Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Bloco de notas pessoais aberto a quem o quiser folhear.

02/03/15

António José da Silva, O Judeu – Ópera Guerras do Alecrim e Manjerona

D. Gilvaz; D. Fuas; D. Tibúrcio; D. Lancerote, velho; D. Clóris, D. Nise, sobrinhas de D. Lancerote; Sevadilha, graciosa criada; Fagundes, velha criada; Semicúpio, gracioso criado de D. Gilvaz.

 


Cenas da I Parte
I – Prado, com casaria no fim
II – Câmara
III – Praça
IV – Gabinete

Cenas da II Parte
I – Praça
II – Sala
III – Câmara
IV – Praça
V – Câmara
VI – Jardim
VII – Sala.
   
                                                                           PARTE 1 
CENA 1

Prado com casaria no fim. Entram D. Clóris, D. Nise e Sevadilha com os rostos cobertos; e 
D. Fuas, D. Gilvaz e Semicúpio seguindo-as

D. Gilvaz
Diana destes bosques, cessem os acelerados desvios desse rigor, pois quando rémora1 me suspendeis, sois íman que me atraís. (Para D. Clóris

D. Fuas
Flora destes prados, suspendei a fatigada porfia3 de vosso desdém, que essa discorde fuga com que me desenganais é harmoniosa atração de meus carinhos; pois nos passos desses retiros forma compassos o meu amor. (Para D. Nise)
Semicúpio
E tu, que vens atrás, serás a Siringa4 destas brenhas5; e, para o seres com mais propriedade, deixa-te ficar mais atrás, pois apesar dos esguichos de teu rigor, hei-de ser conglutinado6 rabo-leva7 das tuas costas. (Para Sevadilha)
D. Clóris
Cavalheiro, se é que o sois, peço-vos que me não sigais, que mal sabeis o perigo a que me expõe a vossa porfia8. (Para D. Gilvaz)

D. Gilvaz
Galhardo9 impossível, em cujas nubladas esferas ardem ocultos dois sóis e se abrasa patente um coração, permiti que esta vez seja fineza a desobediência; porque seria agravo de vossos reflexos negar-lhe o inteiro culto da visualidade desse esplendor; porque assim, formosa ninfa, ou hei-de ver-vos ou seguir-vos, por que conheça, já que não o sol desse oriente, ao menos o oriente desse sol.

D. Clóris
Que será de mim, se este homem me seguir?          (Aparte)

D. Nise
Já parece teima essa porfia! Vede, Senhor, que se me seguis, que impossibilitais o meio para ver-me outra vez.

D. Fuas
Para que são, belíssimo encanto, esses avaros melindres do repúdio? Se já comecei a querer-vos, como posso deixar de seguir-vos? Pois até não saber, ou quem sois, ou aonde habitais, serei eterno girassol de vossas luzes.
Sevadilha
Ora basta já de porfia; senão, vou revirando. (Para Semicúpio)
           
Semicúpio
Tem mão, sarjeta encantadora, que com embiocadas10 denguices, feita papão das almas, encobres olho e meio, para matares gente de meio olho! Escusados são esses esconderelos11, pois pela unha desse melindre conheço o leão dessa cara.

D. Clóris
Isso já parece teima.
D. Gilvaz
Isto é querer-vos.
D. Nise
Isso é porfia.
D. Fuas
É adorar-vos.
Sevadilha
Isso é empurração.
Semicúpio
Àgora! Isto é bichancrear, pouco mais ou menos!

D. Gilvaz
Senhoras, para que nos cansamos? Ainda que pareça grosseria não obedecer, entendei que a nossa curiosidade e amor não permitirá que vos ausenteis, sem ao menos com a certeza de vos tornarmos a ver, dando-nos também o seguro de onde morais, para que possa o nosso amor multiplicar os votos na peregrinação desses animados templos da formosura.

D Fuas
Eis ali, Senhora, o que queremos.

Sevadilha
Em termos sem tirar nem pôr.

D. Clóris
Pois Senhor, se só por isso esperais, bastará que esse criado nos siga; porque de outra sorte destruís o mesmo que edificais.
D. Gilvaz
E admitireis a minha fineza?

D. Clóris
Sendo verdadeira, porque não?

D. Fuas
Admitireis os repetidos sacrifícios de meu amor?

D. Nise
Sim, se for amor constante.

D. Gilvaz e D. Fuas
Quem essa dita me abona?
D. Nise
Este ramo de manjerona. (Para D. Fuas)

D. Fuas
Na minha alma o desporei, para que sempre em virentes pompas se ostente troféu da Primavera.

D. Gilvaz
Mereça eu igual favor para segurança da vossa palavra.

D. Clóris
Este ramo de alecrim, que tem as raízes no meu coração, seja o fiador que me abone.
D. Gilvaz
Por único na minha estimação será este alecrim o Fénix das plantas, que, abrasando-se nos incêndios de meu peito, se eternizará no seu mesmo ardor.
Semicúpio
Isso é bom, segurar o barco; mas a tácita hipoteca não me cheira muito, digam o que quiserem os jardineiros.

D. Clóris
Cada uma de nós estima tanto qualquer dessas plantas, que mais fácil será perder a vida, do que elas percam o crédito de verdadeiras.

Semicúpio
Ai! Basta, basta! Já aqui não está quem falou. Vossas mercês perdoem que eu não sabia que eram do rancho do alecrim e manjerona. Resta-me também que tu, cozinheirazinha, vivas arranchada com alguma ervinha que me dês por prenda, pois também me quero segurar.

Sevadilha
Eis aí tem esse malmequer, que este é o meu rancho. Estime-o bem; não o deixe murchar.
Semicúpio
Ditoso seria eu, se o teu malmequer se murchasse!

D. Clóris
Pois Senhor, como estais satisfeito, desejarei estimásseis esse ramo, não tanto como prenda minha, mas por ser de alecrim.

D. Nise
O mesmo vos recomendo da manjerona.

D. Clóris
Advertindo que aquele que mais extremos fizer a nosso respeito coroará de triunfos a manjerona ou alecrim, para que se veja qual destas duas plantas tem mais poderosos influxos para vencer impossíveis.

D. Nise
Desejaria que triunfasse a manjerona.   (Vai-se)
D. Clóris
E eu o alecrim.   (Vai-se)

Sevadilha
Cuidado no malmequer!     (Vai-se)

Semicúpio
Cuidado no bem-me-quer!

D. Gilvaz
Ó Semicúpio vai seguindo-as, para sabermos aonde moram. Anda; não as percas de vista.
Semicúpio
Elas já lá vão a perder de vista; mas eu pelo faro as encontrarei, que sou lindo perdigueiro para estas caçadas.    (Vai-se)

D. Fuas
Quem serão, amigo D. Gilvaz, essas duas mulheres?

D. Gilvaz
Essa pergunta não tem resposta, pois bem vistes o cuidado com que vendaram o rosto, para ferir os corações como Cupido; mas, pelo bom tratamento e asseio, indicam ser gente abastada.

D. Fuas
Oxalá que assim fora, porque em tal caso, admitindo os meus carinhos, poderei com a fortuna de esposo ser meeiro no cabedal.

D. Gilvaz
Ai, amigo D. Fuas, que direi eu, que ando pingando, pois já não morro de fome, por não ter sobre que  cair morto?

D. Fuas
Elas foram aturdidas com palanfrórios.

D. Gilvaz
Já que do mais somos famintos, ao menos sejamos fartos de palavras.

Entra Semicúpio
Semicúpio
Já fica assinalada na carta de marear toda a costa, de leste a oeste, com seus cachopos e baixios!

D. Gilvaz
Aonde moram?

Semicúpio
São as nossas vizinhas, sobrinhas de D. Lancerote, aquele mineiro velho que veio das minas o ano passado.

D. Fuas
Basta que são essas! Por isso elas cobriram o rosto!

Semicúpio
Isso têm elas, que não são descaradas; antes são tão sisudas, que nunca encararam para ninguém.
D. Gilvaz
Uma delas sei eu que se chama D. Clóris.
Semicúpio
E a outra D. Nise. Isso sabia eu há muito tempo.
D. Fuas
E como saberei eu qual delas é a da manjerona?
Semicúpio
Isso é fácil! Em sabendo-se qual é a do alecrim, logo se sabe qual é a manjerona!
D. Fuas
Grande subtileza! Vamos D. Gil.
Semicúpio
Já que se vão, advirtam de caminho que, segundo as notícias que tenho, bem podem desistir da empresa; porque o velho é tão cioso das sobrinhas, como do dinheiro. A casa é um recolhimento; as portas, de bronze; as janelas, de encerado; as frestas são óculos de ver ao longe, que nem ao perto se veem; as trapeiras são zimbórios tão altos, que nem as nuvens lhes passam por alto; as paredes do jardim são mestras e as chaves das portas discípulas, porque ainda não sabem abrir; mas só o bem que há, e é que tendo tudo tão forte, só o telhado é de vidro. Com quê, Senhores meus, outro ofício: contentem-se com cheirar a sua manjerona e o seu alecrim, que amor que entra pelo nariz não é bem que chegue ao coração.
(…)
Aparece Fagundes com manto e capelo
Fagundes
É bom sumiço! Aonde estarão estas meninas, que há mais de quatro horas que foram à missa, e ainda não há fumo delas? Meu Senhor, vossa mercê acaso veria por aqui duas mulheres com uma criada?
D. Fuas
Que sinais tinham?
Fagundes
Tinha uma delas uns sinais pretos no rosto, e a outra uns sinais de bexigas.
D. Fuas
E que mais?
Fagundes
Uma delas tem os olhos verdes, cor de pimentão que está maduro, e a outra  olhos pardos, como raiz de oliveira; uma tem cova na barba, e a outra barba na cova; uma tem a espinhela caída, e a outra um leicenço num braço.
D. Fuas
Com esses sinais, nunca vi mulher nesta vida.
Fagundes
Meu Senhor, uma delas trazia um ramo de alecrim no peito, e a outra de manjerona.
D. Fuas
Vi muito bem que são as sobrinhas de D. Lancerote.
Fagundes
Essas mesmas são! Ora diga-me: aonde as viu?
D. Fuas
Promete vossa mercê fazer-me quanto lhe eu pedir?
Fagundes
Ai, que coisa me pedirá vossa mercê que lhe não faça, dizendo-me aonde estão as minhas meninas?
D. Fuas
Pois descanse, que elas aqui estiveram, e agora foram para casa.
Fagundes
Ai, boas novas tenho!
D. Fuas
Ora pois, em alvíssaras desta boa nova, quero que me diga como se chama…
Fagundes
Eu? Ambrósia Fagundes, para servir a vossa mercê.
D. Fuas
Diga como se chama a que trazia a manjerona no peito.

Fagundes
Chama-se D. Nise.
D. Fuas
Pois Senhora Ambrósia Fagundes, saiba que eu adoro tão excessivamente a D. Nise, que em prémio do meu extremo me franqueou este ramo de manjerona.
Fagundes
É verdade que pelo cheiro o conheço, que é o mesmo.
D. Fuas
E como me dizem os impossíveis que há, de a poder comunicar, quisera dever-lhe a galantaria de ser minha protetora nesta amorosa pretensão; e fie de mim, que o prémio há-de ser igual ao meu desejo.

Fagundes
Meu Senhor, difícil empresa toma vossa mercê; porque além da excessiva cautela do tio, que nisso não se fala, uma delas está para casar com um primo, que hoje se espera de fora da terra; e a outra qualquer dia vai a ser freira; com quê, meu Senhor, desengane-se, que ali não há que arranhar.

D. Fuas
E qual delas é a que casa?
Fagundes
Ainda se não sabe; porque o noivo vem à escolha daquela que lhe mais agradar.
D. Fuas
Como o vencer impossíveis é próprio de um verdadeiro amante, nós havemos intentar esta empresa, saia o que sair; que a diligência é mãe de boa ventura. Favoreça-me vossa mercê, Senhora Fagundes, com o seu voto, que eu terei bom despacho no tribunal de Cupido: tenho dinheiro e resolução e tendo a vossa mercê da minha parte, certo tenho o triunfo da manjerona. 
Fagundes
Pois por mim não se desmanche a festa, que eu não sou desmancha-prazeres. Esta noite o espero debaixo da janela da cozinha. Sabe aonde é?

D. Fuas
Bem sei.
Fagundes
Pois espere-me aí, que eu lhe direi o que há na matéria.

D. Fuas
Deixe-me beijar-lhe os pés, ó insigne Fagundes, feliz corretora de Cupido!

Fagundes
 Ai! Levante-se, Senhor; não me beije os pés, que os tenho agora mui suados e um tanto fétidos. Descanse, Senhor, que D. Nise há-de ser sua, apesar das cautelas do tio e das carícias do noivo.

D. Fuas
Se tal consigo, não tenho mais que desejar.

Canta D. Fuas a seguinte

Ária
Se chego a vencer
de Nise o rigor,
de gosto morrer
você me verá.
Porém, se um favor
alenta o viver,
quem morre de amor
mais vida terá.   (Vai-se)

Fagundes
Estes homens, tanto que são amantes, logo são músicos; e eu neste entendo terei boa melgueira; e mais eu, que sou abelha-mestra que hei-de chupar o mel da manjerona e do alecrim!

                                                    















   



Como nasceu a língua portuguesa


O português surgiu da mesma língua que originou a maioria dos idiomas europeus e asiáticos. Com as inúmeras migrações entre os continentes, a língua inicial existente acabou subdividida em cinco ramos: o helênico, de onde veio o idioma grego; o românico, que originou o português, o italiano, o francês e uma série de outras línguas denominadas latinas; o germânico, de onde surgiram o inglês e o alemão; e finalmente o céltico, que deu origem aos idiomas irlandês e gaélico. O ramo eslavo, que é o quinto, deu origem a outras diversas línguas atualmente faladas na Europa Oriental. O latim era a língua oficial do antigo Império Romano e possuía duas formas: o latim clássico, que era empregado pelas pessoas cultas e pela classe dominante (poetas, filósofos, senadores, etc.), e o latim vulgar, que era a língua utilizada pelas pessoas do povo. O português originou-se do latim vulgar, que foi introduzido na península Ibérica pelos conquistadores romanos. Damos o nome de neolatinas às línguas modernas que provêm do latim vulgar. No caso da Península Ibérica, podemos citar o catalão, o castelhano e o galego-português, do qual resultou a língua portuguesa. O domínio cultural e político dos romanos na península Ibérica impôs sua língua, que, entretanto, mesclou-se com os substratos linguísticos lá existentes, dando origem a vários dialetos, genericamente chamados romanços (do latim romanice, que significa falar à maneira dos romanos). Esses dialetos foram, com o tempo, modificando-se, até constituírem novas línguas. Quando os germânicos, e posteriormente os árabes, invadiram a Península, a língua sofreu algumas modificações, porém o idioma falado pelos invasores nunca conseguiu se estabelecer totalmente. Somente no século XI, quando os cristãos expulsaram os árabes da península, o galego-português passou a ser falado e escrito na Lusitânia, onde também surgiram dialetos originados pelo contato do árabe com o latim. O galego-português, derivado do romanço, era um falar geograficamente limitado a toda a faixa ocidental da Península, correspondendo aos atuais territórios da Galiza e de Portugal. Em meados do século XIV, evidenciaram-se os falares do sul, notadamente da região de Lisboa. Assim, as diferenças entre o galego e o português começaram a se acentuar. A consolidação de autonomia política, seguida da dilatação do império luso consagrou o português como língua oficial da nação. Enquanto isso, o galego se estabeleceu como uma língua variante do espanhol, que ainda é falada na Galícia, situada na região norte da Espanha. O primeiro documento literário escrito no idioma português surgiu a partir do século XII, quando havia o predomínio da língua falada. As grandes navegações, a partir do século XV d.C. ampliaram osdomínios de Portugal e levaram a Língua Portuguesa às novas terras da África (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe), ilhas próximas da costa africana (Açores, Madeira), Ásia (Macau, Goa, Damão, Diu), Oceania (Timor) e América (Brasil)

22/02/15

Teste os seus conhecimentos em fobias



Das fobias seguintes, quantas conhece?

1 amatofobia, 2 androfobia, 3 anuptafobia, 4 batofobia, 5 catisofobia, 6 corofobia, 7 cinofobia, 8 entomofobia, 9 ereutrofobia, 10 espectrofobia, 11 escopofobia, 12 fobofobia, 13 gamofobia, 14 gefirofobia, 15 ginofobia, 16 hedonofobia, 17 hipengiofobia, 18 hipnofobia, 19 ictiofobia, 20 melofobia, 21 misofobia, 22 nictofobia, 23 nostofobia, 24 ofidiofobia, 25 patofobia, 26 pedofobia, 27 tocofobia, 28 zoofobia.

(Respostas: medo de - 1 pó, 2 homens, 3 ficar solteiro, 4 locais profundos, 5 sentar-se, 6 dançar, 7 cães, 8 insectos, 9 corar, 10 espelhos, 11 ser observado, 12 fobias, 13 casar, 14 atravessar pontes, 15 mulheres, 16 prazer, 17 responsabilidades, 18 dormir, 19 peixes, 20 música, 21 sujidade, 22 noite e escuridão, 23 voltar para casa, 24 cobras, 25 doença, 26 crianças ou bonecos, 27 parto, 28 animais). 

DO MEDO AO PÂNICO. QUE SEI EU?
(Resultados: de 0 a 6 respostas certas, está dentro da média; 7 a 14 é culto, 15 a 21 é muito culto, 22 a 28 é um "expert").

27/12/14

Breve História de São João de Areias

História de São João de Areias


A freguesia de São João de Areias dista sete quilómetros da sede de concelho tendo uma população de cerca de 2500 habitantes. Integram a freguesia os lugares de Campelinho, Cancela, Casas Novas, Casal, Castelejo, Cernada, Currais, Fonte do Ouro, Guarita, Póvoa dos Mosqueiros, Prado, Quinta da Póvoa dos Mosqueiros, Quinta do Rio Dão, Ranha, São João de Areias, São Miguel, Sardoal, Silvares, Vale Pinheiro e Vila Dianteira.

Documentos do século X indicam a existência de monumentos arqueológicos no território que veio a constituir esta freguesia e nas imediações demonstrando a antiguidade do seu povoamento.

Segundo a lenda, o nome São João de Areias veio de uma imagem encontrada por uma velhinha nas margens do rio Mondego e que o povo levou depois em procissão para a igreja. Como foi achada nas areias, a vila ficou conhecida como São João de Areias. Certamente o topónimo está, na verdade, ligado a constituição de terrenos de então.

À semelhança de outras povoações, também São João de Areias pertencia ao Conde Gonçalo Moniz e à sua mulher D. Mumadona, Infanta de Leão e seria doada ao Mosteiro de Lorvão. Existiam por estas terras variados mosteiros que não deviam passar de ermidas com pequena população regular. São João de Areias era cento de relativa importância no século XIII, existindo juiz local e paróquia. Era, portanto, freguesia e concelho.

Em Outubro de 1136 D. Afonso Henriques coutou São João de Areias, Currelos, Parada e Santa Comba Dão ao bispado de Coimbra. Mais tarde, São João de Areias torna-se bispado de Viseu.

Nas Inquirições de 1258 encontra-se uma declaração sobre os juízes régios elucidativa acerca da história desta freguesia: “ Fomos a São João de Areias e, tendo interrogado o juiz local e o prelado e muitos outros cada qual por si, foi-nos dito que São João de Areias, Vila Dianteira, São Miguel, Cernada e metade de Parada, são do bispado de Viseu, teve-o de parte dos reis e a outra metade de Parada foi de Mem Sanches e é toda couto. “. Tendo-se averiguado sobre foros, foi respondido que não se fazia daí qualquer foro ao rei e até Silvares nada se pagava à coroa porque era “ hereditas “ do Mosteiro de Arganil, embora estivesse situada no couto de São João de Areias.

Mem Sanches será, muito provavelmente, o genro do senhor de Góis - D. Soeiro Dias -, descendente de D. Paio Guterres – o da Silva ou de Froião, no Alto Minho. De facto, este fidalgo que casou em segundas bodas com uma dona desta região beirã, foi casado com D. Sancha Anes e teve dela D. Pedro Pais “ Escacha “, de quem foi filho D. Sancho Pires. Este foi pai de Mem Sanches que, provavelmente, não possuiu o couto de Parada por herança dos seus antepassados - visto que estes nada teriam por cá -, mas a sua mulher , D. Maria Soares, filha de D. Soeiro Dias e neta paterna do senhor de Góis, padroeiro do cenóbio de Arganil, D. Diogo Gonçalves. Este prócer, senhor, crivelmente, do couto da meia Parada, era já Governador de Lafões e Besteiros – “ terra “, onde se incluía nos extremos meridionais São João de Areias – ao advento de D. Afonso Henriques. Com ele figura em documentos deste soberano relativos àquelas terras beirãs, D. Rabaldo Afonso, pai de D. Urraca Rabaldes.

Mem Sanches foi pai, entre outros filhos, de D. Pêro Mendes “ O belo pastor “ e de D. Maria Mendes, esposa do prócer beirão D. Fernando Anes “ Cheira “, tenente desta região e mãe de D. Froilhe Fernandes, grande dona beirã.

São João de Areias recebeu foral de D. Manuel a 10 de Abril de 1515. Foi sede de um concelho extinto a 7 de Setembro de 1895, passando a freguesia. Compreendia as freguesias de Parada, Pinheiro de Ázere e São João de Areias. A primeira pertence, actualmente, ao concelho de Carregal do Sal.

Foi primeiro barão de São João de Areias Francisco Serpa Saraiva – fidalgo da Casa Real, par do Reino, senador, comendador da Ordem de Cristo e juiz do Supremo Tribunal de Justiça, senhor de vínculos herdados de seus maiores – a 7 de Outubro de 1781. Foi segundo barão de São João de Areias Manuel de Serpa Pimentel a 27 de Setembro de 1910.

A agricultura, a transformação de madeiras, as confecções, o comércio e a construção civil constituem as actividades económicas mais relevantes da freguesia cujo orago é São João Baptista.

Existem também muitas colectividades na freguesia, das quais destacamos: a Associação Sócio- Cultural São João Baptista, o Centro Recreativo e Cultural da Póvoa dos Mosqueiros, o Centro Social e Cultural, o Grupo Desportivo de São João de Areias, a Sociedade Filarmónica Fraternidade de São João de Areias e a União Desportiva da Cancela.

Em São João de Areias celebram-se algumas festas e romarias: São João de Areias a 24 de Junho, Senhora da Graça a 19 de Dezembro, São João Baptista, Nossa Senhora da Conceição a 8 de Dezembro e São Miguel.

(História de São João de Areias

23/12/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 25 - Tendências Recentes em Portugal


25 - PORTUGAL: Tendências Recentes

Consideram-se Tendências Recentes as que se manifestam dos anos 60 em diante, correspondendo em grande parte ao período do pós 25 de Abril.

Alguns pintores figurativos dão continuidade a movimentos marcantes nas décadas anteriores, como o Surrealismo, o Gestualismo e o Abstracionismo; outros surgem com figurações sintéticas, sob influências dadaístas ou étnicas.

Na tendência abstracta podemos observar as vertentes geométrica, lírica, matérica e gestual, as últimas influenciadas pelo Informalismo e pelo Expressionismo Abstracto.

Vários dos pintores mais velhos fizeram parte significativa do seu percurso nas décadas anteriores, assim como parte dos pintores do Segundo Modernismo estenderam a sua produção até tempos recentes. Alguns apresentam-se fiéis a uma linha, outros têm abordagens muito eclécticas.

Pintores referidos na sessão:
Lima de Freitas 
António Costa Pinheiro
Júlio Pomar 
Gil Teixeira Lopes
Menez 
Eduardo Nery
Artur Bual 
Álvaro Lapa
Manuel Cargaleiro 
José de Guimarães
António Charrua 
Jorge Martins
Carlos Calvet
 Noronha da Costa
Lourdes Castro 
Luís Pinto-Coelho
Eurico Gonçalves 
Eduardo Batarda
Maluda 
Pedro Chorão
João RodriguesVieira
António Palolo
René Bértholo 
Graça Morais
Paula Rego
Julião Sarmento
Ângelo de Sousa
Vítor Pomar
Armando Alves
 Mário Botas
Jorge Pinheiro
Lima de Freitas - O encoberto

António Costa Pinheiro - Fernando Pessoa

Júlio Pomar - Mário Soares

Gil Teixeira Lopes - Dizer Íntimo

Menez -S/título

Eduardo Nery - Templos no Espaço

Artur Bual - Natércia Correia

Álvaro Lapa -S/título

Manuel Cargaleiro - A cidade dos mastros e das caravelas

José de Guimarães - S/título

António Charrua - S/título

Jorge Martins - Harém míope

Carlos Calvet - Misteriosa, Ousa

Luis Noronha da Costa - S/título

Lourdes Castro - Sombras projectadas bolsas e laranjas

Luis Pinto-Coelho - Rejon de Muerte

Eurico Gonçalves - Desdobragem

Eduardo Batarda - Cena canalha

Maluda - Lisboa

Pedro Chorão - S/título

João Rodrigues Vieira - Uma rosa é

António Palolo - Corpo

René Bartholo - O Líbano

Graça Morais - S/título

Paula Rego - A irmã do polícia

Julião Sarmento - Mehr Licht

Ângelo de Sousa - S/título

Vitor Pomar - S/título

Armando Alves - Paisagem

Mário Botas - Retrato de Fernando Pessoa

Jorge Pinheiro -Figura

18/12/14

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 24 - Segundo Modernismo em Portugal

24 - PORTUGAL: 2.º MODERNISMO
O Segundo Modernismo corresponde ao período de apogeu e declínio do regime de Salazar, centrando-se nos anos 40, 50 e 60. Nessas décadas são mais marcantes as influências do Surrealismo, do Neo-Realismo e do Abstraccionismo, sendo também de realçar as do Expressionismo e Gestualismo.
Com a colaboração de grandes arquitectos e escultores, as obras e monumentos públicos ganham uma grande relevância, sobretudo nas áreas do Urbanismo, Arquitectura e Escultura. Contudo, o Estado Novo apresenta um Modernismo contido, de um modo geral limitado a uma estética marcadamente nacionalista e saudosista.
Os pintores trabalham com um grau de liberdade bem maior do que escultores e arquitectos. Assim sendo, vários aproveitam também para expressar críticas ao regime, muitas vezes de forma velada, de modo a contornar a censura. Na ilustração oficial continua a tendência popular, agora de cariz nacionalista e propagandístico; mas uma outra se impõe, assumindo uma estética neorrealista, marcadamente antifascista.

Pintores referidos na sessão:
 António Pedro
António Dacosta
Fernando de Azevedo
Marcelino Vespeira
Cândido Costa Pinto
Cruzeiro Seixas
Manuel Ribeiro de Pavia
Domingos Camarinha
Rogério Ribeiro
Vieira da Silva
João Hogan
Luís Dourdil
Joaquim Rodrigo
Júlio Resende
Nadir Afonso
Fernando Lanhas
Carlos Botelho
Henrique Medina
Maria Keil
Querubim Lapa
Nikias Skapinakis - Tertúlia (1960)

Querubim Lapa - Desespero (1950)

Maria Keil - Painel de Azulejos "O Mar" (1958-59)

Henrique Medina - Rapariga da Galiza (1948)

Carlos Botelho - Ramalhete de Lisboa (1935)

Fernando Lanhas - 010.50 (1950)

Nadir Afonso - Composição Geométrica (1953)

Júlio Resende - Homem a Cavalo (1950)

Joaquim Rodrigo - Santa Maria (1961)

Luis Dourdil - (sem título, 1881)

João Hogan - (sem título, 1972)

Vieira da Silva - O Jogo de Xadrez (1943)

Rogério Ribeiro - Alentejo

Guilherme Camarinha - S. Jorge e o Leão

Manuel Ribeiro de Pavia - Apanha da Azeitona

Cruzeiro Seixas - A Chávena com Asa por Dentro (2001)

Cândido Costa Pinto - Decadência Outonal / Fadista (1943)

Marcelino Vespeira - Parque de Insultos (1949)

Fernando de Azevedo - Ocultação (1949)

António Dacosta - Cena Aberta (1940)

António Pedro - A Ilha do Cão (1941)
Nikias Skapinakis