Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Bloco de notas pessoais aberto a quem o quiser folhear.

10/11/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 19 - Arte Pop

19 - ARTE POP
A Arte Pop (ou Pop Art) surge em meados dos anos 50 em Londres, e pouco depois em Nova Iorque. No entanto, três artistas americanos são apontados como precursores deste movimento, uma vez que décadas antes praticaram uma pintura com características formais semelhantes.
A Arte Pop gira sobretudo em torno da cultura urbana e da sociedade de consumo. É essencialmente figurativa, surgindo nos Estados Unidos também como reacção contra o Expressionismo Abstracto.
Utiliza os ídolos do presente como ícones, nomeadamente atores, músicos e políticos. Procura inspiração no cinema, na fotografia, na televisão, na banda
desenhada, na música pop, na publicidade, nos bens de consumo, etc.
Marcas, objectos e produtos do consumo de massas surgem nas suas obras.
Também a exploração, que a publicidade faz do corpo da mulher e do erotismo, merece a atenção de alguns artistas.
A Arte Pop usa variadíssimas técnicas pictóricas: óleo, acrílico, fotografia,
Foto montagem, serigrafia, colagens, técnicas mistas, etc. Quer na estética quer na atitude, nalguns artistas são evidentes as influências do Dadaísmo.

Pintores de referência:
Charles Demuth
Gerald Murphy
Stuart Davis
Richard Hamilton
Peter Blake
Ronald Brooks Kitaj
David Hockney
Allen Jones
Peter Phillips
Wayne Thiebaud
Roy Lichtenstein
Larry Rivers
Robert Rauschenberg
Andy Warhol
Robert Indiana
Jasper Johns
Tom Wesselmann
James Rosenquist
Mel Ramos
Wolf Vostell
Keith Haring
Peter Phillips - Custom Painting nº.5
Robert Indiana - Love (1973)
Jasper Johns - white flag (1955)
Tom Wesselmann - Natureza-morta (1963)
James Rosenquist - Nómadas (1963)
Mel Ramos - Catsup (1972)

wolf vostell - Miss America (1968)
Keith Haring - Retrospect (1989)

Charles Demuth - No meu Egipto (1927)


Charles Demuth - A figura 5 em oiro (1928)

Charles Demuth - Edifício Lancaster (1930)

Richard Hamilton - O que torna os dias de hoje tão cativantes (1956)


Richard Hamilton - Anunciação (2005-6)

Peter Blake - Sg.Peppers Lonely Hearts Club Band (1966)

Peter Blake - O Encontro (1981-83)

David Hockney - Portrait of Nick Wilder (1966)

David Hockney - Pool with two figures (1972)

David Hockney - Place Furstenberg

Allen Jones - Impressão sobre papel (1976)

Allan Jones - Objecto impresso (1982)

Allan Jones - Pitch (2006)


Peter Phillips - Pop Art composition (1978)

wayne Thiebaud - French Pastries (1963)

Wayne Thiebaud - Rapariga com gelado de cone (1964)


Larry Rivers - Europe I (1956)


Larry Rivers - Kennedy and de Gaulle (1961-2)

Larry Rivers - Madame Butterfly (1978)

Robert Rauschenberg - Sem título (1963)

Robert Rauschemberg - Express (1963)

Robert Rauschemberg - Space way (1964)

Andy Warhol - Marylin (1967)

Andy Warhol - Mao Zendong (1973)

Andy Warhol - Big Electric Chair (1971)
Ronald Brooks Kitaj - The Ohio Gang (1964)

Andy Warhol - Campbell's Tomato Soup (1962)

Roy Lichtenstein - Artist Studio (1974)

Roy Lichtenstein - Forget it (1962)

Roy Lichteinstein - Hopeless (1963)

Stuart Davis - The Paris Bit (1959)

Stuart Davis - The Mellow Pad (1945-51)
Gerald Murphy - Cocktail (1927)

Gerald Murphy - Relógio (1925)

Gerald Murphy - Lâmina de Barbear (1924)
Peter Blake - As Origens do Pop III


01/11/14

História de Roma -18 - 3ª GUERRA PÚNICA

Terceira Guerra Púnica (149 a.C. -146 a.C.) foi a última das guerras entre Roma a Cartago.
Embora as duas partes estivessem em paz desde o fim da Segunda Guerra Púnica (201 a.C.), Roma não conseguia ficar tranquila com a rival, pois mesmo com todos os embargos e imposições que o tratado de paz fixado entre as duas cidades na última guerra, Cartago, superando todas as adversidades, e sob o comando de Aníbal, reerguera-se com um vigor surpreendente e voltara a prosperar.
Roma não podia deixar a velha rival tornar-se novamente uma potência. Diz a lenda, que Catão, o Velho, repetia no Senado, sem cessar: "delenda est Carthago" (Cartago precisa ser destruída). Roma usou então um ardil muito utilizado na antiguidade: como Cartago estava proibida de fazer guerra contra qualquer povo sem o consentimento do senado romano, secretamente mandou  o seu aliado em África, Masinissa, rei dos Númidas, que devia o trono à sua submissão a Roma e desejava alargar o seu território, atacar o território cartaginês e invadir as suas terras de trigo.
Durante três anos o senado cartaginês implorou para Roma o direito de defesa, sendo sempre ignorado, claro, pelos romanos, até que finalmente os Cartiagineses resolveram defender-se. Estava aí criado o pretexto que Roma precisava para atacar Cartago. No ano 149 a.C.. as legiões atacaram e cercaram a cidade de Cartago.
Os Cartagineses decidiram resistir até ao fim e fizeram-no durante quatro anos. Em 146 a.C., o cerco de de Cipião Emiliano terminou com a tomada da cidade e um pavoroso massacre. segundo a lenda, o cerco foi tão duro que as mulheres cartaginesas cortavam os cabelos para fazer corda e os seus defensores lutavam dia e noite para defender a cidade. Em 146 a.C. os romanos conseguiram finalmente entrar dentro dos muros da cidade, mas mesmo assim tiveram que lutar ferozmente para vencer a resistência, pois os cartagineses venderam caro cada metro quadrado. Pacientemente os romanos foram tomando casa por casa até entrar na cidadela interna e vencer a última resistência.
Os sobreviventes foram vendidos como escravos, a cidade destruída pedra a pedra e foi espalhado sal sobre as ruínas para que estas permanecessem estéreis e malditas para sempre. Esta atitude revela o medo que a memória de Aníbal ainda suscitava entre os Romanos.
Quando Mesinissa morreu, os Romanos optaram por uma política  de anexação: a pátria dos Cartagineses, que correspondia à parte norte da actual Tunísia, tornou-se a província da África, que possuía numerosas colónias e uma riqueza agrícola inesgotável, substituindo progressivamente a Sicília como principal fornecedor de cereais a Roma.

A destruição impiedosa de Cartago fez tremer o mundo civilizado do Mediterrâneo e o imperialismo romano revelava-se em todo o seu cinismo, obtendo resultados espantosos: em poucos anos o Mediterrâneo tornar-se-ia o "Mare Nostrum" - o seu mar.



13/10/14

História de Roma -17 - 2ª GUERRA PÚNICA

2ª Guerra Púnica


A Segunda Guerra Púnica (218-201a.C.) foi a mais terrível guerra travada por Roma e teve consequências consideráveis.
Preliminares:
Em 241 a.C. Cartago fora vencida no fim da Primeira Guerra Púnica, mas não desaparecera do mapa. Roma interditou as águas italianas aos seus navios e obrigou os Cartagineses a evacuarem da Sicília. No ano seguinte Cartago foi atormentada pela revolta de 20.000 mercenários que se amotinaram devido aos atrasos no pagamento dos soldos e puseram a cidade a ferro e fogo durante 3 anos e só após encarniçados combates os mercenários foram aniquilados. Também os companheiros de armas destes rebeldes, na Sardenha, se revoltaram contra Cartago e pediram, em 283 a.C., auxílio a Roma, que enviou um corpo expedicionário e assim se apossou das fortalezas cartaginesas e anexou a Sardenha e a Córsega a Roma. Cartago perdeu igualmente a quase totalidade das suas possessões espanholas.
Mas uma vez esmagadas as violentas insurreições dos mercenários, os Cartagineses recuperaram de forma espectacular e reconstituíram o seu império espanhol. Este facto resultou da acção da mais ilustre família de Cartago, os Bárcidas, estabelecidos em Espanha há vários decénios e fundadora de uma linhagem hereditária de governantes semi-independentes. O primeiro a tornar-se famoso foi Amílcar Barca, que teve um papel importante na Primeira Guerra Púnica e também se distinguiu na vitória sobre os mercenários amotinados que lhe valeu a autorização para reconquistar os seus territórios em Espanha. Os seus sucessos foram espectaculares. As terras espanholas por ele ocupadas eram mais vastas e ricas que todas as outras anteriores dependências de Cartago. Os Espanhóis, entre cujos antepassados se contavam os Celtas e os Iberos, eram guerreiros famosos pela sua resistência física, constituindo o melhor exército que Cartago jamais teve. Amílcar morreu afogado em 229 a.C.. Sucedeu-lhe o seu genro Asdrúbal, que elegeu como capital Nova Cartago (Cartagena), construída sobre uma península que abrigava um dos melhores portos do mundo, e alargou significativamente o território para o interior. Asdrúbal foi assassinado em 221 a.C., e o comando passou para o seu cunhado Aníbal. Este estendeu as suas fronteiras ainda mais, mas uma cidade costeira, Sagunto, resistiu-lhe e pediu auxílio a Roma, que respondeu à solicitação e exigiu que Sagunto fosse respeitada. Aníbal rejeitou o ultimato e sitiou a cidade. Os Romanos furiosos intimaram Cartago a entregar-lhe Aníbal. O pedido foi recusado. A recusa de Cartago em entregar Aníbal desencadeou as hostilidades e assim começou a Segunda Guerra Púnica. Segundo a lenda o pai de Aníbal obrigara-o a jurar ódio eterno aos Romanos e Aníbal desejava vingar a sua pátria, convencido que o poder do seu novo território ibérico lhe dava a oportunidade única para tal.
A Guerra:
Os Romanos, seguros do seu poder, declararam guerra a Aníbal e começaram a reunir forças militares para a empresa espanhola. No entanto, os seus planos foram ultrapassados pela audácia de Aníbal que decidiu invadir a Itália a partir das vias acidentadas do interior do país. Conduzindo uma força de 40.000 homens, entre os quais soldados espanhóis bem treinados, a sua excelente cavalaria númida e 37 elefantes, Aníbal tinha ainda intenção de, ao passar no Norte da Itália, engrossar os efectivos com a incorporação de gauleses hostis aos Romanos e Italianos.
Em Abril de 218 a.C., Aníbal atravessa o Ródano e, no início do Outono, atinge os Alpes. O trajecto foi penoso devido aos nevões precoces, mas Roma enganou-se ao pensar que as intempéries travariam os seus inimigos. No entanto, quando Aníbal atingiu o vale do Pó, restavam-lhe apenas 26.000 homens. Os generais enviados pelo Senado esperavam vencê-lo pelo desgaste, mas foram derrotados em duas batalhas consecutivas, uma a norte, junto ao Tessino, outra a sul, junto ao Trébia, ambos afluentes do rio Pó. Assim, em apenas dois meses, Aníbal apoderou-se de praticamente todo o Norte de Itália e, embora tivesse perdido a maior parte dos elefantes, graças às suas vitórias, o seu exército contava agora com quase 50.000 homens.
Enquanto isso, em Roma os plebeus vilipendiaram os incapazes que perderam o Norte de Itália e, em 217 a.C., elegeram como cônsul um «homem novo», Gaio Flamínio, para mostrarem aos senadores até que ponto desaprovavam a estratégia militar.
Flamínio tentou estancar a progressão do exército cartaginês em direcção a sul mas, durante os primeiros meses do ano, este conseguiu esquivar-se atravessando regiões pantanosas, em condições tão adversas e rigorosas que Aníbal, montado no único elefante sobrevivente, acabou por perder um olho devido ao frio. Aníbal colocou Flamínio na sua peugada e, numa b5rumosa manhã de Abril, preparou uma emboscada às tropas romanas, num desfiladeiro entre colinas  e o lago Trasímeno. Duas legiões romanas foram massacradas e o próprio Flamínio morreu.
Esta vitória abriu a Aníbal o caminho para Roma mas não podia sitiá-la pois, para ultrapassar as defesas da cidade, eram necessárias máquinas de guerra que ele não possuía. Daí que tenha contornado a capital e descido para o Sul da península em busca de aliados. O exército romano estava agora sob o comando dum veterano, o general Fábio Máximo, na altura ditador. Fábio, um romano da velha guarda, paciente e astuto, optou por uma estratégia que reduzia ao mínimo as perdas em novas batalhas campais das suas tropas, recentemente recrutadas, tendo-se aplicado a cortar os víveres ao inimigo, destruindo as colheitas à sua volta. Esta estratégia valeu-lhe a alcunha de O Contemporizador.
 No ano seguinte, os Romanos nomearam generais dois cônsules sem experiência que tomaram o comando do mais forte exército jamais lançado por Roma num teatro de operações. Esperando ganhar a guerra numa única batalha, acertaram o ajuste numa planície aberta, perto de Canas, pequena fortaleza situada nas proximidades do salto da bota italiana. Confiantes na sua superioridade numérica passaram ao ataque mas Aníbal ordenou às suas tropas, dispostas numa frente convexa que recuassem ao centro, de maneira a formarem uma frente côncava. Entretanto, começou a soprar o siroco, um vento  quente que levantou nuvens de areia que atingiram os romanos nos olhos. Estes, privados de visão, foram atacados em tenaz pela infantaria cartaginesa e na retaguarda pela cavalaria. O exército romano desagregou-se. Esta foi a derrota mais sangrenta alguma vez sofrida por Roma. Um exemplo sem precedentes de um exército numericamente inferior que consegue cercar por completo uma força mais importante. Esta táctica exigiu uma coordenação perfeita.
Um dos cônsules romanos pereceu no combate e o outro regressou a Roma, onde foi recebido com benevolência pelos seus colegas senadores que o felicitaram por não ter deixado de confiar na República. Em Roma, e apesar da catástrofe, a esperança permanecia intacta. Com efeito, antes do fim do ano as terríveis perdas sofridas por Roma foram compensadas por novos alistamentos; a vitória de Aníbal não lhe permitiu, assim, adquirir superioridade numérica.
Em 212 a.C., Roma afirmou-se como uma grande potência ao cunhar, pela primeira vez, uma moeda de prata, o denário, emissão que chegou em boa altura para acorrer às necessidades financeiras do Estado.
Em 211 a.C., Aníbal avançou até aos arredores de Roma. Acompanhado pela cavalaria, cercou as protecções da cidade. Ao mesmo tempo, por uma coincidência histórica, o terreno sobre o qual Aníbal instalou o seu acampamento, a 5 km da cidade, foi colocado à venda em hasta pública e comprado. Nada podia provar de maneira mais categórica que, apesar das derrotas, os Romanos estavam decididos a sobreviver e a vencer.
Os Romanos não conseguiram impedir Aníbal de ultrapassar os Pirinéus, nem de invadir a Itália. No entanto impediram o seu jovem irmão, Asdrúbal Barca, que Aníbal deixara no governo do império ibérico de Cartago, de lhe enviar reforços. Apesar do perigo eminente em que a pátria se encontrava, os Romanos decidiram tomar a iniciativa em Espanha, enviando tropas para lá. Estas estiveram durante sete anos sob o comando de dois homens chamados Cipião, respectivamente tio e pai do grande Cipião, O Africano. Os Cipiões apoderaram-se de todo o litoral mediterrânico da Península Ibérica, descendo progressivamente em direcção ao Sul e, em 211 a.C. conquistaram o objectivo inicial do conflito, a cidade de Sagunto. No entanto, nesse ano, os dois irmãos morreram em combate. Em 210 a.C., o Senado confia o comando dos exércitos de Espanha a um novo general: Púbio Cornélio Cipião, mais conhecido por O Africano, filho e sobrinho dos generais mortos no ano anterior.
Uma vez em Espanha, Cipião escolheu como alvo, a capital inimiga, Cartagena, que tomou em 209 a.C.
Em 209 a.C., com magnífica destreza militar, atacou e venceu o exército de Asdrúbal Barca, em Bécula. No entanto, Asdrúbal conseguiu escapar e abandonou Espanha em direcção a Itália com o intuito de reunir-se ao seu irmão Aníbal. A partida do seu exército significou para os Romanos o sucesso definitivo da campanha em Espanha. Cartago perdera, irremediavelmente, as suas possessões ibéricas para os Romanos, que as anexou e aí fundou novas províncias (Terragona no litoral e Bética no interior). Os Romanos desenvolveram e aumentaram as explorações mineiras dos Cartagineses que já eram gigantes (só em Cartagena as minas de prata empregavam 40.000 trabalhadores).
Após ter atravessado os Alpes sem ter encontrado qualquer obstáculo, Asdrúbal começou a descer o vale do Pó, onde novos recrutas gauleses elevaram o número dos seus efectivos para 30.000 homens. Em seguida os dois irmãos convergiram, com a intenção de juntar as suas forças.
Quanto aos romanos tinham um exército no Norte de Itália e outro no Sul. Entretanto os Romanos tiveram a sorte de interceptar um estafeta de Asdrúbal que lhes revelou o local, na Úmbria, onde a reunião das tropas dos dois irmãos teria lugar. Perante esta informação, o general romano que comandava o exército do Sul, subiu, durante 6 dias de marcha forçada, ao longo da costa adriática, até ao Metauro, rio da Úmbria. No dia seguinte pela manhã, Asdrúbal ouviu no acampamento romano um duplo toque, o que o levou a acreditar que os dois exércitos romanos se haviam juntado. Isto significava que ele se encontrava em inferioridade numérica de 10.000 homens. Num esforço desesperado para passar entre as duas linhas do exército romano e juntar-se ao irmão, atravessou o vale do Metauro depois do anoitecer, mas na obscuridade perdeu-se entre gargantas e ravinas escorregadias. Esta estratégia revelou-se um autêntico massacre: Asdrúbal e a quase totalidade dos seus homens pereceram.
Pela primeira vez desde o início desta longa guerra, os Romanos ganharam uma verdadeira batalha em casa. A derrota de Aníbal agora mais não era que uma questão de tempo. O general cartaginês soube da morte de seu irmão quando a cabeça deste foi lançada para o seu acampamento. Aníbal retirou-se para as montanhas do Bruttium (a ponta da bota italiana), onde permaneceu durante quatro anos.
Em 205 a.C., Cipião, coroado de glória pelas vitórias em Espanha foi eleito cônsul. Pediu então ao Senado autorização para invadir África e cercar Cartago. Os Senadores hesitaram temendo Aníbal que ainda se encontrava em Itália, mas acabaram por concordar. Cipião desembarcou no Norte de África com um exército de 30.000 homens, ao qual se juntou ainda  um monarca vizinho, o príncipe Masinissa, que reinava numa parte da Numídia e possuía uma  excelente cavalaria.
No ano seguinte, Aníbal regressa de Itália, onde combatera durante 15 anos. Cartago começara a negociar a paz com Roma mas Aníbal convence o governo cartaginês a interromper as negociações.
Cipião deslocou-se para o interior do país e, em 202 a.C., travou a batalha decisiva, perto de Zama, a 120 km de Cartago. A sua vitória era previsível e não espantou ninguém. No entanto, tendo em conta a grandeza dos generais que se confrontaram, este episódio ficará célebre. Quando a batalha começou nenhum dos protagonistas tinha clara vantagem sobre o outro. O desfecho acabou por estar ligado à acção dos cavaleiros Númidias, aliados de Roma, que conseguiram atingir os flancos da cavalaria inimiga e tomá-la pela retaguarda. A vitória romana foi total. Poucos cartagineses sobreviveram, mas Aníbal foi um deles. Aconselhou então o governo cartaginês a assinar a paz sem mais demoras, o que foi feito de imediato.
Os cartagineses que já tinham perdido Espanha, com esta derrota perderam também o seu lugar de primeira potência. Os Romanos tinham chegado à segunda fase da expansão: o resultado da Segunda Guerra Púnica garantiu-lhes, popr vários séculos, o domínio do Mediterrâneo Ocidental. Para a Europa Ocidental, este conflito foi a guerra mais importante da sua história, até ao Séc. XX.
Cipião teve um papel fundamental em todas as fases destes acontecimentos. A sua carreira provou que a época em que os dirigentes romanos não passavam de representantes mais ou menos anónimos, de um corpo tinha terminado. Cipião era um fenómeno. Ao contrário da maior parte dos romanos, era individualista e tinha espírito aventureiro. Foi o primeiro general romano designado pelo nome do país que havia vencido: Africanus. O seu triunfo deu-lhe um poder que até aí nenhum general romano tinha alcançado.
Quanto a Aníbal, foi melhor general que seu pai e o próprio Cipião. Será recordado como um dos maiores chefes militares da História. Não foi só o seu talento militar de guerreiro excepcional mas também a sua personalidade que seduziu os historiadores ao longo das épocas.
Roma saiu reforçada da batalha suprema mas, paradoxalmente, é a Aníbal que Roma deve o crescimento da sua confiança e do seu poder.





09/10/14

QUESTÕES DE SAÚDE: 2 - O sono (III)

PERTURBAÇÕES GRAVES DO SONO
10 – INSÓNIA CRÓNICA
É uma doença que se caracteriza por o doente dormir menos de 5 horas por dia durante dois meses seguidos. O doente tem dificuldade em manter um sono contínuo porque tem despertares nocturnos frequentes.
Há factores que associados podem incrementar a insónia: baixo nível socioeconómico, doença crónica, stress excessivo ou abuso do álcool.
Afecta cerca de 15% da população. É mais frequente nas mulheres que nos homens.

11 – SÍNDROME DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
É uma doença. Consiste na falta de entrada ou saída de ar dos pulmões durante 10 ou mais segundos. Apneia significa ausência de respiração.
O doente ressona de forma intensa e recortada. Os episódios apneicos são seguidos dum despertar violento.
Estes doentes, quando não tratados, sofrem de sonolência diurna, passam por problemas sociais e profissionais, rendem pouco no trabalho, esquecem-se das coisas e têm dificuldade em concentrar-se, são vítimas de ataques de sono e chegam a adormecer enquanto conduzem.
Antigamente, julgava-se que esta doença só era própria de pessoas obesas, mas hoje em dia demonstrou-se que pode afectar pessoas sem excesso de peso. Os investigadores concordam que a apneia é provocada por uma disfunção neurológica que afecta o controlo motor da musculatura do pescoço, embora o processo exacto seja ainda desconhecido. Em todo o caso existe uma clara predisposição genética.
Em casos graves de apneia usa-se um equipamento denominado CPAP ("Continuous Positive Airway Pressure". Trata-se de um mecanismo que introduz ar pelo nariz com maior pressão do que a a ambiental, ou seja, a uma pressão positiva contínua. Para tal é usado um pequeno compressor que envia o ar através de um tubo que desemboca numa máscara. O tratamento CPAP, em qualquer caso, não cura a doença, mas corrige-a, tal como uns óculos podem corrigir uma miopia. Assim o doente terá deo usar sempre.

12 – NARCOLEPSIA
É um síndrome de origem desconhecida que implica forçosamente uma disfunção do sono REM. Esta fase do sono, tão importante, aparece nos narcolépticos, num momento desapropriado, ou no inicio do sono ou após um despertar nocturno.
É uma patologia crónica que, uma vez instalada, perdura a vida toda e cuja causa continua desconhecida, tendo os estudos mais recentes demonstrado que possui uma base neuroquímica.
Os sintomas fundamentais são a sonolência diurna excessiva (necessidade imperiosa de dormir durante um breve período de tempo e depois do sono experimentar uma sensação reconfortante, com os sentidos despertos e vontade de realizar as suas tarefas) e a cataplexia (perda brusca do tónus muscular durante a vigília desencadeada por uma emoção súbita de alegria, medo ou surpresa, entre outras).
Os sintomas secundários podem passar pelas paralisias do sono (impossibilidade de mexer o corpo, de falar ou até de respirar profundamente quando se está completamente desperto) e pelas alucinações hipnagógicas (sonhos precisamente no momento de adormecer, são como alucinações).

12 – A FACE MAIS OBSCURA DO SONO: AS PARASSÓNIAS
As parassónias são uma série de fenómenos que têm lugar durante a noite e perturbam o sono, tanto de crianças como de adultos.
·         Soniloquia – falar a dormir.
·         Bruxismo – ranger os dentes
·         Terrores nocturnos – traduzem-se em gritos
·         Pesadelos – sonhos aterradores
·         Sonambulismo – andar pela casa a dormir
Embora aparatosas e por vezes até alarmantes, as parassónias não costumam ser graves e não representam um perigo para a saúde. A maior parte delas cessam por si
próprias.


08/10/14

QUESTÕES DE SAÚDE: 2 - O sono (II)

AS PERTURBAÇÕES DO SONO
7 – A INSÓNIA TRANSITÓRIA
É a perturbação do sono mais frequente.
A insónia é um sintoma (o importante é encontrar as suas causas e não medicar o sintoma).
A insónia transitória pode converter-se em insónia crónica que é algo sério e complexo e requer apoio médico.
A insónia crónica é policausal e multifactorial. Tem origem em vários factores que interagem e se reforçam entre si:
·         Hábitos de sono inadequados (o que confunde o cérebro por não receber correctamente a ordem de adormecer).
·         Associações e pensamentos negativos em relação ao sono (ansiedade por antecipação).
·         Tensão corporal e ansiedade acumulada durante o dia (tudo o que se faz, pensa e sente durante o dia repercute-se infalivelmente no sono nocturno).
·         Outras doenças do sono.
·         Depressão

Sono e Stress
É necessário dormir bem para diminuir o stress porque enquanto se dorme:
·         Baixa a tensão, a ansiedade e o mau humor acumulados durante o dia
·         No sono profundo fabricam-se os péptidos restauradores.
·         Diminuem as catecolaminase o cortisol, a hormona do distress
Para prevenir e enfrentar o stress:
·         Programar as actividades com antecedência
·         Estabelecer metas possíveis de alcançar
·         Aprender a defenir papéis e a delegar.
·         Aprender a dizer "não".
·         Manter uma higiene do sono (ter horários, evitar os sabotadores e introduzir os amigos do sono).
·         Reconhecer a existência de qualquer situação stressante.
·         Evitar distorcer a realidade e cingir-se às evidências.
·         Recorrer à experiência de situações anteriores.
·         Pensar de modo positivo.
·         Relativizar.
·         Usar técnicas de relaxamento.
·         Evitar automedicar-se.

8 – A SONOLÊNCIA DIURNA EXCESSIVA
A sonolência diurna excessiva é uma perturbação cuja principal causa é a falta de horas de descanso nocturno ("privação crónica do sono") mas também pode estar associada a doenças em geral ou a perturbações primárias do sono como a apneia do sono.

9 - O RESSONO
É um fenómeno generalizado – 95% da população mundial já ressonou em algum período da sua vida, 20% ressona todas as noites, 45% dos homens 30% das mulheres e 10% das crianças ressonam habitualmente.
Quanto mais se ressona, pior se dorme.
Quando se dorme o tónus muscular, nomeadamente das vias respiratórias, diminui, os corredores da passagem do ar na faringe estreitam e obstruem a passagem e o ar tem de aumentar a sua velocidade para abrir passagem o que produz a vibração das cordas vocais ou seja, o ressono.
O ressono pode ser contínuo ou intermitente. O primeiro é de carácter benigno mas o segundo pode indicar uma doença que comporta riscos importantes para a saúde – a apneia do sono – que requer acompanhamento médico.
Para atenuar o ressonar:
·         Controlar o peso (80% dos ressonos benignos curam-se com o emagrecimento).
·         Suprimir o consumo de álcool (tem efeito relaxante nos músculos respiratórios).
·         Suprimir o consumo de tabaco (a nicotina provoca edemas nas vias respiratórias).
·         Não consumir sedativos, tranquilizantes, hipnóticos ou relaxantes para dormir.
·         Corrigir a posição de dormir (utilizar uma só almofada e dormir com o pescoço esticado).

·         Dormir horas suficientes de sono (as que o corpo pedir).