Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Apontamentos pessoais também abertos a quem os quiser ver.

02/12/13

GNOSIS DIGESTUS: História de Roma -6


ROMA - MIL ANOS DE PODER E GLÓRIA: O IMPÉRIO

O império era uma espécie de federação de cidades, sob a égide do imperador. Nenhuma delas mantinha uma verdadeira autonomia. Roma era o modelo. Uma verdadeira unidade foi construída à volta da civilização romana, mas uma unidade sem uniformidade. As diferenças subsistiam na língua - cada região tinha o seu latim, cruzado com o falar indígena - e na sua religião - onde os deuses do panteão romano ombreavam com as divindades ancestrais. Daí a espantosa solidez, a longevidade e o prestígio - tão grande que os soberanos germânicos e até os imperadores otomanos desejaram ser os herdeiros de Roma.
Durante as diferentes etapas e apesar das mudanças ocorridas ao longo dos séculos, Roma soube conservar no essencial a sua língua, as suas instituições, as suas leis, a sua religião, a sua literatura, a sua arte, os seus usos e costumes. 
Consciente para todo o sempre da presença da marca romana, a civilização ocidental ainda hoje a toma como referência e a glorifica. Mas se certos aspectos da obra levada a cabo são admiráveis, muitos são, todavia, detestáveis devido ao seu carácter violento.

Durante os séculos I e II, o Império Romano atingiu a sua extensão geográfica máxima, conhecendo um período de prosperidade e de relativa estabilidade. Os imperadores, apoiando-se numa administração eficaz, gerem com sucesso as províncias conquistadas. A romanização progride.
No século III, no entanto, o império está em crise: problemas socioeconómicos e os ataques dos bárbaros nas fronteiras, cada vez mais difíceis de controlar, levam à rápida sucessão de imperadores.
No século IV, com as reformas levadas a cabo por Dioclesiano, o mundo romano adquire uma face nova: o império foi dividido em duas partes - o Império do Oriente e o Império do Ocidente - e, a partir de Constantino, o cristianismo torna-se a religião oficial.
No século V as invasões bárbaras intensificam-se, até à abdicação de Rómulo Augustulo, em 476, o que significou o fim de Roma como império e o fim da Antiguidade.

PRINCIPAIS IMPERADORES ROMANOS:
- Augusto (27a.C. - 14), primeiro imperador
      Dinastia Júlio-Claudiana:
- Tibério (14 - 37
- Calígula (37 - 41)
- Cláudio I (41 - 54)
- Nero (54 - 68)
      Dinastia Flaviense:
- Vespasiano (69 - 79)
- Tito (79 - 81)
- Domiciano (81 - 96)
      Período dos Antoninos:
- Nerva (96 - 98)
- Trajano (98 - 117)
- Adriano (117 - 138)
- Antonino, o Piedoso (138 - 161)
- Marco Aurélio (161 - 180)
     Dinastia dos Severos
- Septímio Severo (193 - 211)
- Caracala (211 - 217)
- Heliogábalo (218 - 222)
- Alexandre Severo (222 - 235)
    Imperadores Ilíricos
- Galieno (259 - 268)
- Cláudio II (268 - 270)
- Aureliano (270 - 275)
- Diocleciano (284 - 305)

ACONTECIMENTOS MARCANTES:
64 - Incêndio de Roma
79 - Erupção do Vesúvio e destruição de Pompeia
276 - 279: Vaga de invasões bárbaras
330 - Constantinopla, nova capital do império
410 - Saque de Roma por Alarico

A ITÁLIA DEPOIS DE ROMA:
455 - Tomada de Roma pelos Vândalos
476 - Fim do Império Romano do Ocidente. Odoacro, chefe militar de Átila, rei de Itália
488 - Assassínio de Odoacro por Teodorico
493 - 553: Reino Ostrogodo de Teodorico, sob a autoridade de Zenão, imperador do Oriente
553 - 568: reconquista progressiva de Itália pelo imperador Justiniano
568 - 774: Itália dividida - Reino dos Lombardos no Norte e Centro de Itália com capital em Pavia. Roma, Ravena, Sul de Itália e Secília, bizantinos
773 - 774: Carlos Magno, rei dos Francos e dos Lombardos
até 887: Carolingios, reis de Itália.

01/12/13

GNOSIS DIGESTUS: História de Roma -5


ROMA - MIL ANOS DE PODER E GLÓRIA: A REPÚBLICA

A expulsão dos Tarquíneos permitiu a instalação das principais instituições republicanas. Ao fim de uma longa luta os plebeus obtiveram dos patrícios, membros das grandes famílias de Roma, uma relativa partilha do poder. Controlando progressivamente toda a Península Italiana, a partir de 275 a.C. Roma abre-se ao exterior, fundando as suas primeiras províncias. Fonte de riquezas, as conquistas fizeram nascer desequilíbrios que anunciavam as tensões do século seguinte.
A crise agrária, o episódio dos Gracos, as revoltas populares e, mais tarde, a Guerra dos Aliados abalaram a República. A chegada ao poder de personalidades que se apoiavam no exército como forma de assegurarem a sua autoridade corrompeu as instituições.  A guerra civil só foi superada por Octávio que, sob o nome de Augusto, instituíu o principado e pacificou o império.

  • 509 a.C.: Proclamação da República
  • 451 -449 a.C.: Lei das XII Tábuas (primeiro código escrito)
  • 396 a.C.: Tomada da cidade etrusca de Veios
  • 390 a.C.: Saque de Roma pelos Gauleses
  • 367a.C.: Leis de Licínio (os plebeus passam a ter acesso ao consulado)
  • 340 - 337 a.C.: Guerra contra os Latinos (Supremacia romana no Lácio)
  • 343 - 291 a.C.: Guerras samnitas (Supremacia romana na Itália Central)
  • 272 a.C.: Roma senhora de Itália (Tomada de Tarento)
  • 264 - 241 a.C.: Primeira Guerra Púnica
  • 218 - 201 a.C.: Segunda Guerra Púnica (Aníbal em Itália. Vitória de Cipião em Zama. Supremacia romana no Mediterrâneo Ocidental
  • 149 - 146 a.C. Terceira Guerra Púnica (destruição de Cartágo e de Corinto).
  • 133-123 a.C.: Reformas dos Gracos
  • 107 a.C.: Mário reforma o exército
  • 91 - 88 a.C.: Conflitos sociais
  • 73 - 71 a.C.: Revolta de Espártaco
  • 60 a.C.: Primeiro triunvirato: aliança entre  Pompeu, César e Crasso.
  • 58 - 50 a.C.: Guerra das Gálias
  • 49 - 31 a.C.: Guerra civil ( na batalha das Farsálias, César triunfa sobre as tropas de Pompeu (48 a.C.); assassinato de César (44 a.C.); batalha de Accio - vitória de Octávio sobre António e Cleópatra (31 a.C.)
  • 27 a.C.: Octávio é proclamado Augusto. Instituição do regime imperial.

GNOSIS DIGESTUS: História de Roma -4


ROMA - MIL ANOS DE PODER E GLÓRIA: A ROMA REAL

A ITÁLIA ANTES DE ROMA:
- Após 1500 a.C.: implantação dos lígures.
- Entre 1400 e 1300 a.C.: aparecimento dos Celtas no norte de Itália.
- Entre 1300 e 1200 a.C. fixação dos Italiotas.
- Cerca de 1500 a.C.: segundo a lenda Eneias e os Troianos instalam-se no Lácio. Ascânio, filho de Eneias, funda Alba.
- Cerca de 1000 a.C.: início da Idade do Ferro. Civilização de «Villanova» (próximo de Bolonha).
- Cerca de 900 a.C.: fixação dos Etruscos entre o Tibre e o Arno.
- Entre 800 e 600 a.C.: expansão da civilização etrusca para norte nos planaltos do Pó e, para sul, no Lácio e na Campânia. Fundação de uma confederação de doze cidades.

- ORIGEM:
Segundo os arqueólogos, Roma foi uma cidade etrusca, facto que a mitologia não nega.De 700 a 675 a.C. a Ásia Menor e as regiões vizinhas atravessaram profundos conflitos políticos: as populações originárias do Levante desembarcaram em pequenos grupos nas costas da Etrúria, apropriaram-se das elevações vizinhas, fortificaram-nas com paliçadas de madeira e desenvolveram, com o correr do tempo e com a colaboração - voluntária e forçada - das populações autóctones e graças ao seu talento indiscutível para o urbanismo, poderosas cidades-estado etruscas. Tradicionalmente a Etrúria era constituída por doze cidades confederadas e independentes umas das outras. As cidades costeiras etruscas eram dinâmicas, cosmopolitas e abertas às influências grega e bárbara. Roma beneficiou provavelmente das influências das cidades confederadas mais próximas do Tibre. É graças ao seu impulso que Roma, inicialmente um simples conjunto de cabanas, se torna uma verdadeira cidade.
FUNDAÇÃO LENDÁRIA:
A lenda atribui a fundação de Roma aos gémeos Rómulo e Remo, em 753 a.C. Os gémeos descendentes de Eneias, foram, quando bebés, salvos e amamentados por uma loba.


- LOCALIZAÇÃO PRIVILEGIADA:
A protecção das colinas e sobretudo a presença do Tibre constituíram condições que predispuseram Roma ao comércio e às conquistas. Os Etruscos contribuíram para esse desenvolvimento ao dotarem a cidade de infra-estruturas indispensáveis: os pântanos foram assoreados; o primeiro fórum tornou-se uma praça pública; a Cloaca Máxima, o grande esgoto, recolhia as águas usadas; as ruas foram pavimentadas, as primeiras estradas e pontes de pedra foram construídas.

PRINCIPAIS MARCOS CRONOLÓGICOS:
  • 753 a.C.: Fundação de Roma
  • 753 - 717 a.C.: Reinado de Rómulo. Constituição do primeiro Senado. Rapto das Sabinas.
  • 717 - 617 a.C.: Reinado dos três reis latino-sabinos: Numa Pompílio (717 - 673 a.C.); Tulo Hostílio (672 - 641 a.C.) e Anco Márcio (639 - 617 a.C.).
  • 616 - 510 a.C.: Reinado dos três reis etruscos: Tarquínio, o Velho (616 - 579 a.C.); Sérvio Túlio (578 - 535 a.C.) e Tarquínio, o Soberbo, tirano (534 - 510 a.C.).
  • 509 a.C.: Queda dos Tarquínios. Proclamação da República. Bruto e Colatino cônsules.

GNOSIS DIGESTUS: História de Roma -3


ROMA - MIL ANOS DE PODER E GLÓRIA

DA REPÚBLICA AO FIM DO IMPÉRIO

GNOSIS DIGESTUS: História de Roma -2


ROMA - MIL ANOS DE PODER E GLÓRIA

DA MONARQUIA À REPÚBLICA

GNOSIS DIGESTUS: História de Roma -1


ROMA - MIL ANOS DE PODER E GLÓRIA

 - O MILAGRE ROMANO
Em pouco mais de mil anos (de 753 a.C. a 476), um pequeno grupo de aldeias do Lácio deu origem a um imenso império, com três milhões de quilómetros quadrados, que estendia da Escócia à Mesopotâmia, do Sara aos Cárpatos. O seu centro era o Mediterrâneo. Na sua máxima extensão (Séc. II) compreendia a quase totalidade da Europa, do Norte de África e do Médio Oriente actuais e contava com cerca de 60 milhões de habitantes.


A rapidez da conquista e o carácter duradouro e profundo do domínio romano fascinaram o Mundo. Os historiadores consideram este período, único na História, um milagre.

01/11/13

Alhos Vedros

http://www.aejoseafonso.pt/Alhos_vedros.htm
"

Alhos Vedros

Alhos Vedros está situado na Vila de Alhos Vedros, deriva da palavra latina"Alius Vetus", que, evoluindo através dos tempos deu origem ao vocábulovelho e vedros, de significado idêntico. São várias as explicações para a atribuição do nome, porém não existe qualquer conclusão. Geograficamente,   a vila situa-se no Concelho da Moita, Distrito de Setúbal,   uma vila ribeirinha da margem sul, situada junto da Reserva Natural do Estuário do Tejo, na periferia da capital.
A sua História fez-se ao longo de séculos, tendo-lhe sido atribuído Foral no século XVI, mais precisamente no ano de 1514,   por El Rei D. Manuel e, até 1834, foi sua donatária a ordem de Santiago e Comenda. As suas raízes remontam a tempos pré-históricos, tendo  sofrido várias ocupações (romana, por AÚLIO CORNÉLIO PALMA no século II d. c.) e invasões visigóticas,   germânicas e muçulmanas.
Em 1514 Alhos Vedros incluía  várias aldeias: o Lavradio, o Barreiro, a Telha, Palhais, Moita, Quinta de Martim Afonso e Sarilhos Pequenos.
Alho Vedros orgulha-se de ter sido durante longa data um concelho importante, exercendo um poder forte sobre as terras vizinhas. A confirmar este dado podem observar-se os inúmeros vestígios históricos, ainda hoje presentes na zona. Como por exemplo:
O Pelourinho do século XVI, símbolo do poder que Alhos Vedros tinha sobre as terras limítrofes, como concelho que era.
O Campo da Forca, o actual bairro Gouveia, onde, segundo a tradição, eram executados pela forca os condenados à morte.
A cadeia, cujas ruínas se encontram visíveis na parte antiga da vila.
O Paço Real, situado junto ao cais da vila, local onde se refugiou o rei  D. João I para fugir à epidemia da peste, que assolava na altura a cidade de Lisboa, vitimando D. Filipa de Lencastre, sua mulher.
Aliada ao património da vila existe a tradição religiosa da população, implementada desde longa data e bem patente na Igreja Matriz, cuja fundação remonta a alguns séculos, desconhecendo-se a data da sua construção. Ainda hoje se celebra a festa anual dedicada à  Nossa Senhora dos Anjos, comprovando assim a crença e prática religiosas da população.   É uma capela de múltiplos estilos em que se misturam o Gótico, o Manuelino, o Renascentista, o Barroco e a cúpula mourisca.
Salienta-se ainda a Capela da Santa Casa da Misericórdia, construída em 1587 que está associada à necessidade do serviço religioso da população e o Poço Mourisco construído antes da fundação de Portugal, no tempo da dominação mourisca. A propósito são de realçar os relevos nas paredes exteriores, sobretudo uma cabaça, cuja lenda popular reza o seguinte:   quando algum rapaz ou rapariga conseguir partir a cabaça, nele esculpida, com a cabeça, dela sairá um tesouro imenso de moedas em ouro que o/a  tornará feliz para toda a vida.
Registam-se ainda outros vestígios, relacionados com actividades profissionais:
A actividade rural, vocacionada para a produção de produtos hortícolas e frutícolas,   visíveis ainda em alguns bairros da periferia, a actividade piscatória; a extracção e transporte de sal e sargaço para Tróia (ainda hoje se podem ver algumas salinas, embora desactivadas), a moagem de cereaispresente através do Moinho de Maré, do Moinho da Charroqueira e do Moinho Novo onde era feita a moagem de trigo e outros cereais. Produção de cal (Forno da Cal). A actividade corticeiratambém foi bastante importante na região, daí que se registem ainda algumas fábricas em funcionamento.
i da Vila de Alhos Vedros (1614)
(transcrição parcial do "Tombo da Vila de Alhos Vedros") 
“Está situada a Vila de Alhos Vedros em Ribatejo defronte da cidade de Lisboa entre o rio que vai para Aldeia Galega e o rio que vai para Coina, duas léguas e meia da dita cidade de Lisboa, no Arcebispado dela é da Comarca e corejção da Vila de Setúbal. É uma vila antiga, das mais antigas do Ribatejo. É povoação grande e no seu termo da parte de levante tem três povoações, a saber: Sarilhos o Pequeno, a Quinta de Martim Afonso e o lugar da Moita. E da parte do Poente tem cinco povoações, a saber: o Lavradio, a Verderena Grande, a Verderena Pequena, Palhais e a Telha.
O corpo da vila tem cento e quinze vizinhos, Sarilhos o Pequeno com a Moita e a Quinta tem cento e setenta e cinco vizinhos. O lugar do Lavradio tem noventa e oito vizinhos. O lugar de Palhais tem noventa e quatro vizinhos e o lugar da Telha com as Verderenas tem sessenta e dois vizinhos que são por todos, na vila e termo, 544 vizinhos.
Tem uma Igreja Matriz na vila, da invocação de São Lourenço, que tem um prior e um beneficiado curado e dois simpleces e um tesoureiro, que é leigo.
Em São Sebastião da Moita, no Lavradio e Palhais há clérigos do hábito de São Pedro que os moradores dos ditos lugares apresentam e pagam. E se tem dado em lembrança ao Procurador da Ordem para requerer sobre isso, de modo que não venha prejuízo à Ordem no padroado das igrejas que tem em suas terras.
Pertence esta vila à Ordem por estar situada nos termos velhos do castelo de Palmela que foi dado à Ordem com seus termos novos e velhos e com todo o direito real por El Rei D. Sancho I, no ano de 1224, como se vê da doação que vai neste tombo e assim é pertença do padroado das igrajas da dita vila e termo por doação de El Rei D. Sancho II, no ano de 1293.
Pertence à Ordem, nesta Vila de Alhos Vedros, toda a jurisdição cível e crime, mero e misto império por doação de El Rei D.Fernando que diante vai. E assim os oficiais todos da justiça, por esta doação, são dados e apresentados pelo Mestre de Santiago, e pelo rei que administra e governa o Mestrado.
Pertence mais à Ordem, na dita vila e termos, os dízimos dos vinhos, sal, pão, lenhas, pinhais, mel, enxames, gado, miudezas e de tudo o que Deus dá na dita vila e termos, e assim o dízimo do pescado que nos rios da dita vila e termos se mata. E nesta posse antiqíssima e imemorial está a Ordem ainda que até agora lhe traziam sonegado o dízimo das lenhas que tem por sentença a Ordem contra todo o Ribatejo.
E assim pertence mais à Ordem os foros das marinhas e dos moinhos e de alguns pinhais e vinhas e quintas.
O Cabido e Arcebispo de Lisboa levam o terço das dízimas da dita vila e termo, excepto das propriedades foreiras à Ordem, porque dessas é o dízimo todo in solidum da Ordem, sem nom entrar Arcebispo nem Cabido e por esse repeito não leva o Arcebispo e Cabido terço algum dos dízimos das marinhas e moinhos, porquanto todas são da Ordem e lhe fazem foro, que nas marinhas o se o é o dízimo do sal com a obrigação de o porem nas eiras e à sua custa dos possuidores das marinhas e a bom nado e assim de lhe fazerem as eiras para o dízimo e algumas outras fazem foros de galinhas e frangos. E antigamente todas as marinhas do Ribatejo pagavam o quinto à Ordem que o Mestre D. Jorge reduziu a dízimo de foro em lugar do quinto como consta de registos de aforamentos que estão no cartório do Convento de Palmela e ainda há algumas na Moita que pagam o quinto.

As freiras do Mosteiro der Santos da Ordem de Santiago levam todos os dízimos do sal das marinhas e dizem que por doação que têm do Mestre, a qual se lhes pediu neste tombo e não apresentaram. E está dado por lembrança ao Procurador da Ordem para aceitar pelos ditos dízimos que trazem, ou que mostrem título válido.
Nesta dita Vila de Alhos Vedros há um limite junto à vila cujos dízimos andam em apréstimos e são os apartados da comenda dos quais dois terços deles se anexaram à Comenda de Mouguellas no termo de Setúbal de que é Comendador João da Silva Tello de Menezes.
O outro terço destes dízimos anda em apréstimo anexo à Comenda da Espada de Elvas, de que é Comendador o Conde do Sabugal.
A dada das sesmarias petence nesta vila e termos à Ordem e seus oficiais, conforme a lei das sesmarias, e no salgado não se podem dar de sesmaria sem foro e sem licença do Mestre.
E assim se usa e pratia desde tempo imemorial e alguns forais da Ordem o declaram assim como é o Foral de Setúbal.
Na Câmara da dita vila se não pode fazer postura ou acordo algum que prejudique a Ordem e seus direitos, sem estar presente o Almoxarife da Ordem, e fazendo-se de outras maneira são nenhumas por doação que adiante vai.
A Vila do Barreiro antigamente foi termo desta vila e por esse respeito tem ainda hoje obrigação de virem todos à procissão dos Ramos nos Domingos de Ramos à dita vila de Alhos Vedros, onde se faz a dita ptocissão  no dito dia, solenemente, e são muito nomeados os Ramos de Alhos Vedros.
A confirmação dos juízes pertence na dita vila ao Mestre, e assim sempre se usou no tempo do Mestre D. Jorge e antes.
Do que tudo o Licenciado António Machado da Silva mandou fazer esta descrição para a Ordem por constar de todo o direito da Ordem. E assinou comigo Matheus d´Aguias, escrivão do cargo, que o escrevi e assinei hoje, 26 dias do mês de Outubro de 1614 anos.”


Notas:
  • Ribatejo não significa a Norte do Tejo, como hoje seria interpretado, mas sim "a montante" do rio.
  • Vizinho tem o sentido de agregado familiar, ou conjunto de pessoas vivendo numa casa.
  • Ordem é a Ordem de Santiago; Mestre é o Mestre da dita Ordem.
  • Tombo significa arquivo.
  • Termo significa a área abrangida pela circunscrição administrativa. "Alhos Vedros e termo" seria hoje escrito
    como: Alhos Vedros e seus limites administrativos.
  • D. Jorge - filho de D. João II, que fora Mestre da Ordem de Santiago."

16/10/13

RESUMO COMPACTO DA SÍNTESE INTERPRETATIVA DA HISTÓRIA DE PORTUGAL -5: Memórias históricas

Portugal foi sempre um único reino sem identidades fortes separadas, mas dentro dessa unidade política, no entanto, desenvolveram-se várias memórias históricas. Por exemplo, da dinastia, das instituições eclesiásticas, das famílias e linhagens aristocráticas e dos municípios, como se vê nas actas de Cortes. Todas estas entidades, instituições e grupos produziram documentos e arquivos, quer administrativos, quer narrativos. Nalguns casos, atingiu-se mesmo um nível literário e técnico muito elevado, como com a "Crónica de El-Rei D. João I" (cerca de 1434) de Fernão Lopes ou as "Décadas da Ásia" (1552-1563) de João de Barros. A História de Portugal recebeu esses vários contributos, como no caso do poema "Os Lusíadas" (1572) de Luís Vaz de Camões, que, aliás, deveu muito aos materiais narrativos acumulados até então: lido a partir do século XIX como a epopeia colectiva de um povo, o texto privilegia de facto os feitos de algumas famílias aparentadas com a do próprio autor. Mas foi a História das dinastias reinantes (e depois a dos governos) que seria finalmente considerada «nacional», na medida em que, a partir do século XIX, veio a ser assimilada ao processo de projecção de uma nação soberana e construção de um Estado moderno. As crónicas dos reinados, promovidas pelos próprios reis, constituíram o ponto de partida desta História. Em 1846, Alexandre Herculano iniciou com grande êxito de audiência a publicação de uma "História de Portugal" que as gerações seguintes tomariam como a primeira referência propriamente «científica» da historiografia portuguesa».
A História constitui, desde então, um terreno privilegiado de reflexão e debate sobre o país, e a ela se dedicaram alguns dos intelectuais de maior destaque da vida pública portuguesa dos séculos XIX e XX: Oliveira Martins ("História de Portugal (1879), Teófilo Braga, António Sardinha, António Sérgio ou Jaime Cortesão. O estudo do passado chegou ainda ao grande público, desde o século XIX, através da ficção à maneira de Walter Scott e Victor Hugo, da qual Almeida Garrett ("Frei Luís de Sousa", "O Arco de Santana", 1845) e Alexandre Herculano ("Eurico, o Presbítero", 1844; "O Monge de Cister", 1848; "Lendas e Narrativas", 1851) deram os melhores exemplos. Mas a História também preencheu o horizonte dos portugueses visualmente, através do tema histórico na pintura (como a de José Malhoa), na estatuária (como a de Francisco Franco, inspirada pelos painéis de São Vicente de Fora) e no cinema (como no filme "Camões", de José Leitão de Barros, em 1946, ou no "Non ou a Vã Glória de Mandar", de Manoel de Oliveira, em 1990), e até na reactivação de estilos, como o neomanuelino no século XIX. A História foi sempre feita por muita gente, com vários objectivos e de várias maneiras.
No entanto, a memória histórica oficial ou publicamente relevante para os portugueses nem sempre incluiu todo o passado do país, não só por limitações da investigação e conhecimento, mas também por óbvia conveniência política e cultural. Na Idade Média, por exemplo, as memórias históricas remeteram geralmente as suas origens, não para quaisquer populações primitivas, mas para as prestigiadas civilizações clássicas do Mediterrâneo, por via da mitologia grega e romana, com a fundação de Lisboa atribuída por exemplo a Ulisses.

A maneira como os portugueses conceberam o seu passado mudou, assim, ao longo da História. Como em todos os países, a memória nacional consistiu num jogo politicamente conveniente de supressões e descobertas. A perseguição da Inquisição durante os séculos XVI-XVIII à minoria «cristã-nova», composta sobretudo pelos descendentes dos judeus convertidos, foi recuperada e valorizada a partir do século XIX, por liberais e republicanos, embora não necessariamente bem compreendida. Por contraste, porém, o facto dos portugueses e seus descendentes radicados na América portuguesa terem sido, entre finais do século XV e meados do século XIX, os maiores traficantes de escravos do planeta foi sempre muito menos claro, tal como o pouco entusiasmo que a abolição da escravatura da escravatura no século XIX suscitou de um lado e outro do Atlântico lusófono.

RESUMO COMPACTO DA SÍNTESE INTERPRETATIVA DA HISTÓRIA DE PORTUGAL -4: População

A unidade do reino de Portugal a partir da Idade Média dependeu do poder do rei e de projectar a sua capital, Lisboa, como um centro de população e de actividades sem paralelo no resto do território (aliás, ainda no fim do século XIX só havia três cidades com mais de 20 mil habitantes, Lisboa, Porto e Braga, e uma grande parte da urbanização que ocorreu no século XX consistiu no crescimento de povoações na área próxima de influência desses centros). Para tanto a expansão ultramarina pesou muito. O orçamento do estado dependeu durante séculos dos rendimentos obtidos no exterior, geralmente associados ao império. Daí resultou para a Coroa uma relativa autonomia em relação aos proventos do reino, a qual se traduziu, sobretudo a partir do século XV, na capacidade  suplementar e persistente dos monarcas para actuarem como grandes distribuidores de proventos, o que tornou as principais elites da monarquia muito dependentes do rei e da vida na corte em Lisboa.
O território e a sua posição nem sempre habilitaram os portugueses com recursos para acompanhar certos desenvolvimentos na Europa. É conhecida a escassez da produção de cereais desde a Idade Média. Em Portugal não foi fácil o aumento geral da produtividade agrícola ou a industrialização. Portugal quase nunca conseguiu bastar-se a si próprio em termos de alimentos e foi dos poucos países da Europa onde a actividade industrial não chegou, durante os séculos XIX e XX, a ocupar a maioria da população activa. A emigração permaneceu, até à década de 1970, o maior recurso de mudança de vida para a maioria da população. Os portugueses estiveram assim implicados nos grandes êxodos da Europa para as América e da Europa do Sul para a do Norte. A emigração condicionou decisivamente a quantidade de população no país. Foi a emigração que impediu, quando a mortalidade começou a descer e a fecundidade se manteve alta, que Portugal, sempre um dos países com mais baixa densidade populacional do Ocidente europeu, experimentasse qualquer «explosão demográfica» - ao longo do século XX a população não chegou a duplicar (de 5,4 milhões em 1900 para 10,3 milhões em 2001, enquanto a Holanda passou de 5,1 milhões para 16,2 milhões e a Espanha de 18,5 milhões para 40,4 milhões).

14/10/13

RESUMO COMPACTO DA SÍNTESE INTERPRETATIVA DA HISTÓRIA DE PORTUGAL -3

A visão rectangular de Portugal é o resultado da História e da readaptação do Estado português ao mundo da descolonização europeia da segunda metade do século XX.
A imposição da unidade de crença data do século XVI, mas os últimos vestígios da antiga pluralidade religiosa foram apagados só no século XVIII e alguns traços sobreviveram mesmo até ao século XX, nas comunidades de «marranos» (judeus forçados à conversão).
Mas no princípio do século XX, a população do estado português, apesar de viver em meios sociais e ecológicos diversos, deverá ter sido, do ponto de vista do Estado, das mais homogéneas de qualquer Estado europeu, grande ou pequeno, no sentido em que não havia identidades concorrentes – étnicas, religiosas, regionais – que pusessem em causa a comum identidade nacional, cultivada pelo poder político.
O Estado português nunca foi uma grande potência, a não ser localmente, mesmo nas épocas de maior expansão ultramarina. Esta, a partir do século XV, assentou quase sempre numa utilização económica dos recursos pelo Estado e por muitos particulares, e investiu mais no controlo das vias de comunicação do que na ocupação territorial – as excepções mais relevantes foram o Brasil e as ilhas atlânticas. O entanto, os portugueses conseguiram, especialmente no século XVII, enfrentar várias potências europeias aproveitando o antagonismo entre elas.
Globalmente, Portugal deve ter sido dos Estados com menos anos de guerra com outras potências europeias a partir do século XVIII. Enquanto os confrontos na Europa estiveram centrados na rivalidade entre a Inglaterra e a França, Portugal viu-se por vezes directamente envolvido nos conflitos continentais, o que aconteceu até ao princípio do século XIX, e ocasionou várias ofensivas sobre o território metropolitano português a partir de Espanha, a última das quais pelos exércitos de Napoleão Bonaparte em 1807-1812. Mas depois do terceiro quartel do século XIX, quando a competição pelo predomínio da Europa passou a ter, como principal protagonista, a Alemanha, Portugal tendeu a ficar à margem. A participação na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi desejada e forçada pelo Governo português de então, ao contrário do que acontecera geralmente com as guerras europeias do século XVIII. Mesmo assim a guerra não atingiu directamente o território metropolitano. Durante a Segunda Guerra mundial (1939-1945), o Governo fez todos os esforços para conservar a neutralidade e explorar as suas vantagens.
Portugal foi assim um dos países poupados à terrível experiência de guerra generalizada que marcou as populações europeias em meados do século XX. Mas na segunda metade do século XX houve um esforço continuado para inserir Portugal nos esquemas de segurança colectiva da Europa Ocidental sob a égide dos Estados Unidos da América, como o representado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (1949) e no processo de integração europeia, primeiro num plano apenas económico , durante o Estado Novo (1933-1974), e depois também político, com a consolidação do regime democrático que emergiu da revolução do 25 de Abril de 1974. A partir da adesão de Portugal à CEE (1986), o país foi «europeizado» e aproximou-se dos modelos sociais e dos níveis de bem-estar do resto da Europa Ocidental – graças, aliás, a uma transformação social e económica que se acelerou a partir da década de 1950 e fez dos portugueses durante algum tempo um exemplo feliz de prosperidade através da integração nos mercados globais desenvolvidos depois da Segunda Guerra Mundial.
No entanto, houve o cuidado de manter laços com Estados de língua portuguesa constituídos nos territórios de antiga expansão ultramarina, nomeadamente através da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, fundada em 17 de Julho de 1996.

Os movimentos de população propiciados pela globalização no fim do século XX constituíram também em Portugal importantes comunidades de imigrantes originários desses países, reforçando assim os contactos entre os Estados de língua portuguesa. Até por aí, a memória da antiga expansão ultramarina não se reduzirá tão cedo a uma simples questão de erudição ou evocação livresca.

13/10/13

RESUMO COMPACTO DA SÍNTESE INTERPRETATIVA DA HISTÓRIA DE PORTUGAL -2

O território continental do que viria a ser Portugal terá sido habitado desde há talvez meio milhão de anos por várias populações humanas, as quais se poderão ter substituído umas às outras mas também cruzado, segundo sugeriram alguns arqueólogos recentemente para o caso dos Neandertais (que terão entrado na Península há cerca de 200.000 anos) e dos modernos Homo sapiens (chegados há 40 mil anos, vindos do Sul de França).
Não obstante a sua posição de «finisterra», o extremo ocidental da Península Ibérica conheceu a presença e a inserção de diferentes matrizes culturais, com diversos graus de impacto nas várias áreas do território, como aconteceu com a romanização, a cristianização e a islamização.
Os romanos, chegados à Península em 218 a. C., instalaram-se, de início, sobretudo no Sul, através de acordos, mais do que pela violência bélica. Já nas regiões situadas entre o Tejo e o Douro, as populações autóctones, sobretudo os lusitanos, resistiram aos romanos durante cerca de cem anos de meados do século II a. C. a meados do século I a. C. Vencida esta resistência, por volta de 25 a. C. o domínio romano abrangia todo o futuro território português. Poucos anos depois, entre 16 e 13 a. C., sob o imperador Augusto, a Península foi dividida  em três províncias (Tarraconense, Bética e Lusitânia), mas no final do século III existiam cinco (além das três anteriores , também a Cartaginense e a Galécia). O que viria a ser Portugal jamais coincidiu com alguma destas províncias. A Lusitânia não abrangia a zona a norte do Douro (integrada na Galácia) e abarcava uma vasta área da actual Estremadura espanhola, tendo mesmo a sua capital em Emerita Augusta (Mérida).
O império romano introduziu na Península Ibérica o Latim como língua de uso geral e, a partir do século IV, o Cristianismo como religião oficial.
No início do século V, porém, o poder de Roma entrou em acentuado declínio.
A invasão dos povos germânicos, sobretudo de suevos e de visigodos, pôs fim ao seu domínio na Hispânia, dando lugar à formação do reino suevo a partir de 411, cobrindo, na sua máxima extensão, a antiga Galécia e uma parte da Lusitânia até ao Tejo, com capital em Braga. Quanto aos visigodos, depois de uma primeira surtida na Península em 416, a partir das Gálias (França), fixaram-se definitivamente em 456. As lutas entre suevos e visigodos culminaram no triunfo dos segundos, em 585, passando então a Hispânia a estar unificada sob o reino visigótico, com a capital em Toledo. As divisões regionais, as tensões políticas e os conflitos sociais intensos conduziram ao enfraquecimento dos visigodos, de tal forma que a invasão islâmica vinda do Norte de África, em 711, não encontrou resistência significativa. Abriu-se, então, um novo período da História peninsular, que se prolongaria por vários séculos com uma forte marca civilizacional muçulmana, sobretudo nas regiões do Centro e do Sul.

Como os estudos genéticos revelaram recentemente, esta História deixou marcas na composição da população. Na Península Ibérica, os portugueses são aqueles  em cujos genes mais vestígios se encontram de duas das mais importantes  migrações para a Península desde o século I: os judeus sefarditas, chegados do Médio Oriente no início da era cristã, e os berberes muçulmanos, vindos do norte de África no século VIII. Na Península Ibérica , em média,  os homens apresentam 69,6% de ascendência ibérica («nativa»), 19,8% sefardita e 10,6% berbere. No Norte de Portugal, essas proporções são, respectivamente, de 64,7%, 23,6% e 11,8%; no Sul, de 47,6%, 36,3% e 16,1% - ou seja, as marcas de uma origem não ibérica predominam no Portugal Meridional.

RESUMO COMPACTO DA SÍNTESE INTERPRETATIVA DA HISTÓRIA DE PORTUGAL -1

A utilização do nome de «Portugal» para definir uma configuração política mais ou menos autónoma data do século XI. A formação de uma comunidade política portuguesa foi o resultado da acção de príncipes e aristocratas envolvidos na política dos reinos cristãos do Norte peninsular a partir do final do século XI – tendo a instituição de um reino independente dos outros reinos peninsulares vindo a ser protagonizada pelo filho de um aristocrata borgonhês e de uma infanta castelhana, o rei Afonso Henriques, em luta com o seu primo, o rei Afonso VII de Leão e Castela. Esta separação política, consolidada nos séculos seguintes, inpôs costumes, relações e referências que acabaram por constituir uma comunidade identitária. O uso da língua neolatina chamada «Português» foi uma das dimensões dessa diferenciação. Portugal veio assim a ser o nome de uma «nação» e os seus habitantes passaram a identificar-se como «portugueses», embora continuassem durante muito tempo a recorrer a outras fórmulas identárias, como as que diziam respeito à cristandade.
Portugal é o país de fronteiras mais antigas da Europa mas nenhuns acidentes geográficos, como rios ou montanhas, o delimitam na sua configuração actual do resto da península. O actual território continental português constituíu, durante a maior parte da História de Portugal, apenas um ponto de partida para a unidade política chamada Portugal, a qual esteve frequentemente envolvida em projectos e tentativas de expansão, primeiro na Península Ibérica, e a seguir nas ilhas do Atlântico, em África, na América, na Ásia e na Oceânia.
O relevo, a orografia e o clima definiram regiões que podem ser identificadas em Portugal. O tipo de povoamento, as culturas e as tecnologias agrícolas, as variantes do uso da língua, as estruturas familiares, as práticas religiosas e até as opções políticas sob regime democrático, desenham contrastes territoriais entre o Norte e o Sul à volta da linha do rio Tejo. Esses contrastes constituem a melhor base para a interpretação da História do país, a começar pelo processo da sua formação. Os portugueses tiveram, assim, sempre uma existência plural e diversa.
A diversidade de ambientes e de tradições no interior do território português na Península Ibérica não resultou em identidades regionais fortes. Os reis de Portugal preocuparam-se sempre em afirmar o seu ascendente, mas conviveram com uma grande diversidade de poderes locais – senhorios de linhagens, instituições, municípios – que no entanto não produziram identidades separadas. Para isso contribuiu certamente o facto de Portugal não haver sido formado através de uniões de reinos ou unidades políticas estabilizadas ou preexistentes, mas da conquista de territórios a partir de um núcleo político de raiz, o chamado Condado portucalense. Portugal foi sempre um único reino e não uma monarquia compósita como outras entidades políticas europeias.