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17/11/24

VENEZA EM FESTA (Exposição temporária Museu Calouste Gulbenkian, Novembro 2024)


A Praça de São Marcos em Veneza 
Canaletto (1697-1768)
Óleo sobre tela 141,5 x 204,5 cm
Veneza, c.1723-1724
A perspetiva converge para a Basílica e para o Campanário, cuja imponente torre de 98,6m se ergue ao fundo. Os edifícios dos procuradores estão desenhados com o Procuratie Vechio banhado de luz eo Procuratie Nuove reproduzido na sombra.




O Grande Canal Visto de San Vio
Canaletto (1697-1768)
Óleo sobre tela, 140,5 x 204,5 cm
Veneza, c.1723-1724
O ponto de vista encontra-se situado na Igreja de San Vio, no Dorsodeiro, e permite observar, no ponto de fuga, a Margem do Grande Canal. Canaletto representa no primeiro plano a vida local da população, sendo possível reconhecer, ao fundo da linha de edifícios, a cúpula de Santa Maria della Salute. À direitaé possível reconhecer o Palazzo Barberigo, enquanto, no lado oposto, se destaca a fachada renascentista com o prédio de três arcadas do Pallazo Corner della Co´Grande.




O Bucentauro
Canaletto (1697-1768)
Óleo sobre tela, 57 x 63 cm
Veneza, c.1745-1760
A tela representa a galera cerimonial Bucentauro, com o doge a bordo, de regresso à Praça de São Marcos, atracada diante da Piazetta. Símbolo da Sereníssima, esta embarcação transporta no Dia da Ascenção, o núncio pontefício e outros convidados ilustres que se reuniam por ocasião da evocaçãodo casamento simbólico entre Veneza e o Mar. A embarcação dirigia-se à Igreja de São Nicolau, onde o patriarca de São Pedro aguardava o doge para abençoar o anel cerimonial e atirá-lo ao mar,como uma alusão do poder naval da cidade sobre o Adriático. Após a celebração da missa, os convidados reuniam-se num banquete no Palácio Ducal. Caneletto aborda o tema construindo uma vista panorâmica da cidade que permite reconhecer os principais edifícios de Veneza.



O Grande Canal com Santa Maria della Salute
Marieschi (1710-1743)
Óleo sobre tela, 83,5 x 121 cm
Veneza, c.1738-1740
Nesta pintura a Basílica de Santa Maria della Salute, situada na Punta della Dogana, captada na margem oposta da entrada do Grande Canal. A basílica barroca, mandada construir peloSenado de Veneza em 1630 por ocasião de uma epidemia de peste, foi terminada em 1687. O arquiteto concebeu o edifício em forma octogonal de maneira a evocar a coroa da Virgem, a quem a basílica foi consagrada.



A Festa da Ascenção na Praça de São Marcos
Francesco Guardi (1712-1793)
Óleo sobre tela, 61 x 91 cm
Veneza, c.1775
O maior festival de Veneza, a Festa da Serena, que vivia o casamento simbólica de Veneza com o Mar. Avistam-se na veduta (vista urbana) a Praça de São Marcos, o Campanário, a Torre do Relógio, o Palácio Ducal, os edifícios dos altos funcionários da República de Veneza, os Procuratia. Era neste local que se situavam os stands onde eram exibidos objetos de ourivesaria e rêsteis. O primeiro plano da composição, animado por silhuetas elegantes,magnificamente distribuídos no cenáriofestivo imprime no conjunto movimento e agitação febril.



Regata no Grande Canal
Guardi (1712-1793)
Óleo sobre tela, 61 x 91 cm
Veneza, c.1775
Obra inspirada na pintura de Caneletto. Uma visão ampla do Grande Canal. O espaço em profundidade desde a tribuna próxima do Palácio Balbi, até à Ponte de Rialto, no limite do horizonte. À esquerda encontra-se a macchina, pavilhão flutuante ricamente decorado, onde eram distribuídos os prémios aos vencedores da regata.



A Largada do Bucentauro
Gaudi (1712-1793)
Óleo sobre tela, 61 x  92 cm
Veneza, c. 1780-1790
A veduta (vista urbana) representa a bacia de São Marcos no momento em que o Bucentauro, barco cerimonial que transportava o doge (o príncipe magistrado da República de Veneza entre 726 e 1797) se dirige para a Igreja de São Nicolau do Lido, para proceder à cerimónia do casamento simbólico entre Veneza e o Mar. Na popa da embarcação, ricamente decorada, destacam-se as esculturas da Prudência e da Fortaleza, enquanto o mastro sustenta o estandarte vermelho e dourado com o leão alado de Veneza. O Spozaligio del Mare, como era localmente designado, consistis no lançamento à agua do anel com que o papa Alexandre III presenteara o doge Sebastiano Ziani, e, 1177 numa evocação das vitórias naval e diplomática  que haviam proporcionado à cidade  o controlo do Adriático. As festividades prolongavam-se ao longo de quinze dias, com a realização de regatas e outras diversões, e viviam no dia de Ascensão a sua apoteose.



Vista do Molhe com o Palácio Ducal
Guardi (1712-1793)
Óleo sobre tela 48 x 78 cm
Veneza, c.1780-1790
Gaudi descreve minuciosamente nesta veluta os edifícios situados no coração de Veneza, percorrendo, da esquerda para a direita, o Armazém dos cereais,  a Zecca, a Biblioteca Marciana,o Campanário, a Torre do Relõgio, a Piazetta, a Bas+ilica de São Marcos. o Palácio Ducal,  e a Prisão. O ponto de vista frontal inspira-se na pintura de Canaletto.



14/03/20

9 ROMÂNICO Pintura


9
ROMÂNICO
Pintura

 Embora a pintura tenha tido uma grande importância no período românico, não chegaram aos nossos dias tantas obras como no caso da escultura, fruto da ação humana, do tempo e de alguns incidentes.
A pintura românica apresenta-se sobretudo em duas modalidades: o fresco, na decoração de espaços arquitetónicos interiores, principalmente igrejas; a iluminura, na ilustração de livros.
Em ambas, a temática dominante é a religiosa.
Apesar das variantes estéticas e formais, no essencial vamos encontrar na pintura caraterísticas idênticas às da escultura, sendo nela evidentes as influências bizantina, carolíngia e otoniana.
Embora pelos modos de fazer seja possível identificar algumas escolas ou oficinas regionais ou locais, raramente se conhecem os nomes dos autores dessas obras, tal como sucede com a escultura.
Aliás, sabe-se que muitas das obras eram de execução coletiva.
Muitos dos pintores e escultores eram artesãos e monges que se especializaram numa ou noutra área, devido a um jeito especial ou a uma dedicação persistente.
A aprendizagem não era formal, feita em escolas especializadas, mas adquiria-se na prática, sobretudo copiando.
No caso da iluminura, sabe-se que a aprendizagem era feita nas oficinas conventuais, entre os monges copistas.
No caso do fresco, era feita na prática da decoração das igrejas, quando os edifícios eram dados por concluídos.
No fresco, pouco ou nenhum espaço de liberdade era deixado aos pintores, já que tanto os temas como as composições eram definidas pelo patrono ou encomendador da obra.
Os pintores eram pouco mais do que executantes de um plano estabelecido.
Muita da pintura românica conta histórias do Velho e do Novo Testamento, destacando-se cenas apocalípticas, passagens da vida de Cristo e de santos.
As principais caraterísticas da pintura românica são:
 - Uma forte presença do desenho, destacando-se a linha como elemento estruturante;
 - Falta de rigor anatómico, sendo frequentes os corpos em posições algo desarticuladas;
 - Tendência para a estilização e geometrização; utilização quase exclusiva de cores planas;
 - Cenários inexistentes, abstratos ou simbólicos;
 - Composições ora algo desordenadas, ora assentes em esquemas repetitivos.
Comparativamente com os relevos, existe na pintura uma maior dinâmica e algum sentido de ritmo.
 Contuso, também a pintura assume um poder simbólico, sobrenatural e doutrinário.
 A nudez e a sobriedade que hoje existe em muitas igrejas românicas era uma caraterística apenas das igrejas cistercienses.
Nas restantes predominava uma extensa policromia que revestia paredes, abóbadas, pilastras e relevos, numa ambiência de encantamento e transcendência
Menos frequentes mas igualmente significativos foram os retábulos pintados sobre madeira, usados principalmente na decoração de altares.
Esses retábulos foram comuns na Catalunha.
Também chegaram aos nossos dias alguns tetos de madeira pintados com cenas ou figuras religiosas.
Na Itália, devido à tradição romana e bizantina, continua a ser frequente a decoração das igrejas com riquíssimos painéis de mosaicos, que tanto podem cobrir abóbadas como paredes, o chão ou arcadas.
No início da Idade Média enraizou-se o hábito de copiar manuscritos, nos scriptoriae das catedrais e dos mosteiros.
Tal hábito deu origem a uma tradição que se manteve até ao advento da imprensa.
Copiavam-se bíblias, manuais litúrgicos, crónicas históricas, tratados filosóficos, etc.
Tais livros eram produtos raros e preciosos, destinados a consumo interno ou a uma reduzida clientela de eruditos que os valorizavam.
E mais preciosos se tornavam se ricamente ilustrados com imagens fantasiosas e cheias de cor: as iluminuras.
Oscilando entre a figuração e os ornamentos estilizados e geométricos, essas ilustrações tanto podiam ocupar uma página inteira, como partilhá-la com a escrita, ou reduzirem-se à decoração das iniciais de cada capítulo ou parágrafo.
Se bem que algumas iluminuras apresentem desenhos e composições algo primárias, outras revelam uma enorme destreza técnica e uma grande criatividade, levando a supor que provavelmente haveria monges que se dedicavam em exclusividade a essa tarefa.
Executadas em ambiente pacato e intimista, em geral as iluminuras apresentam um imaginário e uma diversidade estética superiores às que se encontram nos frescos e nos relevos, sendo provável que os seus motivos tivessem servido de referência a estas técnicas.
Consoante as regiões, as iluminuras revelam influências específicas: na Alemanha, do período carolíngio; nas Ilhas Britânicas, dos anglo-saxões e irlandeses; na Itália, da estética bizantina; em Espanha, da arte muçulmana