Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Apontamentos pessoais abertos a quem os quiser folhear.

12/10/17

PRINCIPAIS LEGIÕES ROMANAS



AS PRINCIPAIS LEGIÕES ROMANAS

A legião romana, profissional, era uma estrutura da organização militar da antiga Roma, especialmente importante nos períodos final da República (a partir das reformas de Gaius Marius) e Império.

(Os comentários incluem data de criação e dissolução da legião, causa do desaparecimento se relevante, responsável pela criação original e emblema.)

· Legio I Adiutrix (auxiliar) – 68 AD até pelo menos 444, Nero 


· Legio I Italica (italiana) – 22 de Setembro 66 até ao séc. V, Nero 


· Legio I Germanica (germânica) - 48 a.C. a 70, Júlio César 


· Legio I Minervia (de Minerva) - 82 até ao séc. IV, Domiciano 


· Legio II Italica (italiana) – 165 até ao séc. V, Marco Aurélio 


· Legio II Adiutrix (auxiliar) – 70 AD até séc. III, Vespasiano 


· Legio II Augusta (de Augusto) – 9 AD até séc. III, César Augusto (emblemas: capricórnio e pégaso) 


· Legio II Traiana Fortis (a legião forte de Trajano) - Trajano 


· Legio III Cyrenaica (cirenaica) – ca. 36 a.C. até ao séc. V, Marco António 


· Legio III Augusta (de Augusto) – 43 a.C. até fim do séc. IV, César Augusto (emblemas: pégaso) 


· Legio III Gallica (gaulesa) – 49 a.C. até início séc. IV, Júlio César (emblema: touro) 


· Legio IV Scythica (cítica) – ca. 42 a.C. até ao séc. V, Marco António 


· Legio IV Macedonica (macedónica) – 48 a.C./70 AD, Júlio César 


· Legio V Alaudae (as cotovias) – 52 a.C. a 70, Júlio César, destruída na rebelião de Batávia (emblema: elefante) 


· Legio V Macedonica (macedónica) – 43 a.C. até pelo menos 400, César Augusto (emblema: touro) 


· Legio VI Ferrata (de ferro) – 52 a.C. até depois de 250, Júlio César


· Legio VI Victrix (vitoriosa) – 41 a.C. até ao fim do séc. IV, César Augusto (emblema: touro) 


· Legio VII Claudia (de Cláudio) – 58 a.C. até fim séc. IV, Júlio César (emblema: touro) 


· Legio VII Gemina (gémea) – Outubro 68 AD até ao fim do séc. IV, Galba 


· Legio VIII Augusta (de Augusto) – 59 a.C. até depois de 371, Júlio César 


· Legio IX Hispana (hispânica) - antes de 41 a.C. até 160, César Augusto 


· Legio X Fretensis (estreito) - 41/40 a.C. pelo menos 260, batalha do Estreito de Messina, Fretum Siculum – César Augusto 


· Legio X Gemina (gémea) – 44 a.C. até ao séc. V, Lépido 


· Legio XI Claudia (de Cláudio) – 42 a.C. até início séc. V, Júlio César 


· Legio XII Fulminata (fulminante) – 43 a.C. até ao séc. V, Lépido (emblema: raio) 


· Legio XIII Gemina (gémea) – 41 a.C. até início séc. V, César Augusto 


· Legio XIV Gemina (gémea) – César Augusto 


· Legio XV Apollinaris (do deus Apolo) – 41-40 a.C. ao séc. V, César Augusto 


· Legio XVII / Legio XVIII / Legio XIX - 41 a.C. até 9 AD, destruídas na batalha da Floresta de Teutoburgo, César Augusto 


· Legio XX Valeria Victrix (valorosa e vitoriosa) - depois de 31 a.C. até ao fim do séc. III, César Augusto (emblema: javali) 


· Legio XXI Rapax (rapace) – 31 a.C. a 92, destruída na Panónia, César Augusto (emblema: capricórnio) 


· Legio XXII Deiotariana (de Deiotarus) – 48 a.C. a ca. 132-136, destruída na Judeia, César Augusto 


· Legio XXII Primigenia (afortunada, dedicada à deusa Fortuna) – 39 até séc. III, Calígula 


· Legio XXX Ulpia Victrix (vitoriosa ulpiana, cf. sobrenome de Trajano) 



(Fonte: Wikipédia)



24/06/17

"SUICIDE IS PAINLESS"





"Suicide Is Painless" é uma canção escrita por Johnny Mandel (música) e Mike Altman (letra), tema do filme e da série de TV M*A*S*H. Mike Altman, que escreveu a canção quando tinha 14 anos de idade, é o filho do diretor Robert Altman. A canção esteve em primeiro lugar nas paradas britânicas em maio de 1980.[1]
A canção tornou-se um hit regravado por vários artistas, como Marilyn Manson e Bill Evans. No entanto, o seu cover mais famoso é de 1992, da banda britânica Manic Street Preachers.


Suicide Is Painless
Through early morning fog I see
the visions of the things to be.
The pains that are withheld for me
I realize, and I can see.....

that suicide is painless
it brings on many changes
and I can take of leave it if I please

The game of life is hard to play
I'm gonna lose it anyway
the losing card, I'll someday lay
so this is all I have to say

suicide is painless
it brings on many changes
and I can take or leave it if I please

the sword of time will pierce our skin
it doesn't hurt when it begins
but as it works its way on in
the pain grows stronger, watch it brim..

suicide is painless
it brings on many changes
and I can take or leave it if I please

a brave man once requested me
to answer questions that are key
"is it to be, or not to be?"
and I replied, " why ask me?"


but suicide is painless
it brings on many changes
and I can take or leave it if I please

and you can do the same thing if you please


Suicídio é indolor
Bem de manhã eu vejo a neblina
Visões das coisas que serão
As dores que estão seguradas para mim
Eu percebo, eu posso ver...

Que o suicídio é indolor
Traz muitas mudanças
E eu posso fazê-lo ou deixá-lo se eu quiser

O jogo da vida é difícil de jogar
Eu vou perder de qualquer forma
O cartão de perdedor, algum dia eu deitarei
Então isso é tudo o que eu tenho a dizer

Suicídio é indolor
Traz muitas mudanças
E eu posso fazê-lo ou deixá-lo se eu quiser

A espada do tempo irá furar nossa pele
Não dói quando começa
Mas ela procura um jeito de entrar
A dor cresce mais forte, veja a borda

Suicídio é indolor
Traz muitas mudanças
E eu posso fazê-lo ou deixá-lo se eu quiser

Um homem corajoso uma vez me pediu
Pra responder as perguntas chaves
"é pra ser, ou não?"
E eu respondi,
"porque pergunta a mim?"

Mas o suicídio é indolor
Traz muitas mudanças
E eu posso fazê-lo ou deixá-lo se eu quiser

E você pode fazer o mesmo se quiser





The speech delievered by Bob Dylan, the Nobel Prize of Literature

Listen to the speech delievered by Bob Dylan, the Nobel Prize of Literature

http://www.svenskaakademien.se/en/nobel-lecture

14/05/17

A Renascença

A Renascença foi um novo despertar da civilização ocidental, após o interregno obscurantista medieval fomentado pela Igreja. Foi um período no qual o mundo viveu alterações profundas e sem precedentes, embora as grilhetas do medievalismo persistissem, sobretudo em lugares onde a Igreja era estimada, mas a acção de milhares de indivíduos dinâmicos e entusiastas que lutaram durante cerca de dois séculos, acabaria por tornar civilizada uma dinâmica que se revelou imparável, caracterizada por uma impaciente ânsia de aventura, inovação e novos horizontes.
Nessa época, a vida quotidiana era angustiante e a sociedade encontrava-se praticamente estagnada. Os médicos sangravam e acalmavam os doentes com sanguessugas e os alquimistas, nos seus variados sonhos alimentados pela avareza, tentavam transformar o metal vil em ouro. O mundo dos vivos era controlado tanto pelas bactérias transportado por ratazanas que repetidamente dizimavam enormes quantidades da população da Europa, como pelas guerras feitas pelos homens que matavam grande parte da população campesina. Entretanto o poder da fantasia e do medo alimentava pesadelos nos quais os demónios de um mundo subterrâneo perseguiam e matavam os incautos. A média de esperança de vida era para a mulher de 24 anos e talvez chegasse aos 27 para o homem. A maior parte das pessoas tinha fome e padecia de doenças e os ricos sofriam da maioria dos horrores dos pobres; a peste, a guerra e as epidemias eram efectivamente democráticas. Quase todos eram iletrados e passavam a maior parte do seu tempo embriagados. Ao longo da vida a maioria não se afastava além de dezasseis quilómetros de casa, e alimentava suspeitas patológicas em relação aos estrangeiros; poucos tinham uma ideia vaga do ano em que se encontravam, e não tinham o mínimo conhecimento do mundo que se estendia para além da sua vila ou cidade. A sua religião, apesar de na aparência ser católica, era constituída em noventa por cento de superstição e artes mágicas; a forma de cristianismo a que estavam ligados era pouco compreensível e imbuída de uma terminologia quase mítica. A populaça recebia a doutrinação religiosa numa língua antiga e praticamente incompreensível, o latim; as obras sagradas ortodoxas eram em geral textos sem sentido. As coisas só se alteraram em definitivo com o advento da Revolução Industrial, por volta de 1780.
No século XIV, o esforço secular, humanista e intelectual da Renascença, teve origem num pequeno grupo de europeus que ambicionando o prestígio e renome social e com sólidos conhecimentos, buscaram a novidade e o saber e procuraram activamente os tesouros literários e filosóficos dos antigos, financiados por nobres endinheirados de Florença e conseguindo angariar, de castelos árabes e turcos, dos seus mosteiros sombrios e de antigas bibliotecas em decadência manuscritos perdidos e originais escritos pelas figuras semi-míticas do período clássico, tesouros desenterrados por historiadores e linguistas pagos a soldo e cuidadosamente seleccionados. Alguns dos textos latinos clássicos mais antigos foram encontrados por Boccaccio, Salutati e Conversini, tendo todos eles trazido para Florença, uma enorme quantidade de importantes obras. Pouco depois, por influência de Petrarca e outros, a procura estendeu-se aos antigos manuscritos originais gregos que foram sendo encontrados e trazidos para Itália, em especial Florença. Deste modo, os ensinamentos de Aristóteles, Platão, Pitágoras, Euclides, Hipócrates e Galeno, na sua forma original, deram início a uma nova era de humanismo e reforma, juntamente com o ressurgimento do interesse pela ciência, pela medicina e pela filosofia.
Contudo a Renascença não foi impulsionada apenas pelo passado mas também e em grande medida pelo facto de na «Alta Renascença» se passar a viver num mundo repleto na mais fabulosa criação da Humanidade, a prensa móvel e a impressão, de que Guttenberg foi pioneiro. Em 1455 foi produzida a famosa Bíblia de Guttenberg; três anos mais tarde, abria uma tipografia em Estrasburgo e vinte cinco anos depois, em 1480, havia mais de uma dezena de tipografias a trabalhar em Roma e no final do século XV, estima-se que cem tipografias estivessem a trabalhar só em Veneza. Por essa altura, cerca de quarenta mil livros tinham sido impressos. Antes de 1450 existiam menos de trinta mil livros, todos eles escritos à mão. Nos finais do século XVI, havia já um inventário de cerca de cinquenta milhões de livros impressos.
Os historiadores têm alguma dificuldade em chegar a um consenso relativamente às datas que marcaram o início e o fim deste período. Se os meados do século XVI é frequentemente identificado com o fim da Renascença, outros situam-no durante os últimos anos do século XVII, menos de um século antes das primeiras manifestações do Iluminismo, que germinou com as ideias de Newton, Descartes e Locke.
Os filósofos da Renascença eram quase todos católicos leais, que na sua maioria conservavam as suas ideias mais radicais para si próprios. A igreja Romana amordaçava com determinação a expressão pública de ideias radicais e perseguia energicamente os autores de qualquer filosofia divergente. Os chefes da igreja eram instintivamente anti-intelectuais e deliberadamente obscurantistas, para que os cardeais continuassem a preservar acerrimamente os seus privilégios, quanto menos os leigos soubessem, melhor. No final do Renascimento os que eram intelectualmente curiosos, acharam difícil reconciliar o que era claramente observável e quantificável com a teologia antiga apresentada pela Igreja.

13/05/17

Prisca Theologica



A Igreja Católica, uma das maiores instituições que floresceram no âmago da civilização ocidental foi durante cerca de treze séculos a grande responsável pelo lento progresso da humanidade.
A partir do final do século XIV, o esforço secular, humanista e intelectual da Renascença, produziu aquilo a que Engels chamou «a maior revolução progressista que a Humanidade já viveu» dando origem a uma nova era de humanismo e reforma, juntamente com o interesse pela ciência, pela medicina e pela filosofia, amplamente auxiliada pela invenção, no séc. XV, da prensa móvel e da impressão de livros (somente em século e meio, de 1450 a 1600, o número de livros existentes no mundo, passou de menos de trinta mil, todos eles escritos à mão, para mais de cinquenta milhões de livros impressos).
Opondo-se ao pensamento humano em ascensão, caminhava o Catolicismo iníquo. A igreja Romana amordaçava com determinação a expressão pública das ideias radicais e perseguia energicamente os autores de qualquer filosofia diferente. Embora sustentassem a proliferação de um conhecimento teológico autorizado entre as classes privilegiadas e cultas, num sentido mais lato, os chefes da igreja eram instintivamente anti-intelectuais e deliberadamente obscurantistas. Para que os cardeais continuassem a preservar acerrimamente a sua existência terrena privilegiada, quanto menos os leigos soubessem, melhor.
Poucos duvidam que no princípio, a fé cristã se tenha pautado pela lisura, mas as aspirações humanas depressa foram corrompidas pela instituição e a Igreja afundou-se rapidamente num atoleiro de corrupção.
Quando os filósofos começaram a aprofundar os seus estudos do funcionamento do universo e a «ciência» indutiva substituiu o raciocínio dedutivo, tornou-se claro que a ortodoxia da Igreja fornecia modelos inadequados e paradigmas duvidosos, tornando irreconciliável o que era observável e quantificável com a teologia apresentada.
Esta incompatibilidade entre os pensadores do fim do renascimento e os teólogos cristãos ortodoxos tem as suas raízes em tempos mais antigos, remontando o conflito aos primórdios do predomínio cristão: ao primeiro Concílio de Niceia.
No ano 325, o Imperador Constantino, o mentor da civilização ocidental, viu-se imerso no conflito teológico, inundado por questões doutrinárias, tendo que se defrontar com um dos maiores desafios da sua governação. A causa de tudo isto foi apenas uma. A doutrina escrita da fé cristã fornecera um modelo para o estabelecimento de uma Igreja e autorizara os líderes cristãos a encontrarem as bases para uma nova sociedade num ambiente político extremamente frágil, criado pelo rápido declínio de Roma. Porém os bispos da Igreja, homens extremamente poderosos neste novo mundo cristão, debatiam entre si alguns dos princípios basilares da fé, questões que não estavam claramente definidas nos Evangelhos, nem haviam sido expostas em termos adequados nos textos sagrados desta doutrina. E, neste mundo instável, as questões da doutrina religiosa podiam revelar-se incendiárias, podendo mesmo desencadear uma hecatombe global que consumiria indistintamente imperadores, reis e papas.
Deste modo, num enorme esforço de conservação do seu domínio sobre o tecido político e religioso do seu tempo, Constantino convocou uma imensa assembleia com padres da Igreja e políticos regionais com o propósito de solucionar o problema a favor do Cristianismo, uma doutrina definida por ditames muito estritos que de facto enterraria as questões difíceis e responderia às que encerravam menores dificuldades. Desta forma, um consenso travaria o avanço rápido para a separação entre a Igreja e o Estado e atrairia os rebeldes para um tipo comum de veneração.
Foi então em 325 da nossa era que muitos dos que são hoje considerados os pressupostos fundamentais da Igreja foram idealizados e concebidos para os homens por outros homens que se faziam substituir a Deus. Em Niceia os seus membros foram ao âmago da doutrina e da religião cristã. A consequência mais importante extraída da apreciação dos inúmeros pontos doutrinários  ao longo de muitas sessões de debate foi a enorme influência que teve no percurso do cristianismo e por meio dele, nas vidas e nas ideias de muitos pensadores conceituados desde o século IV até aos nossos dias.
Os membros do concílio decidiram sobre a verdadeira natureza de Deus.
Na tentativa de conceberem uma noção inteligível de Deus, redigiram a sua própria teologia, para que fosse simultaneamente académica e de fácil entendimento pelos que não tinham instrução. Esta doutrina, a par do conceito da Santíssima Trindade, foi criada e votada. Deste modo, ficou determinado que o único Deus era Pai, Filho e Espírito Santo. O Pai , ou «soberano», transcende todos os limites finitos e é imortal e omnipotente. Jesus Cristo tornou-se muitíssimo mais importante do que um mero profeta com poderes conferidos por Deus e ascendeu ao estatuto de «Filho de Deus», ou de «Palavra feita carne», divindade encarnada. O terceiro elemento, o Espírito Santo, representa a centelha divina em todos os crentes, e é outra forma de expressar a fé ou santidade. Deste modo, para os Católicos, a Eucaristia tornou-se uma transubstanciação genuína na qual a carne e o sangue do próprio Jesus são consumidos.
Esta posição radical ficou conhecida como a doutrina de homoousios (de uma única substância) e foi gerada a partir do argumento pseudo-intelectual dos teólogos do século IV, ansiosos por encontrarem uma definição de Deus. A questão muito debatida da natureza de Deus ocupara o centro da discussão entre os bispos. De um lado estava o Bispo de Alexandria, Atanásio, de trinta anos, que pregava a ortodoxia, ao passo que uma opinião muito diferente era defendida por Ário, um sacerdote rebelde de Alexandria, à época com setenta e sete anos de idade. Ário criara a seita do Arianismo, edificada em torno do homoiousos (de substância idêntica), que rejeitava a noção de que Cristo era da mesma substância de Deus, e declarava que a encarnação de Jesus não era um aspecto de Deus, mas que o Filho, enquanto que divino e idêntico a Deus («de substância idêntica»), fora criado por Ele. Ário disse de Jesus Cristo "Houve um tempo em que ele não existiu". Constantino, permitiu que o concelho deliberasse a favor de Eutanásio e da sua doutrina e de então em diante, o Arianismo passou a ser concebido como doutrina oposta aos ensinamentos cristãos oficiais. Muitos ignoraram esta decisão e, de facto, o Arianismo floresceu nos primeiros dois séculos seguintes ao Concílio de Niceia, mas, por volta do século VI, os seus adeptos foram marginalizados e perseguidos quase até à extinção e o Arianismo tornou-se secreto, sendo rapidamente encarado pelos Católicos como a maior doutrina herética.
Durante a época medieval a Igreja de Roma tornou-se cada vez mais política e mundana, fundindo o espiritual com o secular por forma a que o papa se tornasse tanto o chefe de um estado soberano como um líder espiritual. Para financiar ambições pontifícias, a Igreja comprometeu amplamente a teologia, e quando a sua doutrina fabricada se revelou inadequada, os cardeais forçaram a interpretação das escrituras até ao limite.
Talvez a expressão mais evidente disto seja a utilização cada vez mais generalizada das «indulgências» para encherem os cofres do Papa. Através do sistema das indulgências, os pecadores podiam pagar a absolvição dos seus pecados e sucessivos papas perverteram de tal modo este processo que, na época da Reforma, este simples artifício tornara-se já uma importante fonte de rendimento do Vaticano. O frade Johann Tetzel, viajou pela Europa a vender indulgências à populaça a partir de uma banca instalada na praça de cada cidade que visitava. Até vendeu indulgências absolvendo pecados antes mesmo de serem cometidos. Com este artifício, um assassino podia receber a absolvição antes mesmo de cometer aquele acto criminoso.
Mas nem todo o dinheiro ganho com este negócio (que passou por inúmeros soberanos) foi usado no financiamento das aspirações políticas dos papas; muito deste «ouro dos pecadores» voltou a encher os cofres papais esvaziados com os gastos feitos em festins orgiásticos, especiarias raras, sedas finas e no serviço de prostitutas especializadas. Com isto, as indulgências do papa e dos seus cardiais preferidos de Roma foram pagas pelas indulgências do campesinato, apesar de todo este espectáculo deplorável ser sancionado por Deus.
À medida que se assistia a uma escalada desenfreada desta hipocrisia, Erasmo, um académico católico profundamente honesto, escreveu uma série de ataques mordazes dirigidos ao clero e revelou a clara disparidade entre «Verdade» e doutrina oficial. O seu livro «Elogio da Loucura» tornou-se tão popular que depressa foi traduzido em pelo menos uma dúzia de línguas.
A Santa Sé cimentara longamente a sua posição privilegiada mantendo os laicos na absoluta ignorância. Todos os textos religiosos, incluindo a Bíblia e o livro de orações, estavam disponíveis apenas em latim, sendo esta a língua usada nos serviços religiosos e na redacção de todos os documentos oficiais. Isto significava que a ampla maioria do povo não fazia a mais pequena ideia do que era dito na igreja ou transmitido pela sua doutrina.
De repente, na prosa de Erasmo, eram colocadas questões delicadas e em vernáculo e, com elas, a suspeição ao clero. Instigados por intelectuais e por membros do baixo clero, como Lutero e Calvino, os leigos começaram a pedir o esclarecimento da situação. A Igreja, inicialmente indolente e demasiado confiante ficou tão surpreendida que quase entrou em colapso. Apercebendo-se do perigo que a ameaçava, a Igreja reagiu com medidas drásticas com o objectivo que a Reforma de Lutero alastrasse a todo o norte da Europa. Numa tentativa de reeducação das massas, foi constituída, em 1534, por Inácio de Loyola, a Companhia de Jesus ou Jesuítas. O Concílio de Trento teve lugar em 1545 e reuniu-se depois, a intervalos irregulares, a fim de delinear a política papal para anular os ataques teológicos. Essa assembleia constituída por altas esferas da hierarquia da Igreja, decretaria o julgamento de Galileu, quase um século mais tarde e através da sua actuação arrastaria a Europa para a pior guerra religiosa da história, a Guerra dos Trinta Anos, iniciada em 1618.
Mas a decisão política mais controversa, tomada para conter a crescente vaga de protestantismo, pensamento científico e heresia, foi a criação da Inquisição Romana, instituída pelo papa Paulo III, em 1542, revitalizando a Inquisição Papal, instituída em 1231 por Gregório IX, com o objectivo de eliminar os Albigenses (ou Cátaros) e que já realizava o seu trabalho sangrento desde o século XIII. O seu dever oficial era investigar e reeducar, trazer almas perdidas de novo para a Santa Madre Igreja; mas, na verdade, a Inquisição era uma terrível arma de vingança, um mecanismo para matar. Esta organização exterminou mais de um milhão de homens, mulheres e crianças (à época, uma em cada duzentas pessoas existentes na Terra).
Paulo III decidindo ressuscitar a antiga instituição, deu-lhe corpo e conferiu-lhe poderes ainda mais draconianos, voltando forçando deliberadamente a interpretação das Escrituras para desculpar a enorme quantidade de castigos, que incluíam a confiscação de todas as terras e bens, prisão celular em isolamento e praticamente todos os tipos de crueldade física e mental. Grupos de investigadores treinados viajavam pelos diversos reinos da Europa a recolher informação sobre hereges suspeitos. O medo antecedia-os, e valiam-se de técnicas psicológicas subtis para o intensificar. Nos dias que antecediam a sua chegada eram afixados cartazes a anunciar a sua chegada iminente. O Inquisidor entrava na cidade acompanhado por uma procissão solene de monges encapuzados. Os espiões já tinham previamente identificado alguém detentor de conhecimentos heréticos e essas pessoas eram capturadas e levadas à presença do Inquisidor. A denúncia e a delação eram estimuladas. Se um transgressor conseguisse denunciar uma dúzia de suspeitos, os seus próprios pecados eram perdoados e era poupado à fogueira.
Para se fazer uma acusação de heresia bastava o testemunho de dois informadores. O suspeito ficava preso durante toda a fase de interrogatórios e a Inquisição nunca tinha pressa em terminar o seu trabalho. Muitas vítimas inocentes morreram no cárcere enquanto aguardavam que o Inquisidor avaliasse as suas confissões, outras eram torturadas até à morte, ou, desesperadas, confessavam crimes dos quais eram de facto inocentes e dos quais nada sabiam. Os informadores nunca eram identificados e os depoimentos que haviam feito em relação ao suspeito não eram revelados. Aos suspeitos era sempre recusado um advogado e as acções da Inquisição eram levadas a cabo no mais absoluto sigilo, assim, muitas vezes as vítimas simplesmente desapareciam.
Tal despotismo teve consequências na moldura social e política do mundo ocidental. Um retrato esclarecedor é o homicídio de cerca de 30.000 mulheres e muitas centenas de homens e crianças, entre 1500 e 1650. O crime destas vítimas não foi de facto nenhum. Apenas má sorte. Foram suspeitas de bruxaria, uma ironia bem amarga já que a Igreja rejeitava a noção do oculto.
Todavia, as seitas protestantes, na sequência da bem sucedida rebelião de Lutero, em muitos aspectos, não eram melhores do que os Católicos. À semelhança dos seus congéneres papistas, os líderes luteranos e calvinistas deixaram-se levar pelo interesse próprio e pela ilusão, e também eles se entregaram a orgias de violência e perseguições.
Uma das suas vítimas foi Miguel Servet, notável e talentoso médico que sustentou ideias religiosas perigosamente sinceras e as publicou em livro, em 1531, um tratado que clamava sem reservas o abandono do postulado conceito da Santíssima Trindade. Preso pela Inquisição vienense em 1533, conseguiu fugir para Genebra, o epicentro do Calvinismo, onde julgou encontrar refúgio. Mas Calvino também não gostou das suas ideias religiosas e em vez de refúgio, mandou que fosse preso, julgado e sentenciado à morte. Conta que a execução na fogueira o supliciou a uma morte muito lenta, tendo levado duas horas para o matar.
Mas semelhante crueldade foi apenas um aspecto como o extremo zelo religioso se tornou uma força destruidora. Extremistas de todas as comunidades religiosas mataram concidadãos seus, e a severidade e a paranóia impeliram nações inteiras para lutas violentas, rebeliões e finalmente a guerra.
Em 1562 eclodiram guerras civis em série, conhecidas como Guerras de Religião, que conduziram a um conflito europeu que durou 35 anos. Em Paris e noutras cidades importantes a fricção entre os Calvinistas franceses conhecidos por Huguenotes e os Cristãos originou um conflito que atingiu o seu clímax sangrento na dia do Massacre de S. Bartolomeu, a 24 de Agosto de 1572, quando cerca de setenta mil protestantes foram chacinados. A guerra civil levou mesmo ao assassínio do rei de França, Henrique III em 1589 e só em 1598 foi reposta uma certa ordem, com o Édito de Nantes, criado pelo corajoso e determinado Henrique IV, onde se declarava liberdade de consciência e igualdade de direitos legais e educacionais para os protestantes franceses.
Numa coluna, a devoção religiosa legou-nos obras magníficas. Enriquecem-nos os trabalhos de Giotto, Dante, Ticiano, Miguel Ângelo, Milton, Palestrina, Mozart, e muitos outros. Mas também temos de considerar a coluna dos débitos onde temos a caça às bruxas, os homens da Inquisição, as guerras religiosas, os atentados bombistas, as crianças mortas, o terrorismo.
O CONFLITO RELIGIOSO É TODAVIA RECRUDESCENTE.
PELO MUNDO FORA UMA FÉ CORRUPTA CONTINUA A ESPALHAR ANGÚSTIA.


(Apontamentos retirados e adaptados do livro "Giordano Bruno - O Filósofo Maldito", da autoria de Michael White)

14/02/17

A GRANDE REVOLUÇÃO DAS MENTALIDADES NA EUROPA: O RENASCIMENTO (Fins do Séc.XV a fins do Séc.XVII) - II

A GRANDE REVOLUÇÃO DAS MENTALIDADES NA EUROPA:

O RENASCIMENTO (Fins do Séc.XV a fins do Séc.XVII) -2ª Parte






No Renascimento, o ressurgimento social de artistas era uma condição essencial para o florescimento de novas ideias.
Os poetas do Renascimento descobriam a beleza da paisagem e os cidadãos a beleza das suas cidades.
O objectivo único dos monumentos é enaltecer a memória da pessoa e das suas façanhas, algo que surge pela primeira vez desde a Antiguidade.
Florença é o centro da nova época. Nela emerge, nos finais da Idade Média, uma imagem nova do Homem, uma atitude mental a que chamamos Humanismo, porque coloca o Homem no centro de todas as suas ideias.
A história do Renascimento é a história das cidades-estado da Itália.
Florença, a cidade dos Médicis, era uma das mais ricas e poderosas. A nova sensação de segurança e a nova riqueza desenvolveram-se abertamente e sem timidez nas artes. Num torneio celebrado na cidade em 1469, o jovem Lourenço de Medicis surgiu com a frase "Retorna o tempo". Esta frase expressava a aspiração suprema da época, o regresso de uma idade ideal. O desejo de renovação e de rejuvenescimento deu a esta época o seu nome: Renascimento.
A ideia de uma renovação já se havia espalhado pela Itália há muito tempo. Nunca se tinha esquecido que Roma tinha sido o centro do mundo.
A arquitectura nas cidades-estado italianas tinha sido sempre especialmente concebida para se transformar no símbolo das ideias da cidade.
Em Florença a reconstrução da antiga catedral iria ser coroada por uma cúpula de enorme altura e largura. A criação desta obra maior deu a Florença uma vista que se alcançava de todos os horizontes.
Os arquitectos da época, por volta de 1420, estavam no limite das suas possibilidades. As dificuldades técnicas pareciam insuperáveis mas o espírito audaz do Renascimento levou a cabo a tarefa legada da Idade Média como problema insolúvel. A técnica de construção com abóbadas, herdada da Alta Idade Média, tinha caído no esquecimento quando um homem brilhante - Filippo Brunelleschi - soube desenvolver um método para erguer grandes abóbadas sem suportes temporais. A cúpula da catedral florentina tornou-se a expressão visível das novas aspirações da época.
No claustro da igreja franciscana de Florença, Filippo Brunelleschi construiu uma capela que servia os monges como Sala Capitular. Actualmente é conhecida pelo nome dos seus doadores, a abastada família Pacci. O segredo de Brunelleschi está no efeito de conjunto que a simplicidade de todos os elementos arquitectónicos individuais eleva a uma grande dignidade formal. No interior a superfície branca da parede se estende rodeada de pedra cinzenta. O espaço assenta nele próprio. As suas proporções claras e simples, o limite ininterrupto do entablamento, a pureza dos arcos em semi-círculo, as abóbadas de canhão e a ocorrência das superfícies geométricas criam uma harmonia excepcional. É preciso recordar os anéis góticos nas alturas, numa época imediatamente anterior, para valorizar a ruptura dramática que representa este estilo novo de arquitectura.
Na "Loggia dos Inocentes", construída em Florença a partir de 1419, Brunelleschi eleva o motivo dos arcos com colunas a uma expressão dominante. Havia sido uma prática comum em Itália, desenhar as fachadas dos hospitais como átrios abertos. Estas loggias eram zonas de recreio para os convalescentes. Brunelleschi aproveitou-se deste costume apesar de não existir aqui nada que recorde a origem medieval do motivo. A loggia expressa a simetria pura das proporções clássicas. Nos tímpanos das arcadas encontramos os famosos medalhões com crianças do estúdio de Della Robia, informando o visitante, desta forma tão elaborada, da finalidade caritativa do edifício.
Conta-se que Brunelleschi se deslocou a Roma para estudar as ruínas dos edifícios antigos. Quando, como um arqueólogo, começou a escavar as fundações, os habitantes tomaram-no como alguém que procura ouro.
O arquitecto fazia esses trabalhos para tirar as escalas das proporções e não com a intenção de copiar, dado que desejava criar um estilo arquitectónico novo, em que os elementos clássicos como colunas, pilares, arcos, entablamentos, perfis estruturais de portas e janelas se misturassem numa nova harmonia com o novo estilo da época.
Em nenhum outro local, o homem desenvolveu, na Idade Média tardia, um sentido tão elevado de auto-confiança, como na próspera cidade mercantil de Florença. Também porque era aqui que residiam os artistas capazes de expressar esta nova atitude. Um dos mais importantes foi Donatello.
Por volta de 1415, o poderoso Grémio dos Armeiros encomendou a Donatello, uma estátua em mármore em honra do seu santo padroeiro, S. Jorge. Os armeiros desejavam ver os seus ofícios representados na armadura do cavaleiro cristão e receberam muito mais: a primeira escultura em tamanho natural desde a Antiguidade. É uma escultura magnífica, apoiada em si própria, segura e completa.
Esta concepção da figura humana era totalmente nova. A vivacidade da escultura é acentuada pela clareza e simplicidade dos seus contornos.
Miguel Ângelo disse uma vez que seria possível atirar uma boa escultura por uma ladeira abaixo, sem que se partisse nenhuma das suas partes. No São Jorge de Donatello, esta ideia tinha-se tornado realidade. A auto-confiança irradiada por esta escultura caracteriza a nova imagem do homem e não apenas na arte, mas também na sociedade.
Em 1401, os fiandeiros, um dos grémios mais poderosos que, com a sua riqueza, tinha uma enorme influência na vida de Florença, convocaram um concurso artístico. O vencedor receberia a encomenda de uma nova porta de bronze do baptistério.
Conservou-se o trabalho dos dois concorrentes. Os dois baixos-relevos descrevem o sacrifício de Isaac.
O prémio foi ganho pelo ourives LOURENZO GHIBERTI.
No "sacrifício de Isaac" misturam-se a delicadeza das linhas do gótico tardio com o ideal antigo da beleza física.
Mais tarde GHIBERTI foi encarregado de fazer outra porta para o baptistério. O escultor de bronze esforçou-se por imitar as possibilidades da pintura. No baixo-relevo modelou não somente formas arquitectónicas interiores, mas também paisagens.
Numa imperceptível graduação das figuras tridimensionais, as mais delicadas elevações do fundo, o escultor evoca a profundidade do espaço e sua atmosfera. Nos painéis da porta narram-se histórias do Antigo Testamento, histórias de Abraão, Caim, Abel e José.
Nestes painéis, Ghiberti juntou vários episódios da Bíblia, misturando-os em sequências pictóricas, criando uma nova unidade na multiplicidade dos motivos.
Em Ghiberti, a combinação entre espaço e figura foi uma conquista fundamental para a arte da composição do Renascimento.
Miguel Ângelo achou esta porta tão bela que afirmou ser digna de adornar as portas do Paraíso. Desde então é conhecida como "A porta do Paraíso".
Nestes baixos-relevos Ghiberti aproveitou uma das invenções mais importantes da época em Florença, a invenção da perspectiva.
Até a República de Veneza que reservava zelosamente as suas honras para os seus próprios súbditos, insistiu na construção de um monumento equestre a um líder de tropas marcenarias. A encomenda foi feita a um escultor experiente, ANDREA VERROCHIO. O General Bartolomeu Colleoni chega à batalha, montado no seu cavalo, destacando-se, na Praça de São João e Paulo.
Como é natural, os pintores da Antiguidade e da Idade Média sabiam que quanto maior a distância, mais pequenos pareciam os objectos e que é a posição do objecto em relação ao olhar do observador que determina a sua aparência em termos de dimensão.
 Contudo as tentativas careciam duma abordagem sistemática.
A lei da perspectiva foi descoberta pelo brilhante arquitecto florentino Filippo Brunelleschi.
Uma das primeiras pinturas monumentais feita de acordo com as novas leis ópticas e matemáticas é o fresco mural de MASACCIO "A Santíssima Trindade", com Maria e João da igreja florentina de Santa Maria Novella. É uma igreja simples, com uma abóbada que se abre a meio de uma estrutura de colunas e pilares. Nesse ponto a parede do corredor da igreja parece que se rasga e que é possível penetrar nela. Pela primeira vez, era possível apresentar o mundo tal como o homem o via.
Nas pinturas feitas com perspectiva, tudo é feito do ponto de vista do observador.
Nunca antes se tinha considerado tanto o ser humano individual.


09/02/17

A GRANDE REVOLUÇÃO DAS MENTALIDADES NA EUROPA: O RENASCIMENTO (Fins do Séc.XV a fins do Séc.XVII) -I


A GRANDE REVOLUÇÃO DAS MENTALIDADES NA EUROPA:
O RENASCIMENTO (Fins do Séc.XV a fins do Séc.XVII) -I

O Renascimento é a idade dos descobrimentos e de uma visão nova do mundo, de um mundo em que o homem determina o seu próprio destino.
Todos os pensamentos confluem para a arte, para a busca e para a experiência. Traçam-se novos caminhos em todos os campos.
Na arte, a descrição naturalista da Natureza e do Homem é o principal objectivo. O Homem descobre a sua humanidade e unicidade. Os rostos irradiam uma sensação de segurança que superou os temores medievais da retribuição divina e do Juízo Final.
A importância dos homens já não era determinada pelo nascimento e origem mas sim, em grande parte, pelos seus feitos pessoais realizados na infinita variedade das actividades humanas: políticas, militares, mercantis ou artísticas.
A habilidade era decisiva.
Surgiu uma elite de homens hábeis e de líderes militares (como Francesco Sforza em Milão), que também correspondiam a estas qualidades.
Os Médicis, em Florença, lideravam a banca internacional mais próspera. O círculo de amigos de Lourenço, o Magnífico, incluía artistas, poetas e estudiosos, de todos os extractos sociais.
Na Idade Média as pessoas orgulhavam-se dos seus santos e das suas relíquias. No Renascimento, as pessoas começavam a ter orgulho sobretudo nos seus conterrâneos importantes, artistas, poetas e chefes militares.
Os artistas assinavam abertamente os seus trabalhos e as suas obras e libertavam-se das restrições dos Grémios aceitando pessoalmente encomendas, como particulares.

Surge um novo culto da fama.

15/12/16

A Pedra Filosofal


A PEDRA FILOSOFAL
Foi do Egipto por intermédio dos árabes, que se espalhou a ideia de que a pedra filosofal era o meio de transformar em ouro os metais comuns.
A conquista do Egipto deu aos árabes a posse de conhecimentos que eram, no início, fruto do trabalho de uma classe sacerdotal ciosa, ensinada nos templos sob a forma de mistérios só acessíveis a iniciados.
Novecentos anos antes da conquista, a Academia de Alexandria tornara-se já um centro científico e, na época em que os árabes incendiaram a famosa biblioteca, Alexandria era a mais importante sede e albergue da ciência grega.
A lâmpada maravilhosa dos cientistas árabes, por intermédio da qual o homem podia adquirir toda a magnificência, no Egipto tomou a forma de pedra filosofal.
As escolas árabes, pela procura desta pedra filosofal, deram o primeiro impulso a toda a Europa ocidental, nela introduzindo conhecimentos químicos. No modelo das Universidades de Córdova, Sevilha e Toledo, visitadas desde o século X por curiosos de toda a parte, cedo se espalharam novos centros em Paris, Salamanca e Pádua.
Assim, os sacerdotes cristãos vieram a ser os depositários e propagadores de doutrinas científicas dos sábios árabes e, muitos séculos depois dos tempos dos sacerdotes egípcios, a Alquimia conservava ainda interpretações de obscuridade proverbial e estilo místico, repleto de imagens e entremeado de ideias religiosas. São verdadeiramente notáveis para a época, a variedade de conhecimentos químicos na riqueza de ideias e extensão de conceitos nos escritos de Geber (século VIII), Roger Bacon ou Alberto Magno (século XIII).
Já no tempo de Geber classificavam-se as substâncias, como hoje, por grupos, segundo as analogias. O grupo dos metais partilhava certas propriedades fundamentais: brilho metálico, inalterabilidade de alguns ao fogo (metais nobres), etc.
Por causa do seu brilho metálico, a galena e a pirite não podiam deixar de estar no grupo dos metais. A galena tem quase a cor do chumbo e a pirite do ouro. De ambas se pode extrair enxofre. Da galena pode-se, sem mudança de cor, retirar chumbo. Chumbo dúctil, fusível, dotado de brilho.
Não seria natural, então, acreditar que todos os metais continham enxofre e que este lhes modificava as propriedades, conforme entrava em maior ou menor quantidade? E, como da galena se obtém chumbo metálico por expulsão de enxofre, não seria possível que, separando um pouco mais de enxofre, tornar o chumbo mais nobre, convertendo-o em prata?
Conhecia-se a propriedade do mercúrio se reduzir facilmente a vapor. Não seria natural admitir que a formação da ferrugem e que a perda das propriedades metálicas experimentadas pelos metais, por calcinação proviriam da libertação de um mercúrio volátil?
Não temos de nos admirar que os alquimistas tivessem tomado por metais certos sulfuretos. Basta recordar que os químicos, em época muito mais adiantada consideravam o óxido de urânio como metal puro.
Os alquimistas supunham a presença, nos metais, de um princípio particular que lhe comunicava o carácter de metalidade: o mercúrio dos «sages». Extraindo o princípio metálico de uma substância, aumentando, por depuração, a força daquela, preparando, assim, a «quinta essência» da metalidade, obtinha-se a pedra que associada a metais comuns, os enobrecia. Esta «pedra filosofal» actuava, segundo alguns alquimistas, à maneira de fermento.
No seu mais alto grau de perfeição, a pedra filosofal era uma panaceia universal. Segundo Roger Bacon, uma só parte da pedra bastava para converter em ouro um milhão de partes de metal comum. Segundo Basílio Valentim, porém, o poder de transformação da pedra filosofal não ia além de 70 partes de metal comum e na opinião de John Price, o último «fazedor de ouro» do século XVIII, de 30 a 60 partes.
Antes da invenção da imprensa, era fácil aos alquimistas manter secretas as suas pesquisas. Os segredos das experiências só se trocavam entre iniciados. Das operações relacionadas com a «grande obra», nada mais há que símbolos e imagens que exprimem em linguagem inatingível, o que eles mesmo só muito vagamente apreendiam.
O que mais admira é que a existência da pedra filosofal possa ter passado durante tantos séculos e por tantos homens instruídos e pensadores como Bacon, Espinosa, Leibnitz como sendo uma verdade incontestável, quando ninguém a possuía, embora todos garantissem que outro a tinha.
No século XV havia alquimistas nas cortes de muitos príncipes reinantes: o imperador Rodolfo II e o palatino Frederico davam-lhe grande protecção. Havia quem se ocupasse de Alquimia em todas as classes sociais e sacrificavam-se quantias consideráveis na procura da pedra filosofal. Surgiu então a turba dos aventureiros que se fizeram passar junto dos grandes senhores, por adeptos possuidores do grande segredo; jogo perigoso que quase sempre acabava mal, com a falta de êxito das operações a que se entregavam.




11/12/16

Grandes Químicos: LAVOISIER


LAVOISIER
(1743-1794)

Foi o fundador da Ciência Química. 
O seu enorme espírito de inventiva, a sua excepcional habilidade de experimentador e os poderes de previsão e de síntese, fazem de Lavoisier uma das grandes figuras da História da Ciência.
Nascido no seio duma família rica e de boa posição social, cedo firmou contactos que o levariam a subir e a atingir elevados cargos. Formou-se em direito, aos 21 anos, enquanto seguia cursos de ciências que tiveram influência decisiva na sua vocação.
Aos 25 anos entrou na Academia das Ciências, de que viria a ser presidente e desde então não mais deixou de se dedicar à investigação científica.
O cargo de director da Administração Governamental das Pólvoras, e os vastos recursos de que assim pode dispor, permitiu-lhe instalar um laboratório ao tempo modelar, o melhor do seu tempo, equipado com mais de 5 milhares de instrumentos de vidro e argila: balões, retortas, cadinhos, cápsulas, funis, etc. e para obter temperaturas elevadas utilizou, não só os antigos fornos dos alquimistas, como também fontes caloríficas mais limpas e manejáveis, como lâmpadas de azeite de mechas espessas acopladas e, sobretudo, o Sol com o auxílio de lentes fortes (fornos solares). Obteve assim temperaturas suficientemente elevadas para fazer arder um diamante. Muito preocupado com a medida, teve sempre ao seu serviço, balanças, termómetros e barómetros de grande precisão e inventou dispositivos que lhe permitissem aumentar o rigor das leituras. Na situação de que desfrutava podia dar-se ao luxo de empregar reagentes bastante puros o que era uma raridade na altura, alguns dos quais preparados por ele mesmo.
Lavoisier encontrou na sua mulher uma colaboradora excepcionalmente inteligente e hábil.
Lavoisier foi uma das vítimas da Época do Terror da Revolução Francesa, tendo morrido na guilhotina, em Maio de 1794.
Deve-se a Lavoisier a primeira lista de substâncias simples (da qual constavam apenas cinco elementos).

09/12/16

História da Química: 1- A EVOLUÇÃO DA QUÍMICA ATÉ AO INÍCIO DA CIÊNCIA QUÍMICA


Objectivo da Química
A química tem como finalidade o estudo das propriedades e da composição das diferentes substâncias. É portanto a ciência que se ocupa das transformações da matéria. Tem a considerar dentro do seu campo produtos naturais e artificiais, mas são as substâncias puras (e não as misturas) o que interessa obter e estudar.
A partir dos produtos naturais (misturas), obtém-se substâncias puras (ou espécies químicas definidas) por análise imediata (conjunto de processos físicos de separação - trituração, acção da gravidade, centrifugação, dissolução, cristalização, destilação, etc. - e ainda por certos processos químicos. Quando se chega a uma substância que resiste a todas as tentativas de fraccionamento aplicadas a misturas, temos a substância pura. Pode-se então proceder à observação e estudo do seu comportamento químico e das suas propriedades físicas (aspecto, cor, cheiro, sabor, densidade, pontos de fusão e de ebulição, calor específico, índice de refracção, etc.).
Conseguida a substância pura, a Química recorre então novos processos de análise, a fim de determinar a sua composição elementar. As substâncias puras designam-se substâncias compostas (ou combinações químicas) se forem constituídas por mais de um elemento ou substâncias elementares se não se puderem decompor mais.
O número de elementos hoje conhecidos ultrapassa a centena e o número de substâncias compostas é de milhões, muitas obtidas em laboratório por síntese.

Conceito primitivo de elemento (Antiguidade)
Os filósofos gregos, que debateram largamente o problema da estrutura íntima da matéria, haviam formado os seus conceitos próprios, alguns dos quais perduraram até os tempos modernos. Começaram por admitir a unidade da matéria, considerando um princípio fundamental que, para Thales de Mileto (640-546 a.C.) e, em geral, para os filósofos da Escola Jónica, era a água. Outros admitiam ser o ar ou o fogo.
Foi Anaxímenes de Mileto também (570-499a.C.) quem, admitindo que o elemento primordial tem a possibilidade de se metamorfosear em outros três, estabeleceu a transição para a teoria dos quatro elementos fundamentais que perduraria até ao século XVI.
Coube, porém, a Empédocles de Agrigento (490-430 a.C.) dar corpo à teoria dos quatro elementos fundamentais (o ar, a água, a terra e o fogo - este o princípio activo por excelência, por criar luz e calor) depois de ter provado cientificamente, com experiências notáveis para a época, a existência do ar.
Seria a mistura dos quatro «elementos», em proporções variáveis, que daria origem a todas as substâncias conhecidas.
Segundo Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.), os elementos são, na realidade, as propriedades fundamentais pelas quais diferençamos as coisas. Essas propriedades - quente, frio, húmido, seco - combinadas duas a duas, com excepção das opostas, dariam exactamente os quatro elementos de Empédocles.
Evidentemente que os quatro elementos aristotélicos pouco têm a ver com aquilo a que, concretamente, damos os mesmos nomes. São antes abstracções com que se pretendeu definir situações concretas cuja explicação profunda escapava à observação.

A Alquimía na Idade Média
Na idade média, como consequência da evolução da técnica, surgiu a Ciência Hermética. Criaram-se e desenvolveram-se as artes da cerâmica, do vidro, da tinta e da metalurgia. Os seus praticantes consideraram sujeito ao influxo dos astros e faziam acompanhar de fórmulas mágicas.
Mais tarde estimulou-se a ideia de fabricação de ouro, partindo de metais vis. Os alquimistas propunham-se realizar a «Grande Obra». Um dos processos seria por intermédio da «pedra filosofal» que, convertida em «pó de projecção» e incorporada no metal em proporções ínfimas, bastaria para obter ouro puro.
A Alquimia não foi, como poderia pressupor-se uma fase primária da Química. Os alquimistas longe de empregarem reagentes puros, usavam, na sua ignorância da constituição da matéria, ingredientes formados por misturas complexas. Tão pouco tinham regras permanentes de nomenclatura ou atribuíam significado concreto aos vocábulos que empregavam como os termos «enxofre» e «mercúrio». Também não registavam as modificações que os reagentes experimentavam nem procuravam interpretar as reacções químicas. Limitavam-se a esperar, a colher o resultado final. Atribuíam os malogros, em geral, às mesmas causas: aquecimento insuficiente, por falta de calor ou de tempo. Ignoravam ou davam pouca atenção aos gases nas reacções - atendendo à importância do estudo dos gases no rápido desenvolvimento da Química no século XIX, compreende-se como a atitude dos alquimistas perante eles, terá impedido a passagem do seu empirismo à Ciência Química.

Na Idade Moderna
Mas também é verdade que a Alquimia deixou muito, como legado à Química. A descoberta de muitos elementos (como, por exemplo, o fósforo, pelo alemão Brand (1625-1692), quando procurava a pedra filosofal), numerosíssimos compostos, importantes técnicas (dissolução, filtração, destilação, calcinação) e aparelhagem especializada (fornos, alambiques, retortas, balões, funis, etc.).
No século XVII, o grande cientista Robert Boyle (1627-1691), que pode ser considerado o fundador da escola britânica da Química, dá pela primeira uma noção de elemento que se aproxima das ideias actuais e descobre a lei fundamental dos gases.
- Teoria do flogisto
O «flogisto» foi um vocábulo introduzido por Becher (1635-1682), que admitiu a existência dum princípio peculiar às substâncias combustíveis, as quais o expulsam no acto da combustão.
Stahl (1660-1734) fez do «flogisto» um princípio geral, tanto mais abundante na matéria a que se associa quanto mais combustível ela fosse.
A combustão de qualquer metal, dúctil, maleável, brilhante, reduzia-o à respectiva cal, terrosa, baça e sem vida. O metal perdia flogisto.
Se fosse possível insuflar flogisto na cal, por exemplo aquecendo esta com carvão, substância especialmente rica em flogisto, obter-se-ia de novo o metal. Mas como a cal era mais pesada que o metal, não havia modo de explicar como ganhando flogisto se perdia peso.
No entanto a teoria do flogisto teve adeptos fiéis até muito tarde, porque permitia explicar as combustões e estabelecia a relação de reciprocidade entre oxidações e reduções.
Em 1772 o oxigénio foi descoberto por Scheele (1742-1786), chamando-lhe «ar do fogo». O flogisto seria em seu entender um elemento e sendo o calor um composto de flogisto e ar de fogo.
Priesley (1733-1804) também descobriu o oxigénio, a partir da «cal mercurial» (óxido veremlho de mercúrio, que se decompõe com facilidade por acção do calor) chamando-lhe «ar desflogisticado», chamando «ar flogisticado» ao azoto, que era incapaz de alimentar combustões. Segundo ele o ar que nos rodeia , suportando todas as combustões, está parcialmente saturado de flogisto que nelas se desprende. Se o «ar» (ainda era comum, no século XVIII, o emprego do termo »ar» para designar os gases, muito embora o vocábulo «gás» já tivesse sido criado pelo notável alquimista flamengo Johan Helmond (1577-1644) que se liberta da decomposição da cal mercurial permite combustões tão vivas, é porque está isento de flogisto.
Na história da química ficou memorável um encontro em que Priesley comunicou a Lavoisier (1743-1794) o que apurou em relação ao novo gás e daqui partiu o grande químico para arquitectar a teoria da combustão.
Lavoisier, cujo espírito era adverso à teoria do flogisto e se encontrava na atitude de partir do nada para seguir o caminho da experimentação sistemática, apoiada pela medida, retomou a experiência de Priesley com a cal mercurial e conseguiu finalmente explicar os fenómenos da combustão e da oxidação, e com isso, dar a primeira interpretação rigorosamente científica de fenómenos químicos.
O uso sistemático da balança deu aos trabalhos de Lavoisier a segurança e o rigor que os seus predecessores nunca conheceram porque estavam fechados em cojecturas e antigos preconceitos herdados da Alquimia.
Lavoisier é considerado assim, o fundador da Ciência Química.

Grandes Químicos: ROBERT BOYLE


Robert Boyle (1627-1691)

Foi indiscutivelmente a maior figura da Química anteriormente a Lavoisier.
Sétimo filho do Conde de Cork, nasceu na Irlanda. Estudou em Eton e em Genebra, viajou na Itália e na França e adquiriu vasta cultura filosófica e teológica. Foi um dos fundadores da célebre Sociedade Real, de que foi também presidente.
Grande cientista, pode considerar-se o fundador da escola britânica da Química. Foi também um grande físico, tendo vivido numa época em que o método científico se havia já imposto.
A sua obra fundamental, no domínio da química é o «Sceptycal Chymist», em que o químico céptico, com argumentos de valor, baseando-se na experimentação, refuta, em diálogo socrático, os argumentos dos aristotélicos partidários dos quatro elementos, e dos espagiristas, partidários dos três princípios.
Pela primeira vez Boyle dá uma noção de elemento, a qual, na sua essência, se aproxima das ideias que dominaram a Química do século XIX.
Descobriu dezassete anos de Mariotte, a lei fundamental dos gases perfeitos (que tem o nome de ambos): pV=k (para t constante).

08/12/16

ALQUÍMIA - A CIÊNCIA HERMÉTICA


A Ciência Hermética - Os alquimistas

"Deve-se a Zósimo, de Panópolis, no Alto Egipto (século III), autor de vasta obra sobre a matéria, a criação do vocábulo «khemeia», para designar a "arte da terra negra", isto é, do Egipto, ou Khem.
Convertido pelos árabes em Alquimia, assim passou ao Ocidente, com uma longa experiência, assinalada pelo florescimento de alguns dos mais notáveis praticantes da Ciência Hermética - pois deste modo se designou também a Alquimia. Hermética porque se lhe deu como fundador Hermes Trimegistos (o três vezes grande), identificado com Thot, divindade egípcia a que se atribui a invenção das Ciências e com o Mercúrio dos Romanos.
A Ciência Hermética deve ter surgido como consequência do desenvolvimento da técnica, sempre associada à evolução das civilizações. Criaram-se e aperfeiçoaram-se as artes da cerâmica, da vidraria, tinturaria e metalurgia, que os seus praticantes consideravam sujeitas ao influxo dos astros e faziam acompanhar de fórmulas mágicas.
Mais tarde, quando a organização de grandes empresas militares ou a realização de obras excepcionalmente dispendiosas começou a exigir vastos recursos materiais, a ideia da fabricação do ouro, valor material por excelência, concretizou-se, estimulada por muitos potentados, e veio até aos tempos modernos.
Partindo de metais «vis» ou de escasso valor, os alquimistas propunham-se realizar a «Grande Obra» ou «Grande Magistério», transformando-os em ouro. Um dos processos seria por intermédio da «pedra filosofal», que, convertida em «pó de projecção» e incorporada no metal em quantidade ínfima bastaria para colher ouro puro.
Nem tudo é desarrazoado na obra dos Alquimistas. Acreditavam , e com razão, no fogo - isto é, nas elevadas temperaturas - como poderoso agente provocador de transformações; operavam por via seca, a temperaturas muito elevadas, para o que tiveram de criar técnica e material, de que podem destacar-se os elaborados tipod de fornos - atanores - de que muito dependeria o êxito da experiência. Mas como ignoravam a existência da força elástica dos gases e trabalhavam em vasos fechados, sofreram muitas vezes as consequências de destruidoras explosões.

Um deles, Roger Bacon, avantajando-se muito ao empirismo do seu tempo, tem já observações que antecipam o método científico dos tempos modernos, tal como o vieram a conceber mais tarde Leonardo, Galileu e Newton."

Grandes Químicos: ROGER BACON


ROGER BACON
(1214-1292)

Frade Franciscano, nascido em Oxónia (Oxford). Foi alquimista, físico, médico, matemático e astrónomo, e pioneiro no recurso à experimentação na investigação científica. O seu vasto saber mereceu-lhe o cognome «Doctor mirabilis». Nos seus numerosos escritos descreve, entre outras coisas, a fabricação da pólvora - aliás conhecida dos chineses muito antes da era cristã.

Grandes Químicos: PARACELSO



PARACELSO
(1493-1541)
Fundador da Iatroquímica (do gr. «iatros», médico), quimiatria ou quimioterapia.

Nasceu perto de Zurich (Suiça). Seguiu estudos de medicina em Ferrara (Itália). Muito novo percorreu a Alemanha, França, Itália, Inglaterra e Escandinávia e talvez também Espanha e Portugal. Dos contactos havidos veio-lhe o gosto pela Alquimia, que praticou.
Não hesitou em condenar mestres antigos como Galeno e Hipócrates, e ensinou na língua materna e não em latim, como era uso.
Foi o tipo acabado do "alquimista errante", levando vida aventurosa mas difícil.
Abandonou a teoria aristotélica dos quatro elementos  e fundou a teoria dos três princípios fundamentais, segundo a qual toda a matéria seria composta de enxofre (princípio da combustibilidade), mercúrio (princípio da vitalidade) e sal (princípio da fixidez). Não os nossos familiares enxofre, mercúrio e sal , mas os dos filósofos... Os adeptos desta teoria dominaram-se "espagiristas", vocábulo posivelmente criado pelo próprio Paracelso.
Paracelso ficou ligado à História da Ciência não pela sua teoria mas por, como médico, ter feito sistematicamente a terapêutica por via química, utilizando compostos minerais preparados no laboratório.