Coluna partida

25/09/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 15 - NEORREALISMO / REALISMO SOCIALISTA

15 - NEORREALISMO / REALISMO SOCIALISTA
O Neorrealismo surge no período entre guerras mundiais, tem o seu auge nos anos 30, e prolonga-se até aos anos 60. De um modo geral apresenta um caráter propagandístico da ideologia marxista-leninista. Os artistas neorrealistas eram quase todos membros ou simpatizantes do partido comunista do seu país.
Tem expressão bastante significativa nas Artes Plásticas, na Literatura e no Cinema, onde é utilizado para denunciar injustiças, apontando como solução o caminho do Socialismo.
No México (que viveu tempos muito conturbados na primeira metade do séc. XX) surgiu um grupo de três pintores, cuja vertente muralista fez deles os expoentes máximos da pintura neorrealista.
Na União Soviética (e noutros países) toma o nome de Realismo Socialista, sendo utilizado como máquina de propaganda do regime. Exalta a Revolução Russa e incentiva o trabalho como meio de progresso. O período áureo deste movimento coincide com a governação de Estaline (1922-53), prolongando-se até aos anos 80 na generalidade dos países do Bloco de Leste.
Cartazes, capas e ilustrações de livros, muitas vezes de autores desconhecidos ou sobre os quais se sabe muito pouco, são espaços de eleição deste(s) movimento(s).
Diversos artistas assentaram a sua produção em acontecimentos do presente ou do passado recente dos seus países, em torno de abordagens onde a subjectividade não tinha espaço.

Pintores referidos na sessão:
 Käthe Kollwitz
Renato Guttuso
José Clemente Orozco
Harry Gottlieb
Diego Rivera
Ben Shahn
David Alfaro Siqueiros
Werner Tübke
Cândido Portinari
Aleksandr Gherassimov 

Kathe Kollwitz - As pessoas (1922-23)

José Clemente Orozco - Zapatistas (1931)

Diego Rivera - O triunfo da revolução (1926)

David Siqueiros - O eco do grito (1937)

Cândido Portinari - Família de retirantes (1944)
Renato Guttuso - Ocupação de terras na Sicília (1952)


Harry Gottlieb - Nem chuva nem neve (1937)

Ben Shahn - Desemprego

Werner Tubke - Pastor (1974)

Aleksandr Ghassimov - Lenine na tribuna

Anónimo - Juntos para sempre (Rússia e Ucrânia)

Bardasano - 18 de Julho (1937)