Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Bloco de notas pessoais aberto a quem o quiser folhear.

13/10/14

História de Roma -17 - 2ª GUERRA PÚNICA

2ª Guerra Púnica


A Segunda Guerra Púnica (218-201a.C.) foi a mais terrível guerra travada por Roma e teve consequências consideráveis.
Preliminares:
Em 241 a.C. Cartago fora vencida no fim da Primeira Guerra Púnica, mas não desaparecera do mapa. Roma interditou as águas italianas aos seus navios e obrigou os Cartagineses a evacuarem da Sicília. No ano seguinte Cartago foi atormentada pela revolta de 20.000 mercenários que se amotinaram devido aos atrasos no pagamento dos soldos e puseram a cidade a ferro e fogo durante 3 anos e só após encarniçados combates os mercenários foram aniquilados. Também os companheiros de armas destes rebeldes, na Sardenha, se revoltaram contra Cartago e pediram, em 283 a.C., auxílio a Roma, que enviou um corpo expedicionário e assim se apossou das fortalezas cartaginesas e anexou a Sardenha e a Córsega a Roma. Cartago perdeu igualmente a quase totalidade das suas possessões espanholas.
Mas uma vez esmagadas as violentas insurreições dos mercenários, os Cartagineses recuperaram de forma espectacular e reconstituíram o seu império espanhol. Este facto resultou da acção da mais ilustre família de Cartago, os Bárcidas, estabelecidos em Espanha há vários decénios e fundadora de uma linhagem hereditária de governantes semi-independentes. O primeiro a tornar-se famoso foi Amílcar Barca, que teve um papel importante na Primeira Guerra Púnica e também se distinguiu na vitória sobre os mercenários amotinados que lhe valeu a autorização para reconquistar os seus territórios em Espanha. Os seus sucessos foram espectaculares. As terras espanholas por ele ocupadas eram mais vastas e ricas que todas as outras anteriores dependências de Cartago. Os Espanhóis, entre cujos antepassados se contavam os Celtas e os Iberos, eram guerreiros famosos pela sua resistência física, constituindo o melhor exército que Cartago jamais teve. Amílcar morreu afogado em 229 a.C.. Sucedeu-lhe o seu genro Asdrúbal, que elegeu como capital Nova Cartago (Cartagena), construída sobre uma península que abrigava um dos melhores portos do mundo, e alargou significativamente o território para o interior. Asdrúbal foi assassinado em 221 a.C., e o comando passou para o seu cunhado Aníbal. Este estendeu as suas fronteiras ainda mais, mas uma cidade costeira, Sagunto, resistiu-lhe e pediu auxílio a Roma, que respondeu à solicitação e exigiu que Sagunto fosse respeitada. Aníbal rejeitou o ultimato e sitiou a cidade. Os Romanos furiosos intimaram Cartago a entregar-lhe Aníbal. O pedido foi recusado. A recusa de Cartago em entregar Aníbal desencadeou as hostilidades e assim começou a Segunda Guerra Púnica. Segundo a lenda o pai de Aníbal obrigara-o a jurar ódio eterno aos Romanos e Aníbal desejava vingar a sua pátria, convencido que o poder do seu novo território ibérico lhe dava a oportunidade única para tal.
A Guerra:
Os Romanos, seguros do seu poder, declararam guerra a Aníbal e começaram a reunir forças militares para a empresa espanhola. No entanto, os seus planos foram ultrapassados pela audácia de Aníbal que decidiu invadir a Itália a partir das vias acidentadas do interior do país. Conduzindo uma força de 40.000 homens, entre os quais soldados espanhóis bem treinados, a sua excelente cavalaria númida e 37 elefantes, Aníbal tinha ainda intenção de, ao passar no Norte da Itália, engrossar os efectivos com a incorporação de gauleses hostis aos Romanos e Italianos.
Em Abril de 218 a.C., Aníbal atravessa o Ródano e, no início do Outono, atinge os Alpes. O trajecto foi penoso devido aos nevões precoces, mas Roma enganou-se ao pensar que as intempéries travariam os seus inimigos. No entanto, quando Aníbal atingiu o vale do Pó, restavam-lhe apenas 26.000 homens. Os generais enviados pelo Senado esperavam vencê-lo pelo desgaste, mas foram derrotados em duas batalhas consecutivas, uma a norte, junto ao Tessino, outra a sul, junto ao Trébia, ambos afluentes do rio Pó. Assim, em apenas dois meses, Aníbal apoderou-se de praticamente todo o Norte de Itália e, embora tivesse perdido a maior parte dos elefantes, graças às suas vitórias, o seu exército contava agora com quase 50.000 homens.
Enquanto isso, em Roma os plebeus vilipendiaram os incapazes que perderam o Norte de Itália e, em 217 a.C., elegeram como cônsul um «homem novo», Gaio Flamínio, para mostrarem aos senadores até que ponto desaprovavam a estratégia militar.
Flamínio tentou estancar a progressão do exército cartaginês em direcção a sul mas, durante os primeiros meses do ano, este conseguiu esquivar-se atravessando regiões pantanosas, em condições tão adversas e rigorosas que Aníbal, montado no único elefante sobrevivente, acabou por perder um olho devido ao frio. Aníbal colocou Flamínio na sua peugada e, numa b5rumosa manhã de Abril, preparou uma emboscada às tropas romanas, num desfiladeiro entre colinas  e o lago Trasímeno. Duas legiões romanas foram massacradas e o próprio Flamínio morreu.
Esta vitória abriu a Aníbal o caminho para Roma mas não podia sitiá-la pois, para ultrapassar as defesas da cidade, eram necessárias máquinas de guerra que ele não possuía. Daí que tenha contornado a capital e descido para o Sul da península em busca de aliados. O exército romano estava agora sob o comando dum veterano, o general Fábio Máximo, na altura ditador. Fábio, um romano da velha guarda, paciente e astuto, optou por uma estratégia que reduzia ao mínimo as perdas em novas batalhas campais das suas tropas, recentemente recrutadas, tendo-se aplicado a cortar os víveres ao inimigo, destruindo as colheitas à sua volta. Esta estratégia valeu-lhe a alcunha de O Contemporizador.
 No ano seguinte, os Romanos nomearam generais dois cônsules sem experiência que tomaram o comando do mais forte exército jamais lançado por Roma num teatro de operações. Esperando ganhar a guerra numa única batalha, acertaram o ajuste numa planície aberta, perto de Canas, pequena fortaleza situada nas proximidades do salto da bota italiana. Confiantes na sua superioridade numérica passaram ao ataque mas Aníbal ordenou às suas tropas, dispostas numa frente convexa que recuassem ao centro, de maneira a formarem uma frente côncava. Entretanto, começou a soprar o siroco, um vento  quente que levantou nuvens de areia que atingiram os romanos nos olhos. Estes, privados de visão, foram atacados em tenaz pela infantaria cartaginesa e na retaguarda pela cavalaria. O exército romano desagregou-se. Esta foi a derrota mais sangrenta alguma vez sofrida por Roma. Um exemplo sem precedentes de um exército numericamente inferior que consegue cercar por completo uma força mais importante. Esta táctica exigiu uma coordenação perfeita.
Um dos cônsules romanos pereceu no combate e o outro regressou a Roma, onde foi recebido com benevolência pelos seus colegas senadores que o felicitaram por não ter deixado de confiar na República. Em Roma, e apesar da catástrofe, a esperança permanecia intacta. Com efeito, antes do fim do ano as terríveis perdas sofridas por Roma foram compensadas por novos alistamentos; a vitória de Aníbal não lhe permitiu, assim, adquirir superioridade numérica.
Em 212 a.C., Roma afirmou-se como uma grande potência ao cunhar, pela primeira vez, uma moeda de prata, o denário, emissão que chegou em boa altura para acorrer às necessidades financeiras do Estado.
Em 211 a.C., Aníbal avançou até aos arredores de Roma. Acompanhado pela cavalaria, cercou as protecções da cidade. Ao mesmo tempo, por uma coincidência histórica, o terreno sobre o qual Aníbal instalou o seu acampamento, a 5 km da cidade, foi colocado à venda em hasta pública e comprado. Nada podia provar de maneira mais categórica que, apesar das derrotas, os Romanos estavam decididos a sobreviver e a vencer.
Os Romanos não conseguiram impedir Aníbal de ultrapassar os Pirinéus, nem de invadir a Itália. No entanto impediram o seu jovem irmão, Asdrúbal Barca, que Aníbal deixara no governo do império ibérico de Cartago, de lhe enviar reforços. Apesar do perigo eminente em que a pátria se encontrava, os Romanos decidiram tomar a iniciativa em Espanha, enviando tropas para lá. Estas estiveram durante sete anos sob o comando de dois homens chamados Cipião, respectivamente tio e pai do grande Cipião, O Africano. Os Cipiões apoderaram-se de todo o litoral mediterrânico da Península Ibérica, descendo progressivamente em direcção ao Sul e, em 211 a.C. conquistaram o objectivo inicial do conflito, a cidade de Sagunto. No entanto, nesse ano, os dois irmãos morreram em combate. Em 210 a.C., o Senado confia o comando dos exércitos de Espanha a um novo general: Púbio Cornélio Cipião, mais conhecido por O Africano, filho e sobrinho dos generais mortos no ano anterior.
Uma vez em Espanha, Cipião escolheu como alvo, a capital inimiga, Cartagena, que tomou em 209 a.C.
Em 209 a.C., com magnífica destreza militar, atacou e venceu o exército de Asdrúbal Barca, em Bécula. No entanto, Asdrúbal conseguiu escapar e abandonou Espanha em direcção a Itália com o intuito de reunir-se ao seu irmão Aníbal. A partida do seu exército significou para os Romanos o sucesso definitivo da campanha em Espanha. Cartago perdera, irremediavelmente, as suas possessões ibéricas para os Romanos, que as anexou e aí fundou novas províncias (Terragona no litoral e Bética no interior). Os Romanos desenvolveram e aumentaram as explorações mineiras dos Cartagineses que já eram gigantes (só em Cartagena as minas de prata empregavam 40.000 trabalhadores).
Após ter atravessado os Alpes sem ter encontrado qualquer obstáculo, Asdrúbal começou a descer o vale do Pó, onde novos recrutas gauleses elevaram o número dos seus efectivos para 30.000 homens. Em seguida os dois irmãos convergiram, com a intenção de juntar as suas forças.
Quanto aos romanos tinham um exército no Norte de Itália e outro no Sul. Entretanto os Romanos tiveram a sorte de interceptar um estafeta de Asdrúbal que lhes revelou o local, na Úmbria, onde a reunião das tropas dos dois irmãos teria lugar. Perante esta informação, o general romano que comandava o exército do Sul, subiu, durante 6 dias de marcha forçada, ao longo da costa adriática, até ao Metauro, rio da Úmbria. No dia seguinte pela manhã, Asdrúbal ouviu no acampamento romano um duplo toque, o que o levou a acreditar que os dois exércitos romanos se haviam juntado. Isto significava que ele se encontrava em inferioridade numérica de 10.000 homens. Num esforço desesperado para passar entre as duas linhas do exército romano e juntar-se ao irmão, atravessou o vale do Metauro depois do anoitecer, mas na obscuridade perdeu-se entre gargantas e ravinas escorregadias. Esta estratégia revelou-se um autêntico massacre: Asdrúbal e a quase totalidade dos seus homens pereceram.
Pela primeira vez desde o início desta longa guerra, os Romanos ganharam uma verdadeira batalha em casa. A derrota de Aníbal agora mais não era que uma questão de tempo. O general cartaginês soube da morte de seu irmão quando a cabeça deste foi lançada para o seu acampamento. Aníbal retirou-se para as montanhas do Bruttium (a ponta da bota italiana), onde permaneceu durante quatro anos.
Em 205 a.C., Cipião, coroado de glória pelas vitórias em Espanha foi eleito cônsul. Pediu então ao Senado autorização para invadir África e cercar Cartago. Os Senadores hesitaram temendo Aníbal que ainda se encontrava em Itália, mas acabaram por concordar. Cipião desembarcou no Norte de África com um exército de 30.000 homens, ao qual se juntou ainda  um monarca vizinho, o príncipe Masinissa, que reinava numa parte da Numídia e possuía uma  excelente cavalaria.
No ano seguinte, Aníbal regressa de Itália, onde combatera durante 15 anos. Cartago começara a negociar a paz com Roma mas Aníbal convence o governo cartaginês a interromper as negociações.
Cipião deslocou-se para o interior do país e, em 202 a.C., travou a batalha decisiva, perto de Zama, a 120 km de Cartago. A sua vitória era previsível e não espantou ninguém. No entanto, tendo em conta a grandeza dos generais que se confrontaram, este episódio ficará célebre. Quando a batalha começou nenhum dos protagonistas tinha clara vantagem sobre o outro. O desfecho acabou por estar ligado à acção dos cavaleiros Númidias, aliados de Roma, que conseguiram atingir os flancos da cavalaria inimiga e tomá-la pela retaguarda. A vitória romana foi total. Poucos cartagineses sobreviveram, mas Aníbal foi um deles. Aconselhou então o governo cartaginês a assinar a paz sem mais demoras, o que foi feito de imediato.
Os cartagineses que já tinham perdido Espanha, com esta derrota perderam também o seu lugar de primeira potência. Os Romanos tinham chegado à segunda fase da expansão: o resultado da Segunda Guerra Púnica garantiu-lhes, popr vários séculos, o domínio do Mediterrâneo Ocidental. Para a Europa Ocidental, este conflito foi a guerra mais importante da sua história, até ao Séc. XX.
Cipião teve um papel fundamental em todas as fases destes acontecimentos. A sua carreira provou que a época em que os dirigentes romanos não passavam de representantes mais ou menos anónimos, de um corpo tinha terminado. Cipião era um fenómeno. Ao contrário da maior parte dos romanos, era individualista e tinha espírito aventureiro. Foi o primeiro general romano designado pelo nome do país que havia vencido: Africanus. O seu triunfo deu-lhe um poder que até aí nenhum general romano tinha alcançado.
Quanto a Aníbal, foi melhor general que seu pai e o próprio Cipião. Será recordado como um dos maiores chefes militares da História. Não foi só o seu talento militar de guerreiro excepcional mas também a sua personalidade que seduziu os historiadores ao longo das épocas.
Roma saiu reforçada da batalha suprema mas, paradoxalmente, é a Aníbal que Roma deve o crescimento da sua confiança e do seu poder.





09/10/14

QUESTÕES DE SAÚDE: 2 - O sono (III)

PERTURBAÇÕES GRAVES DO SONO
10 – INSÓNIA CRÓNICA
É uma doença que se caracteriza por o doente dormir menos de 5 horas por dia durante dois meses seguidos. O doente tem dificuldade em manter um sono contínuo porque tem despertares nocturnos frequentes.
Há factores que associados podem incrementar a insónia: baixo nível socioeconómico, doença crónica, stress excessivo ou abuso do álcool.
Afecta cerca de 15% da população. É mais frequente nas mulheres que nos homens.

11 – SÍNDROME DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
É uma doença. Consiste na falta de entrada ou saída de ar dos pulmões durante 10 ou mais segundos. Apneia significa ausência de respiração.
O doente ressona de forma intensa e recortada. Os episódios apneicos são seguidos dum despertar violento.
Estes doentes, quando não tratados, sofrem de sonolência diurna, passam por problemas sociais e profissionais, rendem pouco no trabalho, esquecem-se das coisas e têm dificuldade em concentrar-se, são vítimas de ataques de sono e chegam a adormecer enquanto conduzem.
Antigamente, julgava-se que esta doença só era própria de pessoas obesas, mas hoje em dia demonstrou-se que pode afectar pessoas sem excesso de peso. Os investigadores concordam que a apneia é provocada por uma disfunção neurológica que afecta o controlo motor da musculatura do pescoço, embora o processo exacto seja ainda desconhecido. Em todo o caso existe uma clara predisposição genética.
Em casos graves de apneia usa-se um equipamento denominado CPAP ("Continuous Positive Airway Pressure". Trata-se de um mecanismo que introduz ar pelo nariz com maior pressão do que a a ambiental, ou seja, a uma pressão positiva contínua. Para tal é usado um pequeno compressor que envia o ar através de um tubo que desemboca numa máscara. O tratamento CPAP, em qualquer caso, não cura a doença, mas corrige-a, tal como uns óculos podem corrigir uma miopia. Assim o doente terá deo usar sempre.

12 – NARCOLEPSIA
É um síndrome de origem desconhecida que implica forçosamente uma disfunção do sono REM. Esta fase do sono, tão importante, aparece nos narcolépticos, num momento desapropriado, ou no inicio do sono ou após um despertar nocturno.
É uma patologia crónica que, uma vez instalada, perdura a vida toda e cuja causa continua desconhecida, tendo os estudos mais recentes demonstrado que possui uma base neuroquímica.
Os sintomas fundamentais são a sonolência diurna excessiva (necessidade imperiosa de dormir durante um breve período de tempo e depois do sono experimentar uma sensação reconfortante, com os sentidos despertos e vontade de realizar as suas tarefas) e a cataplexia (perda brusca do tónus muscular durante a vigília desencadeada por uma emoção súbita de alegria, medo ou surpresa, entre outras).
Os sintomas secundários podem passar pelas paralisias do sono (impossibilidade de mexer o corpo, de falar ou até de respirar profundamente quando se está completamente desperto) e pelas alucinações hipnagógicas (sonhos precisamente no momento de adormecer, são como alucinações).

12 – A FACE MAIS OBSCURA DO SONO: AS PARASSÓNIAS
As parassónias são uma série de fenómenos que têm lugar durante a noite e perturbam o sono, tanto de crianças como de adultos.
·         Soniloquia – falar a dormir.
·         Bruxismo – ranger os dentes
·         Terrores nocturnos – traduzem-se em gritos
·         Pesadelos – sonhos aterradores
·         Sonambulismo – andar pela casa a dormir
Embora aparatosas e por vezes até alarmantes, as parassónias não costumam ser graves e não representam um perigo para a saúde. A maior parte delas cessam por si
próprias.


08/10/14

QUESTÕES DE SAÚDE: 2 - O sono (II)

AS PERTURBAÇÕES DO SONO
7 – A INSÓNIA TRANSITÓRIA
É a perturbação do sono mais frequente.
A insónia é um sintoma (o importante é encontrar as suas causas e não medicar o sintoma).
A insónia transitória pode converter-se em insónia crónica que é algo sério e complexo e requer apoio médico.
A insónia crónica é policausal e multifactorial. Tem origem em vários factores que interagem e se reforçam entre si:
·         Hábitos de sono inadequados (o que confunde o cérebro por não receber correctamente a ordem de adormecer).
·         Associações e pensamentos negativos em relação ao sono (ansiedade por antecipação).
·         Tensão corporal e ansiedade acumulada durante o dia (tudo o que se faz, pensa e sente durante o dia repercute-se infalivelmente no sono nocturno).
·         Outras doenças do sono.
·         Depressão

Sono e Stress
É necessário dormir bem para diminuir o stress porque enquanto se dorme:
·         Baixa a tensão, a ansiedade e o mau humor acumulados durante o dia
·         No sono profundo fabricam-se os péptidos restauradores.
·         Diminuem as catecolaminase o cortisol, a hormona do distress
Para prevenir e enfrentar o stress:
·         Programar as actividades com antecedência
·         Estabelecer metas possíveis de alcançar
·         Aprender a defenir papéis e a delegar.
·         Aprender a dizer "não".
·         Manter uma higiene do sono (ter horários, evitar os sabotadores e introduzir os amigos do sono).
·         Reconhecer a existência de qualquer situação stressante.
·         Evitar distorcer a realidade e cingir-se às evidências.
·         Recorrer à experiência de situações anteriores.
·         Pensar de modo positivo.
·         Relativizar.
·         Usar técnicas de relaxamento.
·         Evitar automedicar-se.

8 – A SONOLÊNCIA DIURNA EXCESSIVA
A sonolência diurna excessiva é uma perturbação cuja principal causa é a falta de horas de descanso nocturno ("privação crónica do sono") mas também pode estar associada a doenças em geral ou a perturbações primárias do sono como a apneia do sono.

9 - O RESSONO
É um fenómeno generalizado – 95% da população mundial já ressonou em algum período da sua vida, 20% ressona todas as noites, 45% dos homens 30% das mulheres e 10% das crianças ressonam habitualmente.
Quanto mais se ressona, pior se dorme.
Quando se dorme o tónus muscular, nomeadamente das vias respiratórias, diminui, os corredores da passagem do ar na faringe estreitam e obstruem a passagem e o ar tem de aumentar a sua velocidade para abrir passagem o que produz a vibração das cordas vocais ou seja, o ressono.
O ressono pode ser contínuo ou intermitente. O primeiro é de carácter benigno mas o segundo pode indicar uma doença que comporta riscos importantes para a saúde – a apneia do sono – que requer acompanhamento médico.
Para atenuar o ressonar:
·         Controlar o peso (80% dos ressonos benignos curam-se com o emagrecimento).
·         Suprimir o consumo de álcool (tem efeito relaxante nos músculos respiratórios).
·         Suprimir o consumo de tabaco (a nicotina provoca edemas nas vias respiratórias).
·         Não consumir sedativos, tranquilizantes, hipnóticos ou relaxantes para dormir.
·         Corrigir a posição de dormir (utilizar uma só almofada e dormir com o pescoço esticado).

·         Dormir horas suficientes de sono (as que o corpo pedir).

07/10/14

QUESTÕES DE SAÚDE: 2 - O sono


PARA DORMIR BEM
3- O SANTUÁRIO DO SONO
Para se dormir bem, o quarto deve:
·        Ter somente o necessário à função de dormir (nada de televisão, etc.).
·         Muita ordem (um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar).
·         Cores suaves.
·         Escuridão completa.
·         Máximo silêncio.
·         Termóstato regulado para 20ºC.

4 – OS SABOTADORES DO SONO
·         Stress
·         Obesidade
·         Sedentarismo
·        Estimulantes: cafeína, nicotina, álcool, etc.
·         Alguns medicamentos

5 – OS AMIGOS DO SONO
·    Triptofano (ovos, presunto, carne aves, peixe gordo, leite, arroz, cevada, trigo, batatas, hortaliças, frutos secos.
·         Proteinas, Vitamina B6 (carnes, peixe e ovos) e Carboidratos (batatas, arroz, massas)
·         Infusões (chá de tília, camomila)

6 – RECEITAS PARA DESPERTAR O SONO
·      A partir do fim da tarde: Desligar psicologicamente do trabalho e Abstinência de substâncias sabotadoras do sono.
·         Antes de jantar: Um pouco de exercício físico seguido de um banho quente para aliviar as tensões e o stress.
·         Estabelecer horários regulares para jantar, descontrair, dormir.
·         Jantar sempre à mesma hora, no mínimo 2 horas antes de deitar, sempre um jantar leve.
·         Depois de jantar preparar a agenda do dia seguinte, mas não mais de 10 ou 15 minutos e depois é hora de relaxar vendo televisão ou ouvindo música. Não se deve ver filmes longos, demorar nas redes sociais do computador, beber álcool ou café ou chocolate (o cacau tem cafeína misturada).
·         Meia hora antes de deitar fazer todos os dias sempre as mesmas rotinas (apagar o televisor, correr as cortinas, beber um copo de água ou de leite, preparar a mesa para o pequeno almoço, preparar a roupa para o dia seguinte, ir à casa de banho, enfiar o pijama, apagar as luzes do resto da casa e entrar no quarto.
·       Fixar horários regulares tanto para deitar como para levantar e fazê-lo mesmo durante os fins de semana.
·         Na cama ouvir música suave programando o aparelho para que se desligue ao fim de 10 ou 15 minutos ou ler um livro leve são bons indutores do sono e permitem esquecer problemas. Assim que aparecer sinais de sono fechar logo o livro para não deixar escapar a oportunidade de adormecer.
·         Quando se acorda de noite, não ver as horas e continuar a dormir.


06/10/14

QUESTÕES DE SAÚDE: 2 - O dormir


I – DORMIR BEM
·         Dormir é uma necessidade vital. (Sem dormir nada, morreríamos em 7 dias).
·         Um terço da vida é passado a dormir.
·         Dormir bem é um hábito (Adquire-se com normas e rotinas).
·         Enquanto dormimos os músculos restauram-se e recuperam, crescemos e amadurecemos, arquivamos e consolidamos a memória, aprendemos, melhoramos o humor.
·         Trinta por cento das pessoas tem, pelo menos uma vez por semana, uma noite mal dormida.
·         As perturbações do sono são duas vezes mais frequentes na mulher que no homem (devido a factores hormonais, as alterações nos estrogéneos afectam sobretudo o sono REM, a progesterona actua principalmente sobre o sono profundo).
·         Quando partilhamos a cama, as perturbações do sono deixam de ser uma questão individual. O casal explosivo: "ele ressona e ela tem insónias".

2 - CURIOSIDADES SOBRE O SONO
·         O sono compõe-se de cinco fases que, no seu conjunto formam um ciclo. No nosso descanso nocturno realizamos 4 ou 5 ciclos completos: 1ª fase – denomina-se Estado de Sonolência. É breve (5 minutos). 2ª fase – sono NREM (Nom Rapid Eye Movement) Não Profundo. Dura 5 a 15 minutos. 3ª e 4ª fases – Sono NREM profundo ou sono delta. Dura cerca de 60 minutos. 5ª fase – sono REM (Rapid Eye Movement). Fase do nível máximo de profundidade do sono. Dura 5 minutos no primeiro ciclo e pode durar 30 a 60 minutos nos outros ciclos. É a fase dos sonhos (toda a gente sonha 4 a 5 vezes por noite, embora nem toda a gente se lembre dos seus sonhos).
·         Nas diferentes fases da cada ciclo do sono, temos entre 6 a 8 despertares muito breves que nas crianças e adultos não duram mais de 30 segundos e nos idosos a duração pode ser de2 a 5 minutos.
·         As horas que cada um precisa de dormir por noite varia individualmente, entre 5 e 12 horas, dependendo de factores como os genes e a idade.
·         As pessoas mais idosas precisam de menos horas de sono nocturno. Nos idosos o tempo passado na cama destina-se mais a descansar do que a dormir.
·         Na idade madura temos tendência para adiantar a hora de nos deitarmos e para nos levantarmos mais cedo. Na adolescência acontece exactamente o contrário, o sono atrasa-se e tendemos a adormecer cada vez mais tarde.
·         A partir dos 20 anos, o sono profundo – fases 3 e 4 – diminui progressivamente, chegando mesmo a desaparecer depois dos 60 anos.
·         A partir dos 50 anos os níveis de melatonina começam a diminuir e as curvas de sono e de vigília tornam-se menos definidas.
·         É saudável dormir a sesta depois do almoço, mas não deverá prolongar-se para lá de 20 minutos.
·         Ninguém consegue dormir mais do que precisa (a inversa não é verdadeira).
·         O despertar fisiológico é espontâneo e é um processo em que intervêm as hormonas, a temperatura corporal e a luz. O despertar rápido ou lento depende da pessoa e tem explicação genética.

·         Há uma infinidade de perturbações do sono que podem ser resolvidas por nós mesmo.

We Can Dance - Hollywood Movie Dance Tribute


04/10/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 18 - Pintura matérica

18 - PINTURA MATÉRICA
Uma tendência importante da Arte europeia a partir de meados do séc. XX girou em torno da Pintura Matérica. Partindo do princípio de que os materiais transportam em si uma carga histórica e cultural, os artistas consideram que estes possuem uma riqueza estética própria, que deve ser o essencial da sua obra. Além de tintas diversas, é frequente o uso de areia, serradura, tecidos, plásticos, pastas, colagens, cordéis e pedaços de objetos, que conferem acentuadas texturas e um efeito corpóreo ao quadro. Tira-se proveito dos escorridos da tinta, rasgam-se sulcos nos materiais (grattage) e na própria tela. Por vezes queimam-se materiais, outras vezes estes extravasam os limites da tela. A Pintura Matérica é essencialmente abstrata, ou associada a uma figuração sintética. Podemos encontrar este género pictórico ligado ao Expressionismo Abstrato, ao Gestualismo, ao Informalismo, à Arte Bruta e à Arte Pobre.
Arte Bruta é uma tendência de influências surrealistas, introduzida por Jean Dubuffet a partir de 1945, inspirada nos desenhos de crianças, de pintores sem formação e de pessoas com distúrbios mentais.
A Arte Pobre faz uso de materiais do quotidiano, gastos e inúteis; é especialmente relevante na escultura e nas instalações, tendo influenciado a Pintura Matérica.
  Pintores referidos na sessão:
 Jean Dubuffet (1901 - 1985)
 Jean Fautrier (1998 -1964)
 Alberto Burri (1915 - 1955)
 Yves Klein (1928 - 1962)
 Frank Auerbach (1931 -  )
 Antoni Tàpies (1923 - 2012)
 Manollo Millares (1926 - 1972)
 Julian Schnabel (1955 -  )

Jean Dubuffet - Miss cholera (1946)


Jean Dubuffet - the cow with subtile nose (1954)

Jean Fautrier - nu noir (1926)

Jean Fautrier - Tête d'otage (1944)

Jean Fautrier - La dépouille (1945)

Jean Fautrier - C'est comme tu voudras 

Alberto Burri - Red plastic (1962)

Alberto Burri - White creto (1975)

Alberto Burri - Creto nero (1976)

Yves Klein - Relevo 39 (1960)

Yves Klein - Antropometria 8 (1960)

Yves Klein - Antropometria 96 (1961)

Yves Klein - Cosmogenia (1960)

Frank Auerback - Head of E.O.W. (1959-60)

Frank Auerback - Head of E.O.W.I (1960)

Antoni Tapies - Relevo cinzento com sinal preto (1955)

Antoni Tapies - Oval branca (1956)

Antoni Tapies - Oval grande ou Pintura (1955)

Antoni Tapies - Cruz de papel de jornal (1946-7)

Manollo Millares - Rojo, negro (1965)

Manollo Millares - Quadro 44

Manollo Millares - Quadro 200 (1962)

Julian Schnabel - Divan (1979)

Julian Schnabel - Portrait of Julian Schnabel (2009)

Julian Schanel - O êxtase de S. Francisco 

02/10/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 17 - Gestualismo

17 - GESTUALISMO
Alguns pintores barrocos fizeram uso da pincelada solta, sobretudo para realçar texturas. Alguns paisagistas românticos fizeram-no na representação de árvores e de tempestades. Pequenas pinceladas soltas são típicas da técnica impressionista. Contudo, não existiu da parte de nenhum destes pintores a intenção de criar uma técnica de pintura baseada no gesto. Mas Van Gogh, Toulouse-Lautrec e Munch, com movimentos rápidos e espontâneos da mão, fazem uma pintura onde a pincelada ganha uma dinâmica nunca antes vista. Parte significativa da pintura expressionista carateriza-se pela aplicação desse tipo de pincelada.
 No Gestualismo as pinceladas tornam-se mais longas, sendo evidente o movimento do braço que as executou. Não existe propriamente um movimento gestualista organizado, com uma base teórica sólida, nem um grupo centrado numa cidade ou num país. O Gestualismo resulta do trabalho de um conjunto de pintores, independentes ou oriundos de diferentes movimentos ou grupos. De um modo geral, na pintura gestualista surge uma considerável deformação das figuras. O efeito visual chega a ser violento, sobretudo quando se abordam determinados temas e se utilizam cores agressivas. O Gestualismo é também referido como Neo-expressionismo.
O Gestualismo tem uma tendência figurativa, outra abstracta. Esta pode integrar-se no Expressionismo Abstracto ou no Informalismo. Por opção, a abordagem que aqui se apresenta centra-se apenas em pintores da tendência figurativa, ficando os outros para outras abordagens.
Pintores referidos na sessão:
 Lovis Corinth
 Chaim Soutine
 Willelm de Kooning
 Elaine de Kooning
 Alberto Giacometti
 Vieira da Silva
 Asger Jorn
 Karel Appel
 Georg Baselitz
 Jean-Michel Basquiat
Lovis Corinth - A infância de Zeus (1905/6)

Elaine de Koening - Touro (1958)
Alberto Giacometti - Diego (1953)

Vieira da Silva - O desastre / A guerra

Asger Jorn - Carta ao meu filho (1956-7)

Willem de Koening - Mulher e bicicleta (1952-3)
Jean Barquiat - Profit I (1982)

Karel Appel - Homem com o sol (1947)
Chaim Soutine - mulher de vermelho

Georg Baselitz - Elke (1976)