Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Bloco de notas pessoais aberto a quem o quiser folhear.

27/12/14

Breve História de São João de Areias

História de São João de Areias


A freguesia de São João de Areias dista sete quilómetros da sede de concelho tendo uma população de cerca de 2500 habitantes. Integram a freguesia os lugares de Campelinho, Cancela, Casas Novas, Casal, Castelejo, Cernada, Currais, Fonte do Ouro, Guarita, Póvoa dos Mosqueiros, Prado, Quinta da Póvoa dos Mosqueiros, Quinta do Rio Dão, Ranha, São João de Areias, São Miguel, Sardoal, Silvares, Vale Pinheiro e Vila Dianteira.

Documentos do século X indicam a existência de monumentos arqueológicos no território que veio a constituir esta freguesia e nas imediações demonstrando a antiguidade do seu povoamento.

Segundo a lenda, o nome São João de Areias veio de uma imagem encontrada por uma velhinha nas margens do rio Mondego e que o povo levou depois em procissão para a igreja. Como foi achada nas areias, a vila ficou conhecida como São João de Areias. Certamente o topónimo está, na verdade, ligado a constituição de terrenos de então.

À semelhança de outras povoações, também São João de Areias pertencia ao Conde Gonçalo Moniz e à sua mulher D. Mumadona, Infanta de Leão e seria doada ao Mosteiro de Lorvão. Existiam por estas terras variados mosteiros que não deviam passar de ermidas com pequena população regular. São João de Areias era cento de relativa importância no século XIII, existindo juiz local e paróquia. Era, portanto, freguesia e concelho.

Em Outubro de 1136 D. Afonso Henriques coutou São João de Areias, Currelos, Parada e Santa Comba Dão ao bispado de Coimbra. Mais tarde, São João de Areias torna-se bispado de Viseu.

Nas Inquirições de 1258 encontra-se uma declaração sobre os juízes régios elucidativa acerca da história desta freguesia: “ Fomos a São João de Areias e, tendo interrogado o juiz local e o prelado e muitos outros cada qual por si, foi-nos dito que São João de Areias, Vila Dianteira, São Miguel, Cernada e metade de Parada, são do bispado de Viseu, teve-o de parte dos reis e a outra metade de Parada foi de Mem Sanches e é toda couto. “. Tendo-se averiguado sobre foros, foi respondido que não se fazia daí qualquer foro ao rei e até Silvares nada se pagava à coroa porque era “ hereditas “ do Mosteiro de Arganil, embora estivesse situada no couto de São João de Areias.

Mem Sanches será, muito provavelmente, o genro do senhor de Góis - D. Soeiro Dias -, descendente de D. Paio Guterres – o da Silva ou de Froião, no Alto Minho. De facto, este fidalgo que casou em segundas bodas com uma dona desta região beirã, foi casado com D. Sancha Anes e teve dela D. Pedro Pais “ Escacha “, de quem foi filho D. Sancho Pires. Este foi pai de Mem Sanches que, provavelmente, não possuiu o couto de Parada por herança dos seus antepassados - visto que estes nada teriam por cá -, mas a sua mulher , D. Maria Soares, filha de D. Soeiro Dias e neta paterna do senhor de Góis, padroeiro do cenóbio de Arganil, D. Diogo Gonçalves. Este prócer, senhor, crivelmente, do couto da meia Parada, era já Governador de Lafões e Besteiros – “ terra “, onde se incluía nos extremos meridionais São João de Areias – ao advento de D. Afonso Henriques. Com ele figura em documentos deste soberano relativos àquelas terras beirãs, D. Rabaldo Afonso, pai de D. Urraca Rabaldes.

Mem Sanches foi pai, entre outros filhos, de D. Pêro Mendes “ O belo pastor “ e de D. Maria Mendes, esposa do prócer beirão D. Fernando Anes “ Cheira “, tenente desta região e mãe de D. Froilhe Fernandes, grande dona beirã.

São João de Areias recebeu foral de D. Manuel a 10 de Abril de 1515. Foi sede de um concelho extinto a 7 de Setembro de 1895, passando a freguesia. Compreendia as freguesias de Parada, Pinheiro de Ázere e São João de Areias. A primeira pertence, actualmente, ao concelho de Carregal do Sal.

Foi primeiro barão de São João de Areias Francisco Serpa Saraiva – fidalgo da Casa Real, par do Reino, senador, comendador da Ordem de Cristo e juiz do Supremo Tribunal de Justiça, senhor de vínculos herdados de seus maiores – a 7 de Outubro de 1781. Foi segundo barão de São João de Areias Manuel de Serpa Pimentel a 27 de Setembro de 1910.

A agricultura, a transformação de madeiras, as confecções, o comércio e a construção civil constituem as actividades económicas mais relevantes da freguesia cujo orago é São João Baptista.

Existem também muitas colectividades na freguesia, das quais destacamos: a Associação Sócio- Cultural São João Baptista, o Centro Recreativo e Cultural da Póvoa dos Mosqueiros, o Centro Social e Cultural, o Grupo Desportivo de São João de Areias, a Sociedade Filarmónica Fraternidade de São João de Areias e a União Desportiva da Cancela.

Em São João de Areias celebram-se algumas festas e romarias: São João de Areias a 24 de Junho, Senhora da Graça a 19 de Dezembro, São João Baptista, Nossa Senhora da Conceição a 8 de Dezembro e São Miguel.

(História de São João de Areias

23/12/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 25 - Tendências Recentes em Portugal


25 - PORTUGAL: Tendências Recentes

Consideram-se Tendências Recentes as que se manifestam dos anos 60 em diante, correspondendo em grande parte ao período do pós 25 de Abril.

Alguns pintores figurativos dão continuidade a movimentos marcantes nas décadas anteriores, como o Surrealismo, o Gestualismo e o Abstracionismo; outros surgem com figurações sintéticas, sob influências dadaístas ou étnicas.

Na tendência abstracta podemos observar as vertentes geométrica, lírica, matérica e gestual, as últimas influenciadas pelo Informalismo e pelo Expressionismo Abstracto.

Vários dos pintores mais velhos fizeram parte significativa do seu percurso nas décadas anteriores, assim como parte dos pintores do Segundo Modernismo estenderam a sua produção até tempos recentes. Alguns apresentam-se fiéis a uma linha, outros têm abordagens muito eclécticas.

Pintores referidos na sessão:
Lima de Freitas 
António Costa Pinheiro
Júlio Pomar 
Gil Teixeira Lopes
Menez 
Eduardo Nery
Artur Bual 
Álvaro Lapa
Manuel Cargaleiro 
José de Guimarães
António Charrua 
Jorge Martins
Carlos Calvet
 Noronha da Costa
Lourdes Castro 
Luís Pinto-Coelho
Eurico Gonçalves 
Eduardo Batarda
Maluda 
Pedro Chorão
João RodriguesVieira
António Palolo
René Bértholo 
Graça Morais
Paula Rego
Julião Sarmento
Ângelo de Sousa
Vítor Pomar
Armando Alves
 Mário Botas
Jorge Pinheiro
Lima de Freitas - O encoberto

António Costa Pinheiro - Fernando Pessoa

Júlio Pomar - Mário Soares

Gil Teixeira Lopes - Dizer Íntimo

Menez -S/título

Eduardo Nery - Templos no Espaço

Artur Bual - Natércia Correia

Álvaro Lapa -S/título

Manuel Cargaleiro - A cidade dos mastros e das caravelas

José de Guimarães - S/título

António Charrua - S/título

Jorge Martins - Harém míope

Carlos Calvet - Misteriosa, Ousa

Luis Noronha da Costa - S/título

Lourdes Castro - Sombras projectadas bolsas e laranjas

Luis Pinto-Coelho - Rejon de Muerte

Eurico Gonçalves - Desdobragem

Eduardo Batarda - Cena canalha

Maluda - Lisboa

Pedro Chorão - S/título

João Rodrigues Vieira - Uma rosa é

António Palolo - Corpo

René Bartholo - O Líbano

Graça Morais - S/título

Paula Rego - A irmã do polícia

Julião Sarmento - Mehr Licht

Ângelo de Sousa - S/título

Vitor Pomar - S/título

Armando Alves - Paisagem

Mário Botas - Retrato de Fernando Pessoa

Jorge Pinheiro -Figura

18/12/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 24 - Segundo Modernismo em Portugal

24 - PORTUGAL: 2.º MODERNISMO
O Segundo Modernismo corresponde ao período de apogeu e declínio do regime de Salazar, centrando-se nos anos 40, 50 e 60. Nessas décadas são mais marcantes as influências do Surrealismo, do Neo-Realismo e do Abstraccionismo, sendo também de realçar as do Expressionismo e Gestualismo.
Com a colaboração de grandes arquitectos e escultores, as obras e monumentos públicos ganham uma grande relevância, sobretudo nas áreas do Urbanismo, Arquitectura e Escultura. Contudo, o Estado Novo apresenta um Modernismo contido, de um modo geral limitado a uma estética marcadamente nacionalista e saudosista.
Os pintores trabalham com um grau de liberdade bem maior do que escultores e arquitectos. Assim sendo, vários aproveitam também para expressar críticas ao regime, muitas vezes de forma velada, de modo a contornar a censura. Na ilustração oficial continua a tendência popular, agora de cariz nacionalista e propagandístico; mas uma outra se impõe, assumindo uma estética neorrealista, marcadamente antifascista.

Pintores referidos na sessão:
 António Pedro
António Dacosta
Fernando de Azevedo
Marcelino Vespeira
Cândido Costa Pinto
Cruzeiro Seixas
Manuel Ribeiro de Pavia
Domingos Camarinha
Rogério Ribeiro
Vieira da Silva
João Hogan
Luís Dourdil
Joaquim Rodrigo
Júlio Resende
Nadir Afonso
Fernando Lanhas
Carlos Botelho
Henrique Medina
Maria Keil
Querubim Lapa
Nikias Skapinakis - Tertúlia (1960)

Querubim Lapa - Desespero (1950)

Maria Keil - Painel de Azulejos "O Mar" (1958-59)

Henrique Medina - Rapariga da Galiza (1948)

Carlos Botelho - Ramalhete de Lisboa (1935)

Fernando Lanhas - 010.50 (1950)

Nadir Afonso - Composição Geométrica (1953)

Júlio Resende - Homem a Cavalo (1950)

Joaquim Rodrigo - Santa Maria (1961)

Luis Dourdil - (sem título, 1881)

João Hogan - (sem título, 1972)

Vieira da Silva - O Jogo de Xadrez (1943)

Rogério Ribeiro - Alentejo

Guilherme Camarinha - S. Jorge e o Leão

Manuel Ribeiro de Pavia - Apanha da Azeitona

Cruzeiro Seixas - A Chávena com Asa por Dentro (2001)

Cândido Costa Pinto - Decadência Outonal / Fadista (1943)

Marcelino Vespeira - Parque de Insultos (1949)

Fernando de Azevedo - Ocultação (1949)

António Dacosta - Cena Aberta (1940)

António Pedro - A Ilha do Cão (1941)
Nikias Skapinakis