Mensagem de boas vindas

Bem Vindo ao blog Campo da Forca. Apontamentos pessoais abertos a quem os quiser folhear.

14/02/17

A GRANDE REVOLUÇÃO DAS MENTALIDADES NA EUROPA: O RENASCIMENTO (Fins do Séc.XV a fins do Séc.XVII) - II

A GRANDE REVOLUÇÃO DAS MENTALIDADES NA EUROPA:

O RENASCIMENTO (Fins do Séc.XV a fins do Séc.XVII) -2ª Parte






No Renascimento, o ressurgimento social de artistas era uma condição essencial para o florescimento de novas ideias.
Os poetas do Renascimento descobriam a beleza da paisagem e os cidadãos a beleza das suas cidades.
O objectivo único dos monumentos é enaltecer a memória da pessoa e das suas façanhas, algo que surge pela primeira vez desde a Antiguidade.
Florença é o centro da nova época. Nela emerge, nos finais da Idade Média, uma imagem nova do Homem, uma atitude mental a que chamamos Humanismo, porque coloca o Homem no centro de todas as suas ideias.
A história do Renascimento é a história das cidades-estado da Itália.
Florença, a cidade dos Médicis, era uma das mais ricas e poderosas. A nova sensação de segurança e a nova riqueza desenvolveram-se abertamente e sem timidez nas artes. Num torneio celebrado na cidade em 1469, o jovem Lourenço de Medicis surgiu com a frase "Retorna o tempo". Esta frase expressava a aspiração suprema da época, o regresso de uma idade ideal. O desejo de renovação e de rejuvenescimento deu a esta época o seu nome: Renascimento.
A ideia de uma renovação já se havia espalhado pela Itália há muito tempo. Nunca se tinha esquecido que Roma tinha sido o centro do mundo.
A arquitectura nas cidades-estado italianas tinha sido sempre especialmente concebida para se transformar no símbolo das ideias da cidade.
Em Florença a reconstrução da antiga catedral iria ser coroada por uma cúpula de enorme altura e largura. A criação desta obra maior deu a Florença uma vista que se alcançava de todos os horizontes.
Os arquitectos da época, por volta de 1420, estavam no limite das suas possibilidades. As dificuldades técnicas pareciam insuperáveis mas o espírito audaz do Renascimento levou a cabo a tarefa legada da Idade Média como problema insolúvel. A técnica de construção com abóbadas, herdada da Alta Idade Média, tinha caído no esquecimento quando um homem brilhante - Filippo Brunelleschi - soube desenvolver um método para erguer grandes abóbadas sem suportes temporais. A cúpula da catedral florentina tornou-se a expressão visível das novas aspirações da época.
No claustro da igreja franciscana de Florença, Filippo Brunelleschi construiu uma capela que servia os monges como Sala Capitular. Actualmente é conhecida pelo nome dos seus doadores, a abastada família Pacci. O segredo de Brunelleschi está no efeito de conjunto que a simplicidade de todos os elementos arquitectónicos individuais eleva a uma grande dignidade formal. No interior a superfície branca da parede se estende rodeada de pedra cinzenta. O espaço assenta nele próprio. As suas proporções claras e simples, o limite ininterrupto do entablamento, a pureza dos arcos em semi-círculo, as abóbadas de canhão e a ocorrência das superfícies geométricas criam uma harmonia excepcional. É preciso recordar os anéis góticos nas alturas, numa época imediatamente anterior, para valorizar a ruptura dramática que representa este estilo novo de arquitectura.
Na "Loggia dos Inocentes", construída em Florença a partir de 1419, Brunelleschi eleva o motivo dos arcos com colunas a uma expressão dominante. Havia sido uma prática comum em Itália, desenhar as fachadas dos hospitais como átrios abertos. Estas loggias eram zonas de recreio para os convalescentes. Brunelleschi aproveitou-se deste costume apesar de não existir aqui nada que recorde a origem medieval do motivo. A loggia expressa a simetria pura das proporções clássicas. Nos tímpanos das arcadas encontramos os famosos medalhões com crianças do estúdio de Della Robia, informando o visitante, desta forma tão elaborada, da finalidade caritativa do edifício.
Conta-se que Brunelleschi se deslocou a Roma para estudar as ruínas dos edifícios antigos. Quando, como um arqueólogo, começou a escavar as fundações, os habitantes tomaram-no como alguém que procura ouro.
O arquitecto fazia esses trabalhos para tirar as escalas das proporções e não com a intenção de copiar, dado que desejava criar um estilo arquitectónico novo, em que os elementos clássicos como colunas, pilares, arcos, entablamentos, perfis estruturais de portas e janelas se misturassem numa nova harmonia com o novo estilo da época.
Em nenhum outro local, o homem desenvolveu, na Idade Média tardia, um sentido tão elevado de auto-confiança, como na próspera cidade mercantil de Florença. Também porque era aqui que residiam os artistas capazes de expressar esta nova atitude. Um dos mais importantes foi Donatello.
Por volta de 1415, o poderoso Grémio dos Armeiros encomendou a Donatello, uma estátua em mármore em honra do seu santo padroeiro, S. Jorge. Os armeiros desejavam ver os seus ofícios representados na armadura do cavaleiro cristão e receberam muito mais: a primeira escultura em tamanho natural desde a Antiguidade. É uma escultura magnífica, apoiada em si própria, segura e completa.
Esta concepção da figura humana era totalmente nova. A vivacidade da escultura é acentuada pela clareza e simplicidade dos seus contornos.
Miguel Ângelo disse uma vez que seria possível atirar uma boa escultura por uma ladeira abaixo, sem que se partisse nenhuma das suas partes. No São Jorge de Donatello, esta ideia tinha-se tornado realidade. A auto-confiança irradiada por esta escultura caracteriza a nova imagem do homem e não apenas na arte, mas também na sociedade.
Em 1401, os fiandeiros, um dos grémios mais poderosos que, com a sua riqueza, tinha uma enorme influência na vida de Florença, convocaram um concurso artístico. O vencedor receberia a encomenda de uma nova porta de bronze do baptistério.
Conservou-se o trabalho dos dois concorrentes. Os dois baixos-relevos descrevem o sacrifício de Isaac.
O prémio foi ganho pelo ourives LOURENZO GHIBERTI.
No "sacrifício de Isaac" misturam-se a delicadeza das linhas do gótico tardio com o ideal antigo da beleza física.
Mais tarde GHIBERTI foi encarregado de fazer outra porta para o baptistério. O escultor de bronze esforçou-se por imitar as possibilidades da pintura. No baixo-relevo modelou não somente formas arquitectónicas interiores, mas também paisagens.
Numa imperceptível graduação das figuras tridimensionais, as mais delicadas elevações do fundo, o escultor evoca a profundidade do espaço e sua atmosfera. Nos painéis da porta narram-se histórias do Antigo Testamento, histórias de Abraão, Caim, Abel e José.
Nestes painéis, Ghiberti juntou vários episódios da Bíblia, misturando-os em sequências pictóricas, criando uma nova unidade na multiplicidade dos motivos.
Em Ghiberti, a combinação entre espaço e figura foi uma conquista fundamental para a arte da composição do Renascimento.
Miguel Ângelo achou esta porta tão bela que afirmou ser digna de adornar as portas do Paraíso. Desde então é conhecida como "A porta do Paraíso".
Nestes baixos-relevos Ghiberti aproveitou uma das invenções mais importantes da época em Florença, a invenção da perspectiva.
Até a República de Veneza que reservava zelosamente as suas honras para os seus próprios súbditos, insistiu na construção de um monumento equestre a um líder de tropas marcenarias. A encomenda foi feita a um escultor experiente, ANDREA VERROCHIO. O General Bartolomeu Colleoni chega à batalha, montado no seu cavalo, destacando-se, na Praça de São João e Paulo.
Como é natural, os pintores da Antiguidade e da Idade Média sabiam que quanto maior a distância, mais pequenos pareciam os objectos e que é a posição do objecto em relação ao olhar do observador que determina a sua aparência em termos de dimensão.
 Contudo as tentativas careciam duma abordagem sistemática.
A lei da perspectiva foi descoberta pelo brilhante arquitecto florentino Filippo Brunelleschi.
Uma das primeiras pinturas monumentais feita de acordo com as novas leis ópticas e matemáticas é o fresco mural de MASACCIO "A Santíssima Trindade", com Maria e João da igreja florentina de Santa Maria Novella. É uma igreja simples, com uma abóbada que se abre a meio de uma estrutura de colunas e pilares. Nesse ponto a parede do corredor da igreja parece que se rasga e que é possível penetrar nela. Pela primeira vez, era possível apresentar o mundo tal como o homem o via.
Nas pinturas feitas com perspectiva, tudo é feito do ponto de vista do observador.
Nunca antes se tinha considerado tanto o ser humano individual.


09/02/17

A GRANDE REVOLUÇÃO DAS MENTALIDADES NA EUROPA: O RENASCIMENTO (Fins do Séc.XV a fins do Séc.XVII) -I


A GRANDE REVOLUÇÃO DAS MENTALIDADES NA EUROPA:
O RENASCIMENTO (Fins do Séc.XV a fins do Séc.XVII) -I

O Renascimento é a idade dos descobrimentos e de uma visão nova do mundo, de um mundo em que o homem determina o seu próprio destino.
Todos os pensamentos confluem para a arte, para a busca e para a experiência. Traçam-se novos caminhos em todos os campos.
Na arte, a descrição naturalista da Natureza e do Homem é o principal objectivo. O Homem descobre a sua humanidade e unicidade. Os rostos irradiam uma sensação de segurança que superou os temores medievais da retribuição divina e do Juízo Final.
A importância dos homens já não era determinada pelo nascimento e origem mas sim, em grande parte, pelos seus feitos pessoais realizados na infinita variedade das actividades humanas: políticas, militares, mercantis ou artísticas.
A habilidade era decisiva.
Surgiu uma elite de homens hábeis e de líderes militares (como Francesco Sforza em Milão), que também correspondiam a estas qualidades.
Os Médicis, em Florença, lideravam a banca internacional mais próspera. O círculo de amigos de Lourenço, o Magnífico, incluía artistas, poetas e estudiosos, de todos os extractos sociais.
Na Idade Média as pessoas orgulhavam-se dos seus santos e das suas relíquias. No Renascimento, as pessoas começavam a ter orgulho sobretudo nos seus conterrâneos importantes, artistas, poetas e chefes militares.
Os artistas assinavam abertamente os seus trabalhos e as suas obras e libertavam-se das restrições dos Grémios aceitando pessoalmente encomendas, como particulares.

Surge um novo culto da fama.

15/12/16

A Pedra Filosofal


A PEDRA FILOSOFAL
Foi do Egipto por intermédio dos árabes, que se espalhou a ideia de que a pedra filosofal era o meio de transformar em ouro os metais comuns.
A conquista do Egipto deu aos árabes a posse de conhecimentos que eram, no início, fruto do trabalho de uma classe sacerdotal ciosa, ensinada nos templos sob a forma de mistérios só acessíveis a iniciados.
Novecentos anos antes da conquista, a Academia de Alexandria tornara-se já um centro científico e, na época em que os árabes incendiaram a famosa biblioteca, Alexandria era a mais importante sede e albergue da ciência grega.
A lâmpada maravilhosa dos cientistas árabes, por intermédio da qual o homem podia adquirir toda a magnificência, no Egipto tomou a forma de pedra filosofal.
As escolas árabes, pela procura desta pedra filosofal, deram o primeiro impulso a toda a Europa ocidental, nela introduzindo conhecimentos químicos. No modelo das Universidades de Córdova, Sevilha e Toledo, visitadas desde o século X por curiosos de toda a parte, cedo se espalharam novos centros em Paris, Salamanca e Pádua.
Assim, os sacerdotes cristãos vieram a ser os depositários e propagadores de doutrinas científicas dos sábios árabes e, muitos séculos depois dos tempos dos sacerdotes egípcios, a Alquimia conservava ainda interpretações de obscuridade proverbial e estilo místico, repleto de imagens e entremeado de ideias religiosas. São verdadeiramente notáveis para a época, a variedade de conhecimentos químicos na riqueza de ideias e extensão de conceitos nos escritos de Geber (século VIII), Roger Bacon ou Alberto Magno (século XIII).
Já no tempo de Geber classificavam-se as substâncias, como hoje, por grupos, segundo as analogias. O grupo dos metais partilhava certas propriedades fundamentais: brilho metálico, inalterabilidade de alguns ao fogo (metais nobres), etc.
Por causa do seu brilho metálico, a galena e a pirite não podiam deixar de estar no grupo dos metais. A galena tem quase a cor do chumbo e a pirite do ouro. De ambas se pode extrair enxofre. Da galena pode-se, sem mudança de cor, retirar chumbo. Chumbo dúctil, fusível, dotado de brilho.
Não seria natural, então, acreditar que todos os metais continham enxofre e que este lhes modificava as propriedades, conforme entrava em maior ou menor quantidade? E, como da galena se obtém chumbo metálico por expulsão de enxofre, não seria possível que, separando um pouco mais de enxofre, tornar o chumbo mais nobre, convertendo-o em prata?
Conhecia-se a propriedade do mercúrio se reduzir facilmente a vapor. Não seria natural admitir que a formação da ferrugem e que a perda das propriedades metálicas experimentadas pelos metais, por calcinação proviriam da libertação de um mercúrio volátil?
Não temos de nos admirar que os alquimistas tivessem tomado por metais certos sulfuretos. Basta recordar que os químicos, em época muito mais adiantada consideravam o óxido de urânio como metal puro.
Os alquimistas supunham a presença, nos metais, de um princípio particular que lhe comunicava o carácter de metalidade: o mercúrio dos «sages». Extraindo o princípio metálico de uma substância, aumentando, por depuração, a força daquela, preparando, assim, a «quinta essência» da metalidade, obtinha-se a pedra que associada a metais comuns, os enobrecia. Esta «pedra filosofal» actuava, segundo alguns alquimistas, à maneira de fermento.
No seu mais alto grau de perfeição, a pedra filosofal era uma panaceia universal. Segundo Roger Bacon, uma só parte da pedra bastava para converter em ouro um milhão de partes de metal comum. Segundo Basílio Valentim, porém, o poder de transformação da pedra filosofal não ia além de 70 partes de metal comum e na opinião de John Price, o último «fazedor de ouro» do século XVIII, de 30 a 60 partes.
Antes da invenção da imprensa, era fácil aos alquimistas manter secretas as suas pesquisas. Os segredos das experiências só se trocavam entre iniciados. Das operações relacionadas com a «grande obra», nada mais há que símbolos e imagens que exprimem em linguagem inatingível, o que eles mesmo só muito vagamente apreendiam.
O que mais admira é que a existência da pedra filosofal possa ter passado durante tantos séculos e por tantos homens instruídos e pensadores como Bacon, Espinosa, Leibnitz como sendo uma verdade incontestável, quando ninguém a possuía, embora todos garantissem que outro a tinha.
No século XV havia alquimistas nas cortes de muitos príncipes reinantes: o imperador Rodolfo II e o palatino Frederico davam-lhe grande protecção. Havia quem se ocupasse de Alquimia em todas as classes sociais e sacrificavam-se quantias consideráveis na procura da pedra filosofal. Surgiu então a turba dos aventureiros que se fizeram passar junto dos grandes senhores, por adeptos possuidores do grande segredo; jogo perigoso que quase sempre acabava mal, com a falta de êxito das operações a que se entregavam.




11/12/16

Grandes Químicos: LAVOISIER


LAVOISIER
(1743-1794)

Foi o fundador da Ciência Química. 
O seu enorme espírito de inventiva, a sua excepcional habilidade de experimentador e os poderes de previsão e de síntese, fazem de Lavoisier uma das grandes figuras da História da Ciência.
Nascido no seio duma família rica e de boa posição social, cedo firmou contactos que o levariam a subir e a atingir elevados cargos. Formou-se em direito, aos 21 anos, enquanto seguia cursos de ciências que tiveram influência decisiva na sua vocação.
Aos 25 anos entrou na Academia das Ciências, de que viria a ser presidente e desde então não mais deixou de se dedicar à investigação científica.
O cargo de director da Administração Governamental das Pólvoras, e os vastos recursos de que assim pode dispor, permitiu-lhe instalar um laboratório ao tempo modelar, o melhor do seu tempo, equipado com mais de 5 milhares de instrumentos de vidro e argila: balões, retortas, cadinhos, cápsulas, funis, etc. e para obter temperaturas elevadas utilizou, não só os antigos fornos dos alquimistas, como também fontes caloríficas mais limpas e manejáveis, como lâmpadas de azeite de mechas espessas acopladas e, sobretudo, o Sol com o auxílio de lentes fortes (fornos solares). Obteve assim temperaturas suficientemente elevadas para fazer arder um diamante. Muito preocupado com a medida, teve sempre ao seu serviço, balanças, termómetros e barómetros de grande precisão e inventou dispositivos que lhe permitissem aumentar o rigor das leituras. Na situação de que desfrutava podia dar-se ao luxo de empregar reagentes bastante puros o que era uma raridade na altura, alguns dos quais preparados por ele mesmo.
Lavoisier encontrou na sua mulher uma colaboradora excepcionalmente inteligente e hábil.
Lavoisier foi uma das vítimas da Época do Terror da Revolução Francesa, tendo morrido na guilhotina, em Maio de 1794.
Deve-se a Lavoisier a primeira lista de substâncias simples (da qual constavam apenas cinco elementos).

09/12/16

História da Química: 1- A EVOLUÇÃO DA QUÍMICA ATÉ AO INÍCIO DA CIÊNCIA QUÍMICA


Objectivo da Química
A química tem como finalidade o estudo das propriedades e da composição das diferentes substâncias. É portanto a ciência que se ocupa das transformações da matéria. Tem a considerar dentro do seu campo produtos naturais e artificiais, mas são as substâncias puras (e não as misturas) o que interessa obter e estudar.
A partir dos produtos naturais (misturas), obtém-se substâncias puras (ou espécies químicas definidas) por análise imediata (conjunto de processos físicos de separação - trituração, acção da gravidade, centrifugação, dissolução, cristalização, destilação, etc. - e ainda por certos processos químicos. Quando se chega a uma substância que resiste a todas as tentativas de fraccionamento aplicadas a misturas, temos a substância pura. Pode-se então proceder à observação e estudo do seu comportamento químico e das suas propriedades físicas (aspecto, cor, cheiro, sabor, densidade, pontos de fusão e de ebulição, calor específico, índice de refracção, etc.).
Conseguida a substância pura, a Química recorre então novos processos de análise, a fim de determinar a sua composição elementar. As substâncias puras designam-se substâncias compostas (ou combinações químicas) se forem constituídas por mais de um elemento ou substâncias elementares se não se puderem decompor mais.
O número de elementos hoje conhecidos ultrapassa a centena e o número de substâncias compostas é de milhões, muitas obtidas em laboratório por síntese.

Conceito primitivo de elemento (Antiguidade)
Os filósofos gregos, que debateram largamente o problema da estrutura íntima da matéria, haviam formado os seus conceitos próprios, alguns dos quais perduraram até os tempos modernos. Começaram por admitir a unidade da matéria, considerando um princípio fundamental que, para Thales de Mileto (640-546 a.C.) e, em geral, para os filósofos da Escola Jónica, era a água. Outros admitiam ser o ar ou o fogo.
Foi Anaxímenes de Mileto também (570-499a.C.) quem, admitindo que o elemento primordial tem a possibilidade de se metamorfosear em outros três, estabeleceu a transição para a teoria dos quatro elementos fundamentais que perduraria até ao século XVI.
Coube, porém, a Empédocles de Agrigento (490-430 a.C.) dar corpo à teoria dos quatro elementos fundamentais (o ar, a água, a terra e o fogo - este o princípio activo por excelência, por criar luz e calor) depois de ter provado cientificamente, com experiências notáveis para a época, a existência do ar.
Seria a mistura dos quatro «elementos», em proporções variáveis, que daria origem a todas as substâncias conhecidas.
Segundo Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.), os elementos são, na realidade, as propriedades fundamentais pelas quais diferençamos as coisas. Essas propriedades - quente, frio, húmido, seco - combinadas duas a duas, com excepção das opostas, dariam exactamente os quatro elementos de Empédocles.
Evidentemente que os quatro elementos aristotélicos pouco têm a ver com aquilo a que, concretamente, damos os mesmos nomes. São antes abstracções com que se pretendeu definir situações concretas cuja explicação profunda escapava à observação.

A Alquimía na Idade Média
Na idade média, como consequência da evolução da técnica, surgiu a Ciência Hermética. Criaram-se e desenvolveram-se as artes da cerâmica, do vidro, da tinta e da metalurgia. Os seus praticantes consideraram sujeito ao influxo dos astros e faziam acompanhar de fórmulas mágicas.
Mais tarde estimulou-se a ideia de fabricação de ouro, partindo de metais vis. Os alquimistas propunham-se realizar a «Grande Obra». Um dos processos seria por intermédio da «pedra filosofal» que, convertida em «pó de projecção» e incorporada no metal em proporções ínfimas, bastaria para obter ouro puro.
A Alquimia não foi, como poderia pressupor-se uma fase primária da Química. Os alquimistas longe de empregarem reagentes puros, usavam, na sua ignorância da constituição da matéria, ingredientes formados por misturas complexas. Tão pouco tinham regras permanentes de nomenclatura ou atribuíam significado concreto aos vocábulos que empregavam como os termos «enxofre» e «mercúrio». Também não registavam as modificações que os reagentes experimentavam nem procuravam interpretar as reacções químicas. Limitavam-se a esperar, a colher o resultado final. Atribuíam os malogros, em geral, às mesmas causas: aquecimento insuficiente, por falta de calor ou de tempo. Ignoravam ou davam pouca atenção aos gases nas reacções - atendendo à importância do estudo dos gases no rápido desenvolvimento da Química no século XIX, compreende-se como a atitude dos alquimistas perante eles, terá impedido a passagem do seu empirismo à Ciência Química.

Na Idade Moderna
Mas também é verdade que a Alquimia deixou muito, como legado à Química. A descoberta de muitos elementos (como, por exemplo, o fósforo, pelo alemão Brand (1625-1692), quando procurava a pedra filosofal), numerosíssimos compostos, importantes técnicas (dissolução, filtração, destilação, calcinação) e aparelhagem especializada (fornos, alambiques, retortas, balões, funis, etc.).
No século XVII, o grande cientista Robert Boyle (1627-1691), que pode ser considerado o fundador da escola britânica da Química, dá pela primeira uma noção de elemento que se aproxima das ideias actuais e descobre a lei fundamental dos gases.
- Teoria do flogisto
O «flogisto» foi um vocábulo introduzido por Becher (1635-1682), que admitiu a existência dum princípio peculiar às substâncias combustíveis, as quais o expulsam no acto da combustão.
Stahl (1660-1734) fez do «flogisto» um princípio geral, tanto mais abundante na matéria a que se associa quanto mais combustível ela fosse.
A combustão de qualquer metal, dúctil, maleável, brilhante, reduzia-o à respectiva cal, terrosa, baça e sem vida. O metal perdia flogisto.
Se fosse possível insuflar flogisto na cal, por exemplo aquecendo esta com carvão, substância especialmente rica em flogisto, obter-se-ia de novo o metal. Mas como a cal era mais pesada que o metal, não havia modo de explicar como ganhando flogisto se perdia peso.
No entanto a teoria do flogisto teve adeptos fiéis até muito tarde, porque permitia explicar as combustões e estabelecia a relação de reciprocidade entre oxidações e reduções.
Em 1772 o oxigénio foi descoberto por Scheele (1742-1786), chamando-lhe «ar do fogo». O flogisto seria em seu entender um elemento e sendo o calor um composto de flogisto e ar de fogo.
Priesley (1733-1804) também descobriu o oxigénio, a partir da «cal mercurial» (óxido veremlho de mercúrio, que se decompõe com facilidade por acção do calor) chamando-lhe «ar desflogisticado», chamando «ar flogisticado» ao azoto, que era incapaz de alimentar combustões. Segundo ele o ar que nos rodeia , suportando todas as combustões, está parcialmente saturado de flogisto que nelas se desprende. Se o «ar» (ainda era comum, no século XVIII, o emprego do termo »ar» para designar os gases, muito embora o vocábulo «gás» já tivesse sido criado pelo notável alquimista flamengo Johan Helmond (1577-1644) que se liberta da decomposição da cal mercurial permite combustões tão vivas, é porque está isento de flogisto.
Na história da química ficou memorável um encontro em que Priesley comunicou a Lavoisier (1743-1794) o que apurou em relação ao novo gás e daqui partiu o grande químico para arquitectar a teoria da combustão.
Lavoisier, cujo espírito era adverso à teoria do flogisto e se encontrava na atitude de partir do nada para seguir o caminho da experimentação sistemática, apoiada pela medida, retomou a experiência de Priesley com a cal mercurial e conseguiu finalmente explicar os fenómenos da combustão e da oxidação, e com isso, dar a primeira interpretação rigorosamente científica de fenómenos químicos.
O uso sistemático da balança deu aos trabalhos de Lavoisier a segurança e o rigor que os seus predecessores nunca conheceram porque estavam fechados em cojecturas e antigos preconceitos herdados da Alquimia.
Lavoisier é considerado assim, o fundador da Ciência Química.

Grandes Químicos: ROBERT BOYLE


Robert Boyle (1627-1691)

Foi indiscutivelmente a maior figura da Química anteriormente a Lavoisier.
Sétimo filho do Conde de Cork, nasceu na Irlanda. Estudou em Eton e em Genebra, viajou na Itália e na França e adquiriu vasta cultura filosófica e teológica. Foi um dos fundadores da célebre Sociedade Real, de que foi também presidente.
Grande cientista, pode considerar-se o fundador da escola britânica da Química. Foi também um grande físico, tendo vivido numa época em que o método científico se havia já imposto.
A sua obra fundamental, no domínio da química é o «Sceptycal Chymist», em que o químico céptico, com argumentos de valor, baseando-se na experimentação, refuta, em diálogo socrático, os argumentos dos aristotélicos partidários dos quatro elementos, e dos espagiristas, partidários dos três princípios.
Pela primeira vez Boyle dá uma noção de elemento, a qual, na sua essência, se aproxima das ideias que dominaram a Química do século XIX.
Descobriu dezassete anos de Mariotte, a lei fundamental dos gases perfeitos (que tem o nome de ambos): pV=k (para t constante).

08/12/16

ALQUÍMIA - A CIÊNCIA HERMÉTICA


A Ciência Hermética - Os alquimistas

"Deve-se a Zósimo, de Panópolis, no Alto Egipto (século III), autor de vasta obra sobre a matéria, a criação do vocábulo «khemeia», para designar a "arte da terra negra", isto é, do Egipto, ou Khem.
Convertido pelos árabes em Alquimia, assim passou ao Ocidente, com uma longa experiência, assinalada pelo florescimento de alguns dos mais notáveis praticantes da Ciência Hermética - pois deste modo se designou também a Alquimia. Hermética porque se lhe deu como fundador Hermes Trimegistos (o três vezes grande), identificado com Thot, divindade egípcia a que se atribui a invenção das Ciências e com o Mercúrio dos Romanos.
A Ciência Hermética deve ter surgido como consequência do desenvolvimento da técnica, sempre associada à evolução das civilizações. Criaram-se e aperfeiçoaram-se as artes da cerâmica, da vidraria, tinturaria e metalurgia, que os seus praticantes consideravam sujeitas ao influxo dos astros e faziam acompanhar de fórmulas mágicas.
Mais tarde, quando a organização de grandes empresas militares ou a realização de obras excepcionalmente dispendiosas começou a exigir vastos recursos materiais, a ideia da fabricação do ouro, valor material por excelência, concretizou-se, estimulada por muitos potentados, e veio até aos tempos modernos.
Partindo de metais «vis» ou de escasso valor, os alquimistas propunham-se realizar a «Grande Obra» ou «Grande Magistério», transformando-os em ouro. Um dos processos seria por intermédio da «pedra filosofal», que, convertida em «pó de projecção» e incorporada no metal em quantidade ínfima bastaria para colher ouro puro.
Nem tudo é desarrazoado na obra dos Alquimistas. Acreditavam , e com razão, no fogo - isto é, nas elevadas temperaturas - como poderoso agente provocador de transformações; operavam por via seca, a temperaturas muito elevadas, para o que tiveram de criar técnica e material, de que podem destacar-se os elaborados tipod de fornos - atanores - de que muito dependeria o êxito da experiência. Mas como ignoravam a existência da força elástica dos gases e trabalhavam em vasos fechados, sofreram muitas vezes as consequências de destruidoras explosões.

Um deles, Roger Bacon, avantajando-se muito ao empirismo do seu tempo, tem já observações que antecipam o método científico dos tempos modernos, tal como o vieram a conceber mais tarde Leonardo, Galileu e Newton."

Grandes Químicos: ROGER BACON


ROGER BACON
(1214-1292)

Frade Franciscano, nascido em Oxónia (Oxford). Foi alquimista, físico, médico, matemático e astrónomo, e pioneiro no recurso à experimentação na investigação científica. O seu vasto saber mereceu-lhe o cognome «Doctor mirabilis». Nos seus numerosos escritos descreve, entre outras coisas, a fabricação da pólvora - aliás conhecida dos chineses muito antes da era cristã.

Grandes Químicos: PARACELSO



PARACELSO
(1493-1541)
Fundador da Iatroquímica (do gr. «iatros», médico), quimiatria ou quimioterapia.

Nasceu perto de Zurich (Suiça). Seguiu estudos de medicina em Ferrara (Itália). Muito novo percorreu a Alemanha, França, Itália, Inglaterra e Escandinávia e talvez também Espanha e Portugal. Dos contactos havidos veio-lhe o gosto pela Alquimia, que praticou.
Não hesitou em condenar mestres antigos como Galeno e Hipócrates, e ensinou na língua materna e não em latim, como era uso.
Foi o tipo acabado do "alquimista errante", levando vida aventurosa mas difícil.
Abandonou a teoria aristotélica dos quatro elementos  e fundou a teoria dos três princípios fundamentais, segundo a qual toda a matéria seria composta de enxofre (princípio da combustibilidade), mercúrio (princípio da vitalidade) e sal (princípio da fixidez). Não os nossos familiares enxofre, mercúrio e sal , mas os dos filósofos... Os adeptos desta teoria dominaram-se "espagiristas", vocábulo posivelmente criado pelo próprio Paracelso.
Paracelso ficou ligado à História da Ciência não pela sua teoria mas por, como médico, ter feito sistematicamente a terapêutica por via química, utilizando compostos minerais preparados no laboratório.

História de Roma 22 - OS GRACOS E OS CAVALEIROS


República em Crise:  Os Gracos e os cavaleiros
Roma e a Itália e toda a bacia mediterrânica padeciam de enormes tensões sociais no século II a.C. devido ao aumento do fosso entre as grandes famílias e a maioria dos cidadãos ainda mais empobrecidos pela superabundância de mão-de-obra escrava, que atingiu cifras próximas de 50% da população total, muitos vivendo na clandestinidade e provocando revoltas que, por vezes, fizeram abanar a estrutura social.
Dois jovens tribunos da plebe, irmãos, Tibério e Gaio Graco, implementaram então reformas espectaculares para remediar os problemas. Tibério ascendeu ao tribunado em 134 a.C. e iniciou uma reforma agrária que visava distribuir parcelas individuais de terra dos latifundia (imensas propriedades fundiárias de que o Estado se apossara após a segunda guerra púnica e que eram exploradas por algumas famílias ricas de patrícios mediante um pagamento meramente simbólico).
Tibério tinha o projecto de acabar com a pobreza urbana e aumentar o número de homens livres com bens suficientes para poderem servir no exército. A fim de contornar eventuais resistências Tibério decidiu submeter a proposta directamente ao voto dos comícios sem a apresentar previamente ao Senado, o que não sendo ilegal era contrário aos costumes de Roma. Então quando o outro tribuno, Octávio, vetou a lei, Tibério convenceu a assembleia a uma decisão sem precedentes: a exoneração de Octávio. Foi desta forma que a lei agrária foi aprovada e nomeada uma comissão para a pôr em prática, de que se destacavam Tibério e o seu jovem irmão Gaio. Tibério com estas atitudes tinha feito demasiados inimigos, começando a suspeitar-se que os seus métodos autoritários visassem o poder absoluto. Assim, em 133 a.C., logo que a assembleia iniciou uma reunião eleitoral no Capitólio, uma violenta discussão explodiu, degenerando rapidamente em rixa. Os senadores amotinaram-se em massa e os seus clientes acorreram em seu socorro, matando Tibério e 300 dos seus partidários à bastonada.
Foi a primeira vez em quatro séculos que houve derramamento de sangue em Roma num conflito civil. Tibério tinha posto em marcha o que certamente não queria: a desagregação da oligarquia romana.
Muitos senadores, entre os quais Cipião Emiliano, regozijaram-se com o fim de Tibério e tentaram paralisar a actividade dos funcionários encarregados de aplicar as leis agrárias, mas em vão. A lei foi aplicada e contribuiu para retardar a ruína dos pequenos camponeses.
Em 133 a.C. Gaio Graco foi eleito tribuno. Orador consagrado, a sua eloquência e diplomacia valeram-lhe apoios de todos os quadrantes. Fez-se eleger sem qualquer obstáculo para um segundo mandato. Reforçou as leis agrárias de seu irmão e completou-as com medidas que previam a criação de colónias romanas à volta de grandes centros como Cartago e Tarento. Reformou os tribunais, ao criar uma lei em que os jurados deveriam passar a ser da classe equestre. Era a subida ao poder duma classe com prestígio social, muitos tinham enriquecido como cobradores de impostos (publicanos) e depois constituído grandes fortunas em negócios de contratos de percepção relativos a trabalhos públicos e aprovisionamento do exército. Os «cavaleiros da finança» eram um grupo muito activo. De tempos a tempos, quando se mostravam demasiado ávidos e deixavam somente uma pequena parte aos senadores, eclodiam conflitos. Com as leis de Gaio Graco acabou a homogeneidade dos quadros que governavam o Estado.
Até à época de Gaio Graco, as tentativas de enriquecimento pessoal dos publicanos mantiveram-se dentro de limites  razoáveis, mas quando Gaio propôs um novo tribunal composto exclusivamente por cavaleiros a situação alterou-se completamente. Esta proposta pode ser considerada o ponto de partida daquilo que virá a ser a ordem equestre enquanto grupo social distinto.
A Gaio deparou-se em seguida o problema escaldante do estatuto dos aliados de Roma na esfera latina e no resto da Itália. Os aliados tinham desempenhado um papel determinante durante a Segunda Guerra Púnica e era o momento indicado para lhe conceder a plena cidadania romana. Contudo o Senado não estava disposto a conceder direito de voto a homens de quem nunca teria o voto e assim o estatuto de aliado manteve-se inalterado. Para compensar os aliados italianos foi-lhes oferecida uma parte das pequenas propriedades criadas a partir do parcelamento das terras do Estado, mas o Senado não autorizou os comissários a aplicar esta medida. Gaio decidiu que este ponto não era negociável e propôs em 122 a.C um novo projecto de lei visando conceder a cidadania romana a todos os latinos e nas outras cidades italianas aos administradores romanos, oferecendo em lugar do direito, todas as vantagens privadas da cidadania. Mas esta medida ambiciosa, digna de um homem de estado, foi ultrapassada por uma proposta astuciosa de um candidato conservador ao lugar de tribuno, que fez votar uma lei que ia mais longe. Gaio viu-se atado de pés e mãos e quando ia supervisionar a sua nova colónia de Cartago, rumores maléficos de que o lugar trazia mau agouro, enfraqueceram ainda mais a sua posição. Em 121 a.C. quando se apresentou pela terceira vez ao lugar de tribuno, não foi eleito. O seu fim estava próximo. Na sequência duma rixa entre apoiantes e opositores do projecto de colonização de Cartágo, um doméstico do senador Oprímio foi morto. Este aproveitou-se desse facto para convencer o Senado a declarar o estado de sítio e o próprio Oprímio assumiu a liderança dum grupo de senadores e cavaleiros que atacaram Gaio e o mataram. Improvisaram-se rapidamente simulacros de processos e 3000 partidários de Gaio Graco foram executados. O decreto que autorizou este acto foi, mais tarde, baptizado de «senatus consultum ultimum». Este expediente foi utilizado diversas vezes no decurso dos agitados decénios seguintes.

04/12/16

História de Roma 21: A SOCIEDADE ROMANA NO APOGEU DA REPÚBLICA





21 - A Sociedade
Em matéria de política externa Roma adoptou uma atitude cada vez mais dura e autoritária. No princípio do século II a.C. a autoridade do Senado sobre a política era total, não obstante as intervenções periódicas das assembleias. O governo era praticamente assunto de um círculo fechado de cerca de 2.000 homens, pertencentes a menos de vinte famílias. Eleições de «homens novos», (i.e. pertencentes a famílias sem antepassado «cônsul»), eram extremamente raros.
Guiado por estes homens e na ausência dum contra-poder eficaz, o Senado conservou uma supremacia que roçava a impunidade, tornando-se um órgão cada vez mais conservador.
 No plano interno, os nobres e o Senado mostravam-se cada vez mais intolerantes face aquilo que consideravam tentativas que visavam minar a sua supremacia. Entre aqueles que foram alvo da sua cólera, podemos citar o poeta Névio (270-201 a.C.), autor de obras patrióticas, entre as quais algumas tragédias e uma epopeia que é uma obra de vanguarda que tem como tema a 1ª Guerra Púnica, na qual o autor havia participado. Cerca de 204 a.C., Névio cometeu uma falta que lhe valeu a prisão e, depois, o exílio. A razão da severidade da sua pena remontava, provavelmente, a uma ofensa com cerca de trinta anos: tinha ousado criticar uma das mais poderosas famílias nobres plebeias.

A arte
Nas artes, Plauto (254-184 a.C.) é o grande mestre no domínio das peças cómicas. Com ele a comédia latina em verso atinge o apogeu. Inspirou-se nas refinadas comédias gregas do século IV a.C., mas, em vez da subtileza destas, deu largas ao seu génio na farsa bufa, de ritmo rápido. Utilizou o grotesco para a crítica social indirecta mas reveladora, tendo o cuidado de apresentar as suas personagens não como romanos, mas como gregos ou bárbaros. Outro grande poeta, Quinto Énio (239-169 a.C.), nasceu na Calábria onde recebeu as influências culturais que lá convergiam, gregas, latinas e italianas. Recebeu a cidadania romana como recompensa da participação na 2ª Guerra Púnica e foi trazido para Roma por Catão, em 204 a.C. Foi o primeiro profissional de letras em Roma e foi considerado o pai da poesia latina. A sua obra «Anais» - um poema épico no qual utilizou, como meio de expressão, uma adaptação do verso heróico grego - constitui uma crónica de toda a história romana, das origens até à sua época.
Catão, "o antigo" (234-149 a.C.) era um «homem novo». Raros textos da sua autoria chegaram até nós mas, apesar disso, o seu prestígio, como erudito, foi enorme. A sua obra maior, uma história de Roma em sete volumes, intitulada «Origens» ou «Histórias», redigida em latim, que não nos chegou, constitui a primeira obra de referência neste campo e o protótipo da prosa latina na qualidade de instrumento literário. Foi um excelente orador. Embora não contasse com qualquer cônsul entre os antepassados, tornou-se um dos políticos mais famosos na sua época e durante muitos anos uma personagem de primeira importância. Foi um inimigo figadal dos Cipiões. Apoiado na tradição e, protegido pelos numerosos proprietários fundiários conservadores, mostrou-se profundamente hostil ao culto da personalidade, nomeadamente a prestado a Cipião. Conseguiu expulsar os Cipiões da vida pública, obrigando-os à reforma em 184 a.C. e nesse ano foi eleito censor, o que era excepcional para um «homem novo». Esse cargo permitiu-lhe intensificar os ataques contra o helenismo, mas também a adoptar muitas medidas tendentes a renovar a economia e a moral da sua pátria. Foi hostil às tendências da sua época que visavam a emancipação das mulheres. Era do campo, chicaneiro e vingativo, de olhar penetrante, foi um modelo de puritanismo reaccionário, mas todos os seus esforços foram em vão pois o seu programa mostrou-se, a longo prazo, impraticável.
Com o tempo, os Romanos voltaram-se cada vez mais para Cipião Emiliano, bom orador, um dos mais novos generais romanos que participou na campanha da Macedónia, neto adoptivo de Cipião, o Africano, cultivando o gosto da época pelo individualismo tão criticado por Catão, veio a substituí-lo e, durante mais de 20 anos, foi um dos homens de Estado mais marcantes de Roma. Revelou-se um organizador enérgico e caracterizava-o uma reputação, totalmente merecida, de integridade. Com grande atracção intelectual pelo helenismo, interessou-se pela filosofia e literatura gregas e muitos do que lhe eram próximos, como Terêncio (185-159 a.C.), dramaturgo latino cuja obra extraordinária exerceu uma influência duradoura sobre o teatro europeu. vieram a ser responsáveis pelo progresso que a cultura helénica conheceu em Roma.

A riqueza e os novos monumentos
Durante todos estes anos, um afluxo crescente de moeda e lingotes de proveniência ultramarina foi-se acumulando no tesouro romano.
Roma era já, pelo tamanho, a primeira cidade do Ocidente e o afluxo de riquezas permitiu a construção de monumentos sumptuosos. A influência grega evidenciava-se no novo gosto pelos pórticos e pelas basílicas. No século I a.C. estas vastas salas públicas foram reconstruídas com abóbadas em arco - uma conquista arquitectónica romana (que implicava uma outra inovação tipicamente romana, o arco monumental, que surgiu em Roma a partir de 196 a.C.). Estes monumentos anunciavam já os sumptuosos arcos do triunfo imperiais que ainda hoje se podem admirar em muitas cidades. Os progressos atingidos na construção de arcos, arcadas, absides semicirculares, nichos e abóbadas foram possíveis devido à descoberta de uma matéria revolucionária: a argamassa. Em 144 a.C. um pretor mandou construir, para fornecer água à cidade, o primeiro aqueduto de Roma, o Acqua Marcia, com 58 Km de comprimento. Esta iniciativa deu origem a um vasto processo de construções de aquedutos, no final do qual Roma passou a usufruir de uma abundância de água corrente única no mundo. Ao mesmo tempo os romanos construíram estradas por toda a Itália. Em Roma as ruas permaneceram estreitas, mas foram pavimentadas com ladrilhos de lava endurecida do monte Albino. A população da capital aumentou e a maior parte dos habitantes residia em edifícios frágeis, construídos com madeira e materiais baratos, sem aquecimento nem água corrente, regularmente devastados por incêndios e inundações mas, pelo contrário, as habitações dos ricos começaram a ser construídas com pedra de cantaria. As casas tinham uma fachada cega que dava para a rua, distribuindo-se os quartos em redor de um átrio que desempenhava as funções de corredor interior e de sala de recepção; no átrio ficava o altar e as estátuas da família; os quartos de dormir e o alojamento do pessoal doméstico situavam-se na zona mais afastada e muitas destas casas tinham uma sala de jantar de Inverno e outra de Verão.

Os escravos
Os escravos constituíam uma enorme reserva de mão de obra.
Na sequência das campanhas vitoriosas dos séculos III e II a.C., Roma foi inundada de escravos. Esta mercadoria era vendida nos grandes mercados da Cápua e de Delos. Nestes espaços chegavam a negociar-se 20.000 escravos por dia.
Os escravos não tinham quaisquer direitos mas os domésticos eram tratados com relativa benevolência. Foi em grande parte devido a eles que a cultura grega penetrou em Roma pois forneciam à cidade professores, médicos e pessoal administrativo. No campo, a sorte dos escravos foi sempre menos sorridente. Segundo Catão deviam ser tratados da mesma forma que os animais domésticos e quando já não tinham idade para ganhar o pão, Catão achava que se podiam deixar morrer, contudo, ainda segundo ele, uma boa gestão obrigava a que os animais e os escravos fossem tratados com cuidado, de maneira a que trabalhassem o maior tempo possível. Era frequente que estes escravos, chamados rústicos, usassem grilhetas permanentemente  Nas grandes explorações agrícolas, alguns proprietários de escravos muito severos e pouco cuidadosos, submetiam a sua mão-de-obra a tratamentos terríveis. Os escravos que trabalhavam nas minas viviam uma existência ainda pior. Muitos desertavam para viverem na clandestinidade e esta foi uma das razões porque, em alguns períodos do século II a.C., a estrutura social romana estremeceu e esteve à beira da desintegração.



03/12/16

Grandes Químicos: ROGER BACON


ROGER BACON
(1214-1292)
Frade Franciscano, nascido em Oxónia (Oxford). Foi alquimista, físico, médico, matemático e astrónomo, e pioneiro no recurso à experimentação na investigação científica. O seu vasto saber mereceu-lhe o cognome «Doctor mirabilis». Nos seus numerosos escritos descreve, entre outras coisas, a fabricação da pólvora - aliás conhecida dos chineses muito antes da era cristã.

01/12/16

Grandes Físicos: KEPLER


KEPLER
(1571-1630)

Kepler é considerado o fundador da astronomia moderna.

Nascido em Wurtemberg (Alemanha) a vida de Kepler foi desventurosa, segundo os seus biógrafos. Não teve saúde, nem dinheiro, nem a proteção dos poderosos.
Quando concluiu os seus estudos foi-lhe dado um lugar de professor de Astronomia na Universidade de Graetz que ocupou durante sete anos.
As vicissitudes da sua vida levaram-no a deixar o lugar e foi então trabalhar com Tycho Brahe, reputado astrónomo dinamarquês, que o chamou a Praga.
Dotado de imaginação genial Kepler soube tirar dos dados das escrupulosas observações de Tycho a concepção de uma harmonia no movimento dos astros, formulando as leis das revoluções planetárias, as quais haviam de servir a Newton para estabelecer a lei da gravitação universal. Foi esta a sua grande descoberta.
Mas produziu ainda trabalhos de valor em diferentes ramos da Física e sobretudo da Óptica (refracção, fotometria, etc.).
Teve ainda um papel de relevo, que alguns historiadores consideram equivalente ao de Galileu, seu contemporâneo e amigo, na luta contra a os conceitos da física aristotélica.
al'>Em 1916 apresentou a «teoria da relatividade generalizada» que inclui uma nova teoria da gravitação.

Mais tarde, em 1928, surge a «teoria do campo unitário» a tentar abranger o campo gravitacional e o campo eléctrico.
Além de outras contribuições para a Física, também se lhe deve a «teoria dos fotões», muito importante para a interpretação dos fenómenos l

Grandes Físicos: EINSTEIN

EINSTEIN
(1879-1955)

Einstein foi o cientista mais famoso dos nossos dias.

Nasceu na Alemanha, de onde saiu com os pais aos 15 anos de idade.
Veio a concluir os seus estudos em Zurique (Suiça). Foi professoe em Berna, Zurique, Praga e Berlim.
Expulso da Alemanha como judeu, fixou-se nos Estados Unidos e ali morreu em 1955.
Tal como Newton, construiu uma nova síntese dos fenómenos dinâmicos (isto lhe valeu o nome de «Newton do século XX), o que não quer dizer que a física einsteiniana se oponha à clássica de Newton. Ela representa antes um maior grau de aproximação, um maior rigor, na interpretação dos fenómenos, e permite entrar nos domínios do microcosmo atómico.
As suas teorias apoiam-se em complicados e laboriosos cálculos matemáticos que poucos estão em condições de penetrar em toda a sua extensão. Mas os resultados fecundos advindos da aplicação das conclusões de Einstein têm imposto as suas leis de forma brilhante.
Celebrizou-se muito cedo com a «teoria da relatividade restrita» (1905), reformando os conceitos básicos de espaço, tempo e simultaneidade dos acontecimentos, aos quais não atribui um sentido absoluto como na dinâmica newtoniana.
Em 1916 apresentou a «teoria da relatividade generalizada» que inclui uma nova teoria da gravitação.
Mais tarde, em 1928, surge a «teoria do campo unitário» a tentar abranger o campo gravitacional e o campo eléctrico.
Além de outras contribuições para a Física, também se lhe deve a «teoria dos fotões», muito importante para a interpretação dos fenómenos l